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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Batatinha frita! François Hollande canta... e Sarkozy grita *


Poderiam perguntar-me: Gostas do François Hollande?
Sei lá?! – responderia eu - Não conheço o homem de lado nenhum.
E do PS francês?
Nãã... conheço razoavelmente o português... e chega!
Então porque raio estás com essa cara de gozo prazenteiro a ler as notícias sobre as eleições francesas?
Para já... e a ordem aqui é completamente “alienatória”... porque pude descobrir esta imagem do “grito do sarkozy”, sem precisar sequer de a surripiar aos vários blogues que a publicaram. Já a recebi por mail aí umas quinze vezes e é um belíssimo assassinato do quadro de Munch, por estes dias o quadro mais estupidamente caro do mundo (sim, quase 100 milhões de euros... é muito estúpido!!!)... e que cá por casa nem sequer é grandemente apreciado.
Depois... há sempre a possibilidade de o homem decidir honrar, pelo menos, um ou dois dos princípios que o seu partido apregoa... o que já seria um ganho.
Depois... é sempre bom ver um alarve como Sarkozy levar um pontapé no traseiro. O que prova que um razoável número de franceses não aprovou o seu estilo arrogante e arruaceiro para com os mais vulneráveis, estilo que intercalava com o nojento “lambebotismo” reservado para a Merkel.
Finalmente (por agora)... porque é fantástico apreciar a flexibilidade de coluna daqueles que, no poder na Alemanha, apoiaram abertamente a campanha de Sarkozy e ainda há pouco esticavam o dedo à frente do nariz do então candidato Hollande, avisando-o de que o tratado era «inegociável», e que agora já vêm dizer que «vão trabalhar com Paris»... numas tretas e mentiras novas que não estão no tal tratado “inegociável”.
Ainda mais finalmente... porque é ainda mais fantástico ver o poder alemão saudando a vitória «histórica» de François Hollande, ou dizendo que vão deixá-lo «salvar a face». O que quer dizer que, dentro de muitos dos governantes da política de direita, nomeadamente, da Alemanha, ainda é relativamente fácil encontrar-se em quantidades assinaláveis a matéria de que são feitos os grandes canalhas!
* Peço perdão a quem inventou o slogan publicitário das melhores batatas fritas do universo, que eram vendidas na praia da Costa Nova do Prado, em finais dos anos sessenta do século passado: “Batatinha frita! A menina chora e a mãezinha grita”

domingo, 27 de março de 2011

“La Javanaise” – O amor… no tempo de uma canção



Os menos atentos ignoram a simples existência da música francesa. Perdem muito... e há muitos anos! A música francesa continua em grande forma e a produzir espantosos intérpretes e autores.
De entre os mais atentos, alguns conhecem Serge Gainbourg. Infelizmente, muitos só o conhecem por ser o autor e intérprete de uma gravação cantada meias com Jane Birkin, a sua companheira de então, da muito gemida e suada “Je t’aime moi non plus”, cantiga proibida que tantos suspiros nos arrancou nos idos dos tempos de escola, em finais dos anos sessenta. Só que, conhecer Gainsbourg apenas por esta canção é uma enorme injustiça. Ao longo da sua carreira Gainsbourg compôs centenas de canções que gravou, numa farta lista de discos, canções que se espalharam por versões de outros artistas, num número difícil de calcular. Serge Gainsbourg, também escritor, actor e realizador, foi um grande da música e da cultura de França.

Hoje, mais uma vez, cometo a "graça" de publicar três vídeos de uma mesma canção. É a deliciosa “La Javanaise”. O primeiro vídeo é interpretado pelo próprio Serge Gainsgourg, naquela que deve ser uma das versões mais antigas da canção, do início da década de sessenta. O segundo é recriado pela desconcertante intérprete de jazz Madeleine Peyroux (que parece viver possuída pelo espírito de Billie Hollyday), no seu disco "Half the perfect world", de 2006. A terceira versão – a prova de fogo para demonstrar a minha teoria – é cantada por Alizée Jacotey, uma “lolita” da música pop francesa mais comercial e ligeira, num espetáculo de homenagem póstuma ao autor, realizado já em 2010.

A tal teoria que pretendo “vender-vos” é a de que só propositadamente e com manifesta má intenção... ou irremediável incompetência, se pode destruir uma grande canção. Desde que a versão seja feita e cantada com um mínimo de respeito e amor... há canções que são indestrutíveis. Algumas vão mesmo melhorando com o passar dos anos. Aqui ficam as três versões... entre dezenas possíveis. Elejam a vossa preferida. 
Ah... e escolher a versão da Juliette Greco, não vale. Essa, para além de ser a primeira, é de outro mundo... por isso é que nem a incluí aqui.

Bom domingo!

                                                         "La Javanaise" - Confesso que já estava apaixonado (mas tu não!), meu amor, mesmo antes de ter respirado o teu ar, meu amor. Na tua opinião, o que é que nós vimos do amor? Entre tu e eu... só eu fui “apanhado”, meu amor. Ah... em vão abril me consagra ao amor; o que eu desejava era ver em ti esse amor. Uma vida sem amor, não vale a pena ser vivida... mas foste tu quem quis assim, meu amor.
Não fiques zangada! Enquanto dançamos “La Javanaise”, amamo-nos... o tempo de uma canção.

La Javanaise
(Serge Gainsbourg)

J'avoue j'en ai
Bavé pas vous, mon amour
Avant d'avoir
Eu vent de vous, mon amour

Ne vous déplaise
En dansant la javanaise
Nous nous aimions
Le temps d'une chanson

A votre avis
Qu'avons nous vu, de l'amour
De vous a moi
Vous m’avez eu, mon amour

Hélas avril
En vain me voue a l'amour
J'avais envie
De voir en vous, cet amour

La vie ne vaut
D'être vêcue, sans amour
Mais c'est vous qui
L'avez voulu, mon amour

“La Javanaise” – Serge Gainbourg
(Serge Gainsbourg)



“La Javanaise” – Madeleine Peyroux
(Serge Gainsbourg)



“La Javanaise” – Alizée Jacotey
(Serge Gainsbourg)