Morreu o grande pintor Malangatana! Ficou a comunicação social cheia de referências ao seu nome: Malangatana Valente Ngwenya, nascido em Moçambique (1936-2011). Quando um artista (conhecido) morre é quase sempre assim. Uma grande parte das homenagens será mesmo sincera...
Abunda o “grande pintor”, claro, mas também o “doutor honoris causa”, o “Grande Oficial da Ordem de...”, os muitos prémios internacionais, a “Comenda de Artes e Letras” do governo francês, a UNESCO, etc., etc.
São mais raras as referências ao seu pensamento, à sua luta pela liberdade, ao seu posicionamento à esquerda, à sua militância.
Pessoalmente, quero contribuir para o lembrar como um “grande” que não deixou de guardar espaço no coração para as “pequenas coisas” que não dão fama internacional. Aqui, em Montemor-o-Novo, pequena cidade alentejana com pouco mais de doze mil habitantes, uma ainda jovem e pequena associação de solidariedade social, a “Porta Mágica”, sonhada e construída por um punhado de pessoas boas e solidárias com as crianças em risco, tem Malangatana como patrono. Um patrono que não se limitou a “dar” o nome famoso, antes era presente e participativo.
É nestas “pequenas” coisas que se encontram os grandes seres humanos!
