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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

“Cantigueiro” – Uma nova fase


Sejamos claros! O facto de, na passada sexta-feira e a propósito de uma piada ao anúncio algo nauseante do “porquê?, porquê?, porquê?”, protagonizado pelos notáveis ex-alunos do Colégio Militar, ter sido ameaçado por um “capitão de abril” com modos fascistas, de vir a ter, entre outras coisas, as mãos partidas para nunca mais escrever... não me fez sentir, nem por um momento “um Victor Jara”!
Por mais que partilhemos a profissão de “cantautores”, por mais que o tom em que lhe falaram aqueles que lhe esmagaram as mãos e assassinaram faz hoje precisamente 40 anos, fosse, estou certo, da mesma “família” do tom em que este “capitão de abril” me falou... a única coisa que consegui sentir, foi nojo!
Na verdade, o facto de ter um blog onde escrevo coisas com que nem todos podem concordar, não me obriga a ter que conviver, ainda que virtualmente, com gente com quem nunca lidei, todos estes "capitães" fascistas de todos os meses do ano menos de Abril, com quem não tenho a menor intenção de conviver... ainda que virtualmente. Fascistas, ou simples carroceiros que gostam de falar como se fossem fascistas. Essa minha “relação” com tal estirpe de gente... termina aqui!
Como tudo o que começou e um dia acabará (como este blog), a vida das coisas tem fases. O “Cantigueiro” entra, assim, numa nova fase.
A partir de hoje, terão aqui lugar os recados e comentários dos amigos, que serão sempre livres de dizer o que quiserem, até de concordar comigo... já que, digam o que disserem, fazem-no sempre com amizade e lealdade.
Quanto aos comentários de adversários que tenham (realmente) lido e discordado do que escrevi, mas que manifestem a sua discordância de uma forma que não envergonhe aqueles se tanto se esforçaram para lhes dar educação... continuarão a ser publicados, embora passe a ser muitíssimo raro que eu venha a responder a esses comentários.
Os outros, os “capitães de abril” e demais agressores anónimos, vão ter paciência, mas não verão nem mais um “comentário” publicado. Nalguns casos de frequentadores já conhecidos pelos seus recorrentes surtos de lacrimejantes saudades de Salazar... nem que seja para dizer "bom dia". Terão que se limitar a chafurdar, uns com os outros, no seu lamaçal comum e a abocanharem-se mutuamente.
Isto vale já para os insultos que este post vai, certamente, suscitar.
Obrigado... e um abraço a (quase) todos e todas!

domingo, 30 de setembro de 2012

Victor Jara – Canto que foi valente, será sempre canção nova!


Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razón

Quando o “império” decidiu remover do poder, no Chile, o Governo de Unidade Popular que tanto prejuízo lhes estava a causar, com o seu “mau exemplo” para o continente e, entre outras coisas, a nacionalização das (gigantescas) minas de cobre, serviu-se das botas cardadas e da selvajaria de Pinochet e dos seus sequazes para abrir caminho ao que viria a ser o regresso do Chile “ao mercado” e à “democracy”.
Para guiar a economia chilena de volta ao mercado, foram enviados para o Chile os “Chicago Boys”, a equipa de “economistas” de Milton Friedman, o verdadeiro “deus” de uma boa parte daqueles que, presentemente, governam em Portugal.
Sim, isto anda tudo ligado...
Claro que esta quadrilha de “economistas” só avançou para o Chile depois de os assassinos de Pinochet, orientados e apoiados pela CIA, terem removido os “escolhos” que tinham “desviado” o país para “maus caminhos”. Um desses “escolhos” foi Victor Jara!
«Canta agora, filho da puta!» - gritou-lhe um dos oficiais, depois de lhe terem esmagado as mãos durante mais uma sessão de espancamento, no Estádio do Chile. “Canta agora...” – uma espécie de versão mais “hardcore” do discurso do nosso ministro Miguel Macedo e da fabula da cigarra e da formiga.
Como ele, segundo contam alguns sobreviventes da chacina, se levantou e cantou... foi ali mesmo assassinado a tiro, perante todos os presentes.
Se tivesse sobrevivido, Victor Jara teria feito 80 anos na passada sexta-feira.
Achei que era esta a melhor “cigarra” a convidar para hoje nos cantar uma das suas canções, Manifiesto, no dia seguinte ao que se passou numa grande praça de Lisboa e dentro de cada um daqueles que ali estiveram.
Bom domingo!
Manifiesto” – Victor Jara
(Victor Jara)