(David Alfaro Siqueiros)
As mulheres deviam dar à luz crianças saudáveis, que se tornariam homens felizes... e não parir soldados... que é como se já nascessem mortos. As mulheres deviam ser amadas e não vítimas de violência. As mulheres deviam ter acesso ao trabalho com dignidade. As mulheres deviam ter um salário igual ao dos homens que fazem um trabalho igual. As mulheres não deviam ser as primeiras a ir para o desemprego. As mulheres não deviam estar em maioria apenas em número, mas também nos centros de decisão, nos cargos de chefia, nas oportunidades.
Tudo isto e muito, muito mais, constitui parte da imensa lista de lutas que vêm do fundo dos tempos, que já foram gatilho para a Revolução de Outubro, que têm sido a nossa companhia desde que nos conhecemos como gente. Lutas que avançam lentamente e de forma irregular. Se em algumas comunidades quase se pode falar em igualdade... noutras, até a simples palavra é maldita.
Não, não quero fazer comício! Como tal, e dada a ligeira “confusão” em que anda envolvida a música de intervenção nestes últimos dias, recorro a uma canção de amor. Uma vertiginosa canção de amor.
Composta por Ariel Ramírez e com versos de Félix Luna, “Alfonsina y el mar” é dedicada à poeta argentina Alfonsina Storni que, para além dos versos, nos mostrou mais uma das muitas debilidades dos seres humanos... morrendo de amor.
A canção, essa é um diamante, aqui lapidado pela interpretação insuperável de Mercedes Sosa. É um presente simples, um momento de descanso junto a um regato, uma flor... para um intervalo na caminhada... que segue já, já!
“Alfonsina y el mar” – Mercedes Sosa
(Félix Luna/Ariel Ramírez)