quarta-feira, 12 de maio de 2010

A História repete-se a si própria... e já não há pachorra para palavras novas



Ao contrário do que foram as juras recentes do mentiroso compulsivo de serviço, o Governo chefiado pelo dito prepara-se, tudo o indica, para subir o IVA, mexer nos salários dos trabalhadores, sacar o que puder do Subsídio de Natal, do Subsídio de Férias... tudo para «arrecadar» os quase dois mil milhões de que necessita para fazer a vontade aos donos.

No caso (por certo altamente improvável e inesperado para os cérebros que inventaram esta “solução” para o défice) de o abrupto aumento do IVA e, portanto, da subida dos preços de praticamente tudo, acrescido do corte directo nos salários, prestações sociais, etc., etc., provocarem mais uma forte contracção no consumo interno, quebra de produção, perda de postos de trabalho e a respectiva diminuição de colecta de impostos, anulando a maior parte da expectativa de “arrecadação” desejada pela "Mofina Mendes" que manda no Ministério das Finanças, presumo que os génios que nos governam porão as caras de parvos do costume e empurrarão a culpa para a crise internacional e para aqueles que “insultam” e muito justamente vaiam em público Sua Excelência o Presidente do Conselho, o que será mais um pretexto para aumentar a segurança pessoal a Sua Excelência, notoriamente "ameaçada" por estas manifestações “antipatrióticas”, quase todas de índole comunista... e criar nas forças policiais um verdadeiro, novo, democrático e moderno espírito de Polícia de Intervenção e Defesa do Estado.

Se, contra esta minha previsão de amador, conseguirem mesmo arrecadar os milhares de milhões que pretendem... na verdade não será uma grande proeza. Se eu assaltar uns quantos bancos, tendo a polícia a proteger-me, em vez de me prender, também sou capaz de “arrecadar” uma pipa de massa em pouco tempo.

“Arrecadadores”. Pode estar aqui a nascer um belo neologismo neoliberal, como lhe chamaria o Sérgio Ribeiro. No entanto, dada a minha idade já algo avançada, acho que prefiro ficar na minha... e continuar a chamar-lhes apenas ladrões.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Voando sobre um ninho de "cuscas"...








Quando esta manhã, durante a minha bica das dez e tal, começou a soar um aparentemente despropositado estreloiçar de sinos (sim... mesmo aqui em Montemor-o-Novo...) pareceu-me ouvir dizer atrás de mim que o Figo estava a aterrar de maduro no papa não sei das quantas...

Como isto não fazia sentido nenhum e, sobretudo, nunca deixaria a clientela do café naquele estado de excitação, lá me concentrei melhor na escuta da conversa. Afinal era o Papa que acabava de aterrar no Figo Maduro.

Decididamente não percebo nada, nem de futebol, nem do “show biz” religioso.

Abençoada seja a distância que estou “daquilo”, abençoados sejam os canais de televisão por cabo!

Bolçar valores


Atente-se na rica variedade de papas que aqui juntei, especialmente na “feliz” frase publicitária da “Predilecta” e na tão politicamente correcta cachimbada que os bebés fumavam, antigamente, logo a seguir ao seu prato de saudável papa Maizena.

Por estes dias, o panorama televisivo nacional mais parece uma competição feroz entre as várias marcas de farinhas lácteas, para ver quem nos consegue impingir mais “papa”. O senhor Ratzinger aí está! Dando apenas umas pequenas abébias ao Benfica, está em todo o lado, impondo-se (hábito antigo!) a toda a gente, mesmo gente que tenha outras crenças, mesmo gente que as não tenha de todo.

Ficar-me-ia alegremente por esta irónica piada das papas, quanto mais não fosse para não arriscar pisar aquele risco em que se começa a magoar os cristãos de boa fé, não fosse o azar de ler em vários títulos de jornais que o senhor Ratzinger, de nome artístico, Bento XVI, traz mensagem a uma «Europa decadente de valores».

Por um lado é verdade. Esta Europa está decadente e muitos dos “valores” que ainda preza estão depositados em “off-shores”. Porém, por outro lado, este Papa devia ter a lucidez de saber que nos tempos que correm não devia ousar ter a desfaçatez de esticar o dedo para quem quer que fosse, apregoando valores e verberando a decadência. Se o Papa e o Vaticano tivessem um pingo de vergonha na cara, teriam cancelado esta e quaisquer próximas viagens sumptuárias do seu Chefe de Estado. Por muito que seja preciso desviar os olhares... por muito que seja necessário ir alimentando a mega fraude de Fátima, talvez o único “conto do vigário” em que os vigaristas não se importam de ostentar precisamente o título de Vigário.

Por estes dias, os únicos “valores” do Vaticano em que muita gente tem os olhos postos, são as justas indemnizações que venham a conseguir em tribunal, provando, uma após uma, as centenas e centenas de acusações de crimes de pedofilia que recaem sobre a Igreja Católica e alguns dos seus sacerdotes.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

E que tal se nos levantássemos do chão?!



A oportunista que ocupa o cargo de Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, andou durante semanas a encenar um discurso extremamente duro sobre a situação económica na Grécia e o projecto da alegada ajuda da UE aos capitalistas daquele país.

Com esse discurso, foi agravando as condições dos “ratings” das agências de abutres que mandam no capitalismo internacional, que assim conseguirão esbulhar a Grécia e, sobretudo, os trabalhadores gregos, em muitos mais milhares de milhões de euros que irão directamente para os cofres dos especuladores financeiros.

Com esse discurso pretendia agradar, em vésperas de eleições regionais, ao seu eleitorado mais reaccionário e mesmo xenófobo. Não conseguiu. Sofreu uma «derrota amarga», segundo as palavras de dirigentes do seu próprio partido, o que mostra que o oportunismo político pode, por vezes, não compensar por aí além... mesmo que não tenha o castigo que verdadeiramente mereceria.

Curiosamente, longe destas lutas mesquinhas de interesses pessoais de poder, são os militantes comunistas e muitos outros trabalhadores da Grécia, que se opõem (mas pelas razões certas) a esta “ajuda” internacional envenenada, atitude em que foram acompanhados pelo PCP, embora ninguém, aparentemente, pareça querer entender essa posição. Em alternativa, para ajudar a resolver os problemas da Europa, estes trabalhadores gregos e os seus representantes, propõem uma palavra de ordem simples (como se pode ver nesta bela fotografia da Acrópole) que poderia contribuir para substituir a velha “alternância” já podre por uma verdadeira alternativa:

«Povos da Europa, erguei-vos!»

Por uma boa causa...



Ontem, depois de uma longa viagem até Lisboa, estivemos a pontos de nos atrasarmos para um compromisso, engarrafados com mais umas centenas de automobilistas na confusão provocada pelo corte de trânsito na frente ribeirinha do Terreiro do Paço, ditado pela montagem do palco para o próximo megaconcerto do Papa Ratzinger. Passada a irritação, vistas bem as coisas e o gigantismo da instalação para o espectáculo, entendo melhor o verdadeiro sorvedouro de dinheiro que aquilo pode ser e as prementes necessidades de financiamento da pobre e santa madre igreja.

Sempre pronto a ajudar, lembrei-me de uma boa maneira de arranjar mais um bom patrocinador para o mediático evento. A COMPAL! À histórica marca de bebidas e conservas não falta o dinheiro e ao Vaticano não falta lata. Poderemos bem assistir ao aparecimento de uma linha de vários sabores de “Sumo Pontífice”, enquanto o Vaticano terá apenas que dar mais uma prova da sua mítica elasticidade de rins, autorizando a pequeníssima alteração de apenas uma letrinha... o que permitiria ao Papa celebrar ali uma

“Missa Compal”

Sei lá... é apenas uma ideia...

domingo, 9 de maio de 2010

Uma andava tonta grávida de lua e outra andava nua ávida de mar...



Depois de um serão que, embora feito com gosto, nem por isso é menos desgastante, bom é chegar a casa e ter à espera as “Mulheres de Hollanda”, um grupo de jovens brasileiras cheias de saúde, talento e bom gosto. Oferecem-nos a sua versão acapella de uma grande canção do Chico Buarque.

Bom domingo!

Mar e lua
(Francisco Buarque de Holanda)

Amaram um amor urgente
As bocas salgadas pela maresia
as costas lanhadas pela tempestade
Naquela cidade distante do mar
Amaram o amor serenado das nocturnas praias
levantavam as saias e se enluaravam de felicidade 

naquela cidade que não tem luar 

Amavam um amor proibido pois hoje é sabido
Todo mundo conta que uma andava tonta
grávida de lua e outra andava nua 

ávida de mar 

E foram ficando marcadas ouvindo risadas
sentindo arrepios olhando pró rio 

tão cheio de lua e que continua 

correndo pró mar 



E foram correnteza abaixo rolando no leito 

engolindo água, boiando com as algas 

arrastando folhas, carregando flores
e a se desmanchar 

E foram virando peixes, virando conchas
virando seixos, virando areia 

prateada areia com lua cheia
e à beira mar.

“Mar e Lua” – Mulheres de Hollanda
(Chico Buarque de Holanda)

sábado, 8 de maio de 2010

Porta Mágica



Se este blog fosse lido diariamente por 800.000 pessoas em vez das 800 dos dias bons, ou mesmo mil... nos dias mais “agitados”, teria filas de governantes, presidentes, candidatos a..., “ex” de todas as cores, gestores, deputados cleptómanos, etc., etc., etc... todos à espera de que aqui se arranjasse um espacinho para falar deles, “nem que fosse para dizer bem”, como consta ter dito o Dali.

Sendo este blog pequenino, não lhes deve interessar rigorosamente para nada. Mesmo assim, esta tarde ficam à porta, do lado de fora, ruminando as suas manobras, mentiras, cobardias, negociatas, conluios, traições e vaidades.

Hoje é dia de “Porta Mágica”. Hoje é dia de estar com as crianças em risco, ou abandonadas, como se deve estar todos os dias do ano, só que hoje vamos dizê-lo mais alto. Cantando, dançando, “teatrando”, com a ajuda de muitas dezenas de pessoas que, como sempre nestas coisas, trabalham por amor e sem “aparecer”.

Em palco, no Cine Teatro Curvo Semedo de Montemor-o-Novo, fazendo por merecer o trabalho de quem sonhou esta Associação de Solidariedade Social e este espectáculo, fazendo por merecer entrar na vida destas crianças, estarão (mais surpresa, menos surpresa de última hora) a Brass Band da Casa do Povo de Lavre, a Escola de Ballet da C. M. de Montemor-o-Novo, João Macedo e Luís Macedo, Theatron, Espaço do Tempo, Maria João Serrão e António Neves da Silva, Sol ao Sul, Oficina do Canto, Alexandra, Sira, Vera, Fatucha, Coral de São Domingos, Alice Barreiros (RNA), Pedro Coelho (SIC), os meus (quem me dera que fossem habituais) quatro músicos… e eu, que embora cante duas cantigas, estarei “de músico”, acompanhando os e as artistas.

Ah... parece que os montemorenses também vão aparecer por lá. Os quase mil lugares do Cine Teatro estão esgotados.