terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Conversa de café – No fundo, no fundo...


Caí acidentalmente no meio de uma animada conversa de café/tasquinha. Pela profusão de jornais desportivos sobre a mesa, via-se que era esse o assunto principal, embora tivessem decidido fazer uma pausa para a actualidade política.
Não direi a militância partidária, mas pelo menos as simpatias políticas, estavam bem evidentes nas “bocas” à volta da carta de Seguro à troika.
- Vocês, também... criticam o homem por tudo...
- Ó pá... mas achas que aquilo da carta vale o quê?! Se ele é tão do contra, porque é que nunca põe os pés numa manifestação contra a troika e essa ladroagem toda do Coelho e do Gaspar...
E um terceiro, filosoficamente:
- Eles lá no fundo, no fundo... entendem-se todos!
E eu, naquele registo de voz entre o aparte e o meter-me na conversa alheia:
- Então, se calhar... o melhor era mandá-los ao fundo de vez...
“Você esteve naquela coisa da Grândola, na Assembleia!!!” Estive – comfirmei. Rimo-nos todos um bocado. Foi bom! Andamos todos a precisar de um riso que deixe (e crie) espaço para o pensamento.

Obs:  Obrigado ao Nuno Gomes dos Santos, que me "deu" a fotografia...

Passos e Relvas – Finalmente uma "fissura" na união...


Unidos pela militância na mesma “jota” partidária, pela mesma vida académica medíocre, pela mesma ausência de empregos dignos desse nome até à chegada à governação, pela mesma arrogância contra os mais fragilizados, pela espessa ignorância sobre as realidades do dia a dia dos portugueses, pela “alma” vendida aos interesses dos grandes grupos económicos, pela compulsão para a mentira... já desesperava de conseguir encontrar algo que fosse, pelo menos, um vislumbre de "fissura" na união entre Passos e Relvas. Até hoje!
Segundo as notícias, enquanto Relvas afirma que o «desemprego jovem» lhe tira o sono... Passos Coelho, navegando nas mesmas águas, no mesmo barco e na mesma realidade, assegura que dorme bem, apesar do «desemprego recorde».
Entretanto, Passos vai continuando, como quase todos os membros do seu governo miserável, o roteiro das merecidas vaias que os esperam onde quer que vão. Estou ansiando pelo dia em que um deles seja sonoramente vaiado durante uma visita a um seminário... para saber se as nossas “vaias con dios serão mais interessantes do que os originais dos anos 80/90... que sempre me deixaram bastante indiferente.

(Sugestão para reportório: "Ai, ai, ai, ai ai, aaai... porco rico"...)


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O “namoro” (*)



… … … …          
…mandei-lhe uma carta          
e ela disse que não”          

* Espero que o Viriato da Cruz e o Fausto consigam perdoar este meu desaforo!

Governo Passos/Portas – Porque não vão pedir à fada?


Enquanto Seguro que ver políticos, e não técnicos, na delegação da “troika”, Paulo Portas assume a escrita do guião da farsa em que pretende solicitar mais tempo para encontrar onde cortar quatro mil milhões de euros aos ordenados, pensões e poupanças dos portugueses... fazendo de conta que está a cortar na “despesa”, ou... com a justificação ainda mais inverosímil, pronto... aldrabona, que é como quem diz, vigarista, de estar a reestruturar o Estado.
Embora não o admitam em público, todos estarão concentradíssimos a pedir a intervenção mágica de Angela Merkel, a sua “fada-madrinha”.
Adenda: Reparo agora que ao legendar a fotografia a minha dislexia (ou disgrafia) fez, mais uma vez, das suas... e troquei um poucochinho o nome à frau Merkel. Paciência! Agora já não tenho pachorra para ir fazer tudo de novo...

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Brasil pandeiro – Quando o bom é amigo do óptimo


“Chegou a hora dessa gente “bronzeada” mostrar seu valor...”
Começa assim a letra de um histórico samba composto ainda nos anos 40 por Assis Valente. É um verdadeiro hino ao povo brasileiro e à sua cultura, um samba irresistível e genial que, depois de um período de incompreensão inicial, resultado da falta de gosto (e cultura) da artista a quem se destinava, acabou por ser largamente reconhecido. Foi já interpretado por centenas de artistas e mantem-se em grande forma, podendo, a ver pela letra... continuar a ser cantado por toda a gente (com excepção do Arménio Carlos, evidentemente!).
Partilho-o convosco em dois diferente vídeos. O primeiro, com Ivete Sangalo e a grande sambista Beth Carvalho.
A Ivete Sangalo, trasbordando talento e fazendo tudo o que é possível para agradar a uma plateia que sabe ser composta por apreciadores da Beth, num espectáculo em que era convidada da histórica artista. A mostrar que, como já tenho dito, devia “visitar” a música de qualidade mais vezes... quanto mais não fosse, para descansar daquelas loucuras mais ou menos “aeróbicas” com que faz quase todo o dinheiro que (muito justamente!) ganha.
Já Beth Carvalho, não precisa de fazer rigorosamente nada... ou, pelo menos, dá a ideia de que não faz. Os sambas parecem todos ter nascido na sua garganta, por onde escorrem com doçura e com a misteriosa simplicidade das coisas naturais.
Visto este vídeo, fica a sensação de que mais nada se poderia fazer com este samba.
É aí que entra o segundo! Qual é forma inteligente de repetir uma coisa irrepetível, de “bater” uma versão imbatível? É esta! Criar um produto tão diferente, tão criativo, tão bem feito, tão respeitador da raiz e da cultura que lhe deu vida... que esse produto se transforma num renascimento, num abraço de ternura ao original.
Para conhecer toda a gente que faz este vídeo delicioso, basta estar com atenção até ao fim, quando passa uma ficha técnica com a identificação de todos... mas atenção à jovem cantora Luê. Ainda agora gravou o seu primeiro disco, mas desconfio que iremos continuar a ouvir falar dela.
Bom domingo!
“Brasil pandeiro” – Beth Carvalho e Ivete Sangalo
(Assis Valente)


“Brasil pandeiro” – Luigi Bertolli
(Assis Valente)



sábado, 16 de fevereiro de 2013

Moody’s e Standard & Poor’s - Provar do próprio veneno


Embora seja uma imagem sempre bastante arrepiante… gosto destes momentos em que a esporádica escassez de carne fresca das vítimas habituais, faz com que as feras comecem a abocanhar-se umas às outras.

Cada um começa as suas sextas-feiras como entende...


Ontem, sexta-feira dia 15, às 7:30 da manhã, era este, mais pormenor, menos pormenor (e com outro cenário), o tipo de visibilidade que se conseguia à volta da minha casa. Tomado por não sei bem que impulso, saí e fui direito à Assembleia da República, ouvi Coelho, ouvi, Seguro, voltei a ouvir Coelho, ainda mais um pouco de seguro e de um senhor do PPD, mais Coelho, outro senhor do CDS... e quando Coelho se preparava para repetir umas tantas inanidades, levantei-me e comecei a cantar a "Grândola vila morena" para os senhores deputados e senhoras deputadas. Bem... para ser exacto, foi para uns tantos deputados e deputadas... e contra os restantes.
Descidas as escadaria até à rua, por simpática sugestão das forças policiais presentes... descobri que, afinal, uma bela mão-cheia de gente, artistas como o Joaquim Pessoa, ou o Carlos Mendes, o Nuno Gomes dos Santos, a Filipa Pais, o Benfeita... entre outros e outras artistas... e até algumas pessoas “normais”, tinha tido o mesmo “impulso”.
Provavelmente descobriram, como eu, que independentemente de se fazer parte ou não (eu não faço) de um qualquer movimento, o pequeno músculo que comanda a nossa capacidade de fazer a unidade tem que ser exercitado amiúde... para quando se der o caso de ser necessário usá-lo mesmo a sério.
Ou então... acordaram com uma manhã tão especial como a minha.
E ainda dizem que já não há
amanhãs que cantam!

Hoje é outro dia! É dia de muita gente, muito, muito mais gente... encher de novo as ruas, por todo o país, com o caudal transbordante da sua razão!