segunda-feira, 18 de julho de 2011

Aníbal Cavaco Silva – Até que enfim!...


Finalmente, segundo leio nas notícias, alguém deu ouvidos aos apelos lancinantes de Sua Excelência o Presidente da República, no sentido da reanimação e fomento das pescas portuguesas:

Barack Obama – Uma pequena carta




Diz você, Barack Obama, do alto da sua arrogância imperial e pretendendo disfarçar a gigantesca, incalculável... e, muito provavelmente, impagável dívida dos EUA, que os EUA não são Portugal. Está carregado de razão!
Deixando de lado umas tantas coisas muito boas que vocês por aí têm, quase todas no campo das artes e da ciência... e para as quais você não contribuiu com rigorosamente nada, na verdade os EUA não são Portugal.
- Portugal tem muitos séculos de História... não nasceu “ontem”.
- Portugal aboliu a escravatura cem anos antes dos EUA.
- Portugal não pratica a iníqua pena de morte, tendo a última execução conhecida, ocorrido há mais de 150 anos.
- Portugal, mesmo com tantas entorses provocadas pelos nossos indígenas adoradores dos EUA, tem um Serviço Nacional de Saúde de que (ainda) se pode orgulhar.
- Portugal, mesmo com tantas entorses provocadas pelos nossos indígenas adoradores dos EUA, ainda tem leis laborais com que a generalidade dos vossos trabalhadores só pode sonhar e uns poucos lutam para conseguir (sindicatos livres, segurança no trabalho, férias pagas, assistência na doença, etc., etc., etc.).
- Portugal, mesmo com tantas entorses provocadas pelos nossos indígenas adoradores dos EUA, ainda tem um sistema político plural.

- Portugal não pergunta aos que o visitam qual a sua ideologia, como condição para os deixar entrar.
- Portugal não promove nem financia o assassínio de dirigentes políticos estrangeiros.
- Portugal não promove, nem financia golpes de estado, para fazer substituir governos legítimos por ditaduras militares.
Na verdade, não fosse a vergonhosa subserviência de alguns, que permitiu a participação de militares portugueses em missões criminosas como as que foram levadas a cabo, por exemplo, no Iraque, para defender os vossos exclusivos interesses... e poderia dizer que Portugal, desde Abril de 1974, nunca mais tinha sido culpado da invasão, da opressão e do assassínio de outros povos... mesmo tendo contribuído para alguns destes crimes cometidos às vossas ordens, apenas com “meia dúzia” de soldados.
Poderia continuar a fazer crescer a lista das nossas diferenças, mas estas poucas linhas são mais do que suficientes para se constatar que, como você bem disse, os EUA não são Portugal.
          E ainda bem!

domingo, 17 de julho de 2011

Aldina Duarte – Já sabe meia Lisboa...


Adaptando uma piada recorrente no meio das cantigas, desde que comecei a escrever... ainda não apareceu uma nova "fadista". Esta piada um pouco ácida retrata o fenómeno das modas nas artes, modas que fazem aparecer e desaparecer artistas em revoadas de que se “salvam” sempre apenas alguns, muito poucos. Tenho ainda contra mim o facto de não “ser do fado”. De muito dificilmente ser agarrado por uma interpretação da chamada canção de Lisboa e, por isso, os dedos das mãos chegarem e sobrarem para contar os cantores e as cantadeiras de fado que me tiram do sério. É aqui que entra a convidada de hoje.
Aldina Duarte é uma intérprete emocionante. Desconfio, não a conhecendo pessoalmente, que o ser humano que dá corpo à artista, não o será menos.
Aldina Duarte é uma espécie de "vedeta relutante", que durante vários anos colocou o seu empenho e curiosidade de estudiosa do fado, apenas ao serviço de outros artistas. Durante muito tempo acreditou e apostou no talento de muitos... mas não no seu. Até que resolveu soltar a voz. E de que maneira!
Apaixonada pela renda de variantes melódicas quase infinitas que é possível tecer à volta da mão-cheia de músicas consideradas como tradicionais, as matrizes do fado, Aldina optou por andar, “eito fora”, reanimando a terra, revolvendo as raízes, semeando palavras novas no mesmo campo lavrado. 
Este mais recente disco, "Contos de fados", é um fruto desse teimoso cultivo... e é um fruto admirável! A intérprete pediu a vários letristas (Maria do Rosário Pedreira, Manuela de Freitas, José Luís Gordo, José Mário Branco) para inventarem palavras que ilustrassem estórias conhecidas tiradas de romances, contos, peças de teatro, fábulas. Juntou algumas palavras suas... e nasceu este trabalho sumptuoso.
A partir daqui, qualquer coisa que escrevesse seria inútil, para além de um estorvo para quem quer começar já a “ouver” este vídeo, onde o humor anda à solta, o bom gosto é servido à descrição, os músicos (grandes músicos!) tanto podem dançar como servir ao balcão... e a fadista mostra que a cada disco que passa está a cantar ainda melhor... e quando fala é capaz de nos “acertar” em cheio com frases como esta:
«Depois do 25 de Abril tive a minha segunda infância, de que me lembro cheia de alegria e muita esperança.»
Bom domingo!
“Gato escaldado” – Aldina Duarte
(Maria do Rosário Pedreira/Fado Marcha-Manuel Maria Marques)
(A partir da fábula “O pastor e o lobo”, de Esopo)



sábado, 16 de julho de 2011

Vladimir Putin - Prémio quê?


(Quadriga – Porta de Brandenburgo – Berlim)

Antes de dizer seja o que for, gostaria que ficasse registada a minha pena por ver o nome do músico e cantor Peter Gabriel misturado nesta estória... mas dado que a culpa não é minha, avancemos.
Um grupo de cidadãos da Alemanha, nomeadamente alguns membros do “conselho de curadores” que anualmente atribui o “Prémio Quadriga” no dia da Reunificação da Alemanha, um prémio que reconhece – segundo a Wikipédia (também já premiada) - quatro pessoas, grupos ou entidades que se tenham distinguido no ano anterior pelo seu espírito pioneiro em matéria de inovação e renovação da vida política, económica e cultural… resolveu bater com a porta.
Ao que parece, estão bastante enxofrados por, contra a sua vontade, o prémio ir ser entregue a Vladimir Putin. Estão tão enxofrados que alguns já se demitiram da coisa... e recusam-se a colaborar na festa em que será entregue ao figurão russo a miniatura da “Quadriga” que enfeita a Porta de Brandemburgo, em Berlim.
Não querendo de todo imiscuir-me nos critérios que os levam a escolher as figuras públicas que, no seu entender, contribuíram para a «defesa da liberdade, da democracia e dos direitos humanos», para além da já referido «espírito pioneiro em matéria de inovação e renovação da vida política, económica e cultural», devo dizer que, olhando para esta lista com nomes de anteriores laureados, a saber: o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, o ex-chanceler alemão Helmut Kohl, o ex-presidente checo Vaclav Havel, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, o presidente israelita Shimon Peres , o presidente afegão Hamid Karzai e o músico britânico Peter Gabriel, não estaria na altura (mais uma vez lamentando a presença do Peter Gabriel na lista e pedindo desculpas às demais pessoas decentes que se deixaram misturar nesta estória)... não estaria mais do que na altura, como dizia, de mudar o nome da coisa para algo mais apropriado, como, sei lá...
 “Prémio Quadrilha”?


Notícia de última hora: Oh!... Que pena!!!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Governo Passos/Portas – Ainda sobre o colossal roubo






Voltando ao anúncio do roubo de parte do 13º mês a milhões de portugueses, ficou-me na retina a frase com que o Governo o classificou essa medida: «extraordinária e universal».
E assim, em apenas duas palavras, podemos apreciar outras tantas mentiras, essas sim, colossais. Senão, vejamos:
1. “Extraordinária” – Mentira! Não tem nada de extraordinário. Os governos do PS, PSD e CDS, há muito que andam a espoliar os trabalhadores. Em dinheiro e direitos... entre outras coisas.
2. “Universal” – Mentira! O facto de o Governo ter falado quase exclusivamente dos muitos milhares de pobres que não serão obrigados a pagar, não consegue esconder, nem disfarçar, a ofensiva e desavergonhada realidade dos milhares de ricos que ficam isentos.

Governo mostra a sua “qualidade”


Ao final do dia de ontem foram chegando pormenores da comunicação do ministro das finanças. Aí se viu todo um programa, virado para a espoliação de quase todos para o enriquecimento de uns tantos. Conforme as “novidades” foram surgindo, reveladas pelo ministro, com aquela cara de tótó, de quem ainda não descobriu que não consegue ter graça, por mais que tente... foram-me sugerindo algumas reflexões, forçosamente prejudicadas pela minha falta de conhecimentos de alta economia.
Assim interpretou o genial Vítor Gaspar a frase de Passos Coelho. Ele disse “desvio”... depois houve umas palavras... não se sabem bem quais... e “colossal”, o que quer dizer que o desvio vai dar um trabalho colossal. Esta é uma “interpretação” que coloca Vítor Gaspar ao nível dos melhores números de “palhaço trapalhão”.
Claro que, como seria de esperar, para além de não ter sido anunciada uma medida que fosse, tendente a promover o emprego e reanimar a economia... a “culpa” da recessão e do desemprego é... de quem, de quem? Claro que é dos próprios desempregados e das famílias que não têm liquidez para consumir.
E acusa muito bem! O nosso amigo Agostinho Lopes foi até bastante económico com as palavras.
E porque haveria de não isentar?! Não foi exatamente isso que ele foi fazer para o Governo? Não são essas exatamente as ordens que tem?!
Tudo isto, como devem calcular, foi progressivamente aumentando o meu nível de reação alérgica, o que, para não ir mais longe, me faz resumir a coisa desta maneira:
Mesmo os grandes canalhas, de uma forma geral, têm sempre alguma qualidade... ainda que não seja evidente, ainda que seja preciso procurar com redobrado afinco.
Estes que agora nos governam, têm pelo menos uma “qualidade” bastante evidente: Nem se dão ao incómodo de esconder ao serviço de quem estão. Não têm o menor pudor em assumir-se como lacaios do poder do dinheiro e daqueles que o detêm.
Resta-nos ajudar a esclarecer aqueles que o não conseguem ver, insistir muito (e pacientemente) com aqueles que não querem ver... e combater os outros. Convenhamos que é uma tarefa de monta!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Governo Passos/Portas - Desviante



Ainda sobre o «desvio colossal» encontrado por Passos Coelho... parece que, se for verdade o que diz o Banco de Portugal, a fazerem-se radiografias à coluna vertebral de alguns governantes dos últimos anos, seriam encontrados “desvios” bem mais acentuados.

Diz um “anónimo” analista de uma agência de rating, que a coisa não deve passar de uma «declaração política»... embora me pareça mais “pulhítica”.

Seja como for e mesmo concordando com a necessidade de haver uma explicação por parte do governo, tanto as “colossais” declarações de Passos Coelho, faltando clamorosamente ao prometido quanto às queixas sobre a “herança”, como as reações “ofendidas” vindas do lado do PS, tiveram o condão de me lembrar o actor Camilo de Oliveira, num dos poucos “sketches” de comédia em que lhe achei graça, no velho programa de televisão “Sabadabadu”, em que fazia de Agostinho, acompanhado pela sua Agostinha (Ivone Silva) e cantava:

          “Este país é um colosso
          Está tudo grosso! Está tudo Grosso!”