No dia em que estou a “pagar” a intensidade (saborosa intensidade!) da tarde de ontem, na Aula Magna, apetece-me a calma suave da beleza desta ária de Bach. Se existem bálsamos sonoros, esta ária tem que estar na lista.
Esta versão é tocada pelo, normalmente, vertiginoso acordeonista de jazz, o francês Richard Galliano, interpretada num bandoneon, instrumento ligado ao imaginários dos amantes do tango argentino e uruguaio.
Johann Sebastian Bach, como grande visionário, sabia que cerca de cem anos após a sua morte viria a existir um seu compatriota, Heinrich Band, que nos escassos quarenta anos que teve de vida, haveria de criar o “bandoneon”. Bach sabia que, independentemente das tórridas coreografias dançadas ao som dos tangos produzidos pelas palhetas deste bandoneon depois de ter sido levado para a Argentina e Uruguai por emigrantes alemães, este era o instrumento com a sonoridade, a suavidade e a respiração perfeitas para protagonizar esta sua fantástica ária.
Como “extra” partilho ainda uma interpretação de “Minuete e Badinerie”, desta vez, tocado numa “accordina”, um instrumento criado muito mais recentemente... e com a ajuda dos excelentes músicos de uma das diferentes formações que, dependendo do género musical, acompanham Galliano.
“Aria na corda de Sol” - Richard Galliano
“Minuete & Badinerie” - Richard Galliano