Chama-se Alisa Weilerstein e nasceu há 30 anos em Nova Iorque. Começou a tocar violoncelo aos 4 anos de idade... e os resultados provam (entre muitas outras coisas, como a vontade, persistência, o “sacrifício” pessoal na forma de milhares de horas de trabalho que quase mais nenhuma profissão requer) que esta coisa da música, para além de provocar “estragos” irremediáveis a nível cerebral, pode ser altamente contagioso e muitas vezes hereditário (o pai é violinista, a mãe é pianista, o irmão, violinista e maestro).
Por vezes toca e grava música com a família. Hoje podemos vê-la acompanhada por uma belíssima orquestra filarmónica, a de Berlim, e dirigida por um dos maiores maestros da actualidade, Daniel Barenboin, num dos andamentos do Concerto op. 85 de Edward Elgar.
Agora, para apresentar a Alisa, podia tecer uns comentários sobre o virtuosismo arrebatador, sobre o mundo de sentimentos que põe em cada nota tocada. Podia falar apenas do seu ar encantador de heroína dramática de um filme mudo de 1900... mas não vale a pena. Cada um dos segundos deste vídeo falará por mim.
Sempre que se ouve algo assim esmagador, é recorrente que apareçam portadores de frustrações tão variadas quanto compreensíveis, que se encarregam, diligentemente, de encontrar todo um catálogo de “defeitos” a apontar. Quase sempre de ordem “técnica”. Ora é a postura, ora é a dicção, ora é o fraseado, ora é...
A Alisa, em comentários que por aí encontrei, é “acusada” de pegar no arco de uma forma algo estrambólica. A esses, peço que peguem num arco, de forma absolutamente irrepreensível... e venham cá tocar melhor do que ela.
A todos os outros, parabéns! Por reservarem alguns minutos para “ouver” esta pérola.
Concerto op. 85 – Alisa Weilerstein