Entre o ponto “A”, onde estão aqueles que consideram, sem reservas, que os homossexuais, sejam homens ou mulheres, são cidadãos e cidadãs de pleno direito... e o ponto “Z”, onde estão aqueles outros que acham que os mesmíssimos homossexuais deveriam ser queimados em pilhas de lenha no pelourinho da aldeia, ou consumidos em fornos crematórios, há todo um mundo de estados de alma, pontos de vista, opiniões fortes, fanatismo religioso, ou puro e simples preconceito medieval e homofobia.
A co-adopção por casais do mesmo sexo, pela singeleza, justiça e transparência do seu conceito, não deveria, nunca, estar sujeita a quaisquer destes “estados de alma!
Apenas um exemplo entre muitos possíveis:
Consideremos o caso de uma mulher casada com um homem - e já com uma filha desse casamento – que fica viúva. Vamos supor que, por uma infelicidade da vida, já não tem pais ou sogros e fica sozinha com a sua criança de, digamos, um ano de idade. Vamos supor que, passado algum tempo, ela se apaixona novamente, mas desta vez por outra mulher. Vamos supor que elas vivem felizes, como família que são, durante dez anos... mas que ao fim desses dez anos a mãe biológica da criança, morre.
Se a criança, agora já com onze anos, não tiver sido co-adoptada pela companheira da mãe, ficará no mundo sem pai, sem mãe, sem quaisquer avós. Será arrancada dos braços da mulher com quem viveu toda a sua vida, pela qual foi amada e que a ajudou a criar, a sustentar, a educar... e será atirada para um orfanato qualquer, ficando à mercê da sorte.
Os garotos da JSD (para embaraço, diga-se, de alguns membros da bancada do PSD e do CDS, mas para gáudio dos restantes), por puro ímpeto reaccionário e apenas para se divertirem com um truque “legal”, impediram a votação final da lei da coadopção. Dizem os garotos da JSD que querem um referendo sobre o assunto. Como se não soubessem, à partida, qual o resultado que as beatas, a padralhada e a reaccionarite geral daria a um referendo sobre este tema. Como se fosse justo que os direitos de uma minoria possam depender da vontade da maioria... quando se sabe do preconceito, quando não é mesmo ódio, que essa maioria tem pela minoria em causa! Como se fosse legítimo esperar que as maiorias sejam capazes dos avanços civilizacionais capazes de romper com o preconceito e as trevas.
É como esperar que vários milhões de cidadãos inventassem e manufacturassem a primeira lâmpada... enquanto Thomas Edison se limitasse a ficar sentado... à espera de usufruir da fantástica invenção!
E assim se pode ver uma criança sozinha no mundo, de um dia para o outro, transformada em “filha de ninguém”... por culpa de um pequeno punhado de "filhos da puta"!

