
Hoje podia ficar aqui na grande galhofa com as minhas amigas e amigos, gozando com o “difícil” imposto sobre o óleo das batatas fritas ou o choque de titãs de José Sócrates e Santana Lopes no debate quinzenal… mas tenho consciência de que a crueldade para com os animais é uma coisa muito feia. Assim, mudemos de assunto.
O ministro da Defesa, Severiano Teixeira, dando razão ao ditado popular que na sua versão açoriana diz que “Tolo calado passa por discreto”, imaginou uma maneira de sair do quase anonimato em que vive. Não foi de modas. Atirou-se ao velho RDM, o calhamaço que trata da disciplina militar e a coberto do conceito manhoso de “dever de lealdade” decide proibir os militares, mesmo os que estão fora do serviço activo e os reformados, de falar sobre seja o que fôr, exceptuando talvez o ponto-cruz e a cultura de bonsais.
Fez mal! Primeiro porque estava muito bem, calado. Segundo, porque a ideia é uma merda (perdoem-me o francês). Terceiro, porque já lhe caíu tudo em cima e muito bem. Quarto, porque (parece que) é inconstitucional. Quinto, porque é hilariante pensar que uma figurinha como Severiano, proíba um ex-Presidente da República, no caso, Ramalho Eanes, de falar. E vai por aí fora…
Como bem lembrou o General Loureiro dos Santos, a possibilidade de os “velhos” militares falarem livremente sobre a realidade politico-militar, mesmo em países com princípios e hábitos militaristas bem mais arreigados que nós, é usada como “válvula de escape” para as tensões que momentâneamente possam existir nas forças armadas e que desta forma “descomprometida” ganham voz para poderem chegar ao conhecimento da sociedade e que a não ser assim, poderiam causar situações de pressão indesejáveis. Foi o caso recente, nos EUA, em que Generais envolvidos na Guerra no Iraque, passaram à reserva, quase exclusivamente para os militares poderem ter um meio de abertamente dizerem o que pensam da Guerra e de criticarem a maneira como está a ser conduzida pelo governo de Bush. Claro que nada disto lembraria ao estratega Severiano Teixeira!...
Ou então, foi apenas curiosidade do ministro em saber se o conceito de liberdade de expressão ainda habitava no seio dos nossos militares, nomeadamente entre os Capitães de Abril. Se era esse o caso, esta resposta de Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, deve ter sido “um descanso”.
Por estas e outras é que o meu abraço a Vasco Lorenço, na noite de 4 de Abril, no Coliseu, foi bem apertado!




