domingo, 4 de abril de 2010

Carinhoso... e extraordinário



O momento em que estamos a tocar e cantar uma canção e o público subitamente resolve tomar conta do espectáculo, embora já me tenha acontecido um par de vezes, continua a ser um lugar mágico e, logo, sem explicação.

O vídeo de hoje é um desses momentos. Um dos mais extraordinários que vi.

A música é o “Carinhoso” do velho Pixinguinha, que uns anos depois de ser composta e já famosa, ganhou esta letra de João de Barro. O músico, o jovem Yamandu Costa, que já antes vos apresentei, teria certamente preparado uma grande versão, enquanto solista... teve que se render, com o prazer que se lhe vê espalhado na cara, a fazer uma igualmente grande versão... mas como acompanhante de um público que resolveu criar um dos tais momentos... arrepiantes.

Bom domingo!


“Carinhoso” – Yamandu Costa & Público
(Pixinguinha/João de Barro)

sábado, 3 de abril de 2010

Achaques



Alguns dos posts destes últimos dias deixaram-me adoentado. Ainda por cima não sei exactamente o que é que me apoquenta.

O melhor é apanhar o avião e ir à consulta do meu médico extremamente generalista (e tradicional). Que diabo!... alguma coisa hei-de ter...

As minhas visitas recorrentes a esta consulta já me valeram a alcunha de “bránco di urgéncia”.

Autoeuropa, sindicalismo amarelo, António Chora, BE e uma grande salgalhada



No passado dia 31 divulguei aqui um texto de António Damasceno Correia, em que o autor contou despudoradamente os métodos usados pelo patronato na Autoeuropa para criar uma Comissão de Trabalhadores domesticada e amarela. Fi-lo, como é fácil de ver, com a “subterrânea e tortuosa” intenção de divulgar aqui um texto de António Damasceno Correia, em que o autor contou despudoradamente os métodos usados pelo patronato na Autoeuropa para criar uma CT domesticada e amarela. Só isso.

A partir daí a coisa tomou jeitos de grande salgalhada, acabando por ficar no ar e na cabeça de alguns a ideia de que o post seria um ataque a António Chora e ao Bloco de Esquerda. Não era! Embora não faltem assuntos em que poderíamos "trocar imensos cromos" ou voltar a explicar porque é que indivíduos como António Chora não me interessam... desta vez era mesmo um post para divulgar aqui um texto de António Damasceno Correia, em que o autor contou despudoradamente os métodos usados pelo patronato na Autoeuropa para criar uma CT domesticada e amarela... o que sendo uma coisa bem feia de se ver, é sempre esclarecedora sobre os métodos do capitalismo, da sua capacidade corruptora e do universo de corruptos que conseguem encontrar aqui e ali... e sempre ao dispor.

A forma escorreita com que o 5dias.net, pela voz de Tiago Mota Saraiva se referiu a este meu post (e alguns dos comentários que lá foram feitos), sem dramas, apenas chamando a atenção para uma informação que lhe foi dada directamente por A. Chora, em que este divulga o facto de nas eleições de que falo no meu post, ter pertencido à Lista A (facto que não conhecia), a tal que os patrões manobraram para boicotar (e conseguiram), justifica que faça aqui este retorno ao tema, retorno que não chega a ser uma correcção, pois eu não tinha ligado Chora a nenhuma das listas, apenas o identificando, na única referência que fiz ao seu nome, com factos recentes que ilustram o que ele é agora. Se tivesse que ser uma correcção, seria, sem engulhos.

Houve igualmente quem, certamente por desatenção, pensasse que eu tinha omitido a data das tais eleições (1994), tendo com isso deixado a confusão no ar, e consequentemente, como disse, uma “difamação”. Errado! Essa parte do texto do meu post foi copiada directamente do texto original do Sr. António Damasceno Correia, está exactamente antes do quadro com os resultados das eleições e diz claramente "As eleições tiveram lugar em Abril de 1994 e os resultados foram os seguintes:"

Remover cirurgicamente a data de 1994 para confundir os leitores, seria uma refinada sacanice. Já fazer isso pondo depois o link para o texto original e integral, onde toda a gente poderia ver a tal data, seria muito estúpido. Quero acreditar que não sou nem tão sacana nem tão estúpido.

Sobre a eterna tentação de se dizer, como mais uma vez aqui se disse em alguns comentários, que tudo não passava de mais um ataque soez ao Bloco de Esquerda e ao Chora, nem valeria a pena falar. Primeiro, porque não sei como é que um acontecimento de 1994 poderia manchar a reputação do BE, que só seria formado cinco anos mais tarde; segundo porque quando Chora voltar a jantares de homenagem a ministros da estirpe de Manuel Pinho, ou fizer sobre sindicalistas comunistas, declarações miseráveis como as que fez numa entrevista que aqui comentei um dia, ou algo do género, voltarei a chamar-lhe exactamente o que achar que devo chamar... sem deixar margem para confusões nem posteriores “correcções”.

De qualquer modo isso será quando for. Desta vez, o que eu queria era mesmo só divulgar aqui um texto de António Damasceno Correia, em que o autor contou despudoradamente os métodos usados pelo patronato na Autoeuropa para criar uma CT domesticada e amarela. Só isso!

Pouco disponível para gastar mais cera com tão ruim defunto, termino recorrendo aos versos do Ary:

"O passado é já bastante
(e dado que o presente é esta droga, digo eu...)
Vamos passar ao futuro"

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Hans Christian Andersen – Temas de actualidade


(Katarina Vavrová - "O Rei nu")

Já que o "Google" fez o favor de lembrar que passam hoje 205 anos sobre o nascimento de Hans Christian Andersen, aqui fica uma das minhas estórias preferidas, escrita pelo famoso autor dinamarquês, cuja história pessoal também vale a pena conhecer.


O Fato Novo do Imperador
(Um conto de Hans Christian Andersen)

Era uma vez um imperador que viveu há muitos anos. Gostava tanto de roupas novas e bonitas que gastava todo o seu tempo e dinheiro a vestir-se. Não ligava importância ao exército, não ia ao teatro, ... ... ...

... ... ... (para ler todo o conto, ir AQUI) ... ... ...
... ... ... ...

— Bem — exclamou o imperador —, estou pronto. Assenta realmente muito bem, não acham?
E tornou a dar umas voltas em frente do espelho, como quem se admira pela última vez. Os cortesãos que tinham de pegar na ponta da cauda baixaram-se, como se erguessem alguma coisa do chão, e levantaram as mãos diante de si. Não iam deixar o povo pensar que eles não viam nada.
E assim o imperador foi caminhando no imponente cortejo, sob o esplêndido dossel, e toda a gente nas ruas ou nas janelas exclamava:
— Que ar magnífico tem o imperador! E as roupas novas… não são maravilhosas? Olhem só para a cauda! Que elegante!
O facto é que ninguém queria admitir que não via roupas nenhumas, porque isso significaria que eram estúpidos ou então incompetentes no seu trabalho. Nenhum dos belos fatos do imperador tinha sido tão admirado até então.

Foi quando se ouviu claramente uma voz espantada de criança:
— O imperador não leva nada vestido!
— Estes inocentes! As coisas ridículas que dizem! — exclamou o pai da criança.

Mas um murmúrio começou a crescer no meio da multidão:
— Aquela criança diz que o imperador não leva nada vestido… o imperador não leva nada vestido! E daí a pouco toda a gente repetia: — O imperador não leva nada vestido!

Por fim, até o próprio imperador achou que eles deviam ter razão, mas pensou para si próprio:
“Não posso parar, senão estrago o cortejo.”

E lá foi andando com um ar cada vez mais orgulhoso, enquanto os cortesãos continuavam a segurar uma cauda que não existia.

(Hans Christian Andersen)

Bento XVI – Prioridades... são prioridades!





Eu sei, eu sei que estamos na sexta-feira alegadamente santa, que falo muito deste papa (e também de Sócrates)... mas prometo que assim que estes trastes me desampararem a loja passarei a falar de coisas mais interessantes, como a temperatura da água na praia de Moledo do Minho e o preço do lingueirão nas esplanadas do Algarve. Por ora, dado que a omnipresença da Igreja Católica pode ser um pau de dois bicos, quando vêm a lume notícias como as que inundam a imprensa mundial, a Igreja fica em maus lençóis com tanta exposição.

E então porquê mais este post sobre o senhor Ratzinger? Exactamente porque ele, cheio de um inspirado sentido de oportunidade, escolheu uma altura como esta para, depois de produzir umas inanidades sobre os padres e sobre as “alegrias” que estes devem dar às comunidades em que se integram, o que, dados os dias sombrios que a igreja está a viver, poderia até parecer uma ironia “finíssima” mas algo retorcida, escolheu esta altura, como dizia, para acabar a defender que «Os cristãos não devem aceitar as injustiças, mesmo que estas sejam consagradas no ordenamento jurídico dos países».

Ora aí está – pensarão vocês – uma frase que até é bonita! Também eu acharia, estivesse sua “santidade” a falar da guerra que ceifa milhões de vidas, ou da fome que mata milhões de crianças e adultos, ou da miséria que traz a fome, ou da exploração criadora da miséria... mas não!

Desgraçadamente, para o senhor Ratzinger, que ficará certamente na História como um papa minúsculo, a grande prioridade do momento, a grande mensagem para o seu rebanho é afinal «não aceitar uma injustiça que é elevada a direito, por exemplo, quando se trata do assassinato de crianças inocentes ainda por nascer». Bem me parecia que o grande problema que aflige a Humanidade por estes dias é a Interrupção Voluntária da Gravidez!

Não estivesse eu devidamente informado de que o senhor Ratzinger é extremamente culto, representante de Cristo na Terra, cristão dos quatro costados, candidato automático a santo logo que falecer... e praticamente infalível (dantes eram!)... e pensaria tratar-se de um discurso de um qualquer... digamos assim... pronto, agora não me ocorre nada, mas teria certamente uns bons adjectivos para lhe agrafar nas santas vestes.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

António Mexia – Uma perspectiva “histórica”



Numa definição simples (talvez até demais...) o autismo é um distúrbio que impede os indivíduos de interagir com o mundo que os rodeia, ou mesmo, no limite, de entender esse mundo. Criou-se assim a ideia de que o autista vive num mundo à parte, com regras e realidades próprias.

Vergada pela ditadura do “politicamente correcto”, a nossa classe política baniu do seu léxico a palavra “autista”, quando discutem entre si, alegadamente pela ofensa que isso poderia constituir para os autistas. Acontece que não me sinto obrigado à maior parte das regras do “politicamente correcto”. Primeiro, porque essas regras pisam demasiadas vezes o risco do pensamento único a roçar o fascismo; segundo, porque neste caso do “autismo” estamos a comparar coisas incomparáveis, senão vejamos:

Um autista é um doente que por si só nada pode fazer contra a doença, enquanto os outros “autistas” são-no, tendencialmente, por pura canalhice, ganância, falta de escrúpulos.

É aqui que entra o traste que gere a EDP, António Mexia (na fotografia é o da direita). No seu “autismo” acanalhado, ele e os que o rodeiam acham normal ganhar num ano mais do que três milhões de euros. Acham normal ganhar cerca de 8.500 euros por dia!

Por muito demagógico que seja fazer estas contas, é bom saber que um trabalhador da EDP que ganhe o Salário Mínimo Nacional (e há tantos!) para levar para casa os 8.500 euros que este crápula ganha por dia, terá que trabalhar, já que não passa dos cerca de 15 euros por dia... mais de 566 dias. Ou seja, para ganhar os cerca de 3.3 milhões de euros que Mexia ganhou num ano, esse trabalhador teria que viver e trabalhar mais do que 496 anos, isto se tivesse subsídio de férias e de Natal, senão seriam ainda bem mais.

Para colocar a coisa numa perspectiva “histórica”, o nosso trabalhador da EDP teria que ter nascido no mesmo ano em que morreu El Rey Dom João II, o "Príncipe Perfeito", em 1495, ter começado a trabalhar aos 19 anos, em 1514... e nunca ter parado de trabalhar até hoje.

Pensando bem, podemos deixar o “autismo” para as trocas de galhardetes da Assembleia e debates televisivos, ou mesmo deixar cair de vez a designação, por respeito aos autistas verdadeiros e às suas famílias. Este tipo de escória que se instalou nos lugares de topo da nossa economia e governação merece “nomes” bem mais claros, mais contundentes, mais adequados.

E hello!, submarinos!!!



Apesar de há tanto tempo se andar a chamar a atenção para o silêncio comprometido de PS, PSD e CDS perante a total ausência de cumprimento das contrapartidas acordadas nos vários negócios de compra de material militar (desde as fragatas, helicópteros...), apesar do facto de estar muito mal contada a estória do negócio (que diga-se em abono da justiça, já vinha do tempo de Guterres) dos submarinos "comprados" pelo hiperactivo Paulo Portas, ex-ministro da Defesa, do Mar, Baías, Enseadas, Lagoas, Charcos e outras poças mais pequenas, parece que vamos passar pela vergonha de vermos as nossas autoridades e o Governo subitamente muito interessados no assunto, apenas porque “lá fora” rebentou o escândalo, já há gente presa preventivamente, fala-se abertamente de subornos a pessoas “bem colocadas”... um grande aborrecimento!

Investigue-se então! Mas... claro que, como seria de esperar, ninguém jamais falou com quem quer que fosse, nem participou em reuniões, nem conhece os intervenientes, nem sabe exactamente o que é um submarino e, obviamente, está tudo de “consciência tranquila”.

E assim vamos.