quarta-feira, 31 de março de 2010

Autoeuropa - Um pedaço de História recente



Sobre a Autoeuropa, a grande unidade fabril de Palmela, fala-se pouco. A coisa vai dando para o gasto, os alemães da Volkswagen fazem mais ou menos tudo o que lhes apetece, o coordenador da Comissão de Trabalhadores e dirigente do BE, entre avanços, recuos e lutas mal contadas, lá vai arranjando tempo para abrilhantar uns jantares de homenagem a ministros do PS caídos em desgraça (pronto... não foram jantares... foi só um). Só que há sempre pérolas ainda por descobrir. A saber:

O senhor António Damasceno Correia é doutorando no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa e esteve já ligado à administração da Autoeuropa. Mais exactamente, foi Director de Recursos Humanos. Certamente por esse facto, reuniu experiências suficientes para escrever para a revista do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, um estudo de muitas páginas sobre aquela empresa, intitulado “A AutoEuropa: um modelo de produção pós-fordista”, em que fala um pouco de tudo, desde o tipo de investimento, até ao modelo de negócio e tudo o mais que lhe veio à cabeça, texto que poderão ver na íntegra, se tiverem realmente interesse, indo lê-lo aqui.

A páginas tantas, por volta da página 764, no número 9.4 que leva o título de “A relação com a comissão de trabalhadores”, de pois de antes ter revelado que a empresa tinha decidido reduzir a relação com os sindicatos aos mínimos exigidos pela lei, o estudioso produz um pedaço de texto fantástico, fantástico de inquietante, digo eu, onde conta como foi “criada” (é o termo exacto) a famosa CT da Autoeuropa, dirigida artisticamente por António Chora.

Reproduzo apenas o texto, a seguir, coibindo-me de fazer comentários, a não ser, talvez, este: por muito que eu deteste a designação... a verdade é que alguns analistas, políticos e patrões neoliberais, afinal têm razão. Alguns trabalhadores são, se facto, colaboradores!

Boa leitura e digam vocês de vossa justiça (os destaques em bold são de minha iniciativa).

9.4. A RELAÇÃO COM A COMISSÃO DE TRABALHADORES
A opção por uma relação privilegiada com a comissão de trabalhadores pressupôs que a escolha dos membros que integrariam esta futura estruturarepresentativa não fosse deixada ao acaso! Quando se começou a pressentir o desejo de constituição desta estrutura, provavelmente estimulada pelos membros ligados aos sindicatos da CGTP — muitos deles eram desconhecidos formalmente por não quererem revelar a sua identidade —, a empresa rapidamente «entrou em jogo». Contactou sigilosamente o director de cada uma das áreas para que este indicasse nomes de trabalhadores de «confiança» que pudessem integrar a futura estrutura.

A escolha de um «líder» para esta comissão que inspirasse a capacidade de defesa dos interesses dos restantes colegas e que, simultaneamente, revelasse à empresa as informações necessárias foi ainda o aspecto mais difícil de ultrapassar. Tudo isto acabou por ser obtido através de um convite dirigido a um membro que mostrava enorme capacidade de persuasão dos colegas e que era permeável a uma forte influência. Foi com este dirigente da comissão de trabalhadores que a empresa estabeleceu uma entente cordiale que permitiu, na véspera dos grandes embates, conhecer antecipadamente, através de uma reunião sigilosa entre ele e o director de Recursos Humanos, quais os pontos que seriam objecto de análise na reunião do dia seguinte e a provável maneira de os ultrapassar.

Nas eleições para a constituição desta comissão acabaram por aparecer duas listas: uma integrada e liderada por delegados sindicais afecta à CGTP (lista A) e outra constituída, preparada e devidamente suportada pela empresa em sessões de esclarecimento realizadas para o efeito (lista B). Esta segunda lista, inicialmente defendida pelo grupo de trabalhadores independentes de que já se falou — mas que não integravam a lista —, teve uma dupla missão: viabilizar não só uma estratégia de consenso, como anular a força veiculada pelos sindicatos. O risco que a empresa correu foi grande, mas a encenação, o planeamento e a capacidade persuasora e manipuladora de alguns gestores permitiram um enorme êxito.
As eleições tiveram lugar em Abril de 1994 e os resultados foram os seguintes:


Com estes resultados, a lista afecta à CGTP elegeu três elementos e a lista B oito elementos, o que significava que a empresa se manteria soberana nas relações laborais a estabelecer.

36 comentários:

Graciete Rietsch disse...

É triste, muto triste mas os colaboradores existe mesmo.

Um beijo.

eduricardo disse...

Quanto ao texto do Damasceno, não poida ser mais transparente, despudorado... e cínico.
Quanto aos choras, onde dizes colaboradores, apetece dizer colaboracionistas

José Rodrigues disse...

Notícia da noite de hoje diz que foi preso na Alemanha alguém ligado a corrupção em negócios de "submarinos" com Portugal.Este é um comentário de ficção;qualquer semelhança com personagens da vida real é pura coincidência...

Abraço

Maria disse...

Para quem tivesse ainda dúvidas sobre o snr. chora este artigo de António Damasceno Correia é mais que transparente.
Excelente post!!!

Abreijos

manuelmgaio disse...

Veremos o que o Bloco vai dizer sobre este seu dirigente e esta denúncia.
Quando o sr. Chora fez as declarações conhecidas sobre os sindicatos e o movimento sindical, o Bloco manteve-se mudo e quedo; quando jantou com o ministro e teve a lata de elogiar o seu trabalho no governo, o Bloco falou em posição pessoal e aceitação de convite; mas esta denúncia de conluio com a administração, contra os sindicatos, para manipular a comissão de trabalhadores, é demasiado grave para passar em claro.
Ou o sr. Chora chama mentiroso ao sr. Damasceno Correia ou só lhe resta demitir-se.
Quando o sr. Chora reprovou a decisão dos trabalhadores de não se submeterem à chantagem, veio logo dar uma entrevista dizendo que "ali havia mãozinha do PCP", esqueceu-se de contar que na sua posição haveria mãozinha da administração.

filipe disse...

Práticas do capital e dos "amarelos", afinal de contas, bem conhecidas.
Mas aqui com a manifesta utilidade - e a excelente oportunidade da sua denuncia pelo "Cantigueiro" - de serem confirmadas (confessadas) por quem sabe do que fala, ainda por cima em trabalho académico! Assumidas como uma "Auto"-elogiada cartilha para outros "gestores" de recursos humanos ao serviço da exploração dos trabalhadores.
Parabéns pelo post! Abraço.

alex campos disse...

a verdade é mesmo como o azeite, vem sempre ao de cima. Deve haver trabalhadores ds autoeuropa que devem sentir azia por terem sido enganados, talvez este livro ainda seja útil para algum pessoal abrir os olhos.

um abraço

CRISTIANO disse...

ESTE TEXTO DAVA UM FILME EXEMPLAR. AFINAL HÁ LODO NO CAIS. E O CHEIRO NAUSEABUNDO IMPREGNA O DISCURSO DE ALGUNS MODERNOS REFORMISTAS.
O PENSAMENTO DE DAMASCENO TEM UM DOM. É LIMPIDO.

Antuã disse...

O Chora é bem um exemplo concreto entre um trabalhador e um colaborador.

Lídia Craveiro disse...

Este país está pejado de gente assim. Infelizmente, é por isso que estamos na miséria económica e social que todos sabem. Mudar mentalidades é penoso e requer uma estratégia ligada às camadas jovens, como por cá a educação ( social, politica, económica...) é o que todos sabem também, podemos adivinhar, quando é que isto por cá vai mudar. Ainda assim, há que denunciar sempre!!

Anónimo disse...

Tanto a lista A como a B são apoiantes da CGTP.

A Diferença é que uma das listas só tem gente da confiança e controlada pelo PCP.

Lembrem-se o lindo trabalho que o PCP fez na OPEL e tenham vergonha....

Anónimo disse...

A verdade é como o azeite, mais tarde ou mais cedo, vem sempre ao de cima.

Fernando Samuel disse...

É sempre bom vermos reconhecido (por «eles») o que nos fartamos de denunciar, acusados de mentirosos...

Um abraço.

Anónimo disse...

A quem servem as «preocupações» do «colaborador» Chora, dirigente do BE...
A leitura didáctica de algumas pérolas...
O Acordo da Autoeuropa e o PCP http://www.esquerda.net/content/view/1058/67/
Os outros 34 anos de gestão PCP/CDU
http://www.esquerda.net/content/view/12164/67/
Com a Crise Económica que Sindicalismo?
http://www.esquerda.net/content/view/10686/67/
As CTS e a independência necessária
http://www.esquerda.net/content/view/7415/67/
A oportunidade (perdida) da CGTP?
http://www.esquerda.net/content/view/5801/67/

do Zambujal disse...

É, na verdade, inquietante, assustador.
E vem-me à memória um livro esquecido - POWER, de Howard Fast -, lido há muitos muitos anos, que conta uma história do sindicalismo nos EUA no período da lutatremenda, violentíssima, contra a classe operária, contra os comunistas e os sindicalistas de classe.
Mas também há uma frase que não se pode esquecer: que hoje é o primeiro dia do resto da nossa vida! (g'anda Sérgio Godinho)

Excelente post.
Um abraço

Anónimo disse...

é sempre lamentável uma comissão de trabalhadores ser controlada.
Portugal não é a exepção, nem a Autoeuropa... existem exemplos destes aos pontapés. denunciá-los é vital.O problema está na formatação dos individuos.
abraço do vale

Miguel Jeri disse...

Assustador.

k7pirata disse...

Realmente esperava mais da Esquerda que se diz Operária. Assim, Samuel, deixo-lhe este comentário:
A lista "A", concorrente às eleições de 1994 que é referida no artigo de onde foi retirado o comentário, artigo que foi publicado no Militante pelo "impressionante" sindicalista João Silva da FIEQUIMETAL, era na verdade composta por delegados sindicais da CGTP e encabeçada pelo Chora tendo elegido 3 elementos, (curiosamente todos eles afastados do país para formação durante o periodo eleitoral), ganhou a lista "B" com 8 elementos e é claramente a essa que o Damasceno Correia se refere, apesar de com o correr do tempo, os seus sonhos se terem desvanecido e ele próprio ter que abandonar a empresa.
Ligar este período à actual CT, não é só pura masturbação ideológica Militante, é cegueira e estupidez.
Em Maio de 1995 foi eleita uma CT em lista unica composta pelos elementos da CT anterior, em Maio de 1997 deu-se a ruptura e apareceram de novo duas listas na Auto Europa uma encabeçada pelo Chora e outra pelo Escoval, e dai até hoje os trabalhadores tem optado principalmente entre estas duas listas e feito as suas escolhas em função do trabalho e da cassete.

João Silva, Presidente da FIEQUIMETAL, em vez de publicar artigos de masturbação ideológica devia preocupar-se por ter tal Federação apenas 13% dos trabalhadores do sector filiados nos sindicatos da federação, num total de mais 500 mil.

Devia preocupar-se pela vergonhosa pressão psicológica feita sobre funcionários do STIMMS (como o mais selvagem dos patrões) para que se demitam no actual quadro de reestruturação sindical.

O comentarista devia preocupar-se com o sabujo comunicado destribuido pelo sindicato STIMMS à porta da Auto Europa logo a seguir a estas ultimas eleições a dizer que afinal somos todos "irmões" e a CT até tem em 11eleitos, 9 filiados, delegados ou dirigentes do sindicato (entre eles o Chora).

Na Auto Europa, felizmente mandam os trabalhadores, e as merendas e bolos apenas apanham os tolos.

Anónimo disse...

É absolutamente lamentável o ódio que alguns comunistas têm em relação ao António Chora. Reparem que não falo em discordância ou crítica, que seriam pertinentes, falo em puro ódio, pelo facto de ele não ser militante do PCP.

João

LAM disse...

Da reposição da verdade, aqui comentada pelo k7 pirata, ao esclarecimento que Tiago Mota Saraiva faz no 5Dias (http://5dias.net/2010/04/01/autoeuropa-sindicalismo-amarelo/) através de esclarecimentos que lhe chegaram do próprio Chora, é lamentável (mas não imprevisível),a reacção acrítica despoletada por muitos comentários. Afinal as "fontes patronais" estão carregadas de credibilidade para alguma esquerda...

Anónimo disse...

Ter colocado a data a que se referia o quadro e que vem no texto e procurado um pouco de informação entre os trabalhadores, teria retirado todo o sentido e toda a difamação do post
"As eleições tiveram lugar em Abril de 1994 e os resultados foram os
seguintes:".
Tenho a certeza, Samuel, que reconhecerás o erro.

Isabel Faria

Miguel Jeri disse...

O texto aponta, e bem, uma questão da maior gravidade: o controle das CT's por parte do patronato. A sua prática é tão verdadeira que o autor a refere com a maior naturalidade no texto, evocando factos e números.

Se Chora era na altura da lista afecta à CGTP, o que é dizer, que é a lista que naquele lugar e momento (1994) não estava sob os auspícios dos patrões, tanto melhor.

Agora convém não esquecer duas coisas: a primeira é que se a empresa mantinha esta política de controlo das decisões dos trabalhadores em 1994, com mais razão a manterá agora. A segunda é que o facto de Chora ter participado numa lista afecta à CGTP há 15 anos nada me diz sobre o posicionamento ideológico do Chora de hoje.

Para caracterizar ao Chora de hoje, vou consultar António Chora de hoje. E diz-nos ele entre outras coisas, pérolas como a seguinte: "os sindicalistas continuam a escudar-se na salvaguarda de postos de trabalho (lindas palavras), sem contribuírem com soluções, (...)"

http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=110797&mostra=2

Também como referiu o autor e bem, é o mesmo que abrilhantou o jantar de despedida de Pinho, porquê? (ainda não passou um ano, penso que ninguém se esqueceu do desastre social que significou o seu mandato para a economia do país).

De resto, apesar de não simpatizar com o "sindicalista" Chora, parece-me que o essencial do artigo foi a naturalidade com que as administrações levam a cabo estratégias de controlo das CT's ou mesmo sindicatos, as registam, as avaliam.

Mostra bem como quem leva muito a sério a luta de classes, além da esquerda, é o patronato. Porque sabe que essa luta existe, porque tem de admitir a sua existência para a poder combater.

Aristes disse...

Em 1994, data da eleição a que se refere o Damasceno, António Chora, coordenador da CT há vários anos, foi um dos 3 eleitos pela lista A (unitária).

Para quem anda nas lutas de trabalhadores o que o Damasceno relata não é propriamente novidade, o que é realmente novo, e importante, é a clareza e falta de vergonha com que é contado.

carlos disse...

Pois, se juntarmos as datas com os nomes, percebe-se que a lista que enfrentou a manobra divisionista do patronato foi a dos militantes do pcp que hoje estão no bloco: chora, martins e costa. Para o pcp, eles são o alvo a abater desde que deixaram de obedecer à Soeiro e passaram a defender o interesse dos trabalhadores. Não é por acaso que a última vez que a lista do pcp ganhou foi em 1999 e durou seis meses antes dos trabalhadores a deitarem abaixo num plenário… Plenários, voto secreto em todas as decisões fundamentais, são coisas que os funcionários burocratas nunca irão aceitar…

Leal Franco disse...

Não me admira este tipo de posts contra o Chora vindo do lado que vêm. Quando não podem vencer no campo do qual se julgam senhores, vêm sempre, cobardemente, com calúnias.
Antes do 25 de Abril também a PIDE experimentava este tipo de "acções" para desacreditar aqueles que no seio dos trabalhadores se destacavam.
Lamentável.
Porque é que o Samuel se dá a este tipo de trabalhos?

LAM disse...

As manobras patronais para controlo de comissões de trabalhadores e sindicatos não são novas, nem começaram nem acabaram nesse ano. Aliás continuam. Trabalhei durante muitos anos numa conhecida empresa em que o método usado pelas administrações era dar promoções chorudas aos dirigentes sindicais, nomeada e principalmente aos alinhados com a CGTP, destacados militantes do PCP. E isso começou por volta de finais de 70, princípios de 80. Daí também a perda de influência de determinadas forças políticas junto dos trabalhadores dessas empresas. Começaram a perceber ao que vinham esses "sindicalistas".

P.S (salvo seja), esclarecimento ao comentador Miguel Jeri: segundo informações que julgo fidedignas, nesse ano de 94 ambas as listas, A e B, eram afectas à CGTP.

samuel disse...

Graciete Rietsch:
E continuarão...

Eduricardo:
Há muitos... mas este post não é sobre o Chora.

José Rodrigues:
Evidentemente... ☺

Maria:
O Chora não pertence a este filme... mudou de campo e aderiu mais tarde... ☺

Manuelmgaio:
Não deve dizer nada... pois à data nem existia.

Filipe:
Foi o único objectivo deste post: divulgar este espantoso documento.

Alex Campos:
É pelo menos um fantástico documento histórico... e uma lição.

Cristiano:
O lodo no cais que não há maneira de limpar...

Antuã:
Embora à data destes acontecimentos não fosse... deu no que deu!

Lídia Craveiro:
Mudar mentalidades. O mais difícil!

Anónimo:
Fraquinho!

Anónimo:
É fatal.


Saudações sindicais.

samuel disse...

Fernando Samuel:
Não!!! O sindicalismo amarelo é uma “má vontade” nossa...

Anónimo:
Obrigado pelos links para os imensos (e fracotes) textos de António Chora.

Do Zambujal:
Por cá não admitiram, como lá, que estavam ligados ao crime organizado... mas dá no mesmo!

Duarte:
Há sempre quem se ponha a jeito...

Miguel Jeri:
Esclarecedor!

K7pirata:
Confesso que não entendi 5 quartos do que escreve... mas deve ser do excesso de “masturbação”.
Caramba! Duas vezes em menos de um minuto... entontece qualquer mortal. ☺ ☺

Anónimo:
Tenho a impressão de que está enganado.
Eu não sou militante do PCP, mas conheço bastantes. Olhe que me parecem bastante contentes por o Chora proclamar aos quatro ventos que não é comunista... e que odeia o PCP... ☺

LAM:
É... o Chora é muito bom a repor a verdade, sobretudo quando acusa sindicalistas comunistas de afundarem empresas e atirarem camaradas de trabalho para o desemprego propositadamente...
Sobre a confusão que alguma desatenção com a data das ocorrência d relatadas no texto original e de que falo no post, vão “merecer” um post novo, de acerto de agulhas, já, já, daqui a pouco.


Saludos metalomecânicos.

samuel disse...

Isabel Faria:
Olá Isabel,

Se a vista não me engana, antes do tal quadro de resultados está exactamente "As eleições tiveram lugar em Abril de 1994 e os resultados foram os seguintes:" no post que escrevi e publiquei. Não vejo a "difamação".
De qualquer modo, claro que farei um "upgrade" ao post, já que houve quem confundisse o que quis dizer...

Miguel Jeri:
Bom comentário!

Aristes:
Esse dado, que não inclui no post, porque não o conhecia e porque não era importante, já que não se trata de um post sobre o Chora, esclarece a posição do Chora do passado...
De qualquer modo, o post é realmente sobre o texto do Damasceno.

Carlos:
Pois...

Leal Franco:
Amigo... você não faz jus ao seu próprio nome... ☺
Acha mesmo que o que eu escrevi é um post “contra o Chora”, “cobarde” e com “calúnias”?!
Onde, que diabo?!

LAM:
Graças a deus temos os sindicalistas da UGT e do BE que nunca saem da linha correcta e dura... ao contrário desses corruptos e vendidos ao patronato e ao capital, controlados pelo PCP... ☺ ☺ ☺ ☺ ☺



Saludos colectivos.

Maria disse...

Sei desse 'pormenor', no tempo.
Mas o pensamento é mais rápido do que as palavras que levam tempo a escrever...
Saberão alguns dos teus comentadores que houve delegados sindicais que, apenas por o serem, ficaram 'emprateleirados' durante anos sem receberem um tostão de aumento de ordenado? E que assumiram essa discriminação com um orgulho do caraças?

Abreijos

samuel disse...

Maria:
Alguns talvez não saibam... outros sabem certamente... mas não dá jeito para o discurso anticomunista.

Beijo.

Isabel Faria disse...

Samuel, o verbo saiu errado. Não era ter colocado era ter reflectido, parado, pensado em, enquadrado...

E se o post era efectivamente sobre o tal Damasceno e sobre as manobras das entidades patronais, que ele tão "corajosamente" relata para controlar e manipular as ORTs, na Autoeuropa como por esse país fora, porque entra o Chora no post? E se tens criticas ao Chora de hoje, legitimas, obviamente, porque nunca foi dito no post que o Chora que surge no texto, estava na Lista A, a derrotada de então? E como se justifica esta frase, logo, logo no início do post:

"Só que há sempre pérolas ainda por descobrir. A saber:"...

Samuel, se isto não é difamação...(e, olha, conheces-me um pouco, ok, o que vou escrevendo, para saberes que NUNCA escondo ou escamoteio criticas, mesmo a camaradas de Partido - incluindo muitas ao Chora, e ao meu Partido), então o que é difamação?

Um post sobre as manobras dos patrões em controlar uma CT em que o "personagem" principal, é, para além do próprio lacaio Damasceno, o actual Coordenador da CT da empresa...que a altura era um dos visados por essas manobras, o que tu omites... Não sejamos ingénuos. E, já agora, convinha não esquecer mesmo que o inimigo, neste caso, se chama Damasceno...e que o Chora, com ou sem erros, acabou de ganhar mais uma eleição para a CT, por larga maioria.

São colaboracionistas os trabalhadores que lhe continuam a dar o seu apoio e confiança? Ou são todos estúpidos?

samuel disse...

Isabel Faria:
1. O Chora entra na abertura do meu texto, apenas para "retratar" a Autoeuropa de hoje... na minha legítima opinião.
2. O Chora não entra na estória das primeiras eleições, porque eu não sabia que ele tinha entrado, nem em que lista, nem o identifiquei com nenhuma.
3. A "pérola por descobrir" era apenas o texto do Damasceno, que cruamente descreve o processo de corrupção de trabalhadores...
4. Isto não é "difamação", é História. Se o texto do Damasceno não for desmentido linha por linha, a administração era composta por canalhas que conseguiram a colaboração de trabalhadores corruptos.
5. Chega de "omissões" e palimpsestos... embora te agradeça a oportunidade de utilizar esta extraordinária palavra...
6. Os trabalhadores que votam nele acham que estão a defender os seus interesses, sejam lá o que forem esses interesses. Não são todos colaboracionistas nem todos estúpidos... mas alguns haverá. Não devem ter morrido todos os "heróis originais" desta estória e alguns devem ter-se entretanto juntado "à causa".
7. Se continuares a achar que eu fiz o que parece teres decidido que fiz... paciência! Como escreveu Gedeão, "Vê moinhos, são moinhos / vê gigantes, são gigantes."

Abraço.

LAM disse...

Samuel: "Graças a deus temos os sindicalistas da UGT e do BE que nunca saem da linha correcta e dura... ao contrário desses corruptos e vendidos ao patronato e ao capital, controlados pelo PCP... ☺ ☺ ☺ ☺ ☺"

Samuel, eu não disse isso, vc sabe bem. O que digo quanto a este caso, (e a outros parecidos, já agora), é que não se deve atirar pedras ao ar e fazer acusações quando conhecemos (porque conhecemos todos, até porque alguns já cá andamos há uns anos...), casos de traição e colagem ao patronato provenientes de TODOS os partidos.
Esse(s) caso(s) do Chora têm sido explorados exactamente por quem tem muitos telhados de vidro, e isso é uma coisa má. Para todos.

abraço.

samuel disse...

LAM:
E eu estava a brincar... ou pelo menos a fazer uma tentativa (pelos vistos falhada) de humor.
Toda a gente sabe que o PCP tem uma bem recheada lista de “ausentes”. Uns, no seu inteiro direito, por desistência, ou por dissidência... muitos exactamente e só por serem traidores e vendidos. Basta olhar! ☺

Abraço.

Bruno disse...

Tendo sido o coordenador da comissão estatutária, e depois comissão eleitoral, processo iniciado nos finais de 1993, ao ler o documento de António Damasceno reconheço que, embora alguns detalhes esteajam omissos ou esquecidos, os factos estão descritos como se passaram, ou pelo menos como eu os vivi na hora.
Sem querer defender ou acusar ninguém, relembro que o Chora fez parte da lista A, e que a lista B elegeu o coordenador da primeira comissão de trabalhadores, o Fernando Caria. Para acrescentar alguns factos anteriores á entrega das unicas 2 listas concorentes, convêm relembrar que no inicio houve apenas uma lista, lista essa que foi "negociada" entre todos os intervenientes, desde sindicatos, forças políticas e administração da empresa. Nessa primeira lista, eu era a "cabeça", e faziam parte elementos tais como o Chora e o Caria.No entanto, e não possuo detalhes do porquê, embora tenha as minhas suspeitas ( e deixo á consideração), numa ultima reunião antes da entrega de listas concorrentes, o Caria apresentou a demissão perante todos os elementos, alegando indisponibilidade, tendo no entanto surgido nessa mesma semana como "cabeça" da lista B. Evidentemente que depois tudo desmoronou, e é então que o Chora cria uma lista nova para concorrer. O meu ultimo acto relacionado com o processo "comissão de trabalhadorres" terminou quando publiquei o resultado das eleições.