terça-feira, 9 de março de 2010

PEC – Estranha sigla para o que é afinal um vulgar conto do vigário



Aí temos o PEC. O famoso Programa de alegada Estabilidade e mais do que duvidoso Crescimento. Confesso que não ouvi nada do que José Sócrates tinha para dizer ao país, porque, para o mal e para o bem, deixei definitivamente de acreditar numa palavra que seja dita por ele, mesmo arriscando que o homem um dia destes se descuide… e diga uma verdade. Felizmente, não faltam pessoas habilitadas para dissecar todas as medidas que fazem parte do projecto.

Para mim, que entendo tanto de finanças como consta que Cristo entendia, aquilo parece-me mais um saco de aldrabices, cheio de reais aumentos de sacrifícios para os portugueses, sobretudo, para aqueles que vivem dos seus salários ou reformas, a somar aos sacrifícios que já faziam. Parece-me a capitulação de um governo alinhado com os interesses do grande capital e de cócoras perante as exigências dos países europeus mais poderosos. Parece-me mais do mesmo... e mais do mesmo, na nossa situação, acabará sempre por piorar as coisas. Acho que não estou só.

Os do costume safam-se como é costume. Enquanto os grandes grupos económicos, ancorados na banca, que em alguns casos usam a seu bel-prazer, têm milhões e milhões de lucros, lucros esses que nunca deixaram de ter mesmo no pico da crise, as micro, pequenas e médias empresas, que garantem a esmagadora maioria dos postos de trabalho e do que ainda por cá se produz, são sufocadas pela concorrência desleal e implacável desses gigantes económicos e pelo garrote imposto por essa banca. Enquanto se destrói o tecido produtivo nacional, grandes “empresários” fazem milhões na venda a retalho de produtos importados.

Como disse, nada sei de finanças, daí não conseguir entender porque raio é que 2013 é uma data sagrada para se conseguir essa ficção dos 3% de défice. Primeiro e porque esmagar os trabalhadores não vai ser suficiente, só chegarão a esse número "mágico" neste tão curto espaço de tempo, “martelando” as contas, escondendo despesas, cortando investimento público necessário, inventando receitas extraordinárias até já não sobrar nada para privatizar e vender aos amigos, alguns dos quais pedirão à banca pública o dinheiro que precisarem para comprar bens e empresas que ainda estão nas mãos do Estado... como já tem acontecido.

Não sabendo nada de finanças, acabei por me fixar num pormenor que não dará ao Ministro Teixeira dos Santos o Nobel da Economia, mas, quem sabe... o da Física, ou mesmo o da Pouca Vergonha na Cara. É que, mesmo sabendo nós que o facto de a água aumentar de volume quando é congelada é uma excepção, o nosso ministro consegue ainda assim duas proezas de monta que nunca tinham sido vistas, pelo menos feitas com dinheiro:

1. Congela os salários dos trabalhadores da Função Pública... e estes ficam mais pequenos.

2. Embora afirmando que até 2013 as possíveis actualizações dos salários serão feitas abaixo dos valores da inflação, mesmo assim chama a isso “aumentos salariais”.

Como digo, isto deve ser “material” para Nobel... mas de quê?...

14 comentários:

Maria disse...

Hoje dei-me tréguas de vozes governantes que me enjoam e enojam.
Mas lembro-me de ter estudado que o frio encolhe os corpos e o calor dilata os corpos. Pergunta: os salários dos trabalhadores da FP são 'corpos'?
Para a tua segunda pergunta não me ocorre nada, a não ser uma 'distracção' do snr. ministro.
Por fim, a importância dos vários Nobel está tão por baixo desde que o último da Paz foi atribuído que podemos inventar um nome qualquer. Nobel já se ikmportou o que tinha que se importar...

Abreijos.

UdL disse...

Aposto mais no Nobel da Falta de Vergonha na Cara, no mínimo... Inqualificável!

Daniel disse...

Grande PECado esse! E os mais pobres, como não podia deixar de ser, é que sofrem sempre mais.

Joseph disse...

O segredo foi sempre a alma do negócio porque ainda a procissão vai no adro...

JF

Fernando Samuel disse...

Por mim, mesmo sabendo que primeiro-ministro e ministros não podem ficar mais pequenos do que já são, congelava-os - a todos.

Um abraço.

Graciete Rietsch disse...

Parabéns camarada. Para quem como Jesus Cristo não percebe nada de Finanças, o teu post foi muito elucidativo.
Também acho que o Nobel da Falta de Vergonha seria muito bem atribuído a José Pinto de Sousa.
Um beijo.

maria povo disse...

Tudo isto provoca revolta a quem não anda a ansioliticos!!!

Sabe-se hoje que, em matéria de saude, os portugueses melhoraram, excepto em SAUDE MENTAL... pudera!! e parece-me que se não andassem a "xanax", e se pensassem na "vidinha" ainda se poderiam revoltar!!! não é???

sempre os mesmos a ficarem mais pobres!! os bancos a pagarem metade do irc que as demais empresas! quem pensa que somos livres, engana-se! estamos refens do capitalismo selvagem, fmi e quejandos!!!

não! não somos livres de tomar o nosso destino nas mãos!! não! não somos livres, ATÉ TOMARMOS O NOSSO DESTINO NAS MÃOS!!!

Os sindicatos, os trabalhadores da europa deviam convergir em matéria de lutas sindicais! UNI-VOS!!!!

REVOLUÇÃO!!

José Rodrigues disse...

Juntaram-se os dois ver[post abaixo] à esquina tocar a concertina do PEC...que é um conto do vigário e mente(m)com todos dentes que tinha(m) nas bocas...

Abraço

do zambujal disse...

Não percebes nada de finanças? Deixa lá... eles também não percebem nada de economia. Nem de vida. Nem de gente.
Nós... cá vamos procurando entender. E intervir. Sempre.

Olha... como de costume, um abraço amigo

Antuã disse...

Depois do últimó Prémio Iggnóbel da paz que tal um Prémio Nobel da Indecência?!...

Anónimo disse...

o prémio vai direitinho para.......
o zé povinho. o prémio nóbel da cegueira.
do vale vazio, um abraço.

Alien8 disse...

Proponho o "Nobel da Aldrabice do Costume". Em alternativa, o "Nobel da Economia... nos Salários". Também serve. Ou ainda o "Nobel da Congelação".

O melhor, no entanto, ainda seria o "Nobel do Pontapé no Cu e Vão-se Embora de Vez". Quem lhes atribuirá este último? Quem?

Miguel Jeri disse...

Vou transcrever um parágrafo de um texto do nosso estimado Carlos Carvalhas.

"Guterres pediu sacrifícios aos portugueses prometendo dias melhores para um futuro próximo, em nome da necessidade da adesão ao Euro e da necessidade de se cumprir o «Pacto de Estabilidade e Crescimento». Acabou no «pântano». Seguiu-se-lhe Durão Barroso com o discurso da “tanga”, mais sacrifícios pedidos, acabou na doçura do Conselho Europeu. Seguiu-se-lhe o parêntesis de Santana Lopes e depois Sócrates que com a ajuda do Banco de Portugal se serviu outra vez do défice orçamental, para continuar a política de privatizações, de austeridade para com os trabalhadores e de generosos apoios ao grande capital, designadamente ao capital financeiro. Foram mais dez anos de política de concentração de riqueza nas mãos de meia dúzia de famílias e sempre com a lenga-lenga do «menos Estado», isto é, menos Estado para os trabalhadores e camadas médias e mais Estado para os grandes senhores do dinheiro."

Texto completo aqui:
http://www.odiario.info/?p=1485

Apetece citar aquela canção do Gabriel o Pensador: Até quando... nos vêm com a mesma treta de sempre com um nova sigla.

samuel disse...

Per tutti:
De todos os comentários, retive um que seria uma grande e bela ideia: congelá-los a todos! Por mim...


Saludos generalizados.