quarta-feira, 9 de junho de 2010

Vasco Gonçalves – Passem palavra



Estávamos em Agosto de 1975, o chamado “verão quente”. A revista norte-americana “Time” publicava esta capa, tocando a rebate, a nível europeu (e mundial), contra a “Ameaça Vermelha em Portugal”, estampada em grandes letras e no tipo de grafismo capaz de assustar os ignorantes.

Em Portugal, fazendo o trabalho que a direita, escorraçada do poder havia um ano e poucos meses, ainda não tinha “tin-tins” para fazer às claras, o auto-proclamado “pai da democracia”, o contra-revolucionário Mário Soares, manobrava despudoradamente. Queria a intervenção militar dos Estados Unidos da América em Portugal, para travar as conquistas populares. Queria Portugal invadido pelos “marines”...

Até os americanos acharam isso uma loucura. Decidiram que podiam bem pagar a Soares e aos seus cúmplices, para fazerem esse trabalho sujo. Desde então (e até hoje) correram para as várias “fundações” do PS rios de dinheiro vindo dos EUA, da Alemanha, etc.

Assim foi possível financiar principescamente as campanhas contra a Revolução de Abril. Desde o “ultra revolucionário” MRPP, até onde a desvergonha permitiu. Desde a desinformação e as campanhas de medo, até aos assaltos e incêndios de Centros de Trabalho comunistas e sindicatos... cuidadosamente atribuídos exclusivamente à extrema direita.

E aqui chegamos à figura ímpar de Vasco Gonçalves. O “Companheiro Vasco”. O alvo escolhido. Se a Reforma agrária foi a conquista da Revolução que maior e mais violenta guerra sofreu, liderada exactamente por Soares e Barreto, Vasco Gonçalves foi o militar de Abril que viu cair sobre si o ódio mais vesgo, mais cego, mais raivoso. Foi alvo de ataques, mentiras, calúnias e de uma guerra aberta que Soares e o seu amigo da CIA, Frank Carlucci, alimentaram até ao limite... e até hoje, na verdade.

Pode perguntar-se o que terão feito os camponeses do Alentejo e Ribatejo, tal como Vasco Gonçalves para merecerem tal ódio por parte de Soares e dos seus cúmplices. Simples! Enquanto a Reforma Agrária mexeu com uma coisa “sagrada” que é o uso e posse da terra, Vasco Gonçalves, enquanto chefe de um Governo de Portugal, fez o impensável: ficou do lado do Povo! Uma coisa que para gente da estirpe de Soares e Frank Carlucci não tem perdão. Isso é um facto imutável ao longo da História.

Porém, igualmente imutável, é o carinho, a admiração que o Companheiro Vasco conquistou junto de muito desse povo. O exemplo de vida e as fecundas sementes de futuro que semeou nos corações de milhares de portugueses.

Anda aí correndo por blogues de gente boa um texto que vi primeiro aqui e depois comecei a ver multiplicado por muitos, convocando aqueles que sabem quem foi realmente Vasco Gonçalves, a comparecerem no próximo dia 11, às 11 horas, numa Romagem ao Cemitério do Alto de São João, promovida por amigos e familiares deste, por ocasião do 5º aniversário do seu falecimento.

Termino como termina o texto do “Cravo de Abril” de que já falei: Passem palavra. E apareçam.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Cavaco Silva – O “agro-patriota”


(Giuseppe Arcimboldo)

Depois de algumas horas de discussão sobre as virtualidades do turismo interno para ajudar ao défice, uma “polémica” patética que só chegou a ver a luz do dia pela necessidade absoluta de certos “socialistas” mostrarem alguma discordância com o actual Presidente da República, este, incansável, tirou mais um láparo da cartola: a nossa intolerável dependência alimentar e o estado andrajoso da agricultura portugusa.

Portugal «precisa do contributo da agricultura», diz ele. Afinal, parece que mesmo nestes tempos "modernos", um país que possa produzir a maior parte do que consome, torna-se menos dependente de terceiros, logo, mais soberano, logo mais digno... com sorte, mais próspero e feliz.

Não posso deixar de concordar com o Presidente da República. O problema é não conseguir abstrair-me do facto de o respeitável cargo de PR ser ocupado pelo cidadão Aníbal Cavaco Silva, que antes de rumar ao Palácio de Belém já fez antes outras coisas na vida.

Num “esforço de memória”, por alturas de 1985 (e mesmo antes...), quando havia já sido consumada a devolução das terras da Reforma Agrária aos latifundiários, pelos delinquentes Soares e Barreto, quando as grandes propriedades agrícolas, agora nas mãos de grandes empresas, ou dos agrários de sempre, começaram a transformar-se em verdadeiras minas para atrair e escoar dinheiros da Europa, a troco de não produzir nada, ao mesmo tempo que os pequenos e médios agricultores, não podendo viver das míseras migalhas que sobravam das fortunas entregues aos grandes, foram definhando e abandonando as explorações, pergunto-me: onde estava então Cavaco Silva? Que fazia Cavaco Silva antes de ser atacado por este surto de “agro-patriotismo?”

Acho que me recordo... de qualquer modo, sei bem o que gostaria que ele fizesse agora...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

António Ribeiro Ferreira – Notícias da montureira




Este retratinho corresponde ao cidadão António Ribeiro Ferreira. Trata-se de uma pouca de qualquer coisa que os directores do Correio da Manhã devem ter encontrado no lixo e resolveram levar para casa. À falta de outro qualquer ainda pior, decidiram colocar o indivíduo a escrever umas croniquetas na última página do jornal.

E lá está ele, dia após dia, classificando tudo e todos como esquerda, dizendo-o como um insulto, obviamente!, colocando-se a si próprio na mais extrema direita, com a sua flatulência a que chama “Diário da Manhã”, nome de um velho jornal fascista, como foi muito bem notado aqui, há dias no "Cravo de Abril".

Como tenho a mania de ler o jornal de trás para a frente... e não há outro no meu café da bica da manhã, “encontro” este energúmeno quase todos os dias. Aquando do recente assassinato pelos soldados israelitas de várias pessoas que seguiam a bordo de um dos barcos que levavam ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, produziu como comentário a esse crime, uma prosa nojenta a que chamou “Barquinhos do terror”, onde tentou pôr a ridículo tanto os palestinianos como o seu sofrimento, como aqueles que por todo o mundo são solidários com a sua causa.

Agora, a propósito de uma "pequena" mas justa vaia de alguns professores ao estudante medíocre e governante nulo José Sócrates, contestando o encerramento cego de centenas de escolas, o cronista do CM decide que a razão está do lado daqueles que querem as escolas encerradas e, por contraste, aquilo que pretendem todos os que defendem a manutenção das pequenas escolas nas freguesias e aldeias onde elas são absolutamente imprescindíveis, é manter as crianças tão «estúpidas como os senhores que andam por aí a dar gritinhos».

Engana-se o Sr. António Ribeiro Ferreira! A sua já vastamente documentada falta de conhecimentos, como quando aqui dissertou sobre Cavaco Silva e o "rio" Bósforo (que, aposto, quase todos os "cronistas" sabem tratar-se de um estreito que liga dois mares e não de um rio...) leva-o, mais uma vez, a não distinguir a realidade da sua reaccionária fantasia. Na verdade, os muito, mas mesmo muito estúpidos, ao contrário do que ele insinua, não acabam em manifestações, nem «aos gritinhos». Acabam em jornais como o Correio da Manhã a escrever croniquetas fascistóides, naturalmente indigentes e porcas.

Casa do Alentejo – Parar para pensar



Quase todos os pretextos são bons para fazer uma visita à surpreendente “Casa do Alentejo”, ali na Rua das Portas de Santo Antão, na baixa de Lisboa (sim, é ao pé do Coliseu). Ver a casa, o que só por si justifica a visita, comprar produtos alentejanos... e dar atenção ao que por lá acontece.
Neste tempo de correria, de desatenção, de imediatismo, é bom parar por uns momentos e pensar. Se possível, pensar colectivamente. E assim chegamos à iniciativa que quero divulgar, à qual não poderei assistir, mas que muito ganhará com a vossa presença. É já amanhã.


COMISSÃO PARA A DEFESA DA LIBERDADE E DA DEMOCRACIA

Colóquio:Trabalho, Empresas e Direitos dos Trabalhadores

Casa do Alentejo, Lisboa
8 de Junho, 18:30 horas

Oradores:
Fátima Messias – dirigente sindical
Dr. Fausto Leite – advogado
Joaquim Benite – encenador
Esmeralda Marques – operária

Moderadora: Dr.ª Dulce Rebelo – investigadora

Desemprego, situações de repressão nas empresas e locais de trabalho. Perda de direitos e lutas dos trabalhadores contra o Código Laboral do Governo PS, pela liberdade e pelo futuro do país. 120º Aniversário do Dia 1º de Maio e actualidade do movimento internacionalista dos trabalhadores na luta contra o sistema capitalista e na transformação da sociedade.

Comissão para a Defesa da Liberdade e da Democracia

Muitas centenas de intelectuais, sindicalistas, trabalhadores e personalidades de todos os sectores e regiões do país subscreveram já um abaixo-assinado intitulado Pela Liberdade, Pela Democracia, por Abril.
Realizaram encontros regionais em Coimbra, Setúbal e Porto, um almoço convívio em Lisboa e uma iniciativa comemorativa do 60º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Delegações dos subscritores foram recebidas em audiências pelos órgãos de soberania e outros órgãos do Estado. Em 2009, realizaram colóquios sobre “A Economia e a crise – que futuro?” e “Média, Democracia e a Liberdade”, acompanhados de uma exposição de artes plásticas na Casa do Alentejo.
Agora, em 2010, realizam encontros de debate e de convívio em Lisboa, Coimbra e Santarém, constituindo uma Comissão para a Defesa da Liberdade e da Democracia como promotora destas e de outras actividades que forem entendidas como necessárias para a prossecução dos objectivos definidos no abaixo-assinado, que continua como referência actual no projecto de combate por um futuro livre, democrático e de progresso social, cultural, político e económico para Portugal.

Grupo promotor das iniciativas:
Dulce Rebelo, Eduardo Chitas, Guilherme da Fonseca, João Madeira Lopes, Manuel Gusmão e Modesto Navarro

Casa do Alentejo – Rua Portas de Santo Antão, 58, 1150 – 268 Lisboa
Tel.: 21 340 51 40 - Fax: 21 342 00 78

Isabel Alçada – Pior do mesmo



Quando em Outubro de 2009 aqui belisquei ligeiramente a Dr.ª Isabel Alçada, na sua chegada ao Ministério da Educação do Regime de José Sócrates, por ter declarado o seu total apoio à política educativa da sua antecessora, Maria de Lurdes Rodrigues, acrescido pelo pormenor (bastante irrelevante, neste Governo) de ter mentido descaradamente sobre o convite para o lugar de Ministra... disse que lhe dava o benefício da dúvida. Devo confessar, porém, que não augurava nada de muito bom.

O que não esperava era que fosse preciso tão pouco tempo para a senhora se revelar bastante pior do que as expectativas pessimistas. Há tempos, quando fui cantar a uma escola perto de Lisboa, alguns professores definiram-na de uma forma certeira: é bastante pior do que a Lurdes Rodrigues, pois continuou a política anterior, já tomou algumas medidas ainda piores... com a agravante de (cinicamente) fazer tudo com um sorriso agrafado na cara.

De facto, contra ventos, marés, professores (e tribunais) a trapalhada com as avaliações, continua. Se o Parlamento toma uma posição maioritária contra uma sua medida... a dona Isabel Alçada “desvaloriza”... e vai por aí fora, num desfile de poucos conhecimentos, deficiente preparação, arrogância disfarçada de dialogo, posições e medidas inaceitáveis.

- Senhora Ministra, o que deve fazer-se aos alunos que não consigam passar do 8º ano e comecem a ameaçar seriamente as vossas tão estimadas estatísticas do “sucesso” escolar?

- Dá-se-lhes o 10º ano em formato “simplex” e o país fica instantaneamente mais “qualificado”.

- Senhora ministra, o que acha que se deve fazer para melhorar o serviço que a escola presta às pequenas comunidades, onde a influência da escola, a presença do professor ou professora e a fixação das crianças e dos seus pais tem uma importância que vai muito para além do próprio ensino?

- Se não tiverem 20 alunos, fecham-se!

- E como é que as crianças vão deslocar-se tantos quilómetros, todos os dias, perdendo várias horas da sua vida de estudo e brincadeira... sacrificadas em horas de sono perdidas, viagens intermináveis...

- Metem-se em carrinhas!

- Senhora Ministra, e se tiverem fome?

- Se não tiverem pão, que comam brioches!

Peço desculpa, agora deixei-me entusiasmar... esta última, brilhante e tão humana frase foi proferida não pela nossa irrelevante Ministra, mas pela malograda rainha Maria Antonieta, que pouco tempo depois viria a “perder a cabeça”... coisa que por cá não acontece. Façam os verdadeiros “donos” do país e os seus funcionários colocados à frente do Governo o que fizerem... nunca perdemos a cabeça.

domingo, 6 de junho de 2010

Amália Rodrigues – Hoje há swing no Panteão...



Ontem, no convívio em Alpiarça, onde como estava previsto fui cometer umas cantigas, correu tudo muito bem... e a ele havemos de voltar...

Nestas sessões musicais ao ar livre e em ambiente de festa, para além de quem vai cantar ao vivo, há sempre os “acidentais” companheiros e companheiras de cantigas que, abnegadamente, preenchem os tempos mortos em que ninguém sobe ao estrado para anunciar alguma coisa, fazer um discurso, ou cantar. Em Alpiarça não foi diferente. Assim, lá foram desfilando as gravações mais ou menos recentes do Vitorino, Fausto, Sérgio Godinho, Adriano, Zeca Afonso, Deolinda... e subitamente, uma bastante menos provável, Amália Rodrigues. Com uma canção igualmente improvável do seu reportório discográfico... a “Grândola Vila Morena”.

Embora isso não seja assunto para hoje, na verdade, o facto de Amália “estar ali” num convívio de comunistas, cantando a “Grândola”, é muito menos estranho do que possa parecer à primeira vista...

Uma coisa sei. Ela tinha um belo sentido de humor, tinha um excelente gosto para escolher poetas e compositores para uma grande parte dos seus fados... a que se somava um talento inesgotável. Tudo isto vem a propósito desta música que há tempos encontrei, interpretada por um dos mais criativos intérpretes do “Swing Manouche”, género musical praticamente criado pelo enorme guitarrista de jazz, um belga e cigano, que conseguiu escapar ao Holocausto nazi, Django Reinhardt. O moço chama-se Sanseverino. Ando sempre acompanhado com alguma da sua música meio louca e transbordante de energia, para ouvir em viagem... e já que me cruzei acidentalmente com a Amália, aqui fica um tremendo divertimento do Sanseverino e do seu grupo de músicos, uma adaptação do “Vou dar de beber à dor” (Casa da Mariquinhas) transformada em “La maison sur le port”, versão que certamente teria feito as delícias da grande artista portuguesa. Primeiro, porque sabia reconhecer o talento. Segundo, porque gostava de gente nova. Terceiro, porque devia ficar contente vendo alguém usar a sua música e o seu nome apenas pelo grande divertimento musical da coisa e não para se servir dela... ao contrário de outros, por cá...

“La maison sur le port” – Sanseverino
(Alberto Janes/Sanseverino)


sábado, 5 de junho de 2010

Manuel Alegre – Com apoios assim...



Nesta fase do campeonato já toda a gente entendeu que a personagem Sócrates (o homem não conheço!) me causa brotoeja. Francisco Louçã não me causa nada de especial... apenas não é da minha praia. Daí que me seja perfeitamente indiferente se os dois vão participar juntos em acções de campanha de Manuel Alegre e se, participando, o farão lado a lado, em fila indiana, de costas... ou em estilo mariposa.

A partir de agora o que me desperta a curiosidade, enquanto observador, é ver como é que Alegre conseguirá abrir a boca para dizer o que quer que seja, sem perder votos... ou do Bloco de Esquerda, ou do PS.

De cada vez que fizer um destes seus ensurdecedores silêncios sobre as medidas com que o Regime de Sócrates agride os trabalhadores, reformados, desempregados... e agora, até os miúdos do ensino básico... perde votos dos militantes do BE (alguns dos quais, ainda não sabem bem como é que se viram atascados nesta estória).

De cada vez que tiver um sobressalto de cidadania e disser umas “coisas de esquerda” sobre isto ou aquilo... perderá mais uns votos dos militantes do PS que o não suportam (e preferem mesmo ver Cavaco em Belém).

Depois virá novamente prometer que com ele como Presidente, Sócrates pode estar descansado que não haverá dissolução do Parlamento... e lá voam mais uns votos...

Depois... depois... depois se verá!

Não é nada fácil a vida de um candidato à Presidência da República!