Estávamos em Agosto de 1975, o chamado “verão quente”. A revista norte-americana “Time” publicava esta capa, tocando a rebate, a nível europeu (e mundial), contra a “Ameaça Vermelha em Portugal”, estampada em grandes letras e no tipo de grafismo capaz de assustar os ignorantes.
Em Portugal, fazendo o trabalho que a direita, escorraçada do poder havia um ano e poucos meses, ainda não tinha “tin-tins” para fazer às claras, o auto-proclamado “pai da democracia”, o contra-revolucionário Mário Soares, manobrava despudoradamente. Queria a intervenção militar dos Estados Unidos da América em Portugal, para travar as conquistas populares. Queria Portugal invadido pelos “marines”...
Até os americanos acharam isso uma loucura. Decidiram que podiam bem pagar a Soares e aos seus cúmplices, para fazerem esse trabalho sujo. Desde então (e até hoje) correram para as várias “fundações” do PS rios de dinheiro vindo dos EUA, da Alemanha, etc.
Assim foi possível financiar principescamente as campanhas contra a Revolução de Abril. Desde o “ultra revolucionário” MRPP, até onde a desvergonha permitiu. Desde a desinformação e as campanhas de medo, até aos assaltos e incêndios de Centros de Trabalho comunistas e sindicatos... cuidadosamente atribuídos exclusivamente à extrema direita.
E aqui chegamos à figura ímpar de Vasco Gonçalves. O “Companheiro Vasco”. O alvo escolhido. Se a Reforma agrária foi a conquista da Revolução que maior e mais violenta guerra sofreu, liderada exactamente por Soares e Barreto, Vasco Gonçalves foi o militar de Abril que viu cair sobre si o ódio mais vesgo, mais cego, mais raivoso. Foi alvo de ataques, mentiras, calúnias e de uma guerra aberta que Soares e o seu amigo da CIA, Frank Carlucci, alimentaram até ao limite... e até hoje, na verdade.
Pode perguntar-se o que terão feito os camponeses do Alentejo e Ribatejo, tal como Vasco Gonçalves para merecerem tal ódio por parte de Soares e dos seus cúmplices. Simples! Enquanto a Reforma Agrária mexeu com uma coisa “sagrada” que é o uso e posse da terra, Vasco Gonçalves, enquanto chefe de um Governo de Portugal, fez o impensável: ficou do lado do Povo! Uma coisa que para gente da estirpe de Soares e Frank Carlucci não tem perdão. Isso é um facto imutável ao longo da História.
Porém, igualmente imutável, é o carinho, a admiração que o Companheiro Vasco conquistou junto de muito desse povo. O exemplo de vida e as fecundas sementes de futuro que semeou nos corações de milhares de portugueses.
Anda aí correndo por blogues de gente boa um texto que vi primeiro aqui e depois comecei a ver multiplicado por muitos, convocando aqueles que sabem quem foi realmente Vasco Gonçalves, a comparecerem no próximo dia 11, às 11 horas, numa Romagem ao Cemitério do Alto de São João, promovida por amigos e familiares deste, por ocasião do 5º aniversário do seu falecimento.
Termino como termina o texto do “Cravo de Abril” de que já falei: Passem palavra. E apareçam.






