Passados já uns dias sobre o 1º de Maio e sobre a selvagem ofensiva contra esta data celebrada e acarinhada pelos trabalhadores de praticamente todo o mundo, protagonizada por alguns mega-merceeiros da nossa praça... ando ainda a matutar no assunto.
Começando pelo fim, fica claro que esta ofensiva contra o 1º de Maio nada tem de económica, sendo exclusivamente política. Não passa de um abjecto aproveitamento do momento de “crise” para atacar mais um direito dos trabalhadores. Um símbolo de décadas e décadas de lutas e conquistas, que sempre concentrou o ódio dos patrões.
Continuando com uma “memória” pessoal, de carácter “histórico”, lembro que os anos da minha juventude, os anos 50, 60 e 70 do Século XX, ficaram marcados por toda a sorte de faltas, dificuldades, medos, angustias e privações. Que eu me lembre, nenhuma delas se devia ao facto de não haver lojas abertas aos domingos e feriados!
Seguindo para uma consideração económica, diria que os únicos que ganharam alguma coisa com estas "modernidades", assim como com a desmesurada dimensão das lojas, horários e oferta de produtos, foram os patrões, ao convencerem famílias inteiras a fazer dessas "mercearias hipertrofiadas" locais de passeio de fim de semana, onde acabam por gastar aquilo que não podem em compras de muitos artigos de que não precisam.
Chegando, finalmente, ao ataque ao 1º de Maio de 2011, quero destacar três dos mega-merceeiros e as “nuances” das suas “justificações”.
1. Sonae, Continente – Belmiro de Azevedo
Este não precisa de dizer rigorosamente nada. Basta que se mexa... para ficarmos a saber que está dizer ou a fazer uma qualquer canalhice... mas, na verdade, algumas lojas não estiveram abertas.
2. Leclerc – Não faço ideia de quem manda naquilo
Aqui, produziram uma “genial” frase publicitária para anunciar a sua abertura no 1º de Maio: «Vamos estar abertos no dia 1 de Maio, dia da mãe!». É efetivamente uma bela frase publicitária que remete imediatamente para a “mãe” do filho da dita que a escreveu. Também aqui, só algumas lojas abriram.
2. Pingo Doce – Alexandre Soares dos Santos
Este escroque foi mais requintado. Defendeu que o problema está na difícil situação do país. Apelou para o «direito ao trabalho». Segundo o fala-barato, sempre pronto a mostrar-se muito preocupado com Portugal e os portugueses, a situação não está para «irresponsabilidades» e o que «é preciso é trabalhar».
Nesse sentido, para convencer os “colaboradores” a irem trabalhar no 1º de Maio, ofereceu-lhes um dia de folga para gozarem noutra altura... o que anula o “ganho” do dia de trabalho no feriado. Ainda lhes ofereceu um pagamento de cerca de 200% do valor normal das suas horas de trabalho... o que faz cair por terra a tese da poupança e da produtividade.
Para além de tudo isto me ter lembrado o “Operário em construção” de Vinícius de Morais (Portanto, tudo o que vês
/ Será teu se me adorares
/ E, ainda mais, se abandonares
/ O que te faz dizer não), termino com a notícia que inspirou o título desta já longa "conversa", a beleza das coisas simples.
Nem tudo em Almada e arredores será de uma beleza estarrecedora... mas esta decisão foi!!!