quarta-feira, 13 de abril de 2011

Osni Mubarak – Terá dinheiro para a ambulância?


Osni Mubarak, o ex-ditador do Egito que recentemente teve contra si, para além de muitos milhares de egípcios, quase todos os hipócritas que durante anos e anos se banharam nas águas das suas estâncias balneares, a seu convite... está internado. Foi instalado numa clínica de Sharm el-Sheik, uma das tais estâncias de luxo, onde está “exilado”, rodeado pelos seus seguranças privados e todas as mordomias.
Não sei exatamente o que tem, nem se é grave... ou se tem sequer alguma coisa... mas sei que tinha sido intimado a ir depor, em tribunal, acusado de responsabilidade (para começar) nos recentes assassínios de manifestantes contra o seu regime.
Seria fastidioso tentar improvisar aqui uma lista... que iria de Pinochet ao infinito... mas, aqui para nós, porque será que esta estirpe de canalhas “adoece” sempre nestas alturas? Porque será que a “justiça” e o mundo... fingem sempre que acreditam?
Seja como for... que pena não se ter antes retirado para uma aldeia portuguesa do interior, sem credencial para pagar a ambulância e a ter que se deslocar dezenas de quilómetros, por trancos e barrancos, até ao Centro de Saúde mais próximo!

terça-feira, 12 de abril de 2011

A verdadeira riqueza


A minha amiga “Justine” tem um dos melhores blogues que conheço, o “Quarteto de Alexandria”. Os seus posts são sempre uma mágica, sensível e inteligente combinação de textos tão curtos quanto bem escritos, ilustrados com imagens sempre a propósito, sempre de grande bom gosto e quase sempre saídas da sua inseparável pequena máquina fotográfica digital, tudo acompanhado com certeiras escolhas de “banda sonora”. São uma espécie de shots de beleza e cultura.
Desta vez a “Justine” fez-me descobrir um acontecimento cultural já passado... mas que não podia ser mais atual (e atuante). Apesar de pouco ou nada se ter ouvido falar, o MUDE (Museu do Design e da Moda) teve a bela ideia de utilizar os antigos e luxuosos cofres privados da caixa forte do BNU, para fazer uma exposição... de sementes. Exatamente, sementes. Sementes vulgares, de milho, de trigo, de alface, cenouras, batatas, etc., etc.
Chamaram à exposição “Sementes – valor capital”, ou «uma riqueza de toda a Humanidade».
Só os mais distraídos não terão visto e sentido que se tratou de uma ideia claramente transgressora, que afronta diretamente a “teologia” vigente neste tempo que vivemos: afirmar, desta maneira tão poderosamente simbólica, que a verdadeira riqueza da Humanidade não está no ouro, na especulação, nas bolsas de valores, nos lucros virtuais desta “economia de casino”, mas que está, como sempre esteve e estará, na produção, na força de trabalho, nas mãos que deitam as sementes à terra e na energia vital e interminável que as faz germinar.
Esmagadoramente simples!

Submarinos – Quem vai ao mar "avia-se" em terra


O Ministério Público de Munique acredita ter reunido provas sólidas e suficientes para levar a julgamento dois ex-quadros superiores da Ferrostaal, a empresa que nos forneceu os inúteis novos submarinos, numa negociata habitualmente ligada ao nome de Paulo Portas... mas que, faça-se justiça, vai muito mais longe, muito mais fundo e envolve muito mais gente.
Os dirigentes da empresa alemã são acusados de terem “produzido” subornos no montante tentador de mais de sessenta milhões de euros, dinheiro que terá ido parar aos bolsos de pessoas e instituições de alguma maneira ligadas às decisões que “emolduraram” este exemplar negócio dos submarinos vendidos a Portugal e à Grécia, uma espécie de grande jackpot dividido entre vários corruptos portugueses e gregos.
Da vida dos gregos sabem eles... mas por cá, como se vê, reina uma calma tão fria, silenciosa e profunda quanto a água que costuma acariciar os cascos dos ditos equipamentos de guerra.
Por cá ninguém se mexe... ninguém diz nada... ninguém sabe de nada. Os vários partidos do chamado "arco da governação" (o tal arco-da-velha de que fala o Jerónimo) e vários figurões desses partidos e dos seus governos, estão atascados nesta poça de lama... mas se tudo correr como o previsto, nada se saberá, nada se provará... e o arquivo onde são sepultados estes casos tem uma capacidade inesgotável. Assim como a falta de vergonha dos envolvidos.
Somando a tudo isto, para além "pormenor" da corrupção, o Estado foi burlado em milhões de euros num negócio ruinoso... e os submarinos, se é evidente para todos que à superfície são perfeitamente inúteis... “no fundo”... também não servem para nada.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fernando Nobre – Venha cá freguesa... olhá cidadania fresquinha...


Sem pretender ser cruel para com ninguém... mesmo assim, gostaria agora de ver a cara das pessoas que por pouco não me insultaram, quando disse sobre o candidato presidencial Fernando Nobre aquilo que era o mínimo e óbvio... e aquilo que o decoro enquanto mandatário de outra candidatura aconselhava: que aquele tipo de discurso era oportunista, populista e de direita.
Ele aí está, nos braços de Passos Coelho! É cabeça de lista por Lisboa... e não faz a coisa por menos: espera “empochar” o lugar de Presidente da Assembleia da República. A confirmar-se, lamento profundamente as situações do mais pedestre ridículo por que irão passar os deputados eleitos que vierem a sofrer a sua “condução” dos trabalhos... assim como lamento, sinceramente, pelos muitos cidadãos e cidadãs que, de boa fé, acreditaram na aldrabice da “cidadania” e da “independência” de Nobre.
Não... não pretendo possuir nenhuma espécie “sexto sentido”; só que faço anos todos os anos...  já o faço há (quase) sessenta... e aquela “treta” da cidadania feroz, da independência irredutível, do ataque aos políticos e à política, da aversão aos partidos, tudo junto... nunca passou daquilo que é e sempre foi: “banha da cobra” e, claro, um discurso que encanta e serve a direita.
Afinal o sujeito confirma-se como um vulgar e atabalhoado aldrabão de feira com uma espinha fantasticamente maleável. Enganados que foram centenas de milhar de votantes, o vigarista pegou nesses votos e colocou-os à venda.
Nesta altura do campeonato, tanto CDS como PS devem dar cabeçadas nas paredes, por não terem "contratado" a figurinha antes de Passos Coelho. Porque não haja dúvidas; mesmo que fosse uma decisão tão “difícil” como ele hipocritamente afirma ter sido a decisão de aceitar o convite do PSD, não duvido nem por um momento que teria igualmente vendido a sua “mercadoria” ao CDS ou ao PS, se lhe tivessem oferecido o suficiente. O “pai da democracia”, o calhordas Soares - que o “inventou” - esse então deve estar com uma cara digna de cartaz de propaganda a laxantes.
Já mais cá para a esquerda... a coisa é bastante duvidosa. Por um lado, homem já foi uma vez e "convictamente", mandatário (ver o vídeo) da recente candidatura dos deputados do BE ao Parlamento Europeu; em contrapartida, o ódio vesgo e o anticomunismo destrambelhado (ver o vídeo) que lhe iluminava os olhos quando se defrontou com Francisco Lopes, deixaram tudo bem claro quanto ao PCP... e muito naturalmente, também quanto aos "Verdes"... e ainda bem!
Se é verdade que, aqui e ali, nos meandros e corredores da política nacional, existem evidentes focos de mau cheiro... esta é uma estranha forma de os combater: atirando-lhes para cima mais este espesso pedaço de bosta.

José Sócrates em Congresso – Chefe que é chefe... é chefe!


(Fotografia de Ricardo Castelo, surripiada ao Semanário Sol)
Este Congresso do PS foi uma vertiginosa sequência de momentos lamentáveis.
- Um patético amontoado de figurantes que se colocaram a jeito para tentar ingloriamente “lavar” a imagem do “chefe”.
- A pedestre e vazia prioridade absoluta do espetáculo em detrimento do debate de qualquer ideia que não fosse a defesa do “chefe”.
- A cirúrgica colocação de quem quer que tentasse mostrar quaisquer vestígios de crítica... a falar de madrugada e para as cadeiras.
- As chegadas e saídas dos “notáveis”, calculadas estritamente em termos de tempo televisivo e interesse de imagem pessoal.
- O espetáculo de pouca vergonha que foi a debandada de centenas de “delegados”, que pura a simplesmente, não voltaram à sala a seguir à jantarada.
- A situação degradante em que se colocaram todos os que pouco mais tiveram para dizer do que gritar histéricos elogios ao chefe... elogios, na maior parte dos casos, tão embaraçosos quanto fingidos.
- A verdade, acorrentada e fechada entre dentes, de que se o “querido e adorado líder” perder as próximas eleições, nem que seja por cinco votos... passará instantaneamente a ser “a besta que mais prejudicou o partido e o país”.
- Tudo isto a somar às evidências que vão confirmando a frieza, calculismo e profundo desprezo pelo interesse público com que esta “crise política” foi planeada, montada e executada pelo “chefe” e pelos seus colaboradores.

Este Congresso do PS foi, portanto, um verdadeiro festim para analistas, politólogos, comentadores, historiadores, sociólogos, polícias, detectores de mentiras... e até psiquiatras. Como não sou nenhuma destas cultivadas coisas... fico-me pela observação de pequenos pormenores... se é que se pode chamar pequeno a este pormenor que me prendeu.
No final do discurso de abertura, José Sócrates, lendo o seu teleponto, ora olhando para o lado esquerdo, ora para o lado direito (como aconselha o Luís), com aquela nauseante cadência típica de uma interminável partida de ténis... conseguiu surpreender-me. A rematar uma longa secreção de demagogia, banha da cobra, mentira, baixa política, desonestidade intelectual... o costume, ensaiou um tom que se pretendia empolgante, mas que pouco passou a fasquia da histeria, para atirar à cara da assistência uma frase que me ficou no ouvido:
Todos comigo?!!! - E assim, em meia dúzia de letras, Sócrates assume o seu destino de cometa. Ele, à frente, brilhando a grande altura... e atrás de sim uma imensa cauda de poeira cósmica, qual loooooongo e parolo vestido de noiva semeado de lantejoulas baratuchas.
Todos comigo?!!! - É o “chefe” no melhor da sua triste solidão... a triste solidão de quem não faz a menor ideia do que seja, realmente, um camarada, ou o trabalho coletivo...

domingo, 10 de abril de 2011

Eva Quartet – Milagres da criação


Os deuses existem! São quase palpáveis, têm volume, têm peso, determinam acontecimentos, mudam o rumo de milhões de vidas. Os deuses existem, sem sombra de dúvida, nos cérebros - por vezes até no corações – daqueles que geração a geração, dia a dia, minuto a minuto, os vão criando e recriando. Os deuses são uma criação do Homem.
A grandeza, mesmo que instantânea, de cada um desses deuses, pode medir-se pela luz, beleza, gentileza e amor que o ser humano é capaz de investir na sua criação e, acima de tudo, no seu culto e louvor. Por contraste com outros, em que apenas se investe escuridão, ódio e morte.
Grandes e belos foram os deuses que “guiaram” tanto Nikolai Kedrov como o Eva Quartet até à peça musical que hoje vos proponho... o primeiro, impelido a compor a música... elas, a interpretá-la desta forma. É a versão russa do “Pai nosso” (Oche Nache)... que já há uns tempos aqui se ouviu, mas noutra interpretação. Logo a seguir vem uma segunda faixa do mesmo CD, "Sacred Treasures V", também cantado pelo Eva Quartet, “A ti cantamos” (Christov).
Não tenho grandes palavras para descrever a forma de cantar destas quatro jovens mulheres búlgaras. Apenas sei que esta forma de cantar, assim perfeita, assim serena, assim cristalina, estava a fazer-me falta hoje. Para lavar tudo o que for possível lavar... de uma semana assolada por tanto lixo.
Bom domingo!
“Pai nosso” e “A ti cantamos” – Eva Quartet
(1.Nicolai Kedrov, 2. Christov)


sábado, 9 de abril de 2011

Hoje! Lisboa, Rua Augusta, às 17:30 - «Contra a ingerência e o desastre»


(David Alfaro Siqueiros – “Luta pela emancipação” – 1961)

Venha calçada com as botas cardadas do fascismo ou as roupas coloridas e fraudulentas da “democracia” burguesa, a ditadura do capital nunca deixa de ser aquilo que é: um crime! Um crime cometido por uma minoria, contra milhões de seres humanos. Um crime que, quer seja imposto pelas armas, ou imposto pelas “inevitabilidades” dos tempos modernos e da globalização, deve ser combatido todos os dias.
Hoje é mais um desses dias! Dentro de horas, numa primeira ação de massas, desde a anunciada invasão do FMI, numa manifestação/comício (naturalmente) convocada pelo PCP, ouvir-se-ão as vozes de muitos milhares desses seres humanos que não se conformam com a desumanidade desta ditadura do capital, gente que está disposta a empregar uma boa parte da sua única riqueza - a sua força de trabalho, força de vontade e convicções - para combater esta nova investida, este novo ataque contra os trabalhadores e o povo em geral... que desta vez vem travestido de “ajuda”.
Se existirem mil que, como eu, quereriam estar presentes, hoje, na baixa de Lisboa, às 17:30... mas não podem, desejo que por cada um desses estejam presentes 50, ou 100. Que venham de todo o lado, que venham sem preconceitos partidários... antes “tomando partido”. Que venham, sabendo que amanhã a luta continua e que «Quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre».