(Fotografia de Ricardo Castelo, surripiada ao Semanário Sol)
Este Congresso do PS foi uma vertiginosa sequência de momentos lamentáveis.
- Um patético amontoado de figurantes que se colocaram a jeito para tentar ingloriamente “lavar” a imagem do “chefe”.
- A pedestre e vazia prioridade absoluta do espetáculo em detrimento do debate de qualquer ideia que não fosse a defesa do “chefe”.
- A cirúrgica colocação de quem quer que tentasse mostrar quaisquer vestígios de crítica... a falar de madrugada e para as cadeiras.
- As chegadas e saídas dos “notáveis”, calculadas estritamente em termos de tempo televisivo e interesse de imagem pessoal.
- O espetáculo de pouca vergonha que foi a debandada de centenas de “delegados”, que pura a simplesmente, não voltaram à sala a seguir à jantarada.
- A situação degradante em que se colocaram todos os que pouco mais tiveram para dizer do que gritar histéricos elogios ao chefe... elogios, na maior parte dos casos, tão embaraçosos quanto fingidos.
- A verdade, acorrentada e fechada entre dentes, de que se o “querido e adorado líder” perder as próximas eleições, nem que seja por cinco votos... passará instantaneamente a ser “a besta que mais prejudicou o partido e o país”.
- Tudo isto a somar às evidências que vão confirmando a frieza, calculismo e profundo desprezo pelo interesse público com que esta “crise política” foi planeada, montada e executada pelo “chefe” e pelos seus colaboradores.
Este Congresso do PS foi, portanto, um verdadeiro festim para analistas, politólogos, comentadores, historiadores, sociólogos, polícias, detectores de mentiras... e até psiquiatras. Como não sou nenhuma destas cultivadas coisas... fico-me pela observação de pequenos pormenores... se é que se pode chamar pequeno a este pormenor que me prendeu.
No final do discurso de abertura, José Sócrates, lendo o seu teleponto, ora olhando para o lado esquerdo, ora para o lado direito (como aconselha o Luís), com aquela nauseante cadência típica de uma interminável partida de ténis... conseguiu surpreender-me. A rematar uma longa secreção de demagogia, banha da cobra, mentira, baixa política, desonestidade intelectual... o costume, ensaiou um tom que se pretendia empolgante, mas que pouco passou a fasquia da histeria, para atirar à cara da assistência uma frase que me ficou no ouvido:
Todos comigo?!!! - E assim, em meia dúzia de letras, Sócrates assume o seu destino de cometa. Ele, à frente, brilhando a grande altura... e atrás de sim uma imensa cauda de poeira cósmica, qual loooooongo e parolo vestido de noiva semeado de lantejoulas baratuchas.
Todos comigo?!!! - É o “chefe” no melhor da sua triste solidão... a triste solidão de quem não faz a menor ideia do que seja, realmente, um camarada, ou o trabalho coletivo...