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domingo, 9 de agosto de 2020

Mais leve...

(Imagem: Clara Lieu, “Sustain”)



ESTE HOMEM QUE ESPEROU


Este homem que esperou

humilde em sua casa

que o sol lavasse a cara

ao seu desgosto


Este homem que esperou

à sombra duma árvore

mudar a direcção

ao seu pobre destino


Este homem que pensou

com uma pedra na mão

transformá-la num pão

transformá-la num beijo


Este homem que parou

no meio da sua vida

e se sentiu mais leve

que a sua própria sombra”


(António Ramos Rosa, in “Obra poética”)  

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A força dos sonhos



“Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mão de uma criança”
(António Gedeão – excerto de “Pedra filosofal”)

Brejenjas, Torres vedras, 1943. Nascimento de Joaquim Agostinho, camponês filho de camponeses... mais tarde um fantástico campeão de ciclismo.

Vildemoínhos, Viseu, 1947. Nascimento de Carlos Lopes. Antes dos 11 anos de idade já era servente de pedreiro, para ajudar a sustentar a família... mais tarde, medalha de ouro na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Estes são apenas dois exemplos “caseiros” do aparecimento destas luzes que se acendem como milhares de pequenos pontos, um pouco por todo o planeta.

Muitas vezes me pergunto o que haverá no barro destas pequenas aldeias perdidas, desde o interior de Portugal até ao mais fundo da África profunda, que cria estes diamantes inexplicáveis. Que vento os desenterra e lapida para receberem e multiplicarem a luz do sol. Qual a força, qual a urgência irresistível que faz estas crianças levantarem-se do chão.

Depois... vejo imagens como esta que hoje aqui partilho e pressinto uma parte da explicação. Um vislumbre de quão desconcertante é a alegria. Uma pequena demonstração de quão revolucionária pode ser a mistura da imaginação, dos sonhos e da acção. Do futuro que pode haver na simples recusa da fatalidade.

domingo, 10 de junho de 2012

Um dia... todos os dias



“cada vez que me dices puta
se hace tu cerebro más pequeño”
“Voy a volverme como el fuego
voy a quemar tus puños de acero
y del morao (roxo) de mis mejillas (maçãs do rosto) sacar valor
para cobrarme las heridas”
Que coisa mais certeira se poderia dizer para aqui apresentar esta minha colega espanhola, a cantora/actriz “Bebe”, numa tremenda canção (“Malo”) contra a violência de género?
O dia contra a violência doméstica , em todas as suas variantes e criminosas combinações, é todos os dias. É hoje!
Bom domingo!
“Malo” – Bebe
(Bebe)




quarta-feira, 5 de outubro de 2011

5 de Outubro – Mudar de vida


Não quero ser desmancha-prazeres, nem estragar a festa a ninguém... mas não acham que está mais do que na hora de, com carácter de urgência, implantar uma outra República?
“... o passado é já bastante
vamos passar ao futuro.” (Ary)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Isto não vai lá só com colóquios... nem cantigas!


Um leitor e comentador que preferiu ficar anónimo, deixou uma crítica no post anterior, defendendo que o tipo de reflexões que aí leu são “tópicos de cabeleireiro” (não conheço, não frequento) e que o que se deve é discutir apenas os princípios e não “fazer crescer a indignação” em relação a Passos Coelho... e presumo que aos restantes planeadores e executores desta política neoliberal de “assalto de estado” aos cidadãos, para entregar o produto do roubo nas mãos dos grandes tubarões da finança.
Acabou a enfiar os pés pelas mãos, insinuando que o post era um apoio aos “tumultos” contra os quais todo deveríamos estar e não só Passos Coelho... mostrando que não entendeu uma linha daquilo que escrevi. Mas isso não interessa.
O que é importante é a questão da discussão dos grandes princípios, deixando de fora as pessoas. Nisto o anónimo não está sozinho. Para a totalidade dos apoiantes e executantes desta política, é um verdadeiro sonho poderem contar com milhares e milhares de cidadãos que seguissem para o matadouro, sem uma palavra de contestação, sem um frémito de indignação. Infelizmente, contam!
Já quanto aos que não abdicam de pensar... o sonho desta gente era que aqueles se encerrassem todos numa torre alta (não digo de marfim... pois já não é permitida a sua utilização) discutindo longamente, eternamente, esterilmente, os grandes princípios... mas nunca apontando o dedo nem responsabilizando os executores dos crimes contra a maioria dos trabalhadores e do povo em geral.
Não terão esse gosto! É preciso denunciar, apontar o dedo, insultá-los na rua, nas manifestações, pô-los a ridículo, desmoralizá-los, lutar sempre, não lhes dar tréguas... e, se possível, embora isso não seja o alfa nem o ómega de coisa nenhuma... fazê-los sentar o traseiro no banco dos réus, quando isso parecer o mais indicado, como pareceu aos cidadãos da Islândia.
Derrotá-los em eleições, francamente, já só os deixa ligeiramente enfadados, esperando pela próxima volta do carrocel da "alternância", e, não sei se alguma vez tinha dito, mas acho que há muito mais democracia para lá das eleições!

sábado, 9 de abril de 2011

Hoje! Lisboa, Rua Augusta, às 17:30 - «Contra a ingerência e o desastre»


(David Alfaro Siqueiros – “Luta pela emancipação” – 1961)

Venha calçada com as botas cardadas do fascismo ou as roupas coloridas e fraudulentas da “democracia” burguesa, a ditadura do capital nunca deixa de ser aquilo que é: um crime! Um crime cometido por uma minoria, contra milhões de seres humanos. Um crime que, quer seja imposto pelas armas, ou imposto pelas “inevitabilidades” dos tempos modernos e da globalização, deve ser combatido todos os dias.
Hoje é mais um desses dias! Dentro de horas, numa primeira ação de massas, desde a anunciada invasão do FMI, numa manifestação/comício (naturalmente) convocada pelo PCP, ouvir-se-ão as vozes de muitos milhares desses seres humanos que não se conformam com a desumanidade desta ditadura do capital, gente que está disposta a empregar uma boa parte da sua única riqueza - a sua força de trabalho, força de vontade e convicções - para combater esta nova investida, este novo ataque contra os trabalhadores e o povo em geral... que desta vez vem travestido de “ajuda”.
Se existirem mil que, como eu, quereriam estar presentes, hoje, na baixa de Lisboa, às 17:30... mas não podem, desejo que por cada um desses estejam presentes 50, ou 100. Que venham de todo o lado, que venham sem preconceitos partidários... antes “tomando partido”. Que venham, sabendo que amanhã a luta continua e que «Quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre».

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sócrates – O homem errado






O chefe do bando de incompetentes que nos tem “governado” e fiel funcionário dos grandes grupos económicos e da banca, veio anunciar que o país fica nas mãos do FMI, como resultado das políticas do seu “governo”. Essas políticas “justificam” este desfecho, a recente ordem dada pelos bancos, como bem lhe chamaram tanto Bernardino Soares, pelo PCP, como Francisco Louçã, pelo BE... tornaram-na “inevitável”, no fim da linha de uma série infernal de outras “inevitabilidades” que nos conduziram a esta situação de emergência.
Essa série de políticas erradas e “inevitabilidades” e não o episódio forjado do PEC 4, é que nos colocaram nesta posição. Mesmo assim, Sócrates, na sua habitual atitude de calhordas, não admite as suas responsabilidades; hipocritamente, vitimiza-se; cobardemente, culpa os outros (mesmo aqueles que até aqui o apoiaram); servilmente, responde à situação de emergência que sim, existe, mas, como também disse Bernardino Soares, com a resposta errada; teimosamente, obcecadamente, arrogantemente... o inútil não sai de cena.

Entretanto, o oportunista que dirige o PSD não só apoia como se confessa aliviado com esta decisão... como se não conhecesse os resultados da intervenção do FMI na Irlanda, na Grécia... seja onde for.
Muita firmeza nas convicções vai ser precisa. Felizmente, outro mundo é possível!

terça-feira, 5 de abril de 2011

A “banca” ganha sempre!


Pode parecer uma irónica e superior forma de agradecimentos dos principais bancos privados portugueses pela prontidão com que o Estado, com o nosso dinheiro, se prestou a acudir-lhes quando eles estavam borrados de medo com a ameaça do “efeito dominó” das falências que alastravam pela banca... mas não é nada disso.
Na verdade, os mais destacados filhos da... economia de mercado, que estão à frente desses bancos, obedecem tão somente a uma coreografia executada ao milímetro. Agora chegou a vez de os bancos privados cortarem o crédito ao Estado... só que não se ficam por aí: exigem coisas. Querem mostrar, sem lugar para dúvidas, quem manda realmente no país, decidindo quando deve o Estado pedir empréstimos, a quem os deve pedir, quanto deve pedir.
Entretanto, os “operacionais da máfia” vão apertando o garrote que "justifica" todas as medidas de austeridade impostas e, não vá o diabo tecê-las, ou o povo nas urnas decidir escolher algum novo Governo “esquisito”, vão desde já avisando que «se o novo Governo parecer menos empenhado com a consolidação orçamental», poderão descer ainda muito mais os ratings… o que, depois de traduzido, quer dizer: «Se ousarem eleger um Governo não seja dos “nossos”, daremos cabo de vós!»
Talvez eu seja um sonhador… mas se, pelo menos e para já, os países mais afetados por este massacre da ganância dos mercados, como Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha e outros, ganhassem coragem e se juntassem de facto para lhes dar um berro a sério... e lhes mostrassem o punho cerrado bem à frente da cara... e mudassem de rumo… 

Governo de “Salivação” Nacional


Aproxima-se a grande farsa! Os do costume já “salivam” sobre os “lugares” que vão dividir. Como não pensar assim, quando é já visível o quanto as figuras do PSD, CDS e PS se estão a colocar a jeito para integrar esse grande Governo... essa espécie de grande comissão liquidatária para acabar com o que resta de soberania nacional e colocar tudo o que falta privatizar, nas mãos dos amigos e familiares? Depois restar-lhes-á simplesmente esperar uns anos, ou mesmo apenas meses, para irem usufruir das suas “reformas douradas”, sentados nos Conselhos de Administração das novas empresas e grupos económicos que fielmente irão servir nesse Governo, como já tão fielmente serviram nos anteriores.
Salvo nas honrosas excepções em que irei, ou rever-me, ou mesmo estar empenhado, esta campanha, se nada for feito para o desmascarar e evitar, não passará de uma encenação. Uma guerra de meras palavras que, no fim, dará lugar ao cumprimento, ponto por ponto, das exigências dos “mercados” e da sua bem amada política de direita.

O cavacal "Director Geral dos Mercados", há muito destacado para Portugal, vai deixando bem claro que quer, ou melhor, que os mercados querem, «um Governo de alargado consenso político».
Mais uma razão para que a “nossa” campanha, as nossas propostas, a nossa voz e a de todos aqueles que não se reveem nesta choldra política, sejam claras, positivas, corajosas. Que abram portas. Que falem de futuro!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Isabel Alçada – Avaliação foi avaliada... e chumbou!


Apesar da prévia “guincharia” histérica do ministro Jorge Lacão e seus pares, a oposição revogou mesmo, num documento conjunto de todos os partidos, a tão contestada “avaliação dos professores”, tal como esta vinha a ser imposta pelo ministério.
Pouco adianta à infeliz e acidental ministra Isabel Alçada armar-se em analista política. Pouco adianta à ministra declarar que a proposta agora aprovada é «inviável». Inviável é o seu nefasto Governo.
A acidental ministra da Educação, provavelmente, nunca mais voltará a ser ministra seja lá do que for... tal o “brilhantismo” com que exerceu o cargo. Os seus planos “geniais” podem ser arquivados no “museu da escola” e a interrompida escritora pode retomar a sua inócua atividade.
Só sem clima de guerra, sem pressões e com o melhor para o ensino público em mente... é que outra escola será possível.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Demissão do Governo – “Adês, adês...”


“O mestre da nossa dança
é uma criança em honradez
e pede licença ao povo
ó velho e novo
adês, adês”

Achei esta despedida típica de uma das danças de carnaval da Ilha Terceira, ostensivamente não dedicada a José Sócrates, como bem se vê, mas de qualquer modo, digna de abrilhantar este acidente histórico que vivemos. E assim, depois deste curtíssimo momento de humor surreal (porque no íntimo, festejo), passarei ao post propriamente dito.
Sócrates e o seu Governo estão de partida. Diz que agora não tem condições para governar, quando na verdade nunca teve. Nem condições, nem dimensão, nem competência. Já vai tarde!
Como que para confirmar aquele que foi o timbre do seu carácter como primeiro-ministro, quis deixar, mais uma vez, a sua marca indelével naquele que foi o último grande debate entre o seu Governo e o Parlamento de que dependia.
A forma vergonhosamente insolente como se ausentou do debate mais importante da sua carreira como primeiro-ministro, o debate que poderia, como acabou por se verificar, ditar o fim do seu mandato, é bem o retrato de um homem sem dimensão nem dignidade.

É o retrato de um comandante cobarde, que abandona as suas tropas na batalha. “Fiquem aí a morrer... que eu agora tenho que ir ali e não volto!”.
É o retrato de um político miserável e rasca. Afinal e como já se sabia, o auto-proclamado "animal feroz", nunca passou de uma simples besta arrogante. 
Sócrates e o seu Governo caem de forma indigna, provocando a festa de muitos, a indiferença de alguns, o mais que justificado desprezo dos restantes.
Caem... estatelados no chão e a caminho do esquecimento... nauseabundos de tão podres!


Adenda: Desgraçadamente, independentemente dos meus "adeuses", de tudo aquilo que acabo de dizer e, sobretudo, da dura realidade, que é bem mais importante do que qualquer coisa que eu possa dizer, o Partido Socialista é bem capaz de apostar na táctica suicidária de manter Sócrates à frente do partido e da "candidatura a primeiro-ministro" (como erradamente lhe chamam) nas próximas eleições.

sábado, 19 de março de 2011

Hoje – Avenida da Liberdade




Hoje vou até Lisboa, para me encontrar com uma (grande) mão cheia de amigos. Sinto-me “tocado” por uma espécie de “espírito de despachante oficial”... quero dizer, apetece-me despachar para os quintos dos infernos estas políticas de direita que oprimem os trabalhadores e arruínam o país...  e de passagem, também os lacaios que as têm posto em prática.
Hoje vou até Lisboa, porque tenho umas coisas para dizer... que soam muito melhor ditas de viva voz.
Hoje vou até Lisboa e, por razões de ecologia e higiene democráticas, descerei a pé a Avenida.
Hoje vou até Lisboa, para falar, cantar, gritar, dar abraços, passear... na Avenida cujo nome, para mim (um aceno para os muito que detestam o acordo ortográfico), será sempre escrito com maiúsculas; será sempre a Avenida da Liberdade!
Até logo!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Governo PS/Sócrates – Agora é hora...


Estes (e a restante corja que aqui falta) é que estão no governo. Estes é que são os responsáveis pelo que nos está a acontecer diariamente. É preciso romper com este miserável estado de coisas! É preciso mudar de políticas e de rumo!
Agora é hora de não continuar a mastigar teorias sobre o “mal menor”. Agora é hora de não recear a mudança. Aquilo que de muito mal pode acontecer... já está a acontecer e é feito por estes facínoras.
Agora é hora de serem corridos a pontaPEC!!!

segunda-feira, 14 de março de 2011

“Geração alerta” – Dia 19, alto e bom som!


Uma coisa que eu gostaria de ver, agora que tantos milhares de jovens provaram o gosto de uma grande manifestação, uma coisa em que grande parte nunca tinha participado, e a adrenalina da luta, coisa em que muitos nunca tinham sequer pensado... seria muito bom ver uma boa fatia deles a fazer um esforço para identificar corretamente os seus verdadeiros adversários e a dar um rumo e uma organização aos seus sonhos e reivindicações.
Embora uma semana apenas, seja um tempo demasiado curto para digerir uma grande experiência - como foi esta jornada da chamada “geração à rasca”- e começar a organizar um pensamento e uma acção... gostaria muito de ver muitos destes manifestantes a desfilar na rua, no próximo dia 19, ombro a ombro com gente que há muitos anos não se furta ao combate, gente que sempre esteve do seu lado e que, em tantos e tantos milhares de casos, não está menos “à rasca”...
Ah... e outra coisa que gostaria muito, mas mesmo muito (e parece que sou acompanhado pelo “Cravo de Abril”)... era de ver, durante estes poucos dias que nos separam dessa jornada de luta do dia 19, uma cobertura mediática e uma promoção da manifestação, por parte dos órgãos de comunicação social, pelo menos parecida com a extraordinária promoção e cobertura que foi dada a esta manif do passado dia 12.
E assim, num pequeno texto que até agora vai apenas em 239 palavras, podem os meus amigos e amigas apreciar a tremenda instabilidade do meu pensamento: de um momento para o outro, passo dos sonhos realizáveis dos dois primeiros parágrafos, para uma fantasia perfeitamente irrealista... mesmo tola... no terceiro. Saúde-se a lucidez do quarto!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Francisco Louçã – Veem... veem o que os comunistas me obrigaram a fazer?!!!


Sobre a real possibilidade do derrube deste governo miserável e do seu execrável primeiro-ministro, que ontem, no decorrer do debate no Parlamento, demonstrou que qualquer convicção de que a sua capacidade de abjeção possa esgotar-se... é sempre muito optimista, acho que já mostrei qual é o meu sentimento: seja quando for o dia em que caia, já vai tarde!
Contribuir para o derrube deste governo e ir para eleições, fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para conseguir um novo conserto de vontades, que possa forçar uma ruptura com as políticas de direita que temos vindo a sofrer, é o busílis da questão.
Cá estaremos, como sempre, para dar um contributo, com propostas, disponibilidade, confiança, mobilização.
À velocidade a que o tempo político está a correr em Portugal, na Europa e no mundo, os trinta dias que nos separam do dia 10 de Março e da Moção de Censura do Bloco de Esquerda ao governo de Sócrates, são uma eternidade em que tudo pode acontecer.
Sócrates pode cair ainda antes e por mais do que um motivo; Passos Coelho pode borregar e não ter “tintins” para assumir o poder na presente situação económica... o que esvazia a possibilidade de a Moção (qualquer moção) ter êxito... ou “efeito prático” para usar o termo com que Louçã tentou desvalorizar a simples hipótese de uma Moção de Censura a apresentar pelos comunistas; Louçã pode, entretanto, fazer um acordo de poder com o PS e Sócrates, “patrocinado” ou não pela recente associação na candidatura de Alegre, com o objectivo de, obviamente e em primeiro lugar, chegar ao poder, mas também de constituir a tal famosa “esquerda grande”... mas excluindo o PCP, o que será, como tem sido sempre, o seu papel... e música para os “socialistas” ouvidos deste PS.
Mas teve graça! Louçã teve graça. Para quem ainda há tão poucos dias não via o interesse de uma moção de censura e temia até, que ela “favorecesse a direita”... mudou rapidamente de roupa. Decididamente, não suportou mais a vil tristeza que pairava lá pela casa desde a noite eleitoral de dia 23 de Janeiro e a falta dos habituais holofotes, que assim, rapidamente e longamente, voltaram a iluminar a razão da sua existência. Mas teve graça!
Seja como for, nem a luta política, nem a vida real dos portugueses, nem sequer as moções de censura, são uma prova de atletismo... e muito menos manobrismo à “francisco-esperto”.
Adenda: Tudo isto... para dizer que se fosse deputado e enquanto independente, o mais certo, depois de análise atenta, seria votar favoravelmente a Moção... se lá chegarmos.