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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Eleições Autárquicas – Há coisas tão "feínhas"...


E lá volto ao mesmo! A lei de limitação de mandatos autárquicos, na minha modesta opinião, nem deveria existir! A única limitação ao direito de se fazer eleger para uma autarquia, devia ser a comprovada falta de honestidade, transparência verdade, competência.
Infelizmente, o facto é que a lei existe. Infelizmente, o facto é que foi feita de forma suficientemente incompetente (??) para permitir interpretações divergentes.
Agora, por maiores que sejam as confusões geradas, todas as interpretações são legítimas... mas, felizmente, contestáveis.
Ainda assim, há coisas que me desanimam um pouco.
Se de um movimento com objectivos misteriosos e um nome “afascistado”, como é a “Revolução Branca” que, diga-se em abono, não concorre às eleições, este encarniçamento sobre as candidaturas, única forma de aparecerem nos media e, quem sabe, acabarem a formar um partido... é compreensível, já este passatempo do BE, que o leva a pôr a política em tribunal um pouco por todo o lado... é bastante esquisito.
Não haveria forma de debater isto politicamente, nos lugares certos, ou, no limite, tentando “impugnar”, ou confirmar, ou aclarar a lei directamente no Tribunal Constitucional, em vez desta espécie de tiro ao alvo sobre candidatos específicos?
Não é uma vergonha para a política, para a justiça (e para a democracia) esta sucessão inevitável de decisões contraditórias dos tribunais, ora pelo facto de, como já disse, a lei dar lugar a interpretações, ou porque os senhores juízes acabam fatalmente sob a suspeição de se moverem por simpatias partidárias?
E, finalmente, ainda quanto ao BE... não seria bem melhor dedicar-se com empenho ao trabalho político, com o justo objectivo de ganhar algum peso eleitoral a nível autárquico, em vez de se entreter a “dinamitar” candidaturas concorrentes?
Quando, passadas as eleições, um candidato impedido de se candidatar, decidir impugnar todas as eleições em que, ao abrigo da mesmíssima lei e com as mesmas “limitações” a apontar, houver candidatos a quem foi permitido fazerem-se eleger de novo... de que lado ficará o Bloco de Esquerda, perante essa evidente injustiça?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

PS e PCP – Os “inimigos”?


«Não distinguir os inimigos sempre foi Fatal, apreciações à parte os camaradas quando se unem com a direita Gozam que se Fartam, é fartar vilanagem, tudo quanto sirva para derrubar o PS é bom. Já lá vão quase 40 anos e os camaradas ainda não deram pela QUEDA DO MURO. Vão ganhar as próximas eleições. Como sempre aliás».
Retirados uns acidentais erros de digitação, é este o teor de um comentário deixado no post que, em tom de simples brincadeira, aqui escrevi sobre o valoroso ataque ao poder “a la António Vitorino”, protagonizado por António Costa, escrito por um militante ou simpatizante do Partido Socialista, que se identificou como Miguel Lopes.
Constatamos assim que o Miguel Lopes, depois de ter engolido a cassete com a lengalenga da culpa do PCP na queda do demissionário Sócrates... ainda não conseguiu regurgitá-la... apesar do ridículo da música e da letra da cantiga.
Segundo o nosso comentador (mais picardia, menos picardia), o PCP escolheu o PS como “inimigo” principal... "aliou-se à direita"... e o resultado é o que se vê!
Portanto, se bem entendo, que fique para a História que foram os comunistas, e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com a CIA e Carlucci para a derrota da Revolução de Abril.
Que foram os comunistas e não Mário Soares (e o PS), quem conspirou com os sectores mais retrógrados e fascistas da Igreja Católica, com o apoio operacional de organizações terroristas e bombistas de extrema direita, para assaltar sindicatos identificados com os comunistas... e Centros de Trabalho do próprio PCP.
Que foram os comunistas e não o PS que, a nível governamental, fizeram alianças repetidas ao longo de décadas... mas sempre e só com o PPD-PSD e o CDS.
Finalmente... que foram os comunistas e não o PS, quem assinou famoso memorando com a troika.
Temos que admitir que para ter uma tal visão da História... é preciso ter uma “extraordinária visão”!
Agora a sério... resta uma singela pergunta dirigida a todos os “Migueis Lopes” desta vida:
Se, então, o PS não é “o inimigo”, e eu não digo que o seja, pelo menos nesses termos... quando é que , exceptuando honrosos casos pontuais e de natureza local... alguma vez foi o amigo?

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um novo “tacho” – Alô, alô, experiência...


Tenho um novo “tacho”! Fui contratado para escrever e fazer parte da equipa de um novo blogue colectivo... por um ano.
Enquanto processo o orgulho e o prazer proporcionados pelo convite, este primeiro post é o equivalente ao clássico “alô, alô, experiência... isto está ligado?”, seguido das duas ou três pancadinhas no microfone com que alguns artistas menos dados às coisas da técnica presenteiam (e enlouquecem) os técnicos de som.
Vamos ao assunto. O novo blogue, “acunhal.blogspot.pt”, vai ter a existência de um ano, o tempo que durarão as muitas dezenas e dezenas de iniciativas integradas no Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. É essa a sua única função: noticiar, divulgar, comentar as muitas exposições, colóquios, lançamentos de livros, concertos, edições comemorativas, etc., etc., que essa grande figura do século vinte vai suscitar.
Para além do blogue, vou estar ligado a um grande projecto regional, cobrindo o Alentejo, centrado no fenómeno da Reforma Agrária, um dos “amores” de Álvaro Cunhal... projectomultifacetado de que também irei dando novidades e que me fará entrar em ensaios e estúdio dentro de muito poucos dias, acompanhado de um belo grupo de pessoas.
A característica (que se pretende uma das mais importantes) de todas as realizações que venham a acontecer durante este ano, é o seu carácter aberto a todas e todos, independentemente das suas filiações partidárias.
Conto com a vossa visita e leitura!
Um abraço colectivo,
Samuel
(Post publicado em paralelo com o novo blogue, “acunhal.blogspot.pt” 2013 - Centenário de Álvaro Cunhal)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Medina Carreira – Será que foi apenas incompetência policial?! *



Nos tempos idos de Salazar e Caetano, muitos portugueses, talvez para se demarcarem da vergonha internacional de termos uma “polícia” política formada por assassinos, como era a PIDE, ou formada de “capicuas” de bestas e cavalos ou de bestas e cães, como era a polícia de choque da PSP, ou formada pelas botas cardadas de brutos semi-analfabetos e alguns assassinos a soldo, como era a GNR... talvez para se demarcarem dessa vergonha, como dizia, embarcavam na “lenga-lenga” de que, “para compensar”, tínhamos uma das melhores polícias criminais do mundo... ou mesmo a melhor. Não se fazia a coisa por menos!
Deve ter entrado caruncho na estrutura da tal “melhor polícia do mundo”, a ver pelas tristes figuras que, desde há muito anos, andam a fazer.
À semelhança do que acontece com centenas de outras investigações, a operação “Monte Branco” (por estes dias a polícia esgota o seu talento na invenção de nomes para estas operações) arrasta-se há anos, sem grandes resultados à vista.
Em contrapartida, horas depois de Medina Carreira ser publicamente enxovalhado com inúmeras capas de jornais e títulos do calibre de “apanhado na rede”, ou ainda mais criativos, a "melhor polícia do mundo" conseguiu descobrir, afinal, que o homem não tem nada que ver com a estória desta operação “Monte branco”.
Na verdade, um tal Canas, um calhordas qualquer que se dedica às trafulhices bancárias ligadas à corrupção, às fugas ao fisco, à lavagem de dinheiro e o que mais vem à cabeça desta gente, trafulhices que envolverão vários corruptos e bandidecos comuns bem colocados no mundo dos negócios e de outros figurões, instalados de forma espúria na política e em cadeiras do poder, designava um dos seus “clientes” e cúmplice no crime, pelo nome de código de “Medina Carreira”... provavelmente por ele, tal como o original, falar de olhos fechados, ou ser rezingão, ou vá lá saber-se porquê.
E é nisto que estamos! Uma coisa que era, afinal, tão simples, “não se deixou descobrir” umas horas antes... a tempo de um ou mais agentes judiciais imbecis e jornalistas não menos imbecis que estes, não terem oportunidade de, mais uma vez, repetirem esta “graça” recorrente, criminosa, enxovalhante... e a que pelos vistos qualquer cidadão está sujeito.
Resumindo... como tem sido notório, Medina Carreira tem levado algumas caneladas neste blogue. Acho que é a primeira vez, e provavelmente será a última, que utilizo este meio para o “defender... mas tinha que ser!
* Ainda assim... fica a pergunta do título no ar.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O Duarte


Viveu 92 anos, entre 1913 e 2005. "Tomou partido" aos 17 anos. Dedicou sete décadas da sua vida inteiramente aos outros, não regateando o esforço, o tempo e a total dedicação a essa tarefa, ainda que isso lhe custasse – e custou! – muitos anos de prisão, muitos meses de isolamento, muitos dias de tortura.
Pelo caminho, teve a arte de nos legar livros teóricos sobre política ou arte, intervenções soltas, centenas de discursos, romances, desenhos...
Alguns milhares de companheiros de sempre e outros amigos mais recentes, decidiram comemorar o centenário do seu nascimento. As iniciativas são as mais variadas e não faltarão, a seu tempo, os anúncios de cada uma delas ao longo de todo o ano. Eu próprio estarei ligado a algumas, se e onde o que sei puder ser útil.
Apesar de ter dedicado toda a sua juventude e depois o resto da vida a lutar pela liberdade, defendendo para o Portugal então esmagado pelo fascismo, uma nova realidade, uma sociedade livre e plural assente num sistema económico em que convivessem o público e o privado, uma sociedade socialmente evoluída apostada na liberdade religiosa, na liberdade de pensamento, na liberdade de costumes, na igualdade de direitos e no pluri-partidarismo como prática política... há quem não consiga enxergar a dimensão da figura humana, para além da divergência ideológica. Apesar, resumindo, de ter sacrificado a sua liberdade pessoal como contribuição para a luta pela liberdade de todos, estou certo de que não faltarão “comentadores” (o caixote do lixo já está ali à espera de alguns) que não hesitarão em usar essa mesma liberdade para aqui tentarem insultá-lo... o que não deixa de ser uma vergonhosa ironia.
Uma ironia que alguns, por não passarem de canalhas, não admitem. Outros que, por puro preconceito, não querem ver. Outros ainda que, apenas por ignorância ou estupidez... não entendem. 

Aparte estes casos particulares, o sentimento geral é de respeito pela dimensão humana, pelo valor artístico, pela importância política e pela coerência de vida deste português.
Um punhado de homens e mulheres, escolhido muito cuidadosamente ainda no tempo em que era um jovem-adulto, conheceu-o como Duarte. Um número bem maior de amigos e outras pessoas interessadas, conheceu-o igualmente e mais tarde, como Manuel Tiago. Para todos os restantes, foi Álvaro Cunhal.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sean Penn/Hugo Chávez – Aplauso!


Chegam notícias que nos dão conta do apoio explícito e presencial do grande actor norte-americano Sean Penn à reeleição do Presidente Hugo Chávez. Ao que parece, Sean Penn acha, tal como eu acho, que a Venezuela, os milhões de pobres que a Revolução Bolivariana tem vindo a tirar da pobreza pela primeira vez em muitas gerações, assim como a América Latina em geral... têm a ganhar com a reeleição de Chavez. Por muito que isso custe e faça estrebuchar os de sempre: as oligarquias venezuelanas ainda instaladas e, mais a norte, os grandes interesses que o “regime de Chavez” como lhe chamam, tem vindo a enfrentar.
Seja como for, não é sobre a “ditadura de Chávez”, como também lhe chamam... curiosamente, talvez a “ditadura” mais referendada e sujeita a eleições de que me lembro, que me interessa falar.
Também não do actor Sean Penn, em particular, embora seja de notar que a lista de causas que tem defendido parece indiciar que a história de repressão e perseguição ao seu pai, o realizador Leo Penn, vítima da célebre “lista negra” quando se recusou a denunciar os seus companheiros de profissão, acusados de pertencerem ao Partido Comunista... essa história familiar, como dizia, fê-lo perceber de que lado estão os seus verdadeiros inimigos.
Aquilo que me leva a falar deste assunto é o acto cívico e político do apoio, em si mesmo.
Gosto de ver, quando um artista, em qualquer parte do mundo, neste caso nos EUA, dá a cara por aquilo em que politicamente acredita. Fica bem a Sean Penn o seu apoio a um candidato de esquerda da Venezuela, como há dias e também no seu pleno direito, Clint Eastwood decidiu anunciar o apoio ao fanático religioso de direita, Mitt Romney, candidato “republicano” à presidência dos EUA. A liberdade de expressão não é “boa” apenas quando é ao nosso gosto... o que não impede, evidentemente, que se lute com firmeza por aquilo que julgamos ser a nossa razão.
Aquilo que, confesso, já me mete algum nojo, são os milhares de artistas que andam por aí, borrados de medo, tentando agradar a todos, fazendo tudo o que é humanamente possível para que não se perceba que têm qualquer preferência partidária, ou, sequer, uma ideologia... insistindo na tecla já esfarrapada de que a arte não tem nada que ver com política... argumento tão manhoso e falso hoje, como no tempo das gravuras rupestres.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pinto Monteiro – Bem antes pelo contrário...


O Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, procurou causar um belo efeito geral na República, pedindo «distância entre a Justiça e a Política».
Assim, de repente e na generalidade, até dou razão ao senhor Procurador... mas, nalguns casos, infelizmente, sou obrigado a discordar dele.
Na verdade, acho que muitos políticos, uns ainda no activo, outros já regressados às suas vidinhas, deviam estar muitíssimo mais “próximos” da Justiça. Para ser mais exacto, o que quero dizer é que deviam estar presos!!!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Isto não vai lá só com colóquios... nem cantigas!


Um leitor e comentador que preferiu ficar anónimo, deixou uma crítica no post anterior, defendendo que o tipo de reflexões que aí leu são “tópicos de cabeleireiro” (não conheço, não frequento) e que o que se deve é discutir apenas os princípios e não “fazer crescer a indignação” em relação a Passos Coelho... e presumo que aos restantes planeadores e executores desta política neoliberal de “assalto de estado” aos cidadãos, para entregar o produto do roubo nas mãos dos grandes tubarões da finança.
Acabou a enfiar os pés pelas mãos, insinuando que o post era um apoio aos “tumultos” contra os quais todo deveríamos estar e não só Passos Coelho... mostrando que não entendeu uma linha daquilo que escrevi. Mas isso não interessa.
O que é importante é a questão da discussão dos grandes princípios, deixando de fora as pessoas. Nisto o anónimo não está sozinho. Para a totalidade dos apoiantes e executantes desta política, é um verdadeiro sonho poderem contar com milhares e milhares de cidadãos que seguissem para o matadouro, sem uma palavra de contestação, sem um frémito de indignação. Infelizmente, contam!
Já quanto aos que não abdicam de pensar... o sonho desta gente era que aqueles se encerrassem todos numa torre alta (não digo de marfim... pois já não é permitida a sua utilização) discutindo longamente, eternamente, esterilmente, os grandes princípios... mas nunca apontando o dedo nem responsabilizando os executores dos crimes contra a maioria dos trabalhadores e do povo em geral.
Não terão esse gosto! É preciso denunciar, apontar o dedo, insultá-los na rua, nas manifestações, pô-los a ridículo, desmoralizá-los, lutar sempre, não lhes dar tréguas... e, se possível, embora isso não seja o alfa nem o ómega de coisa nenhuma... fazê-los sentar o traseiro no banco dos réus, quando isso parecer o mais indicado, como pareceu aos cidadãos da Islândia.
Derrotá-los em eleições, francamente, já só os deixa ligeiramente enfadados, esperando pela próxima volta do carrocel da "alternância", e, não sei se alguma vez tinha dito, mas acho que há muito mais democracia para lá das eleições!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Francisco Louçã – Apenas para espairecer...


Quando vejo as iniciativas do BE, divergências históricas à parte, fico contente por ver tanta gente nova que, a não se ter aproximado do BE, provavelmente não estaria ganha para a atividade política. Independentemente de estarem ali, não posso deixar de gostar de ver aquela “miudagem” a chegar-se à frente... em vez de ficar por aí a arrastar-se na apatia geral. Ou a militar nas juventudes do CDS-PP e do PPD-PSD.
Esta Convenção não fugiu à regra destes encontros. Não a segui passo a passo, mas chegado o discurso final de Francisco Louçã, deu para ver que está em forma e a tentar recuperar das trapalhadas mais ou menos embaraçosas em que o BE e ele próprio se meteram nos últimos tempos, com as sondagens a refletirem isso mesmo.
Nem me passa pela cabeça questionar a capacidade e o impressionante currículo académico de Francisco Louçã... mas naquela coisa da “angariação” de votos, durante o discurso, mesmo registando a elegante lucidez de não ter pedido os votos dos militantes do PCP e mesmo sabendo que não é possível “criar” votantes no BE, saídos do nada, logo eles terão forçosamente que vir de outros partidos, ou de gente que nunca votou em ninguém... mesmo assim, como dizia, naquele entusiasmado apelo aos votos dos eleitores do PS, do PSD e mesmo do CDS, pareceu-me que Louçã se esticou, vá lá... um bocadinho.
Não fosse ele natural de Lisboa e sim da famosíssima Messejana... seria caso para lhe perguntar se não quer também uma praia...

sábado, 5 de março de 2011

Pedro Santana Lopes – Lei das compensações


O insuperável Pedro Santana Lopes anuncia com a "gravidade" que o caracteriza, por um lado, o seu cada vez maior afastamento do PPD-PSD... e por outro, a sua aproximação ao Sporting Clube de Portugal.
É quase sempre assim na vida. A sorte de uns... é o azar de outros!