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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Venezuela – Poderes especiais...


A justificação prende-se com a necessidade destes poderes presidenciais acrescidos, que permitiriam uma mais eficaz luta contra a corrupção e a sabotagem económica que grandes grupos e empresas estão, dia a dia, a infligir à Venezuela e ao seu povo, apoiados por meios de comunicação privados que sempre foram violentamente hostis à chamada Revolução Bolivariana e… como não seria de estranhar, pela máquina de financiar contra-revoluções, sediada em Washington.
Hugo Chávez, enquanto a vida lho permitiu, resistiu a todas as investidas destes seus conterrâneos movidos pelo dinheiro e pela inspiração do “Império do Norte”, enfrentando os interesses oligárquicos e corruptos, tirando milhões de venezuelanos da miséria, trazendo milhões de cidadãos indígenas para a luz de uma vida digna.
Nicolas Maduro, como tem podido (não é Chávez quem quer!), vai tentando fazer o que acha melhor para o seu povo e, para já, procurando seguir as pisadas de Chávez.
Não sei se estes “poderes especiais” eram mesmo necessários... mas já que agora existem, espero que pelo menos um  desses “poderes” o impeça de continuar a ouvir a voz de Hugo Chávez através de passarinhos... a ver a cara de Hugo Chávez em paredes de túneis de minas… levando-o, pelo contrário, a concentrar-se no essencial.
Se há coisa de que a Venezuela e o povo venezuelanos não precisam, é de, para além dos ataques contínuos e implacáveis do grande capital selvagem... ainda serem gozados internacionalmente à custa destas esporádicas “madurezas” de Maduro!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Sean Penn/Hugo Chávez – Aplauso!


Chegam notícias que nos dão conta do apoio explícito e presencial do grande actor norte-americano Sean Penn à reeleição do Presidente Hugo Chávez. Ao que parece, Sean Penn acha, tal como eu acho, que a Venezuela, os milhões de pobres que a Revolução Bolivariana tem vindo a tirar da pobreza pela primeira vez em muitas gerações, assim como a América Latina em geral... têm a ganhar com a reeleição de Chavez. Por muito que isso custe e faça estrebuchar os de sempre: as oligarquias venezuelanas ainda instaladas e, mais a norte, os grandes interesses que o “regime de Chavez” como lhe chamam, tem vindo a enfrentar.
Seja como for, não é sobre a “ditadura de Chávez”, como também lhe chamam... curiosamente, talvez a “ditadura” mais referendada e sujeita a eleições de que me lembro, que me interessa falar.
Também não do actor Sean Penn, em particular, embora seja de notar que a lista de causas que tem defendido parece indiciar que a história de repressão e perseguição ao seu pai, o realizador Leo Penn, vítima da célebre “lista negra” quando se recusou a denunciar os seus companheiros de profissão, acusados de pertencerem ao Partido Comunista... essa história familiar, como dizia, fê-lo perceber de que lado estão os seus verdadeiros inimigos.
Aquilo que me leva a falar deste assunto é o acto cívico e político do apoio, em si mesmo.
Gosto de ver, quando um artista, em qualquer parte do mundo, neste caso nos EUA, dá a cara por aquilo em que politicamente acredita. Fica bem a Sean Penn o seu apoio a um candidato de esquerda da Venezuela, como há dias e também no seu pleno direito, Clint Eastwood decidiu anunciar o apoio ao fanático religioso de direita, Mitt Romney, candidato “republicano” à presidência dos EUA. A liberdade de expressão não é “boa” apenas quando é ao nosso gosto... o que não impede, evidentemente, que se lute com firmeza por aquilo que julgamos ser a nossa razão.
Aquilo que, confesso, já me mete algum nojo, são os milhares de artistas que andam por aí, borrados de medo, tentando agradar a todos, fazendo tudo o que é humanamente possível para que não se perceba que têm qualquer preferência partidária, ou, sequer, uma ideologia... insistindo na tecla já esfarrapada de que a arte não tem nada que ver com política... argumento tão manhoso e falso hoje, como no tempo das gravuras rupestres.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Hugo Chávez - Veja lá como me responde!


Vivo num país triste, onde a maior parte dos eleitores, pelo menos enquanto não fizermos mais e melhor para romper a barreira de silêncio e desinformação que impede a mensagem de chegar ao destino, vota repetidamente em partidos e políticos que, no dia seguinte ao voto, os enganam, os traem, os roubam; eleitores que, quando decidem “mudar”, votam nos “outros” que, em eleições anteriores, já os tinham enganado, traído e roubado.
Vivo num país triste, onde o Presidente da República em vez de cumprir e, sobretudo, fazer cumprir a Constituição que jurou, patrocina e aplaude as políticas destes políticos... que são as suas; que vive atascado nas estórias dos amigos e colaboradores de que desde há décadas se fez rodear no Governo, na Presidência... e até na casa de férias; um triste arremedo de Presidente, de gatas perante os interesses estrangeiros e o capital sem pátria, aos quais optou por prestar vassalagem.
Virando para a Venezuela, vejo um Presidente em sintonia com as necessidades e anseios da maioria do seu povo, povo que lhe vai dando o seu voto de forma maioritária, livre e democrática, eleição após eleição. É por isso que, mesmo não gostando do exibicionismo e do tom (errado) com que algumas medidas (certas!) são por vezes apresentadas, algumas das tiradas e ações políticas de Hugo Chávez fazem-me ganhar o dia.
Primeiro, porque fico sempre a imaginar quantos milhares de “filhos da pátria” ele deixa à beira da apoplexia, de cada vez que faz mais alguma coisa para tirar da miséria grande parte do seu povo, para o alfabetizar, para que os “direitos” saiam do papel e venham até às casas dos trabalhadores. Tudo isto com o dinheiro que eles tinham como coisa sua, sagrada e para sempre.
Segundo, porque imagino a cara do pascácio Aníbal, se por acaso viu Hugo Chávez, nesta conferência de imprensa que eu vi, dizer sem papas na língua que se determinado banco privado (de capital espanhol) não cumprir a lei e a Constituição, em relação com um programa de apoio à habitação, «Nacionalizo-o no interesse nacional! Pago, seja lá quanto que for aquilo que o banco valha... e nacionalizo-o!»
Quando eu pensava que já tinha visto o melhor, Chávez pega no telefone, liga para o banqueiro e, perante a sua resposta, supõe-se que desabrida, aconselha-o: «O senhor veja lá como me responde! Você diz-me que o banco não está à venda, mas olhe que eu nacionalizo-o sem qualquer problema; por isso, rogo-lhe, veja lá como é que responde!»
Claro que depois o homem, certamente a suar bastante, lá se dispôs a receber imediatamente as pessoas que antes tinha recambiado de mãos a abanar... mas valeu pelo diálogo! É com estas (e muitas outras) que Hugo Chávez compensa largamente um ou outro tique da sua exuberante personalidade que não liga bem com o meu feitio provavelmente demasiado europeizado... seja lá isso o que for.