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sábado, 15 de junho de 2013

Beja é já ali...


Contra ventos e marés, sobretudo os ventos e as marés da inércia – provavelmente os mais retrógrados e desmobilizadores ventos e marés da História – continua a nossa viagem pelo Alentejo e pela memória (e pelo futuro) da Reforma Agrária, esta jornada que dedicámos à figura de Álvaro Cunhal, no Centenário do seu nascimento.
Desta vez é em Beja. Será um acontecimento diferente dos outros nove espectáculos que até agora já fizemos. O nosso reportório será ligeiramente compactado, para acomodar os vários convidados que esta noite especial vai ter. Uns para cantar... outros para falar.
Apesar de já saber que, a menos que tenha recuperado a voz, a fadista Ana Sofia Varela não poderá cantar... tudo o que está no cartaz irá acontecer. Desde os numerosos amigos dos grupos corais, durante a tarde, até ao espectáculo da noite.
Até lá!

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Continua a viagem


Mais duas visitas a dois municípios alentejanos com o espectáculo “Alentejo – Terra, luta, arte e futuro”, integrado nas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.
Hoje, à noite, é no Centro Sociocultural, em Vendas Novas.
Amanhã, dia 25 de Abril, é às 19 horas, na Praça da República, em Vila Viçosa.
Vemo-nos por lá!

sábado, 20 de abril de 2013

Hoje é no Crato!



A bela terra do Crato tem um programa bem recheado, por estes dias, à volta do tema do 25 de Abril. Um dos momentos será garantido por nós, a “troupe” que vai andar por aí lembrando a Reforma Agrária, num espectáculo integrado no Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal, espectáculo de que já antes aqui falei.
Portanto, já sabem! Quem nos quiser ver – e puder - é mais logo, hoje, sábado dia 20 de Abril, depois do jantar, na Praça do Município do Crato.
Quem até quereria ver – mas não pode – tem ainda muitas mais ocasiões em vários outros municípios a anunciar.
Quem puder... mas não nos quiser ver, também não tem nada que enganar: é ficar no sofá a disfrutar uma das cinquenta novelas disponíveis.

domingo, 17 de março de 2013

Fanhais - Canto do ceifeiro


Depois da bela experiência colectiva que foi o nosso “ensaio geral” com público, no passado dia 6, em Arraiolos, a digressão do nosso espectáculo dedicado ao fenómeno da Reforma Agrária e integrado no centenário do político, criador artístico e ser humano que foi Álvaro Cunhal.
Aproxima-se um mês de Abril meio alucinado com trabalho, entre canções e outras actividades. Uma forma de dar a conhecer o nosso repertório a quem não tiver oportunidade de assistir a nenhuma das apresentações destes convívios de memórias, amizades, História e canções da resistência e de intervenção... irei aqui apresentando algumas dessas canções. Dentro de algumas semanas poderei mesmo publicá-las já cantadas por nós, ao vivo, ou tiradas do CD de estúdio que vamos fazer... ou, como hoje, cantadas pelos seus criadores originais.
Este “Canto do ceifeiro” faz parte de um grande “LP” (Canções da cidade nova – 1970) do Francisco Fanhais” e tem versos de Eduardo Valente da Fonseca e música de F. Fernandes. Como nós não temos a voz de cristal do Fanhais... no espectáculo... fazemos o que podemos.
Bom domingo!
“Canto do ceifeiro” – Francisco Fanhais
(Eduardo V. Da Fonseca/ F. Fernandes)



terça-feira, 5 de março de 2013

Viva a Reforma Agrária - Arraiolos


Poderia ter feito assim... poderia ter feito assado... poderia ter escolhido outras canções... no limite, até outra profissão mais “sossegada”. Nada que me possa ajudar nesta fase do andamento do projecto de espectáculo colectivo que me pediram para criar, onde se fala da Reforma Agrária e da sua memória, espectáculo integrado nas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.
Agora, o que está feito, está feito. Hoje é dia de “reflexão” e amanhã, dia 6 de Março, rumaremos a Arraiolos para a primeira de uma série de apresentações que fará escala em várias localidades do Alentejo... e desconfio que não só do Alentejo (a agenda ainda tem muitos dias livres!).
Lá estaremos, à noite, acompanhados por uma exposição multimédia (trabalho que tocou a outros companheiros) e com a presença das pessoas que queiram prestigiar a figura de homem, artista plástico, escritor e político que se pretende homenagear e que se sentem afectivamente ligadas à História da “mais bonita conquista do 25 de Abril”... e a algumas canções que formaram a sua banda sonora.
Nestas apresentações de espectáculos construídos para percorrer várias salas, há sempre um conjunto de pessoas que têm o (discutível) “privilégio” de estar na primeira apresentação. Aquela apresentação que, por muito que se tenha ensaiado... é sempre uma espécie de grande ensaio geral com público presente na sala. Aquela com uma dose mais elevada de nervos e inseguranças... justificadas ou não.
Lá estaremos, eu, a Luísa Basto, a Lúcia Moniz (que estará apenas nos espectáculos em que isso lhe for possível, como é o caso amanhã), dando a cara por algumas dessas canções. Acompanham-nos a Beta, a Alexandra e o Paulo, nos coros, o Cândido Mota lendo o guião que vai servindo de fio condutor, o Nuno, o Ivo, o Mil-Homens e o André, tocando os vários instrumentos, os técnicos de som e luz... e todos aqueles de entre vós que quiserem ou puderem aparecer por lá.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O homem que gostava de canções


“Festa de aldeia” – Álvaro Cunhal, in “Desenhos da prisão”

Quando no dia 13 de Abril de 1980 chegou a hora do grande comício de encerramento da 4ª Conferência da Reforma Agrária, em Évora, nem um ano tinha passado sobre o assassinato do “Casquinha” e do “Caravela” às mãos da GNR e a mando do Governo de Maria de Lurdes Pintassilgo, apoiado na lei criminosa de Barreto.
Já se tinha entendido que iria ser muito difícil defender a mais bela conquista do 25 de Abril... mas ainda assim, era o que faltava que se perdesse sem luta! Daí o lema da Conferência, “Defender a Reforma Agrária, prosseguir Abril”. Daí a redobrada importância do discurso que encerraria a Conferência e o comício, proferido por Álvaro Cunhal.
Eu tinha acabado de cantar algumas canções, duas delas (pelo menos) saídas do meu mais recente disco, editado no ano anterior. Palmas... sentei-me no grande estrado feito palco, a alguns lugares de distância de Álvaro Cunhal, que estava a escassos minutos de ir discursar para aqueles milhares de pessoas.
De mansinho, levantou-se e veio, sem dar muito nas vistas, sentar-se ao meu lado. Queria saber como estava a correr a “carreira” do meu disco. Gostava de várias das suas canções (não caiu na tentação de me dizer que gostava de todas!). Deu-me algumas razões técnicas para explicar o seu gosto pela minha canção com poema do AryLlanto para Alfonso Sastre y todos” (a ligação da música com a letra, a cavalgada rítmica que eu tinha decidido compor, a forma de a cantar)... mas preferia, decididamente, “Ao alcance das mãos”. Para meu grande prazer enquanto autor, disse-me também porquê. Uma mão a apertar-me o ombro, a dar-me força... e foi para o seu lugar, praticamente no momento em que o seu nome era anunciado.
Um membro da organização, provavelmente daqueles (já me cruzei com tantos!) para quem os cantores, assim que cantam a última nota com que “abrilhantaram” a sessão para que foram convidados, deixam de ter qualquer utilidade ou interesse... não aguentou a dúvida que o “angustiava” e perguntou-me:
- O que é que o Álvaro tanto tinha pra falar contigo em cima do palco?
Uma das minhas razoáveis qualidades (há horas em que é um defeito) foi sempre a capacidade de responder a perguntas deste “género” com respostas por vezes insolentemente anárquicas:
- Estava a dar-lhe umas ideias para o discurso!
Não lhe dei tempo para “chegar lá” por si... tive pena do seu ar algo perdido e optei por explicar-lhe o que se tinha passado realmente.
Afinal, aquela figura carregada de História, de anos de heroísmo, de algum mistério e mais tudo o que sabemos... era, também, apenas mais um homem que gostava de canções!


Adenda: Entretanto, recebi esta prenda do Monginho (sim, o Monginho dos cartoons do Avante)... que sempre tem mais uma corzinha, como ele diz. Faz toda a diferença! O cartaz é da autoria do saudoso João Martins, outro cartonista, mas este de "O Diário".

Publicado em paralelo no "2013 - Centenário de Álvaro Cunhal"

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um novo “tacho” – Alô, alô, experiência...


Tenho um novo “tacho”! Fui contratado para escrever e fazer parte da equipa de um novo blogue colectivo... por um ano.
Enquanto processo o orgulho e o prazer proporcionados pelo convite, este primeiro post é o equivalente ao clássico “alô, alô, experiência... isto está ligado?”, seguido das duas ou três pancadinhas no microfone com que alguns artistas menos dados às coisas da técnica presenteiam (e enlouquecem) os técnicos de som.
Vamos ao assunto. O novo blogue, acunhal.blogspot.pt, vai ter a existência de um ano, o tempo que durarão as muitas dezenas e dezenas de iniciativas integradas no Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. É essa a sua única função: noticiar, divulgar, comentar as muitas exposições, colóquios, lançamentos de livros, concertos, edições comemorativas, etc., etc., que essa grande figura do século vinte vai suscitar.
Para além do blogue, vou estar ligado a um grande projecto regional, cobrindo o Alentejo, centrado no fenómeno da Reforma Agrária, um dos “amores” de Álvaro Cunhal... projectomultifacetado de que também irei dando novidades e que me fará entrar em ensaios e estúdio dentro de muito poucos dias, acompanhado de um belo grupo de pessoas.
A característica (que se pretende uma das mais importantes) de todas as realizações que venham a acontecer durante este ano, é o seu carácter aberto a todas e todos, independentemente das suas filiações partidárias.
Conto com a vossa visita e leitura!
Um abraço colectivo,
Samuel
(Post publicado em paralelo com o novo blogue, “acunhal.blogspot.pt” 2013 - Centenário de Álvaro Cunhal)

quinta-feira, 5 de julho de 2012

BPN, jornais atrasados, Barreto... e uma explicação


Quando, há tempos, o lacaio de banqueiros que estava no Ministério das Finanças e que antecedeu o que lá está agora, quis explicar o facto de terem acudido ao BPN com milhares de milhões de euros, uma das grandes desculpas foi a “defesa dos postos de trabalho” dos funcionários do banco.
Houve muito bom idiota que, então, acreditou. Aí está o resultado:
Como não tinha amanhos de peixe para embrulhar e deitar fora... ainda dei mais uma olhadela à primeira página deste exemplar já com uns dias do Diário Económico, onde António Barreto, essa espécie de bonzo de pechisbeque, “grande pensador” ao serviço de uma cadeia de supermercados, declara solenemente que «há espaço para mais austeridade, se for selectiva», já que, segundo a “socióloga nódoa”, não pode continuar a ser para todos(???), voltando a repetir o argumento indigente de que os portugueses só não concordam com a austeridade... porque esta não é bem explicada.
Adenda: Por vezes perguntam-me se existe alguma razão pessoal que justifique a minha evidente agressividade para com o sociólogo António Barreto.
Existe sim!
Nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril, a minha música e, provavelmente, a forma de estar nela, resultaram numa ligação especial à Reforma Agrária, às suas Cooperativas e UCP, aos seus homens e mulheres. Uma relação que se traduziu, entre outras coisas, em centenas de convívios musicais um pouco por toda a parte entre o Alentejo e o Ribatejo. Assim, quando em 1979, no decorrer de mais uma aplicação violenta da “lei” de António Barreto, dois trabalhadores, o Casquinha e o Caravela, foram assassinados pelas “forças da lei” na “Cooperativa Bento Gonçalves”, às porta de Montemor-o-Novo, entre ficar do lado dos trabalhadores, das suas famílias e dos seus camaradas, ou ficar do lado do autor moral e político do seus assassinatos... tomei partido pelos trabalhadores.
Ainda não mudei de opinião.