Há de existir uma explicação para o facto de tantos juízes deixarem tão mal a simples ideia de justiça. Há de existir uma falha qualquer no percurso de formação de juízes, mesmo enquanto serem humanos, para que tão repetidamente desvalorizem os crimes de teor sexual, cometidos contra crianças.
Um indivíduo de São João da Madeira, acusado de ter abusado sexualmente de duas crianças, de oito e dez anos, suas vizinhas, foi a julgamento. Mais uma vez, um juiz, depois de os factos terem sido suficientemente provados, ao ponto de justificarem uma sentença de quatro anos de prisão, mandou o condenado para casa com “pena suspensa”. A mesma casa onde vivem as vítimas. Não decretou sequer qualquer medida que o impeça de se aproximar delas.
«Vá para casa e não faça mais asneiras!» - disse o magnânimo magistrado.
“Asneiras?!” Asneiras tipo o quê? Trincar caramelos tendo dentes postiços? Chapinhar nas poças de água da chuva com os sapatos novos? Deitar a língua de fora ao senhor prior? Asneiras?!
Que se terá passado na cabeça deste juiz durante o "julgamento"?
“Condenou” o abusador por ser pedófilo, ou por ser incompetente ao deixar-se apanhar?
Passou todo o tempo do “julgamento” a fantasiar que a coisa se passava no seu gabinete de juiz, com ele e duas rapariguinhas ou dois rapazinhos da mesma idade?
Que raio levará tantos juízes a simpatizar com os pedófilos que deveriam condenar?
Que merda!


