sábado, 4 de junho de 2011

Dia de reflexão (2)


Não dou o mínimo valor a esta pepineira do “dia de reflexão”. Por mim, interditar a propaganda apenas no dia de votar e junto às assembleias de voto seria mais do que suficiente. Porém, se a regra existe...
Daí que tenha ficado assaz satisfeito quando por volta das 3:15 da madrugada, enquanto passeava a insónia pelos vários canais de televisão, tropecei numa coisa que não sei exatamente para que serve nem por que critérios se guia... e que dá pelo nome de “EuroNews”. Talvez para me esclarecer sobre para que serve e quais os critérios por que se guia, lá estava um “entrevistador” recitando uma “perguntas jeitosas” a (oh, fortunas do acaso!) essa luminária do jornalismo e do comentário político, José Manuel Fernandes, fiel empregado de Belmiro de Azevedo no seu “Público”.
Mesmo sabendo que quase ninguém estava a ver aquilo, ainda assim foi edificante ver o patético lacaio do mais rico apoiante (oficial) de Passos Coelho, fazendo campanha eleitoral, descaradamente, em plena madrugada de “reflexão”, explicando ao “entrevistador” que a única solução para o país é um governo de maioria, pois – lembrou muito a propósito – o Sr. Presidente da República avisou que não dará posse a um governo minoritário. Sendo assim, a única saída possível é um governo PSD/CDS, já que ambos os dirigentes destes dois partidos foram bem claros quando recusaram qualquer acordo com José Sócrates.
E mais? – perguntam vocês. Mais nada! – respondo eu.
Era tudo o que o paspalho José Manuel Fernandes tinha a dizer sobre a campanha e as eleições de amanhã... pois, aparentemente, mais nenhum partido concorre... pelo menos que ele se lembre... ou lhe dê importância.
Teve ainda tempo para dizer que depois, se «nos portarmos bem» (sic) e seguirmos à risca todas as exigências do “acordo” com a “troika”, estes (o FMI, o BCE e a União Europeia), mais tarde até poderão considerar a hipótese de estudar uma renegociação da dívida... assim como que uma espécie de recompensa, uma espécie de torrão de açúcar na língua das bestas de carga.
Gostei de reparar que o tema “Renegociação da Dívida” que quando foi introduzido pelos comunistas lhes valeu uma boa saraivada de insultos vindos de todos os lados, desde que foi depois “descoberto” por Louçã e pelo BE... e uns dias mais tarde até por economistas “conceituados” e “lá de fora”, deixou de ser uma heresia e uma ofensa aos sacerdotes da “teologia de mercado”.
Mais elementos para reflexão...

Dia de reflexão


(René Magritte)

Hoje – dizem - é dia de reflexão. Até poderá ser... mas nunca tanta e tão profunda como a que terá que ser feita a partir de segunda-feira. Na verdade, a partir do próximo dia 6 de Junho, muito milhares de portugueses terão a tardia oportunidade de refletir sobre aquilo que realmente conseguiram não indo votar, ou votando em branco. Muitos milhares de portugueses terão muito tempo para refletir sobre a insanidade de, parafraseando Einstein, continuarem a fazer sempre as mesmas coisas, esperando obter resultados diferentes.
Será igualmente bom refletirmos sobre a real legitimidade de um resultado eleitoral obtido à custa de mentiras, ocultação de factos, terrorismo político, “inevitabilidades”, boicote ativo à divulgação de medidas políticas alternativas, com a ajuda do já experimentado rol de preconceito vesgo, silenciamento, truncagem das mensagens, etc., levado a cabo por uma comunicação social em que, desgraçadamente, a maior parte dos “jornalistas” se transformou numa massa invertebrada que, rapidamente, tomou o partido de quem lhes pareceu estar mais próximo da vitória, inundando jornais, revistas, rádios e televisões, com analistas, politólogos e comentadores, todos falando a uma só voz: a da “troika”, a do capitalismo mais selvagem.
Teremos então muito tempo para refletir em como a falta de reflexão antes do voto se reflete nas condições de vida, ainda mais degradadas, na falência provocada do “estado social”, no aumento do desemprego, da entrega de tudo o que (ainda) é serviço público e que cheire a lucro, nas mãos de negociantes. Finalmente, na progressiva perda de soberania nacional.
Pela minha parte, recuso os panos em volta da cabeça. Pela minha parte, garantirei que o meu voto reflita o conteúdo desta crua reflexão. Pela minha parte, sem prejuízo da anunciada reflexão futura, estarei com aqueles que, a partir de segunda-feira, continuarão a sua luta. Uma luta com muito caminho para fazer. Uma luta muito antiga, coerente, refletida.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

José Sócrates – O homem do luxo



A escola, a banca, os centros de saúde e hospitais, as indústrias estratégicas, as grandes empresas (quase sempre monopolistas) de fornecimento de energia, água, transportes... etc., etc., deviam ter como prioridade primeira, exatamente a educação, o apoio à economia do país, empresas e particulares, a saúde, o enriquecimento do país, o fornecimento de serviços vitais. Infelizmente, já não é isso o que acontece na maior parte dos casos. O assalto que o capitalismo fez a todos estes sectores (desde que lucrativos) fez com que em cada uma destas atividades se tenha imposto uma nova e mais importante prioridade: o lucro.
Daí que, salvo raras exceções – e entrando finalmente no tema – eu não tenha grande apreço pelo ensino privado, sendo que as tais exceções só se verificam em casos em que o serviço público não dá resposta às necessidades das populações. Desgraçadamente, muitos destes casos de falta de resposta pública para as necessidades no ensino, tal como em muitas outras atividades, não corresponde a uma real dificuldade do Estado em conseguir cumprir o seu dever, mas sim ao conluio de sucessivos governos com os interesses privados dos senhores do capital.
Sendo assim, exatamente por existirem exceções e por falta de informação suficiente, não posso ter uma opinião, nem boa nem má, sobre o externato “Penafirme” que, para reivindicar financiamento público para o seu negócio privado, organizou uma manifestação à porta de um jantar de campanha de José Sócrates, em Torres Vedras.
- Então se não tens opinião, cala-te!, poderiam dizer vocês... mas na verdade, não é do ensino privado que quero falar. Aquilo que me prendeu a atenção foi o “ângulo” que Sócrates escolheu para atacar a manifestação. «Não me deixo impressionar por manifestações luxuosas».
Isto, porque os manifestantes estacionaram um TIR à frente do restaurante, com um dos lados coberto por uma grande faixa preta com uma frase anti-Sócrates escrita... faixa que bem pode não passar de um pedaço de plástico para cobrir estufas, oferecido pelo pai de um aluno e pintado por uma tia, tal como o camião poderá ter sido emprestado pelo cunhado de uma das professoras. Para reforçar o “luxo”, houve uma avioneta a sobrevoar o acontecimento, transportando no ar mais uma frase alusiva à acção de protesto, que dizia "Penafirme, ensino público gratuito", estão a ver?... uma daquelas avionetas que os namorados com uma mesada boa, ou um primeiro emprego interessante, costumam alugar por quinze minutos, para sobrevoar a praia, arrastando uma faixa esvoaçante que diz “Amo-te, Soraia Cristina!”.
José Sócrates podia ter aproveitado para falar daquilo que pensa realmente sobre o ensino privado. Poderia ter mostrado conhecimeto sobre aquele caso específico... mas optou por chamar àquilo uma “manifestação luxuosa”... logo ele, que nos últimos dias tem arrastado pelo país inteiro uma máquina de propaganda, essa sim, verdadeiramente multimilionária... e até com recurso a figurantes pagos.
A mostrar que o ainda primeiro-ministro de “corpo presente”... pois àquilo não se pode chamar propriamente gestão, pode até ser rico na sua casa lisboeta, nos fatinhos com assinatura, na incomensurável lata, na mitómana imaginação com que todos os dias fala de um país que não existe... mas que, quanto a tudo o resto, é extremamente “pobre”. Indigente, mesmo!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

João Tunes – “Aliados” desta estirpe... dispenso!


Este post não é sobre João Tunes, nem sobre o seu blogue. Porque isso não teria o menor interesse. Um “João Tunes”, mesmo depois de pronto, não serve para nada! De qualquer modo, uma das suas frases, escritas num daqueles momentos em que Tunes é atacado pelo delírio de pensar que é genial, merece uns segundos de atenção.
Num texto em que Tunes explica aos seus leitores que, não só vai votar BE, como o voto no BE é que é o único voto útil, tenta desvalorizar o campo da CDU, de uma penada, com uma das tais delirantes frases, em que inventa até um novo conceito, o do partido em “estado de necessidade”:
«Nas esquerdas, o Bloco é o único partido que mostra estar em estado de necessidade, pois o PCP conserva a fidelidade das suas hostes na egolatria escapista do leninismo senil, viciada no protesto metódico, ritualizado, burocrático e inconsequente»
E perguntam vocês… “Ó Samuel, e por que dianho foste interessar-te por uma frase tão imbecil?!”
Porque mesmo ferida de uma hilariante tolice, tanto no conteúdo como no estilo, infelizmente mostra ao que eles vêm. Se não mostra ao que vem o BE, no discurso oficial, é bem clara quanto ao pensamento de muitos dos seus militantes e quanto ao seu ódio vesgo aos comunistas, como se pode ver, ouvir e ler por aí, todos os dias, em colunas de jornais, comentários televisivos, blogues...
Isto vem mostrar que, independentemente do acerto e da importância das convergências pontuais, passadas e futuras, as (legítimas) vontades de alianças ou acordos mais vastos têm ainda um longo caminho a percorrer.

Pepinos... e os misteriosos caminhos do cérebro humano


A chegar quase ao fim de mais uma campanha eleitoral é inquietante constatar que se anda a tentar comunicar com pessoas que, em número assustador, são as mesmas que por causa de uma estória muito mal contada, passada na Alemanha e com acusações a uns pepinos espanhóis, que muito provavelmente não fizeram mal a ninguém... já não compram ou comem, em Portugal, nem pepinos, nem alfaces, nem tomates, nem couves...
Como é que se chega até ao cérebro destas pessoas com uma mensagem que tente ir para lá da gritaria das feiras, das esferográficas e isqueiros para a coleção, aventais, bonés, T-shirts, mentiras e promessas descabeladas?
Isto vem mostrar que ter acesso a cem canais de televisão e a milhões de fontes de informação e conhecimento, não significa que se acede realmente a essa informação, ou que se adquire conhecimento.
Isto vem mostrar que, muito provavelmente, a descomunal “oferta” de informação não tratada e posta à disposição de todos, pode bem ser, sob a capa da “democracia e liberdade”, uma forma intencional de aumentar a confusão e baixar o nível de formação cultural e política de populações inteiras... com os resultados que estão à vista.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial da Criança – Quando?


Apesar das boas intenções e dos discursos piedosos, apesar da luta sincera de muitos e de algumas vitórias e avanços, a realidade de todos os dias do ano é a da exploração sexual de crianças, do trabalho infantil, das crianças-soldados, dos números aterradores da mortalidade ao nascer (ou pouco depois), a pobreza infantil (só na UE são 20 milhões!) e, a montante de tudo, a montante de toda a miséria e injustiça que tudo isto produz, a exploração desenfreada dos seus pais e das suas mães.
Com que cara ficarão os grandes senhores do “primeiro mundo” (e alguns do “terceiro mundo”) quando todas as crianças, de todo o mundo e todos os “mundos”, tiverem razões para sorrir, assim, como se fossem um sol?
Para quando um “Dia mundial do Julgamento” dos senhores que há tanto tempo andam a roubar os sorrisos das crianças?

Marilyn Monroe – (1926-1962)


“Hollywood é um lugar onde te pagam mil dólares por um beijo
e cinquenta cêntimos pela alma”
Marilyn Monroe

Esta senhora faria hoje 85 anos. Nasceu Norma Jeane, em 1026. Morreu Marilyn apenas 36 anos depois. Pertence à galeria daqueles que, tragicamente, ficaram para sempre jovens.
Passou os últimos anos da sua existência a dar vida a um “boneco” de menina tonta. Porque isso dava muito dinheiro aos estúdios de cinema. Porque isso deu jeito até ao execrável John Kennedy... o que poderá, ou não, ter estado na base da sua morte (dela, evidentemente!).
A frase que em cima reproduzo, uma apenas entre muitas, dá-nos conta de uma outra Marilyn Monroe. Uma mulher que pensava, que escrevia, que conhecia muito bem a textura da lama em que tinha escolhido mover-se... na busca do aplauso, da fama, de uma ilusão de felicidade.
Dedico-lhe este post... que no fundo é apenas um pretexto para falar de um guarda-chuva às bolinhas que um dia fez companhia a esta minha colega... que quase ninguém lembra o quanto cantava bem.