sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os ladrões rectificativos...


“Ajuda aos bancos obriga a orçamento rectificativo”, diz a notícia. E porque não?! Temos que acomodar nos nossos orçamentos pessoais e familiares aquele pouco com que “devemos” contribuir para a felicidade dos banqueiros. A técnica é perfeita. Rouba-se mais um pouco aos pobres e remediados. Estes são tantos, que a colecta é sempre fantástica... e, convenhamos, que brilharete é que os pobres e remediados iriam fazer com a meia dúzia de euros que lhes são roubados?
Sendo já um dado adquirido que quem está no poder são os ladrões, também conhecidos pela designação de banqueiros e especuladores, que têm nos gabinetes ministeriais os seus fiéis criados para todo o serviço, não faltará muito para que, antes dos casamentos, batizados e festanças variadas que ocupam abundantemente o nosso “jet set” da finança, sejam lançados “impostos relâmpago” para financiar as roupas de marca e alta costura, mais a joalharia avulsa, tudo coisas obrigatórias nessas ocasiões. Pagaremos tudo! No limite... até os pesados camafeus das esposas e os brilhantes “alfinetes de peito” das amantes.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Governo Passos/Portas – Roubar tudo, rapidamente e em força!


O batalhão neoliberal comandado por Passos e Portas continua a sua marcha para o passado, qual desfile da “Legião Portuguesa” ou mesmo da “Mocidade”...
Que tipo de canalhas é que pode defender uma revisão da «noção de serviço público» de transporte, quando essa revisão não passará do corte de carreiras e da diminuição de outras?
Que tipo de canalhas é que pode achar eticamente justificável ou social e politicamente tolerável, numa altura de um já tão esmagador aperto na vida dos portugueses, impor um aumento médio de 15 por cento nos transportes, seja nos bilhetes, seja nos passes (cada vez menos) sociais, única garantia de mobilidade para tantos milhares de trabalhadores e reformados?
Estes delinquentes não merecem o respeito que normalmente se reserva aos adversários políticos. Isso implica que se lhes reconheça lealdade na divergência, honestidade e dignidade na diferença. Não! Estes são vulgares ladrões e declarados inimigos do povo.

Dominique Strauss-Kahn – Uma ocupação a tempo inteiro


Penosamente, página a página, lá vai sendo escrita a novela trágico-erótica de Dominique Strauss-Kahn (DSK), o incontrolável fauno, ou sátiro ex-presidente do FMI, ex-grande figura do “socialismo” à francesa, ex-futuro candidato à presidência da França. Como se não lhe bastassem as humilhações de carácter íntimo (passe a expressão) ficou agora a saber que para além de ser substituído à frente do FMI por Christine Lagarde, uma mulher (deve doer-lhe!), ainda por cima ela vai receber mais do que ele ganhava.
Quanto à escandaleira propriamente dita, essa não para de crescer.
- Continuam as grandes dúvidas sobre a credibilidade da funcionária do hotel, supostamente atacada em Nova Iorque, ataque que ele continua a negar, dizendo mesmo que tudo se trata de uma vingança, por ter-se recusado a pagar o que ela pretendia.
- Segundo o próprio acusado terá confessado à esposa, a impossibilidade de ter violado, ou mesmo tentado violar a queixosa, prende-se com o facto de ter passado toda a noite anterior fazendo sexo, ininterruptamente, com três outras mulheres.
- Entretanto a jovem escritora francesa Tristane Banon, confirma a sua acusação de que foi atacada sexualmente por DSK, há uns anos, indo testemunhar a NY.
- Na dúvida sobre se DSK teve ou não relações com a jovem francesa, a mãe desta confirma que ela própria teve várias vezes sessões de «sexo brutal» com o acusado... mas porque quis.
- A própria filha de Strauss-Kahn é chamada a depor, por, supostamente, ter conhecimento dos factos de que o pai é acusado pela sua amiga Tristane.
Enquanto, na dúvida, a polícia judiciária já anda à cata de sinais de stress no comportamento dos animais domésticos, potenciais vítimas de assaltos libidinosos de DSK e que pertençam a amigos e conhecidos do descontrolado viciado em sexo... eu fico aqui a pensar que nesta altura do campeonato e perante uma tal avalanche de revelações, a questão que se põe já não é a de saber se Dominique Strauss-Kahn, a ser alguma vez eleito President de la Republique Française, teria condições morais ou políticas para exercer a presidência. A grande questão é se teria tempo disponível!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

BPN – Não há limites...


Como parece não haver limites para o saque de que todos estamos a ser vítimas, tudo indica que o BPN, o antro dos amigos cavaquistas mais dados à roubalheira, irá ser vendido à pressão, logo, ao desbarato.
O hipotético comprador que está mais bem colocado na primeira fila é o BIC, banco angolano de que é proprietária a espertalhona herdeira do Presidente de Angola. Parece – imagino eu – que o facto de o BPN estar conspurcado de alto a baixo pelas estórias de corrupção e roubos que se conhecem, não amedrontam a intrépida Isabel dos Santos nem os seus sócios... antes constitui uma espécie de “tempero” extra que torna o negócio mais apetecível.
O homem de mão de Isabel dos Santos em Portugal, ex-ministro de Cavaco e agora presidente executivo do BIC, Mira Amaral, já declarou (por entre a habitual nuvem de perdigotos) que, a dar-se o caso de ficarem com o BPN, a Caixa Geral de Depósitos, logo, o Estado português, terá que, ainda durante bastante tempo, continuar a injetar ali mais alguns milhões, financiando os negócios do BIC e do BPN... pois como já disse, parece não haver limites para o saque de que todos estamos a ser vítimas.
Diz também o cavacal gestor Mira Amaral, que estará garantida «uma redução no número de balcões e de colaboradores»… o que me sugere uma reflexão:
Se isto fosse uma espécie de “Olimpo”, atascado em deuses, e se existisse um “Deus” específico para os assalariados, de cada vez que um destes canalhas dissesse a palavra “colaboradores” quando se está a referir a trabalhadores que vivem exclusivamente da sua força de trabalho… desceria qualquer coisa dos céus, que os deixaria de dentes partidos.
Infelizmente… a mitologia não passa disso mesmo.

Cavaco, Europa, caretos e alertas...


Aníbal Cavaco Silva disse esperar que «tenham soado as campainhas de alerta na UE» e que os dirigentes europeus tomem decisões firmes, determinadas e claras, quanto ao Euro... e demonstrem estar à altura dos "Delores, Helmut Kohles e Miterrãns" que os precederam.
Depois, só para garantir, agitou-se energicamente mais umas quatro ou cinco vezes... e foi pra dentro.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Via do Infante e Macário Correia – Inevitável...


As últimas ocasiões em que tive a oportunidade de ver o autarca do PSD, Macário Correia, atual presidente da autarquia de Faro, foi nas (justas) manifestações contra as portagens na “Via do Infante”, noticiadas pelos telejornais, onde aparecia afogueado, irredutível e acompanhado por outros autarcas do PSD. Agora diz que as portagens são «inevitáveis».
À hora em que escrevo, tanto ele como (pelo menos) um outro autarca do PSD, Desidério Silva (Albufeira) continuam a desdobrar-se em explicações sobre o facto de a sua mudança de posição não ter nada que ver, “não senhor!, nem pensar!”, com a chegada ao governo do seu partido e de Passos Coelho.
Lembrando a época em que o Macário Correia secretário de estado do ambiente de Cavaco Silva, afirmou, com extrema “elegância”, diga-se, «Beijar uma mulher que fuma é como lamber um cinzeiro!», também eu poderia ficar aqui a tentar competir com o maleável presidente da câmara, produzindo igualmente umas quantas frases nojentas... só que desta vez sobre a sua coluna vertebral e honestidade política... mas não estou com estômago para um tal exercício.

Entretanto, a luta contra as portagens na "Via do Infante", se era justa há uns meses, continua a ser justa... pelo menos para estes e muitos outros cidadãos cujo carácter foi moldado em materiais mais nobres.

O nome da rosa... “light”


Embora desejando que a explicação para esta estória não se prenda com os oitenta anos que Umberto Eco já leva de vida, a verdade é que não consigo encontrar uma boa justificação para ela.
Umberto Eco vai reescrever o seu romance "O nome da rosa" numa versão mais ligeira, para atrair novos leitores.
O potencial desta ideia é esmagador! Já estou a ver “Os Lusíadas” em versão SMS, Eugénio de Andrade todo em quadras para espetar em manjericos... e, como seria fatal, fico a imaginar que já deve estar em preparação uma versão do (belíssimo) filme “O nome da rosa”, mas feito para televisão, em formato de telenovela juvenil de fim de tarde... para a TVI.
Na impossibilidade de se poder contar com Saramago e não vá dar-se o caso de a moda pegar, meti mãos à obra e depois de muito trabalho consegui uma versão igualmente ligeira do meu romance preferido do nosso Nobel da Literatura:

“O ano da morte de Ricardo Reis”
Capítulo... tipo... único
Meu... o Rikardo estava bué da mal. Morreu. Tásse.


Fim