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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um dedo para o Cerny


Deixando e lado as considerações estéticas e artísticas, assim como de bom ou mau gosto... o artista David Cerny (diz-se “cherni”... como se fosse um alentejano a chamar o Durão Barroso) poderia ter escolhido várias oportunidades para “erigir” a sua obra provocatória em frente à sede do poder do seu país, a República Checa.
Poderia ter dedicado o seu “dedo” à corrupção dos governos de direita, ao desemprego, à maior recessão da Europa Central, à profunda crise provocada pelo capitalismo selvagem com que os “herdeiros” da crise dos países do campo socialista pensaram poder apagar da História uma ideia de sociedade que (expurgada dos tremendos erros que levaram à sua derrota) continua, nas questões que se prendem com a justiça social, a cultura e a própria civilização, anos-luz à frente da barbárie capitalista que a substituiu.
Cerny teve anos para apontar este dedo aos corruptos e vendidos que há anos vêm arruinando o seu belo país. Não o fez. Decidiu fazê-lo agora porque, diz ele, «está horrorizado» com a possibilidade de os comunistas, ainda que apenas na forma de um acordo governativo com os sociais-democratas e numa posição minoritária, poderem voltar à esfera do poder, atendendo aos valores das intenções de voto no Partido Comunista divulgados nas sondagens publicadas em vésperas de eleições. 

Claro que o artista Cerny deve estar certo... e os quase 20% de eleitores que anunciam a sua vontade de votar comunista é que estão errados. Claro que não haverá jornal da família do "Público", ou televisões da mesma estirpe, que não lhe dêem razão.
Claro que o Cerny está no seu direito... tal como eu me sinto no direito de lhe dedicar, também, o meu dedo bem esticado. Menos monumental, menos roxo, menos mediático... mas com uma imensa sinceridade!

domingo, 29 de setembro de 2013

Herman e Milhazes – Tão porquinho!...


Provavelmente é apenas o meu mau feitio a falar. Provavelmente não houve muita gente a ficar enojada com o critério usado para convidar o estropício que dá pelo nome de José Milhazes para debitar em directo no programa de Herman José as provocações e calúnias anti-PCP e Álvaro Cunhal, que escrevinhou no livrito que anda a promover onde pode.
E lá esteve ele, em noite de véspera de eleições, fazendo o seu comício anti-comunista, debitando pérolas como aquela em que defende a construção de uma estátua a Brejnev, por ter tido o “bom senso de impedir que Cunhal tomasse o poder em 1976”.
Desculpar-me-ão... mas já só muito raramente acredito em coincidências e actos inocentes!
Herman José, provavelmente por ter consciência da nojeirada em que alinhou para fazer o jeito a alguém... compensou com a tentativa de subir o nível do programa, convidando também a actriz de filmes pornográficos, Sasha Grey, para promover o livro que publicou.
Aquele longo exercício anticomunista disfarçado de entrevista, na véspera de uma eleição, pode até não ter tirado um voto que seja à CDU...
...mas foi porco!