A "desolação" que se perfilava no horizonte, confirmou-se. Ainda que eu deva, por uma questão de honestidade intelectual, afirmar mais uma vez a minha preferência pela primeira versão que estava projectada para a manifestação de Lisboa. Ainda que eu queira saudar todos os que compareceram nas duas grandes manifestações do Porto e Lisboa. Posto isto... os “desolados” são vários:
Os abutres candidatos a falcões neo-fascistas que resolveram encomendar pareceres que justificassem a repressão à travessia da ponte, em marcha a pé, viram a sua proibição ilegal justamente denunciada como um crime contra a democracia... e a manifestação a acontecer... apesar de tudo.
Os “super-hiper-maxi-mega-revolucionários” que (como entretanto já li nas redes sociais e blogues) foram seguindo a “traição” da CGTP, mas a partir de casa e pela televisão, arrotando postas de pescada sobre a falta de gente, o revisionismo, o legalismo, a falta de “derrube do governo já!”. Alguns, foram mesmo deixando no Facebook “revolucionárias” promessas de que «quando for para derrubar o governo... lá estarei!»
Até os jornalistas não conseguiam esconder a sua tristeza por não haver bloqueio da ponte, não haver nenhum autocarro atravessado, não se dar nenhum acidente.
Em suma, foi “desolador” não haver ninguém “a pôr-se a jeito” para (nem que fosse acidentalmente) ser o novo Luís Miguel... e ser baleado, como esse outro foi, enfrentando um futuro em cadeira de rodas, paraplégico, para o resto da vida.

