Hoje voltamos à música de intervenção pura, dura... e bela! O nosso já aqui ouvido Jean Ferrat, com versos de outro (igualmente) “comuna”, Aragon, numa grande canção de denúncia do horror do Holocausto. Sobretudo, da importância de não esquecer. De saber quem foram as vítimas. De saber quem foram os carrascos.
Só que hoje não é apenas a canção o assunto. A estória começa há muitos meses, numa sessão de cantigas que fui “cometer” a uma escola de Queluz, onde, para meu sossego e satisfação algo admirada, vários estudantes mostravam saber quase todas as canções que eu cantava. Nomeadamente, duas, que acabei por convidar para virem cantar nas “cantigas dos Verdes” que já aqui vos dei a ouvir. A Mariana e a Adriana. Dessas duas, uma, a Adriana, que há dias me confidenciou um estória lindíssima, do tamanho do seu sorriso, com o brilho dos seus olhos sempre curiosos.
Há uns tempos, quando tinha ainda apenas 13 anos, a Adriana estava no auge da sua paixão pela língua francesa (sim, felizmente, ainda há quem se apaixone pela língua francesa!) e por tudo o que ela traz consigo: bons livros, bela poesia, música fantástica, grandes filmes...
A Adriana acabou por ficar “vidrada” no Jean Ferrat. Pela voz, pela maneira de cantar e pelas palavras que cantava – diz ela. Ficou particularmente impressionada por esta canção, “Nuit et brouillard” e pela tremenda mensagem que contem. Pegou nos seus cadernos de desenho e nas canetas, e vai de fazer uma “banda desenhada”, que tratou de enviar ao Jean Ferrat, que, “oh! felicidade!, não só viu a banda desenhada, como lhe respondeu, com uma fotografia, um autógrafo, e o simpático “Bravo, Adriana. Está muito bom, um beijo, Jean Ferrat”. Até hoje, esse dia está gravado na memória como um dos mais felizes da minha vida – diz ela.
Convenhamos que não é todos os dias...
Agora, a Adriana resolveu adaptar a sua (lindíssima!!!) banda desenhada para um pequeno vídeo. Cometeu a “imprudência” de me deixar vê-lo. Assim que o vi, avisei-a de que um dia isto iria acontecer. É hoje.
Não deixem de ver, ouvir e comentar. Recapitulando, foi um trabalho de uma estudante portuguesa. Tinha pouco mais de treze anos. Citando o Joaquim Pessoa, "Toda a esperança é legítima!"
“Nuit et brouillard” – Jean Ferrat
(Aragon/Jean Ferrat – Vídeo de Adriana Dias)