segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

René Magritte, Olympia... e Cavaco Silva


Leio que os ladrões que tinham roubado o quadro “Olympia”, avaliado em três milhões de euros e da autoria de René Magritte, devolveram-no. Desistiram de vender aquela obra, ao fim de dois anos de tentativas frustradas. Ao que parece, nenhum comprador do mercado negro quis arriscar a aquisição de uma tela tão conhecida do pintor belga e importantíssimo surrealista.
Embora muito mais discretamente, também há tempos tinha sido roubada toda a biblioteca de Aníbal Cavaco Silva, a qual foi, recentemente, igualmente devolvida pelos desiludidos ladrões. Pelo menos, ao que consta, foram três as razões que dificultaram a venda:
1. Cavaco Silva foi considerado demasiado “surrealista”.
2. A “biblioteca” era constituída apenas por um livro.
3. Praticamente todos os desenhos do livro já tinham sido coloridos por Cavaco.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Barbara – Que não volte o tempo do sangue e do ódio!


Nasceu em Paris, no dia 9 de Junho de 1930. Chamou-se Monique Andrée Serf e era filha de judeus de origem russa. Esse “acidente” genealógico fez com que tivesse uma infância extremamente “animada” pelas constantes mudanças de local de residência... para evitar e excessiva “atenção” prestada pela Gestapo nazi (e pelos lacaios franceses do governo colaboracionista de Vichy) aos seus pais e demais judeus, durante o tempo da ocupação alemã em França. Gostava de cantar.
Gostava tanto de cantar, que aprendeu a tocar piano para se acompanhar. Aprendeu a fazer canções. Gostava tanto de cantar e fazer canções, que acabou por conseguir ser um dos maiores símbolos da canção francesa.
Começou a cantar com o pseudónimo de Barbara Brodi, em homenagem à sua avó russa, Varvara Brodsky. Antes de ter ganho coragem para apostar nas suas próprias obras, viveu de cantar canções dos reportórios de Edith Piaf, Juliete Greco, ou Jacques Brel. Logo depois, tornou-se apenas Barbara.
Em 1964, depois de grande insistência de um admirador, um estudante alemão da belíssima cidade universitária de Göttingen, acedeu, relutantemente, a deslocar-se àquela cidade alemã, para um recital. O entusiasmo e carinho da recepção foram tais, que o recital se transformou em uma semana de espectáculos. Durante o seu tempo livre na cidade, apaixonou-se pelos jardins, pela cidade... e pelas crianças loiras de Göttingen. Durante esses dias foi compondo e escrevendo uma canção que ofereceu ao público, no último espectáculo, chamando-lhe apenas uma pequena retribuição de amor.
A canção transformou-se num hino à reconciliação e à paz. Foi integrada nos programas oficiais das escolas primárias alemãs... e diz-se que fez mais pela reconciliação dos povos francês e alemão, do que muitos discursos.
Num tempo em que dezenas de anos de políticas erradas estão, por toda a Europa, a ressuscitar nacionalismos que (já sabemos) acabam sempre mal, faço minhas as palavras da grande cantora e compositora francesa.
“Claro que não é o Sena, nem o bosque de Vincennes, mas mesmo assim é muito bonita, Göttingen. Não há cais nem as nossas velhas canções arrastadas, mas o amor floresce da mesma maneira, em Göttingen. Eles sabem melhor do que nós, parece-me, a História dos nossos reis de França, Herman, Peter, Helga e Hans, em Göttingen. E que ninguém se ofenda, mas os contos da nossa infância “era uma vez...” começam em Göttingen.
Claro que nós temos o Sena, temos o nosso bosque de Vincennes... mas meu Deus, como são belas as rosas em Göttingen! Nós... nós temos as nossas manhãs pálidas e a alma cinzenta de Verlaine; eles... são a própria melancolia, em Göttingen. Quando não sabem o que nos dizer, ficam apenas sorrindo para nós... e conseguimos compreendê-las, as crianças loiras de Göttingen. E tanto pior para os que se espantam e que todos os outros me perdoem... mas as crianças são iguais, seja em Paris, ou em Göttingen.
Façamos com que nunca mais volte o tempo do sangue e do ódio, pois há gente que amo em Göttingen. Quando soasse o alarme e se tivéssemos que voltar a pegar em armas, o meu coração verteria uma lágrima por Göttingen.”

Bom domingo!  Em toda a parte... e em Göttingen.
“Göttingen” – Barbara
(Barbara)



sábado, 7 de janeiro de 2012

Diplomatas e cavalheiros


Entendo pouco de política pura e dura. Então se for internacional... sou um verdadeiro parolo. De economia, para "compensar", ainda pesco menos. Um exemplo: para mim, incentivar projectos já executados, para além de um número de funambulismo, como lhe chama o Sérgio Ribeiro, é pura venda de banha da cobra, demagogia barata, aldrabice, etc. Pelos vistos, para quase toda a nossa comunicação social... não é.
Vem tudo isto a propósito de eu ter penado o meu bom bocado até perceber o que é que o Paulo Portas queria dizer com aquilo da “diplomacia económica”. Agora acho que cheguei lá... e a coisa tem que ver com os grados negócios do género passa para cá a EDP, toma lá o Pingo Doce, dá cá isto, toma aquilo... coisas de gente com muito “de seu”. Pelos vistos, é até uma coisa a que o senhor Presidente tem dado uma «extraordinária colaboração».
Durante alguns dias andei convencido de que se tratava ainda da estória dos submarinos e do negócio ruinoso para Portugal que foi a sua compra. É que, convenhamos, amigas e amigos, o facto de já haver uns tipos condenados na Alemanha, por, comprovadamente, terem corrompido e subornado uns portugueses “bem colocados” para facilitar a negociata dos submarinos... e mesmo assim não revelarem quem eles são... é de uma “diplomacia” comovente.
Os sempre mal intencionados, poderão argumentar que isso não passa da célebre “honra entre ladrões”, mas eu quero crer - e já que não se trata, então, da tal “diplomacia económica” - que é mais... “cavalheirismo”.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pedro Osório (1939-2012) – Cantemos até ser dia!


Até sempre meu amigo!
Cantemos mais uma vez esta tua cantiga. Porque é fantástica (não éramos todos?), porque estou no coro com a Joana, a Madalena, o Carlos, a Maria. Porque nos divertimos muito. Porque valeu a pena o nosso "SARL". O Grupo Outubro. Os milhares de quilómetros de canções. O teu piano acompanhando a minha voz. A tua "inegociável" qualidade. A interminável curiosidade. A alegria. Porque valeu a pena... tudo.
“Cantemos até ser dia” – Teresa Silva Carvalho
(Pedro Osório)



Repor a “verdade”...


As más línguas são uma raça malina! Então não é que já andavam para aí a dizer que o destaque que Eduardo Catroga teve na cerimónia da venda em saldo de parte da EDP era “um mistério”? Então não é que agora, confirmado o genial reformado – qualquer reformado que consegue ter uma reforma de 10.000 euros e ainda manter não sei quantos empregos pagos principescamente... deve ser um génio! – confirmado então Catroga, como ia dizendo, no lugar de novo chairman da não sei o quê da EDP... andam a insinuar que isso tem que ver com Passos Coelho, pagamento de favores, o diabo a sete?
Mentes porcas!
Felizmente, estou em condições de repor a “verdade dos factos”, já que um amigo chinês me confidenciou o segredo da coisa: há vários anos que o governo da China segue a fulgurante carreira de Eduardo Catroga... e estavam apenas à espera de um pretexto para o contratarem. Foi mesmo só por isso que compraram a participação na EDP. Digo eu...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Domestica lá esta, ó Lima!



«Uma informação não domesticada
constitui uma ameaça com a qual
nem sempre se sabe lidar.»
(António Ferro… perdão, Fernando Lima)

Ora digam lá se o meu “engano” no nome do autor desta frase não se justifica plenamente! Confessem lá que a frase ficava muito bem na boca de António Ferro, o homem da propaganda de Salazar!

Só que não é dele. Na verdade, como já tive ocasião de emendar aqui em cima, a singela frase é da autoria de Fernando Lima, ex-jornalista e ex-várias coisas do “nosso” Cavaco Silva, sendo que presentemente é não sei o quê do Presidente. Consultor de qualquer coisa... parece.

Acrescenta, no texto em que produziu esta pérola, mais umas ideias fantásticas sobre o primado da “imagem” dos políticos, sobre os conteúdos e ideias, acrescidas de conceitos para «combater os desvios da mídia (?)» com aquilo a que chama de «manipulação pela inundação», aproveitando ainda para realçar a utilidade das «fugas de informação para produzir um efeito de acordo com o objectivo que se pretende alcançar», mais uns vivas à perfeita gestão da imagem de Ronald Reagan... e mais uns “trocos”.

Podia surpreender pela assumida “filhadeputice” moral e ideológica... mas não surpreende. Todos estamos lembrados de que foi ele o autor da “plantação” na opinião pública (com a ajuda do pasquim de Belmiro de Azevedo), da ideia de que o governo fazia escutas ao Palácio de Belém, uma inventona que manteve os jornais e televisões numa atividade frenética, durante uns bons tempos.

Assim como também já não surpreende a inaudita pontaria que Aníbal Cavaco Silva tem, no que toca a escolher os seus principais funcionários, consultores, conselheiros, ministros, secretários de estado...

Cavaco poderá não ter muitas qualidades, mas há que reconhecer que se movimenta com grande à-vontade no meio da lama e entre estes bicharocos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Grã



Pese embora o ar de virgens no meio do bordel com que, tanto Alexandre Soares dos Santos (patrão da Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce), como outros patrões de outras grandes empresas (esta pulhice é generalizada) juram em coro estarem apenas as mais puras intenções por detrás das suas fugas de capitais e de sedes de empresas para “paraísos fiscais”, mentindo... perdão, afirmando com quantos dentes têm na boca, não se tratar de uma fuga generalizada aos impostos, mas sim blá, blá, blá... a realidade vai-nos dizendo, imperturbável, que até hoje ainda não se encontrou praticamente mais nenhuma razão para estas deslocalizações selvagens, a não ser, claro, os baixos salários, o que não é o caso da Holanda, o país em causa nesta notícia, sendo que, normalmente, estas novas “empresas” criadas nestes paraísos mafiosos, quase nem funcionários têm.

Portanto, sendo um dado adquirido as vagas de fuga de capitais e sonegação fiscal conseguidas por este meio (nem a pública Caixa Geral de Depósitos escapou à tentação!), a única coisa que espanta é a empáfia com que o calhordas do tal Alexandre Soares dos Santos do do Pingo Doce, tem passado a vida nas televisões e jornais, dando lições de moral a governantes, trabalhadores e empresários... a bem da nação e da sua imagem de “grande, impoluto e sábio empreendedor português”.

Dizem os registos que em 2000 este indivíduo foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, “pela prestação de serviços relevantes a Portugal”, sendo que logo depois, em 2006, foi mais uma vez agraciado, desta feita, e em “reconhecimento dos seus atos em favor da colectividade”, com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito.

Enquanto não for possível aprovar leis que impeçam esta pouca vergonha, não será possível, por agora, “agraciá-lo” com um balde de qualquer coisa... desde que seja também num formato bastante “Grã”?