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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Bertold Brecht – Perguntas de um operário letrado



Aqui fica (ilustrada por uma obra de José Santa Bárbara) esta bela reflexão de Bertold Brecht. Para ler… ou para ouvir na voz de Mário Viegas (do disco "Operário em construção)… ou as duas coisas. Viva o 1º de Maio!

Perguntas de um Operário Letrado



Quem construiu Tebas, a das sete portas?

Nos livros vem o nome dos reis,

Mas foram os reis que transportaram as pedras?

Babilónia, tantas vezes destruída,

Quem outras tantas a reconstruiu?
Em que casas
da Lima Dourada moravam seus obreiros?

No dia em que ficou pronta a Muralha da China
para onde
Foram os seus pedreiros?
A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo.
Quem os ergueu?
Sobre quem
Triunfaram os Césares?
A tão cantada Bizâncio

Só tinha palácios

Para os seus habitantes?
Até a legendária Atlântida

Na noite em que o mar a engoliu

Viu afogados gritar por seus escravos.


O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?

César venceu os gauleses.

Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?

Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou.
E ninguém mais?

Frederico II ganhou a guerra dos sete anos

Quem mais a ganhou?


Em cada página uma vitória.

Quem cozinhava os festins?

Em cada década um grande homem.

Quem pagava as despesas?



Tantas histórias

Quantas perguntas

(Bertold Brecht)

“Perguntas de um operário letrado” – Mário Viegas
(Bertold Brecht)



segunda-feira, 4 de março de 2013

Um passo de cada vez...


Ainda sobre a manifestação, entre as dezenas e dezenas de posições que se tomaram e tomarão sobre a manifestação e, sobretudo, sobre a repetida pergunta sobre “o que muda com ela”, ou, no limite,“para que serve”... continua ser importante dizer, repetir, repetir sempre, que o que muda – ou deve mudar! - é a atitude de passividade de milhões de cidadãos, logo, serve exactamente para isso. Para o abrir de portas, para o encontro de vontades, para a mobilização do esforço, para a multiplicação das forças.
Entre as dezenas de posições, como dizia, destaco duas, quase nos extremos.
Uma, já verdadeiramente clássica, é a posição dos “entusiasmados de um dia” que, no dia seguinte e perante a constatação de que o governo afinal não caiu... caem eles na mais acabrunhada melancolia, repetindo como um mantra, “isto não serve para nada, isto não adianta...”
A outra, que apanhei numa troca de comentários no “Facebook”, representa uma certa corja de “apoiantes” do governo. Dizia, mais palavra menos palavra: “Os organizadores da manifestação têm que se compenetrar de que o país tem dez milhões de habitantes. Ora, mesmo que consigam juntar 500.000 manifestantes, isso representa 5% dos portugueses... o que quer dizer que há 95% de portugueses que apoiam as medidas do governo e sabem que elas são necessárias.”
Sobre os primeiros... desejo apenas que a experiência, que mais conversas com amigos e amigas mais experientes e, sobretudo, organizados e mais informados politicamente, os ajudem a descobrir que as coisas verdadeiramente decisivas para a construção da malha da mudança, são aquelas pequenas coisas que vamos tecendo pouco a pouco, todos os dias do ano.
Quanto ao segundo caso, dando de barato o grande falhanço quanto às previsões de manifestantes, o argumento é apenas repelente, tal a desonestidade delirante da “lógica” em que se baseia, nem merecendo, por isso, uma resposta ou comentário.
É por isso mesmo que considero de leitura mais do que aconselhada, este texto do Miguel Tiago, publicado na quinta-feira passada no blog “Kontra Korrente”.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Último dia do ano I – Que não se repita!


Último dia do ano. Ano, miserável, não por culpa própria, que o tempo é apenas aquilo que dele se faz, mas por obra do bando de celerados que, à força de mentiras descaradas, se instalou no poder ao serviço de uma bem mais vasta quadrilha internacional que os comanda com o rigor com que se manipulam as marionetas.
Quem gosta de festejar a passagem do ano... porque passa... festeje pois!
Apenas duas observações:
1. Não “festejem” em demasia... pois é fundamental entrar em 2013 com os pés bem firmes no chão.
2. Não fiquem doentes... para não “contrariarem” o imbecil do secretariozeco da “saúde”. Isto porque, francamente, não sei se aquele discurso meio fascista não é uma espécie de preparação de futuros “castigos”, na forma de não comparticipação do Estado, por exemplo, para os “malandrins” dos cidadãos que contraiam doenças, ou sofram acidentes que uma qualquer comissão composta por canalhas do mesmo calibre do secretariozeco considere evitáveis... logo, culpa dos doentes.
Até para o ano! (Se não voltarem logo à tarde)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Um Portugal/Espanha muito diferente...




Já que no post anterior falei dessa imensa minoria de seres humanos que não se rendem, fica-me bem dizer que esta noite vou estar com alguns deles. Alguns são espanhóis... e estarão em Almada, na “Incrível Almadense” para conviver com os portugueses, cantar algumas canções de cá e de lá (coisa de que me encarregarei com todo o gosto, se a tanto me ajudar o engenho e arte)... ouvir palavras que mobilizem para a necessária e urgente resistência contra os “pactos de agressão”... trocar experiências, e fazer mais algumas daquelas coisas terríveis que fazem os comunistas quando se juntam.
Lá estarei! Mesmo já não indo para jovem, os meus sessenta anos passados maioritariamente entre esta gente, dizem-me que é praticamente seguro que ainda não será desta que me darão a injecção atrás da orelha. Pelo menos enquanto eu não acabar de cantar...
Até logo!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Sim, amigos, o ambiente que se vive é de chumbo! Todavia...




Sim, amigos, o ambiente que se vive é de chumbo! Todavia, ainda é possível sair à rua e ver abertas de sol... promessas de um tempo melhor que aí vem.
Aconteceu-nos ontem. Saímos à rua no preciso momento em que o António Gervásio depositava na nossa caixa de correio um “Avante!”. É uma das suas ocupações: percorrer energicamente a cidade, a pé, distribuindo informação, propaganda... e estes excedentes do jornal, que sobraram da semana anterior.
O António Gervásio, para quem não souber, é um Homem, um camponês de quase oitenta e cinco anos... mas que continua a achar que a malta nova lhe trava o passo nas muitas iniciativas de rua e porta-a-porta em que faz questão de participar.
Teve uma vida cheia. Uma vida que dava um grande filme sobre a História do Alentejo. Aos dezoito anos de idade entrou para o PCP. Há sessenta anos, percorria ele esta terra grande, de cima abaixo e para todo o lado, fazendo milhares de quilómetros em bicicleta, clandestinamente, reunindo, mobilizando, esclarecendo, lutando com os seus companheiros camponeses, dia a dia, pela dignidade, pelo pão, pela liberdade, pela Reforma Agrária que haveria de chegar um dia...
Antes de Abril sofreu a morte de Catarina Eufémia... mas esteve na vitória que foi a conquista da jornada de trabalho de oito horas. Foi repetidamente preso e torturado... mas participou no momento luminoso da fuga da prisão de Caxias, no automóvel de Salazar, oferecido por Hitler.
Depois de Abril, viveu todos os minutos da mais bonita conquista da Revolução, a Reforma Agrária por que tinha lutado toda a vida. Assistiu ao milagre da produção, da terra partilhada, do pleno emprego...
Até a contra-revolução se abater sobre o Alentejo, ancorada em leis espúrias e decisões criminosas de Barreto e Mário Soares, ofensiva que, para liquidar a Reforma Agrária, viria a servir-se de todos os meios. Até do assassínio de trabalhadores.

Hoje continua, esclarecida e lucidamente a afirmar sem desânimo, que a Reforma Agrária é necessária.
Desculpem-me esta inusitada “aula” de História... mas este post, que aparentemente não servirá para nada, pode muito bem ser lido por algum jovem que, mesmo não deixando de ser quem é, ganhe a vontade de ser também, pelo menos um pouco como o António Gervásio.
Como disse, o ambiente que se vive é de chumbo! Todavia...

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Há muito mais futuro que passado


(25 de Abril - fotografia de Nuno Ferreira Santos)

De eleições, destas eleições, falaremos mais logo, amanhã, depois... mas agora,
O sonho é ainda uma criança!
Sigamos a criança... sigamos o sonho!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Mercedes Sosa - Los hermanos


(Mercedes Sosa, retratada pelo grande pintor equatoriano Guayasamin)
Mercedes Sosa foi, por muitas vezes, a voz do seu companheiro de canções, cantor, autor e grande músico, Atahualpa Yupanqui. Hoje sê-lo-á mais uma vez. Hoje é um domingo diferente... para acompanhar com uma canção extraordinária!
Los hermanos
Adaptação (muito) livre dos versos de Atahualpa Yupanqui
Eu tenho tantos irmãos, que não os posso contar; nos vales, nas montanhas, nas planícies, no mar. Cada um com os seus problemas, cada um com os seus sonhos, com a esperança pela frente e um passado de recordações.
Eu tenho tantos irmãos, que não os posso contar.
Gente com as mãos quentes da amizade, com uma oração para orar, com um lamento para chorar... com um horizonte aberto, que está sempre longe, mas com a força para o buscar, com confiança e vontade; quando parece mais próximo é quando mais se afasta...
Eu tenho tantos irmãos, que não os posso contar.
E assim vamos caminhando, curtidos pela solidão, perdemo-nos pelo mundo para nos voltarmos a encontrar. E assim nos reconhecemos, apenas com um olhar, de longe, ou pelas canções que “mordemos” – sementes de imensidão. E assim vamos caminhando, curtidos pela solidão; e connosco, os nossos mortos, para que ninguém fique para trás.
Eu tenho tantos irmãos, que não os posso contar. E uma irmã - a mais formosa - que se chama liberdade.

Bom domingo!
“los hermanos” – Mercedes Sosa
(Atahualpa Yupanqui)



sábado, 22 de janeiro de 2011

Reflexão sabática


Sendo certo que existem muitos dias completamente inúteis na vida de cada um de nós, estes “dias de reflexão”, antes dos actos eleitorais, concorrem fortemente para um lugar no pódio. De qualquer modo, não é sobre a inutilidade de passar vinte e quatro horas a “reflectir” antes de ir votar - como se antes deste dia tivéssemos andado todos bêbados, ou o debate, luta política e a própria campanha, nos impedissem de pensar – que quero escrever.
Chegamos a este dia - pelo menos alguns de nós - vivendo um misto de inquietação e de calma. A inquietação de saber tão longe o fim da luta e a calma que só a consciência tranquila pode proporcionar... a consciência do dever cumprido, que sempre nos deixa bem connosco próprios, como escreve José Casanova.
Podíamos ter feito mais e melhor? Sim... como sempre e como em tudo na vida. Seja como for, o empenhamento com que todos fizemos aquilo que conseguimos fazer, garante-nos o direito a virar a página desta tarefa, reflectindo, já não no que vamos fazer amanhã, nas urnas de voto, mas sim no dia 24, 25, 26 e nos restantes dias de grandes e pequenas batalhas que serão sempre o pano de fundo da vida daqueles que não se conformam.
Dentro de horas, milhares de portugueses vão votar em candidatos que são responsáveis, uns mais, outros menos, por terem patrocinado e apoiado ou, pelo contrário (ainda que apenas um), feito frontal oposição, às políticas que nos trouxeram até este buraco lamacento que é o ano de 2011. Parece claro que ainda não será desta vez que o voto reflectirá a interiorização plena desse facto por parte da maioria dos eleitores, mas essa realidade não deve servir para outra coisa que não seja reafirmar a vontade de fazer aquilo que falta. De fazer o que é preciso.
É próprio das caminhadas longas e difíceis, fazerem-se passo a passo. O caminho... esse faz-se caminhando, como bem disse o poeta.
Boa “reflexão”!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 – A semente está lançada


Havia confiança. Pressentia-se que o comício-festa do Teatro Garcia de Resende iria ser bom. E foi! Foi a derradeira grande iniciativa, em Évora, desta campanha que levou Francisco Lopes a todo o país.
A semente foi lançada à terra, como já antes tinha sido e como continuará a ser. Algum dia será a hora certa para colher os frutos, frutos de que este país bem precisa.
Sem “carga nas pilhas” para muito mais post... deixo aqui as palavras que entendi acertadas para apresentar o “meu” candidato perante as centenas de pessoas que encheram a sala. Para discurso num comício... é curto (como todos os que fiz). Para um post... será, muito provavelmente, longo...

Amigas e amigos
Enquanto mandatário da candidatura de Francisco Lopes, nesta derradeira grande ação de campanha aqui em Évora, quero dirigir algumas palavras de apreço pelo empenhamento e entusiasmo de todos aqueles fizeram este caminho.
Quero agradecer ao Francisco Lopes a verticalidade, a clareza, a força, o brilho com que animou esta campanha. Não porque não fosse exatamente isso o que dele se esperava... mas por nós. Porque todos chegamos ao fim desta etapa da luta, publicamente honrados e prestigiados pelo seu trabalho.
Quero igualmente dirigir algumas palavras aos restantes candidatos, principalmente para lhes dizer que já vão tarde. Apenas a dois dias do fim da campanha para a primeira volta destas eleições, já vão tarde para mudar alguns dos aspectos distintivos das suas campanhas.
José Manuel Coelho já vai tarde para conseguir achincalhar ainda mais com os seus números de circo, um acto que devia ser encarado por todos como um momento de dignidade e exercício democrático esclarecido.
Fernando Nobre já vai muito tarde para fingir alguma espécie de competência para o cargo iminentemente político a que concorre, com um discurso antipolítica, antipolíticos e contra os partidos, um discurso que vai mal com a sua figura. Um discurso que vai bem melhor na boca de candidatos populistas de direita, desejosos de ditar os seus moralismos e interesses... e deles fazer lei.
Manuel Alegre já vai tarde para ainda conseguir desfazer o imbróglio da insanável contradição entre a sua retórica e a sua prática de anos, entre a sua ambição pessoal e o calculismo político daqueles que o apoiaram... ou fizeram de conta que apoiaram.
Defensor Moura já vai tarde para conseguir fixar os votos de alguns dos seus companheiros do PS, descontentes com Alegre, pois esses há muito estão decididos a votar na direita, ou estão mesmo nas Comissões de Honra de Cavaco Silva... tal como muitos dos supostos apoiantes de Alegre.
Cavaco Silva, esse já vai tarde para conseguir evitar, cada vez mais, parecer aquilo que realmente é. Já vai tarde para nos convencer de que está com a verdadeira democracia e com Abril... nem que agora, ao fim de 37 anos, ponha finalmente um cravo na lapela.
Companheiras e companheiros,
Vamos votar Francisco Lopes porque é o único candidato que, como já disse noutra ocasião, se apresenta nesta campanha presidencial, de consciência e mãos limpas. É o único candidato que nunca vimos pactuar com a política de direita que nos tem desgovernado durante décadas. É o único candidato que pode (e quer) contribuir com a urgente ruptura com estas políticas e com a mudança de rumo necessária.
Estamos com o projeto político de onde nasce esta candidatura. Vamos votar Francisco Lopes, porque gostamos dele, porque gostamos de nós, porque gostamos do nosso país!
Vamos votar Francisco Lopes, porque é preciso que os poderosos saibam que nós sabemos, que esta vida não é uma fatalidade, que queremos outro futuro para os nossos filhos, que esse futuro é possível, que não nos calamos, não ficamos em casa e que, mais cedo do que tarde, poderemos virar a mesa e mudar a História.
Quase todos os analistas, politólogos e comentadores tentaram questionar a figura do nosso candidato, o seu perfil, a sua preparação política. Todos questionaram a oportunidade e o acerto da decisão do PCP ao escolhê-lo para esta tarefa... tarefa que é um passo mais na luta que vai continuar no dia 24, 25, 26...
Também esses já vão tarde para emendar a mão, tal é a evidência de quanto se enganaram, tal é a dimensão desta campanha e a indiscutível legitimidade da candidatura de Francisco Lopes, assim como dos votos que lhe há de dar o nosso povo.
Não quero pôr palavras na boca do meu candidato, mas vão muito bem com ele as palavras do nosso poeta de Abril, Ary dos Santos, quando disse:
          “Aqui ninguém me põe a pata em cima
          porque é de baixo que me vem acima
          a força do lugar que for o meu!”

Viva a candidatura de Francisco Lopes!
Viva Portugal!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 – O passado é já bastante, vamos passar ao futuro! *


Miguel Sousa Tavares é assim como que uma espécie de máquina dispensadora de clichês reacionários. Os patrões enfiam-lhe as moedas e lá vão saindo as frases estúpidas que todos lhe conhecemos. Nesta campanha presidencial, o ladino Tavares, para além de ter reparado que “é tudo igual”, que “ninguém tem propostas”, que “não há jovens na campanha”... e as demais frases típicas de tasca, descobriu que «os candidatos só conseguem juntar pessoas em sítios onde eles não lhes podem fugir»... como centros de saúde, lares de idosos, mercados, locais de trabalho, etc.
Ando há dias para responder a isto sem me limitar ao óbvio, que seria chamar-lhe apenas imbecil... e isso para não exagerar. Não quero tomar as dores de outros candidatos, nem dos seus milhares de apoiantes que, independentemente das opções ideológicas, divergências e diferentes projetos para o país, fazem aquilo que acham melhor... e saem de casa, participam, empenham-se, vão votar, em vez de ficarem em casa com o rabo enfiado no sofá e a mandar bocas parvas como o ilustre Miguel Sousa Tavares.
A resposta de que eu precisava para “dinamitar” a palermice reaça do escritor/comentador, chegou-me na forma de um pequeno e bem feito vídeo que nos dá conta de vários passos na campanha do meu candidato, Francisco Lopes.
Tanta gente mais haveria para entrar neste vídeo! Tanto povo, tanta festa, tantos velhos despertos, tanta juventude alerta, tantas trabalhadoras e trabalhadores, tanta alegria, empenhamento, determinação, militância desinteressada, tantos sonhos... tudo coisas que dificilmente entram na cabeça do traste Tavares, que parece empenhado em, a cada dia que passa, deixar mais uma nódoa na memória de Sophia de Melo Breyner... o que não conseguirá!
À hora a que se publica este post, já estarei na caravana que levará Francisco Lopes até ao grande comício-festa no Teatro Garcia de Resende, em Évora, mais logo às 19 horas. Antes, estaremos em Vendas Novas e depois, já em Évora, daremos um passeio pelas ruas, usufruindo do belo ar que por aqui se respira.
Os leitores que não são desta “família” vão, certamente, desculpar-me este post tão abertamente de campanha. Quanto a todos os outros... um até logo!, mesmo àqueles que não vão poder estar fisicamente.

* José Carlos Ary dos Santos ("O sangue das palavras"). Para ler aqui.




quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Cultura – Já não puxam da pistola, mas...


Tal como tinha anunciado, o passado dia 11, destinado a percorrer vários pontos do distrito de Évora na companhia de Jerónimo de Sousa, começou no Polo de Artes da Universidade de Évora. Novas estruturas à mistura com o esqueleto de uma velha e histórica unidade fabril da cidade, a Fábrica dos Leões, primeiro moagem, no princípio do Século XX, depois, fábrica de massas alimentícias, situada fora da cidade e apenas uma sombra dos tempos em que foi a maior fábrica do Alentejo.
Aí, tendo como anfitriã a professora de teatro e grande atriz Fernanda Lapa, ouvimos das dificuldades dos trabalhadores não docentes, dos professores e das lutas dos estudantes. Da sua luta para que terminem as obras que duram e duram e duram... para que haja orçamento para as acabar, para que os preços na cantina, recém privatizada, não sejam (pelo menos isso!) mais elevados do que os dos cafés e restaurantes da cidade (que fica bem longe!); também, da satisfação pela vitória numa das suas mais “quentes” reivindicações: o direito a não congelar durante as aulas, finalmente cumprido, desde que chegou o tão esperado aquecimento.
Fica-se animado por ver e ouvir aquela gente ainda tão nova a falar, fica-se desolado por constatar que, mesmo dentro de uma Universidade, a cultura e a arte são os “parentes pobres”. Se é assim dentro das Universidades, que poderemos esperar cá fora, numa sociedade dominada (e governada) por tecnocratas, “patobravismo”, especulação e ignorância triunfante?
Pormenor definidor da relação que as grandes empresas e a banca têm com as Universidades, com os cursos que acham poder vir a ser-lhes úteis e “os outros”, esses das artes, os incómodos: estudantes e professores fizeram formalmente um pedido ao BES, o banco “preferencial” da Universidade, para que fosse ali instalado um terminal de “Multibanco”, o que facilitaria enormemente a vida a toda a gente nas suas constantes despesas diárias, dada a grande distância a que estão os terminais do centro da cidade. A resposta do Banco tinha chegado havia poucos dias. Sim, seria possível atender ao pedido, mediante o pagamento de uma taxa de mais de mil e quinhentos euros... por mês! Decididamente, estas artes da Universidade de Évora não devem pertencer à classe de artes com que o BES gosta de aparecer nas fotografias e parangonas de jornais.
E aqui chegamos ao nosso amigo Abílio Fernandes que foi, durante bons anos, o Presidente da Câmara de Évora e que teve o gosto amargo de ouvir, da boca de um professor que, declaradamente, nada tinha que ver com o PCP ou a CDU, o quanto a autarquia desinvestiu na cultura, desde que ele deixou de estar à frente da sua gestão. Então, gostaste de ouvir o elogio? – perguntei-lhe. «Isto é muito triste, mas às vezes é bom ouvir» – confessou. Foi ele que tirou esta fotografia, cá fora, junto ao bar do Polo das Artes, enquanto partilhávamos com Jerónimo de Sousa o cafezinho que sempre nos permite parar um pouco, desconstruir alguma da tensão que se vai acumulando enquanto alinhamos razões, protestos, indignações, projetos... ora pela conversa informal, ora pela piada a propósito (há sempre quem tenha uma ou duas...), ora pela nossa capacidade de (felizmente!) rirmos das nossas próprias fraquezas. É aí que vem à memória o Zé Carlos Ary e um pormenor da sua “Tourada”:
          “Nós vamos pegar o mundo
          pelos cornos da desgraça
          e fazermos da tristeza
             graça”

domingo, 9 de janeiro de 2011

Presidenciais 2011 - Francisco Lopes - Começa a campanha




Fazendo o possível por passar ao lado do “embaraço” de participar em tarefas de distribuição de materiais de campanha, do tamanho de jornais, onde a minha cara vem estampada de lés a lés, ainda que (felizmente para toda a gente!) na última página, quero assinalar o início da campanha apenas com a meia dúzia de palavras que alinhei para o documento que podem aqui ver e ler em tamanho ainda maior se “clicarem” em cima da imagem.

Hoje é domingo, dia de música. Convidei os grande “Inti-Illimani” e a sua fantástica “Canción del poder popular”, composta para a campanha presidencial de Salvador Allende, que depois de eleito pelo povo chileno, viria a ser assassinado em 1973, pelos EUA, que recorreram ao seu lacaio e traidor de Allende, Augusto Pinochet.

Exatamente por isso, sempre que a cantei nas nossas festas de liberdade, depois de Abril – e tantas vezes a cantei! – era inevitável o embargo na voz e o marejar dos olhos... até hoje.

Eu sei, eu sei que vivemos noutra época, noutra latitude, no seio da União Europeia... onde todos nos “garantem” que nada do que aconteceu no Chile de Allende nos poderá acontecer.

Ah... mas se eles pudessem, meus amigos! Se eles pudessem...

Que melhor forma de participar nesta campanha, senão com uma canção na garganta?


          "Porque esta vez no se trata 
          de cambiar un Presidente,
          será el publo quien construya 
          un Chile bien diferente."

Bom domingo!

“Canción del poder popular” – Inti-Illimani
(Inti-Illimani)



sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O futuro





O futuro

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.
                                      
(José Carlos Ary dos Santos)