quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Manuela Ferreira Leite – O asco


Decorria, na SIC-N, o programa “Contracorrente”. A pivot Ana Lourenço dirigiu uma pergunta diretamente a António Barreto:
- Perante esse diagnóstico e os oitocentos milhões... ou setecentos e cinquenta milhões... não acha abominável que se discuta se alguém com setenta anos tem direito à hemodiálise ou não?
Enquanto António Barreto ficou paralisado, embasbacado, sorrindo com a cara de parvalhão que se lhe conhece... a sempre ladina Manuela Ferreira Leite meteu rapidamente a colherada:
- Tem sempre direito, se pagar!
E foi por aí fora, debitando pela enésima vez a treta liberal segundo a qual não é possível ter um Serviço Nacional de Saúde gratuito para todos, e bláblábláblábláblá... o que traduzido quer dizer que o que resta de classe média ainda com algum poder de compra deve juntar-se aos mais ricos, para ajudar a engordar o chorudo negócio privado da saúde, deixando o SNS sem meios, entregue aos “pobrezinhos” e à caridade.
Acho que já gastei todos os adjetivos adequados a esta figurona do PSD... e à hora a que escrevo não está nada aberto para ir comprar mais. Mesmo assim, não posso deixar de dizer que estas declarações (pelas quais os visados, muito justamente, exigem um pedido de desculpas) deixaram no ar aquele cheiro nauseabundo que empesta tudo, que se cola à roupa, que dá volta ao estômago... como se estivéssemos a passar por Cacia, ou Vila Velha de Ródão, num daqueles dias piores.
Não vou também perder tempo a desejar que a ex-governante (que já ultrapassou os setenta anos) se veja na situação de precisar de hemodiálise... e não ter dinheiro para a pagar.
Dizer ainda que, das duas fotografias que tinha da dona Manuela em pose de “República”, estive muito inclinado a publicar a outra em que, tal como no célebre quadro de Delacroix, ela empunha a bandeira com os gloriosos seios desnudados... mas graças ao titânico esforço conjunto e capacidade persuasiva de todos os deuses do Olimpo, acabou por prevalecer o bom senso!




quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Um post egocêntrico


Hoje não escrevo nada contra, nem a favor de ninguém. Chamemos-lhe um microintervalo para alimentar o ego.
Reparei nos números do contador de visitas ao “Cantigueiro”, contador que não visitava há uns dias... e reparei que a coisa já passou o milhão de leitoresObrigado a todos pelo interesse!
Reparei também, desta vez num outro blog, que o “Cantigueiro” foi incluído numa lista de blogues que concorrem ao título de “blog de 2011”... ou algo assim. Claro que mesmo sabendo que o critério para a minha inclusão nessa lista nada tem que ver com o facto de os promotores gostarem ou não de mim, ou do “Cantigueiro”, antes se devendo exclusivamente aos números de que falo no início... sabe sempre bem!
E pronto! Não mexerei nem mais uma palha para que se vote, ou deixe de votar, em mim, ou seja em quem for... razão porque não divulgo como se desenrola a votação, ou, sequer, o blog onde isso se passa... com um pedido de desculpas aos donos desse blog.
Seja como for, como dizia o outro... só tenho um “adjectivo”: Gostei!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Estamos a ver perfeitamente...


Talvez para compensar a indefensável “transparência” com que foram colocados os amigos do governo na nova EDP... obviamente, a pedido expresso dos acionistas, e mais uma vez, presumo, com grande insistência pela parte dos chineses... que se não podiam passar sem Catroga, muito menos dispensavam Celeste Cardona & Cia... para compensar tudo isto, como dizia, chega-nos a notícia de que o governo decidiu abrir um portal na internet, onde podemos ver o que eles estão a fazer ao dinheiro dos nossos impostos. Um portal de «proximidade, pedagogia, envolvimento e transparência», garantiu a dona Marta Sousa, coordenadora da Informação Digital do Governo.
Os meus leitores e leitoras mais “sensíveis” ao velho vernáculo, que me perdoem… mas esta súbita vontade dos nossos governantes, de nos mostrarem o que estão a fazer ao nosso dinheiro, lembrou-me, irremediavelmente, uma estória passada há muito, lá para as bandas de Montemor, onde um velho alentejano - vamos chamar-lhe “Ti Francisco” – ganhava a vida transportando toda a sorte de mercadorias na sua carripana a cair de velha e podre.
O Ti Francisco era constantemente perseguido pela GNR, que não se conformava com o estado decrépito da viatura. Um dia, em mais uma das inúmeras “inspecções” de estrada, lá foi mandado parar, desta vez por causa de um espelho retrovisor preso por um arame e meio caído.
- Ó Ti Francisco... o senhor não pode andar com o espelho dessa maneira. Assim, acabo por ter que o multar – quase que se lamentava o guarda.
Atão e porquêi?
- Então e porquê?! Porque assim não vê nada para trás... e é um perigo...
Vêjo tudo muito bêm...
- Ai vê? Então vamos lá apreciar isso.
Encaminhou-se para a traseira da carripana, onde começou a esbracejar... e perguntou:
- Então, Ti Francisco... o que é que eu estou a fazer?
E o Ti Francisco, sem tentar sequer olhar para trás:
- Ora!... Tá a ver se me fodi...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

René Magritte, Olympia... e Cavaco Silva


Leio que os ladrões que tinham roubado o quadro “Olympia”, avaliado em três milhões de euros e da autoria de René Magritte, devolveram-no. Desistiram de vender aquela obra, ao fim de dois anos de tentativas frustradas. Ao que parece, nenhum comprador do mercado negro quis arriscar a aquisição de uma tela tão conhecida do pintor belga e importantíssimo surrealista.
Embora muito mais discretamente, também há tempos tinha sido roubada toda a biblioteca de Aníbal Cavaco Silva, a qual foi, recentemente, igualmente devolvida pelos desiludidos ladrões. Pelo menos, ao que consta, foram três as razões que dificultaram a venda:
1. Cavaco Silva foi considerado demasiado “surrealista”.
2. A “biblioteca” era constituída apenas por um livro.
3. Praticamente todos os desenhos do livro já tinham sido coloridos por Cavaco.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Barbara – Que não volte o tempo do sangue e do ódio!


Nasceu em Paris, no dia 9 de Junho de 1930. Chamou-se Monique Andrée Serf e era filha de judeus de origem russa. Esse “acidente” genealógico fez com que tivesse uma infância extremamente “animada” pelas constantes mudanças de local de residência... para evitar e excessiva “atenção” prestada pela Gestapo nazi (e pelos lacaios franceses do governo colaboracionista de Vichy) aos seus pais e demais judeus, durante o tempo da ocupação alemã em França. Gostava de cantar.
Gostava tanto de cantar, que aprendeu a tocar piano para se acompanhar. Aprendeu a fazer canções. Gostava tanto de cantar e fazer canções, que acabou por conseguir ser um dos maiores símbolos da canção francesa.
Começou a cantar com o pseudónimo de Barbara Brodi, em homenagem à sua avó russa, Varvara Brodsky. Antes de ter ganho coragem para apostar nas suas próprias obras, viveu de cantar canções dos reportórios de Edith PiafJuliete Greco, ou Jacques Brel. Logo depois, tornou-se apenas Barbara.
Em 1964, depois de grande insistência de um admirador, um estudante alemão da belíssima cidade universitária de Göttingen, acedeu, relutantemente, a deslocar-se àquela cidade alemã, para um recital. O entusiasmo e carinho da recepção foram tais, que o recital se transformou em uma semana de espectáculos. Durante o seu tempo livre na cidade, apaixonou-se pelos jardins, pela cidade... e pelas crianças loiras de Göttingen. Durante esses dias foi compondo e escrevendo uma canção que ofereceu ao público, no último espectáculo, chamando-lhe apenas uma pequena retribuição de amor.
A canção transformou-se num hino à reconciliação e à paz. Foi integrada nos programas oficiais das escolas primárias alemãs... e diz-se que fez mais pela reconciliação dos povos francês e alemão, do que muitos discursos.
Num tempo em que dezenas de anos de políticas erradas estão, por toda a Europa, a ressuscitar nacionalismos que (já sabemos) acabam sempre mal, faço minhas as palavras da grande cantora e compositora francesa.
“Claro que não é o Sena, nem o bosque de Vincennes, mas mesmo assim é muito bonita, Göttingen. Não há cais nem as nossas velhas canções arrastadas, mas o amor floresce da mesma maneira, em Göttingen. Eles sabem melhor do que nós, parece-me, a História dos nossos reis de França, Herman, Peter, Helga e Hans, em Göttingen. E que ninguém se ofenda, mas os contos da nossa infância “era uma vez...” começam em Göttingen.
Claro que nós temos o Sena, temos o nosso bosque de Vincennes... mas meu Deus, como são belas as rosas em Göttingen! Nós... nós temos as nossas manhãs pálidas e a alma cinzenta de Verlaine; eles... são a própria melancolia, em Göttingen. Quando não sabem o que nos dizer, ficam apenas sorrindo para nós... e conseguimos compreendê-las, as crianças loiras de Göttingen. E tanto pior para os que se espantam e que todos os outros me perdoem... mas as crianças são iguais, seja em Paris, ou em Göttingen.
Façamos com que nunca mais volte o tempo do sangue e do ódio, pois há gente que amo em Göttingen. Quando soasse o alarme e se tivéssemos que voltar a pegar em armas, o meu coração verteria uma lágrima por Göttingen.”

Bom domingo!  Em toda a parte... e em Göttingen.
Göttingen” – Barbara
(Barbara)



sábado, 7 de janeiro de 2012

Diplomatas e cavalheiros


Entendo pouco de política pura e dura. Então se for internacional... sou um verdadeiro parolo. De economia, para "compensar", ainda pesco menos. Um exemplo: para mim, incentivar projectos já executados, para além de um número de funambulismo, como lhe chama o Sérgio Ribeiro, é pura venda de banha da cobra, demagogia barata, aldrabice, etc. Pelos vistos, para quase toda a nossa comunicação social... não é.
Vem tudo isto a propósito de eu ter penado o meu bom bocado até perceber o que é que o Paulo Portas queria dizer com aquilo da “diplomacia económica”. Agora acho que cheguei lá... e a coisa tem que ver com os grados negócios do género passa para cá a EDP, toma lá o Pingo Doce, dá cá isto, toma aquilo... coisas de gente com muito “de seu”. Pelos vistos, é até uma coisa a que o senhor Presidente tem dado uma «extraordinária colaboração».
Durante alguns dias andei convencido de que se tratava ainda da estória dos submarinos e do negócio ruinoso para Portugal que foi a sua compra. É que, convenhamos, amigas e amigos, o facto de já haver uns tipos condenados na Alemanha, por, comprovadamente, terem corrompido e subornado uns portugueses “bem colocados” para facilitar a negociata dos submarinos... e mesmo assim não revelarem quem eles são... é de uma “diplomacia” comovente.
Os sempre mal intencionados, poderão argumentar que isso não passa da célebre “honra entre ladrões”, mas eu quero crer - e já que não se trata, então, da tal “diplomacia económica” - que é mais... “cavalheirismo”.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Pedro Osório (1939-2012) – Cantemos até ser dia!


Até sempre meu amigo!
Cantemos mais uma vez esta tua cantiga. Porque é fantástica (não éramos todos?), porque estou no coro com a Joana, a Madalena, o Carlos, a Maria. Porque nos divertimos muito. Porque valeu a pena o nosso "SARL". O Grupo Outubro. Os milhares de quilómetros de canções. O teu piano acompanhando a minha voz. A tua "inegociável" qualidade. A interminável curiosidade. A alegria. Porque valeu a pena... tudo.
“Cantemos até ser dia” – Teresa Silva Carvalho
(Pedro Osório)