Decorria, na SIC-N, o programa “Contracorrente”. A pivot Ana Lourenço dirigiu uma pergunta diretamente a António Barreto:
- Perante esse diagnóstico e os oitocentos milhões... ou setecentos e cinquenta milhões... não acha abominável que se discuta se alguém com setenta anos tem direito à hemodiálise ou não?
Enquanto António Barreto ficou paralisado, embasbacado, sorrindo com a cara de parvalhão que se lhe conhece... a sempre ladina Manuela Ferreira Leite meteu rapidamente a colherada:
- Tem sempre direito, se pagar!
E foi por aí fora, debitando pela enésima vez a treta liberal segundo a qual não é possível ter um Serviço Nacional de Saúde gratuito para todos, e blá, blá, blá, blá, blá, blá... o que traduzido quer dizer que o que resta de classe média ainda com algum poder de compra deve juntar-se aos mais ricos, para ajudar a engordar o chorudo negócio privado da saúde, deixando o SNS sem meios, entregue aos “pobrezinhos” e à caridade.
Acho que já gastei todos os adjetivos adequados a esta figurona do PSD... e à hora a que escrevo não está nada aberto para ir comprar mais. Mesmo assim, não posso deixar de dizer que estas declarações (pelas quais os visados, muito justamente, exigem um pedido de desculpas) deixaram no ar aquele cheiro nauseabundo que empesta tudo, que se cola à roupa, que dá volta ao estômago... como se estivéssemos a passar por Cacia, ou Vila Velha de Ródão, num daqueles dias piores.
Não vou também perder tempo a desejar que a ex-governante (que já ultrapassou os setenta anos) se veja na situação de precisar de hemodiálise... e não ter dinheiro para a pagar.
Dizer ainda que, das duas fotografias que tinha da dona Manuela em pose de “República”, estive muito inclinado a publicar a outra em que, tal como no célebre quadro de Delacroix, ela empunha a bandeira com os gloriosos seios desnudados... mas graças ao titânico esforço conjunto e capacidade persuasiva de todos os deuses do Olimpo, acabou por prevalecer o bom senso!






