Há tempos, o meu filho jornalista/escritor, quando tinha ainda pouco tempo como contratado de um jornal especializado em economia (que mais tarde o despediu, para passar a fazer o mesmo, mas pago à peça e sem direitos), espantava-se com as conversas que por lá ouvia, conversas que nem pensava que poderiam sair das bocas de jovens da idade dele.
Uma das frases que mais o chocou, vinda de um colega com que acabou por discutir mais acesamente foi, citando de memória, “os trabalhadores deviam ter a liberdade de aceitar um emprego com ordenado abaixo do Salário Mínimo Nacional”, e com esta baboseira, defendia a não existência, pura e simplesmente, do ordenado mínimo estabelecido por lei. Pela “liberdade”, atrevia-se o garotão a defender!
Para não ofender a “litania” de um grupo de jovens, daqueles que se arrastam por aí todos vestidinhos de fato escuro, gravatas e camisas iguais e que, para tortura de quem se senta ao seu lado em restaurantes, não falam de mais nada senão de dinheiro... optámos por não chamar ao tal colega “libertário” nada de mais contundente do que débil mental.
Lembramo-nos sempre daquela conversa, de cada vez que comentamos mais uma medida, ou mais uma declaração para a posteridade, cometidas pelo “débil mental” que, certamente para grande alegria do outro, chegou entretanto a primeiro-ministro.
O que é que se pode dizer de um primeiro-ministro que, num país onde o Salário Mínimo é miserável, é capaz de dizer (e com todo o ar de o pensar de facto) que o aumento do dito Ordenado será «uma barreira para o emprego»... pelos vistos, uma alarvidade em que nem alguns patrões parecem acreditar? Aliás, a besta acha mesmo que o mais «sensato» para combater o desemprego seria, em vez de discutir o aumento... baixar o SMN.
Para também hoje não me estender em adjectivos de que o meu espírito “caridoso” me faça arrepender, prefiro usar a definição sempre muito mais técnica e científica do economista Octávio Teixeira para classificar mais esta bojarda de Passos Coelho: «É uma estupidez completa!»






