O Franquelim está em alta! O Franquelim é um caso sério de popularidade! Com maior ou menor convicção, é certo, mas a verdade é que não se fala de outra coisa!
Jerónimo considera a sua nomeação «um escândalo», Manuel Alegra, «uma vergonha», o BE está «escandalizado», Seguro acha umas coisas... mas prefere esperar por uma declaração de Passos Coelho, declaração que, afirma, «está a tardar», o Prof. Marcelo quer que ele «explique todas as dúvidas»... e até o CDS está «incrédulo». Nada que faça, sequer, estremecer o popular secretário de estado do empreendedorismo que, como tantos antes dele na milenar História dos grandes mal-entendidos, ou das falcatruas descaradas... está «perfeitamente tranquilo».
Esta espantosa tenacidade por parte do inesperado Franquelim em agarrar-se ao lugar, embora este tenha apenas uns dias de "vida", poderia ter várias interpretações viáveis. Consideremos apenas duas:
1. O homem seria mesmo um totó... e nunca se apercebeu dos crimes em que esteve envolvido enquanto trabalhou com Oliveira e Costa e o resto da pandilha SLN/BPN.
2. O homem teria a noção exacta da sua implicação nesse escândalo que custa milhares de milhões aos portugueses... mas andava a tentar esconder.
Em qualquer das hipóteses, o resultado lógico da onda generalizada de repulsa, numa boa parte dos casos sincera, pela sua nomeação para o governo, seria a imediata apresentação de um pedido de demissão ao primeiro-ministro. Na primeira, por se sentir ofendido na sua convicção de inocência e na sua honra. Na segunda, por, ao ver-se descoberto, ter um assomo de vergonha na cara.
Ora, desgraçadamente... nem uma, nem outra! Trata-se, pelos vistos, de mais um invertebrado, mais um molusco pronto a tudo. Chamar-lhe-ia alforreca... não fosse o facto de, em primeiro lugar, as alforrecas não serem moluscos e em segundo lugar, porque para o bem e para o mal, as alforrecas serem quase, quase, quase transparentes... e não esta espécie de bosta espessa, opaca e pestífera.
Entretanto... descansemos! O genial Álvaro Pereira garante que tem «total confiança» no Franquelim. Garante igualmente que «todas as nomeações de secretários de Estado são sujeitas a um processo de escrutínio e de ponderação muito profunda». Certamente - e isto digo eu - por contraste com outros governos que escolhem os secretários de estado atirando dardos para folhas da lista telefónica. Aliás, deve ser esse rigor e cuidadosa “ponderação” na escolha que está a fazer os secretários deste governo irem caindo como tordos.
Por fim, garante ainda que assume «toda a responsabilidade» pela nomeação… o que, infelizmente, alegra muito pouco, já que a vir a existir uma oportunidade de pagar pelo que fez ao país… “o Álvaro” não tem cara para levar os "estaladões" que merece pelos actos que já cometeu antes… quanto mais por ainda mais este!