terça-feira, 10 de maio de 2011

Zita Seabra – Uma vida em perigo...




Este post não é sobre Zita Seabra... apenas acontece que ela, muito provavelmente por acidente, se pôs a jeito. Passo a explicar:
Como a imagem ilustra, a dona Zita Seabra está sempre pronta a ser das primeiras “personalidades de serviço” a irem à televisão apontar o dedo aos comunistas, seja sobre o que for... desde que daí a dias seja dia de eleições e, não vá o diabo tecê-las, algumas pessoas que não pertençam ao eleitorado habitual da CDU decidam qualquer coisa do género: “estou farto desta gente em quem ando a votar há anos... desta vez, vou votar nos comunistas!”. Na situação que a imagem documenta, Zita precipitou-se para um canal de televisão para garantir aos eleitores que «as agressões a Vital Moreira eram obra do PCP». Quando horas mais tarde já toda a gente sabia que o grande organizador da tal “agressão” montada pela máquina de campanha do PS, era o famoso “loirinho” do Bloco de Esquerda... a dona Zita Seabra já não percorreu o caminho que antes tinha feito, desta vez para desdizer as suas acusações... certamente, apenas por falta de tempo. Nada de novo, nem demais... e, como disse, este post não é sobre Zita Seabra.
Regressando ao tema dos períodos pré-eleitorais, já toda a gente verificou que as televisões e as revistas desencantam sempre uns documentários “históricos” onde vem escarrapachada a maldade dos comunistas e as coisas terríveis que eles fizeram, ou não, lá por volta dos anos 20, 30, 40, 50 e 60 do século XX, por contraste com os EUA, o paraíso na terra e pátria da “democracia”, onde, também por essa altura, a miséria era esmagadora, a exploração selvagem era  (e é) a norma, onde os anarquistas/sindicalistas Sacco e Vanzetti eram assassinados pelo estado, sob falsas acusações, os Rosenberg eram assassinados pelo estado, sob falsas acusações, onde o mundo artístico e intelectual era assolado pela barbárie de um senador fascista, McCarthy... ou onde o “playboy” John Kennedy, planeava sucessivas tentativas de assassinato de Fidel. Mais as bombas de Nagasaki e Hiroshima, mais a Coreia, mais o Vietname, mais Iraque, mais Afeganistão... a lista vai por aí fora.

Em vésperas das eleições do próximo dia 5 de Junho, a novidade veio do “Canal Q”, um inovador (e interessante) canal de televisão, disponível apenas para os assinantes da MEO, virado para uma audiência jovem, um canal onde se respira uma indisfarçável simpatia pelo BE. Apenas por uma (in)feliz coincidência e não, certamente, para ajudar a que os muitos militantes e simpatizantes que nas últimas eleições presidenciais já defendiam o voto em Francisco Lopes (cansados das trapalhadas de Louçã), não o façam agora nas legislativas... lá foi a dona Zita Seabra sempre em serviço, dar uma longa entrevista ao canal.
Ainda pensei “lançou qualquer coisa, vai fazer qualquer coisa”... mas não! A grande entrevista era sobre a enorme atualidade do seu livro “Foi assim”, de 2007. O entrevistador estava encantado, tinha o livro praticamente decorado e sempre nas mãos, enquanto ia puxando pela língua da entrevistada, mostrando que conhecia, uma por uma, as estórias mais “suculentas” e apropriadas para o efeito desejado, relatadas no livro da ex-dirigente comunista.
Como nunca li o livro, estas oportunidades servem para ir conhecendo uma ou outra das tais “fantásticas” estórias, como por exemplo, que Zita não passou diretamente para o PS, apenas porque ficou zangadíssima com o facto de, exatamente quando ela saía do PCP, estar o PS a negociar aquela que foi um frutuosa coligação, em Lisboa, entre os socialistas e a CDU. Fiquei também a saber que a sua grande amizade por Cavaco Silva, então primeiro-ministro, nasceu num dia em que ela resolveu ousadamente “meter-lhe uma cunha” para ajudar num problema de uns juros bancários numa livrança qualquer... problema que ele, a ver pelo posterior percurso dela... resolveu muito bem. Cavaco deve ter pressentido que "aquilo" era terreno "fértil"... e facilmente comprável. Teve razão!


Finalmente, fiquei a saber do horror que foi a sua vida pessoal, enquanto durou o processo de afastamento e expulsão do PCP, com assaltos e revistas de cima a baixo à sua casa, microfones plantados por todo o lado, perseguições constantes de seguranças que a seguiam a toda a hora e para todo o lado e, sobretudo, porque durante todo esse tempo sentiu a sua vida em perigo, certa de que iria ser abatida numa qualquer viela de Lisboa, por um desses seguranças.
O entrevistador babava-se de felicidade... e eu fiquei a pensar que se o ridículo matasse era, afinal e agora, que a vida dos dois estava por um fio.
Mas como disse no início... este post não é sobre Zita Seabra!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Francisco Louçã – Apenas para espairecer...


Quando vejo as iniciativas do BE, divergências históricas à parte, fico contente por ver tanta gente nova que, a não se ter aproximado do BE, provavelmente não estaria ganha para a atividade política. Independentemente de estarem ali, não posso deixar de gostar de ver aquela “miudagem” a chegar-se à frente... em vez de ficar por aí a arrastar-se na apatia geral. Ou a militar nas juventudes do CDS-PP e do PPD-PSD.
Esta Convenção não fugiu à regra destes encontros. Não a segui passo a passo, mas chegado o discurso final de Francisco Louçã, deu para ver que está em forma e a tentar recuperar das trapalhadas mais ou menos embaraçosas em que o BE e ele próprio se meteram nos últimos tempos, com as sondagens a refletirem isso mesmo.
Nem me passa pela cabeça questionar a capacidade e o impressionante currículo académico de Francisco Louçã... mas naquela coisa da “angariação” de votos, durante o discurso, mesmo registando a elegante lucidez de não ter pedido os votos dos militantes do PCP e mesmo sabendo que não é possível “criar” votantes no BE, saídos do nada, logo eles terão forçosamente que vir de outros partidos, ou de gente que nunca votou em ninguém... mesmo assim, como dizia, naquele entusiasmado apelo aos votos dos eleitores do PS, do PSD e mesmo do CDS, pareceu-me que Louçã se esticou, vá lá... um bocadinho.
Não fosse ele natural de Lisboa e sim da famosíssima Messejana... seria caso para lhe perguntar se não quer também uma praia...

Troika – Hoje não há trocadilhos...


Aí temos, finalmente, o programa eleitoral de Pedro Passos Coelho e do seu PSD, já classificado - e bem! - como «mais do mesmo, para pior». O cenário está a ficar completo. Sobre os programas dos restantes membros do autoproclamado “arco da governabilidade” pouco há a dizer.
Sócrates diz não importa o quê, pois nunca tem a menor intenção de  cumprir as promessas eleitorais; logo, pode voltar a prometer tudo o que já antes prometeu e não cumpriu, que mesmo assim, por absurdo que pareça, arrisca-se a voltar a ganhar as eleições, tal é a força da sua máquina de propaganda e embuste.
Paulo Portas tem apenas que agrafar na cara uma “pose de estado”, descer bastante o nível da voz de cana rachada, não agredir ninguém para além do "aceitável"... e mostrar-se disponível para governar com quem quer que lhe estenda a mão.
Voltando a Passos Coelho, para além da violentíssima agressão ao sector público, com aquela norma da entrada de apenas um novo trabalhador, por cada cinco que saírem, medida que a ser aplicada, bastam umas contas simples para descobrir em quanto tempo entrariam em ruptura muitos dos serviços públicos; para além da insistência nas privatizações de tudo o que possa dar algum lucro, mais as restantes cópias da cartilha dos seus neoliberais de serviço, aquilo que retive foi, afinal, que praticamente todas as propostas do PSD vão “de encontro” a alguma coisa, ou alguém. Segundo o orador, umas vão “de encontro” aos mais carenciados”, outras vão “de encontro” aos interesses do país... e nenhuma, que eu tivesse dado conta, vai ao encontro de qualquer ideal ou projecto em que me reveja. Se isto diz pouco sobre a natureza das propostas eleitorais do PDS, pelo menos deixa claro que não basta ser doutor para falar português corretamente. Adiante.
Terminado o trabalho da “troika” estrangeira, ficou cá a “troika” nacional, composta pelos verdadeiros manequins de alfaiate, dispostos a vestir qualquer roupa, a envergar qualquer casaca, a governar com o programa que lhes foi imposto.
Por mais que os elementos da “troika” nacional encenem divergências e apontem o dedo uns aos outros, a verdade é que já têm programa de governo. Mais exatamente, um programa de governo: o mesmo para todos.
Para não ficar de fora exibindo a sua irrelevância, Cavaco Silva veio juntar-se ao grupo, com os seus apelos à união, ao governo abrangente, ao fim das “quezílias” partidárias.
Atendendo a que “troika” é uma carruagem de origem russa, puxada por três alimárias lado a lado... a entrada de Cavaco Silva para o grupo obriga-me a mudar-lhe o nome para “quadriga”, que é exatamente a mesma coisa, mas inventada pelos romanos e puxada por quatro alimárias.
Agora poderia ficar aqui a tentar inventar uns trocadilhos novos, envolvendo “troikas”, “quadrigas”, alimárias e o possível futuro governo... mas não estou com disposição. Quanto mais não seja, porque o que lhes queria chamar, na verdade, é “quadrilha”... e isso, francamente, dão dá nenhuma vontade de brincar.

domingo, 8 de maio de 2011

Canção do convés – O que eu vejo é a barca bela...


“Quem tem medo que se cale
Quem tem coragem que cante
Que em terras de Portugal
Não há nada que me espante”

Isto vai começar a tornar-se um hábito. Sempre que não houver na “net” (ou que havendo eu não goste) vídeos com as músicas que quero aqui partilhar... aí vou eu! Socorro-me dos escassos meios técnicos disponíveis e da mais que rudimentar competência para fazer os ditos vídeos... e faço-os. A dar-se o caso, como hoje, de ser uma música minha, então é mais do que certo que terei que pôr mãos à obra.
Esta “Canção do convés” pertence a um CD com o título genérico de “Pelo sonho é que fomos”, mas que nunca viu a luz das lojas de discos, por razões que só “os mercados” entendem. Devia ter "acontecido" na "Expo 98". Na minha opinião era (e é) um belo disco, musicalmente “vestido” de forma irrepreensível pelo grande pianista e orquestrador Pedro Duarte e pelos seus músicos habituais. A autoria das músicas foi dividida por vários parceiros de cantigas, a saber, Carlos Mendes, Paco Bandeira, Nuno Nazareth Fernandes, Fernando Tordo, Vitorino, Jorge Palma, José Mário Branco e eu próprio. Todas as palavras foram escritas pelo poeta Joaquim Pessoa. O disco é inteiramente dedicado ao tema dos descobrimentos portugueses.
Esta canção é cantada, por ordem de “entrada em cena”, por mim, pelo Manuel Freire, Carlos Mendes e Paco Bandeira. No refrão, cantamos todos ao molho no convés desta embarcação, que não chegou a bom porto... mas que merecia ter chegado.


Bom domingo!




“Canção do convés” – Samuel, M. Freire, C. Mendes, P. Bandeira
(Joaquim Pessoa / Samuel)



sábado, 7 de maio de 2011

Mário Soares – Reviver o passado...


Primeiro, não posso deixar de dizer aqui o que penso do discurso ontem dirigido ao país por Sua Cavacal Excelência o Senhor Presidente da República. ... ... ... ... ... pronto... já está!
Passando ao tema do dia, muitas das “grandes figuras” mundiais, quando se aproximaram do fim dos seus dias, começam a desenvolver algo parecido com “consciências”... e a tentar resolver assuntos pendentes do seu passado, muitos dos quais foram mantidos em rigoroso segredo durante várias décadas. Mário Soares não é exceção. À semelhança do seu dileto “ami miterã”, que no fim da vida sentiu a necessidade de reconhecer publicamente uma filha que escondia havia muitos anos... e logo a seguir decidiu revelar que durante um período de tempo da sua juventude, tinha militado numa organização pró-nazi, o que, convenhamos, para alguém que era a “referência” dos socialistas franceses, constituía um “esqueleto no armário” de um tamanho bastante avantajado... também Mário Soares decidiu iniciar a “arrumação” de assuntos encavalitados na sua história pessoal.
Começou por este tema ligado aos costumes e à baixa política, confessando-se arrependido de ter estado na origem de insinuações sobre a vida íntima de Sá Carneiro e Snu Abecassis, com a intenção de prejudicar politicamente o adversário.
Fico agora bastante curioso sobre o rol que se seguirá... sobre as traições à Revolução de Abril (e às anteriores a Abril), sobre os copiosos financiamentos norte-americanos e alemães, sobre aquelas “ninharias” mais ou menos brilhantes e lapidadas, que lhe rendia a “amizade” com Jonas Savimbi, sobre os fantásticos negócios do seus amigos em Macau, sobre a colaboração diária com a CIA de Frank Carlucci, que viria a ficar seu amigo para a vida, sobre a sua milionária Fundação...
Mesmo sabendo que estes rebates de, chamemos-lhe assim... consciência, são um prenúncio do fim... como disse, fico bastante curioso.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Greves – Acaso seria pedir muito...


Acaso seria pedir muito que não fôssemos tomados por parvos de cada vez que se divulgam notícias sobre os números de adesão a uma greve? Mais uma vez, dizem-me que os sindicatos reivindicam uma participação de cerca de sessenta por cento... enquanto o governo contrapõe um vírgula quatro por cento.
Não é que eu esteja – até pelo que hoje já vi – inclinado para acreditar nos sessenta por cento de que falam os sindicatos. Na verdade, não me parece. Mas pelo amor da santa! Um vírgula quatro por cento???!!!
Haja vergonha! É que isto dá um “fosso” muito maior do que os clássicos 8 ou 80 da imagem...

Sentimental-e-qual...


A fazer fá nesta “inconfidência” jornalística, o primeiro-ministro demissionário estará logo à noite no “talk-show” do Nicolau Breyner, na RTP, onde aproveitará para se confessar um sentimental. Para ser mais exato, segundo o DN, dirá: «Sou muito mais sentimental do que a minha imagem política leva a pensar».
É evidente que é um sentimental! Basta vê-lo e ouvi-lo para perceber que está profundamente apaixonado por si próprio, pelo som da sua voz, pelos fatinhos, pelo seu querido teleponto, pelo poderzinho…
Não, não vale a pena argumentar que se dá bem com a família (embora a família tantas vezes o tenha deixado ficar mal) e que ama os filhos. Isso, desculpem lá… mas até os bichos, desde que não tenham um qualquer “defeito” grave, também fazem na perfeição.
Mas lá está… não só posso ter sido mal informado, como a entrevista até poderá revelar-se uma grande entrevista. Como não me vai ser possível ver o programa, vejam vocês… e depois contem-me como foi.