quinta-feira, 16 de junho de 2011

Indigitado! *


Finalmente! O rapaz foi indigitado pelo ET... o que me traz à memória o célebre fresco de Michelangelo, em que um boneco a fazer de Deus também “indigita” um outro boneco a fazer de Adão.
Como isto anda tudo ligado, a Conferência Episcopal Portuguesa lá veio divulgar o seu programa político de governação, disfarçado de discurso piedoso, apostando nos chavões costumeiros do “bem comum”, da necessária colaboração da oposição com o governo, do grande perigo das "utopias", etc. e coisa... sendo que o "pio conselho" que me chamou mais a atenção, este já da lavra do Cardeal-Patriarca, foi o seguinte:
«O memorando assinado com a ‘troika’ (Banco Central Europeu, Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional) deve ser cumprido o mais rapidamente possível, para que o país recupere a sua “dignidade” e a sua “autonomia”».
Mai nada!!!  Aleluia!  Ite missa est…

* Com um pedido de desculpas ao Steven Spielberg, por misturar o seu belo filme com esta choldra.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vamos à praia?


Ora aí está!!! Abriu ao público a praia de Mangualde. Tem muita areia, uma espécie de piscina com água salgada, um cenário de oceano aberto (algo deprimente e patético, convenhamos) e ondas... embora estas só cheguem lá para o ano que vem, sabe-se lá porquê.
Parabéns aos residentes e emigrantes em férias, da zona de Mangualde, por este novo, ousado e exótico equipamento!
Não obstante as mais que legítimas dúvidas que este megalómano projeto levanta, mesmo estando convencido de que a área envolvente das piscinas recreativas aqui de Montemor-o-Novo é maior; mesmo que a “praia” de Mangualde não tenha a envergadura da praia de Trancoso que se vê aqui na fotografia em cima... e que distaria de Mangualde apenas cinquenta e poucos quilómetros pela A25... não fosse o caso de se tratar de Trancoso, mas na Baía, Brasil... é a “praia” possível.
Resumindo, o pessoal de Aljustrel e arredores pode começar a inventar umas piadas novas. Afinal, sempre há esperança para a célebre “Praia de Messejana”!

União Europeia – Fosse eu uma pessoa desconfiada...


Fosse eu uma pessoa desconfiada... começaria a suspeitar que o senhor Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, recebe por fora uns “robalos” para, nas vésperas de pedidos de empréstimos no mercado por parte de países como Portugal, lançar para o ar dúvidas sobre a capacidade de alguns países cumprirem com os seus compromissos, acenando com a “solução” mais estúpida possível, mas pelos vistos, a única que conhece: pesadas sanções.
Fosse eu uma pessoa desconfiada... pensaria que isso é dito propositadamente para fazer subir em flecha os juros agiotas que especuladores e banqueiros impõem aos Estados mais vulneráveis, numa jogada de casino em que, embora todos sabendo que tais juros são, a prazo, mortais para as economias desses estados, mesmo assim apostam nas verdadeiras fortunas que, entretanto e enquanto tal for possível, vão extorquindo aos contribuintes e trabalhadores em geral dos países que escolheram como vítimas.
Como disse (com graça) há um par de dias um “Frei” que está na moda, já (quase) toda a gente percebeu que a União Europeia não foi um casamento por amor. Não passa de um casamento de conveniência... e ainda por cima (a ver pelas atitudes de Angela Merkel) com uma noiva histérica. Acrescentaria eu, que a ver pelas atitudes deste Jean-Claude Trichet e dos seus cúmplices, os padrinhos são da Máfia.
Agora a sério... atendendo à histeria insuportável da “noiva”, ao banditismo dos “padrinhos” e restante família, atendendo à falta de união e solidariedade entre os seus membros, substituída pela constante tentativa de domínio, controlo e roubo dos mais pequenos, pelos vários e poderosos brutamontes... direi que começa a ser hora de considerar a hipótese de pôr tal “família” com dono.
Pelo andar da carruagem, desconfio mesmo que dentro de pouco tempo já poderei dizer isto no café, no blog, ou em qualquer parte, sem que fiquem a olhar para mim... como se me tivesse nascido de repente um chifre de unicórnio bem no meio da testa.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Fernando Nobre – As galinhas que se ponham a pau...


A poucas horas de se saber qual a composição do novo Conselho de Administração que irá cuidar, em Portugal, dos negócios e interesses dos bancos e especuladores internacionais, representados pela “troika”, os habituais “mentideros” fervem de atividade.
Há de tudo nos muitos “diz-se” do costume. Desde o regresso do esquecido Fernando Nogueira, ministro de Cavaco, desde a possível confirmação do também ministro de Cavaco, o incontinente Catroga, até à possibilidade de um trânsfuga do governo de Guterres reocupar a Economia... tudo é possível.
Na verdade, a “notícia” que me tem em suspenso é a possibilidade de Fernando Nobre, barrado pelo CDS para segunda figura do Estado, na Assembleia da República, vir, em alternativa, a ocupar toda a área da Segurança Social e da Saúde, transformando-se assim como que numa espécie de “Super-Ministro”.
Quem anda num perfeito estado de terror com este zum-zum são as galinhas... sobretudo as que têm a mania de fugir com pedaços de pão no bico. Que galinha é que consegue escapar a um “Super-Ministro”... ainda por cima quando este já demonstrou ser um verdadeiro especialista em galinhas, especialmente as que têm a mania fugir com pedaços de pão no bico?
Seja como for, se tudo o resto falhar, Belmiro de Azevedo, o apoiante número um de Pedro Passos Coelho, pode sempre arranjar-lhe um lugar de gerente num “Supermercado”. Lá que não é a mesma coisa… não é...  mas sempre é “Super”.

Mário Soares – Um português sem filtro...


(Imagem do jornal “A Bola”)

Um dos encantos das crianças é a ausência de filtros nas suas conversas e brincadeiras, ainda virgens que estão da tirania das convenções e normas de conduta. Na idade adulta essa ausência de filtros raramente tem graça e apenas é justificada nalguns milhares de cidadãos... mas todos com excelentes explicações do foro clínico. Não é o caso de Mário Soares! Esse está a perder toda a capacidade de filtrar aquilo que diz, como resultado da degradação irremediável do filtro principal de todo o sistema, que no caso dele, sempre funcionou de forma deficiente: a vergonha.
Como complemento ao longo rol de “semvergonhice” com que nos tem brindado ao longo da longa vida, há dias vimos Soares numa peça televisiva, na companhia do seu dileto amigo Frank Carlucci, os dois entrevistados por um Mário Crespo baboso e rindo alarvemente de satisfação por estar a entrevistar ao mesmo tempo o fundador do PS e o seu parceiro da CIA, cúmplice e financiador da traição ao 25 de Abril.
Questionado sobre os seus encontros semanais com Carlucci durante o “verão quente”, na Embaixada dos EUA, Soares carregou mesmo nas tintas, dizendo que a coisa chegou a ser «várias vezes por semana», acrescentando, como uma nota ilustrativa do carácter muito “dado”, aberto e popular do agente da CIA, o facto de este, nessa época, «até jogar ao ténis com o Otelo» (com que finalidade seria?!)
Agora, há apenas dois dias, inaugurou a rubrica “QI”, uma colaboração entre o jornal “i” e o canal de televisão por cabo “Q”. Foi entrevistado pelo diretor do canal (e das Produções Fictícias), Nuno Artur Silva e pela diretora do jornal, Ana Sá Lopes. Podem ler a entrevista aqui, embora esteja muito resumida, em relação à versão falada da televisão.
Num dia mais pachorrento teria ouvido a entrevista na íntegra; não sendo o caso, fui ouvindo excertos, entre “zappings”. As “pérolas” foram várias... mas destaco apenas três, citando mais ou menos de memória:
Discorria Soares sobre que, o mal da Europa e de Portugal é terem chegado ao poder aqueles que se inscreveram nas “juventudes” partidárias e vieram para a política para enriquecer e não pelo sentido de serviço público.
- E o senhor, ao longo da sua carreira, sobretudo quando estava no poder, era capaz de, apenas numa conversa, distinguir uns dos outros?
- Sabe, o que acontece é que no meu tempo não havia disto... os grandes políticos, no meu tempo, eram todos honestos...
(Espantosa, esta facilidade com que Soares esqueceu tanta, tanta gente, como por exemplo o seu grande amigo do PS italiano, Bettino Craxi, ou os seus amigos e companheiros de Macau, ou...)
- Sabe... a História da nossa democracia divide-se em vários momentos. Houve a “Revolução dos Cravos”, de que continuo um grande adepto (confesso que “adepto”, nunca tinha ouvido) e depois veio logo aquele período muito conturbado... sabe... se o secretário geral do PCP fosse o Santiago Carrillo (do PC espanhol), em vez do Álvaro Cunhal... não tinha havido todo aquele “problema”...
(Acredito bem que não! Acho mesmo que hoje nem sequer existiria o próprio PCP, que toda a gente sabe que é um grande “problema”)
- O senhor, apesar de agnóstico, ficou conhecido por, nessa época, ter feito vários acordos com a Igreja Católica...
- Acordos não! Eu conspirei ativamente com a Igreja e com o D. António Ribeiro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Se o D. António não tivesse dado instruções aos sacerdotes para dizerem nas missas que era conveniente os cristãos comparecerem na nossa manifestação da Fonte Luminosa, nunca teria sido possível juntar uma multidão tão impressionante, que fez cair... ou melhor, inverter o rumo dos acontecimentos no nosso país...
E agora digo eu: Fantástico, não é? Como vimos no princípio deste texto, as crianças e os doidos têm as “desculpas” que já conhecemos; qual será a desculpa deste figurão?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ferraz da Costa – Aí estão os vermes a sair de baixo das pedras...




Ferraz da Costa foi durante anos presidente da CIP. Agora preside a uma coisa qualquer que se chama “Fórum para Competitividade”. Interpretando o sentimento dos seus comparsas e indo bem mais longe do que o seu novo funcionário no Governo, Pedro Passos Coelho, Ferraz da Costa quer um corte de vinte pontos percentuais na Taxa Social Única (TSU), que assim passaria para uns meros 3,75%.
Para “compensar” esta brutal queda no financiamento da Segurança Social, propõe que se taxe praticamente tudo o que existe... a 23% de IVA. Tem tudo bem pensado: se alguém disser que isso vai aumentar a pobreza, esmagando a já deficiente capacidade de consumo de milhares de famílias... é porque «não percebe muito do assunto», como diz ser o caso de Jerónimo de Sousa.
Diz ainda que o facto de os patrões quase deixarem de contribuir para a Segurança Social terá «um efeito muito poderoso nas exportações e nas importações»… sabendo bem, o escroque, que a única coisa que ficará muito mais poderosa serão os motores dos automóveis dos seus bem amados “empresários”, que sonham com um mundo povoado por trabalhadores com um Salário Mínimo de miséria, obrigados a trabalhar sem direitos nem segurança, para financiar o seu próximo Ferrari, ou Lamborghini, ou Porsche Panamera… mais o jipe Cayenne Turbo de 500 cavalos… para ir ao campo.
Não passam de vulgares bandidos, representantes de um sistema criminoso!

Só ficou a faltar um grande jogo de futebol e uma cura milagrosa!


Pelo menos agora, às 00:01h, primeiro minuto desta segunda-feira, nada aconselha a uma ida até à rua. Ou porque o fim de semana foi muito parado, ou porque todos os serviços noticiosos resolveram fazer a sua melhor imitação de “Correio da Manhã”, a verdade é que parece não haver em todo o país uma rua onde não andem grupos rivais a trocar tiros, um bairro onde não esteja alguém barricado e armado, uma barragem onde não se afogue algum incauto, uma praia onde os milhões de portugueses que não sabem nadar não decidam ir para fora de pé, uma estrada onde não se conduza de forma assassina, um restaurante que não seja suspeito de mandar vir de propósito uns “rebentos vegetais” da Alemanha, com o único propósito de nos "E.Colizar" a todos, sabe-se lá...
Talvez mais lá para a tarde isto acalme... a verdade é que enquanto durar esta “orgia” de crimes, acidentes, envenenamentos, facadas de “amigos” e muitos, muitos santos populares, a “troika” e todos os que andam cozinhando o novo governo e a imposição das medidas de “capitulação”, sob pena de sofrermos «custos incalculáveis», a fazer fé em Cavaco... todos, todos, todos eles podem andar perfeitamente descansados e com garantia da maior “discrição”, como pediu Paulo Portas.