terça-feira, 26 de julho de 2011

Noruega – Lembrando Bertold Brecht




Para além destas linhas em que quero deixar um pensamento solidário para com os familiares e amigos das vítimas do massacre na Noruega, não estou disponível para contribuir, de qualquer forma que seja, para a promoção, divulgação de ideias e muito menos das “explicações” dos motivos (por vezes, quase justificativas) que levaram o bandalho assassino a fazer aquilo que fez.
Os jornais televisivos estão a fazer esse triste trabalho muito bem... sem necessitar da minha ajuda, numa cobertura histérica, onde só falta a divulgação dos nomes, moradas e telefones, das hipotéticas vítimas constantes das dementes listas de cidadãos a abater no futuro, um pouco por todo o mundo.
Já o clima social e político que, num crescendo, vai permitindo o aparecimento de tumores abjectos como este... esse merece toda a atenção e vigilância.
Como escreveu Bertold Brecht, «Isso que aí está, esteve quase a governar o mundo. Mas os povos dominaram-no. No entanto, desejaria não ouvir o vosso triunfante canto: o ventre, donde isto saiu, ainda é fecundo.»
25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Nuno Crato – Ok! Matemática. E...?




Os animais exibidos nos circos fazem coisas extraordinárias! O problema é que, para além daquele número de circo específico para que foram treinados, não sabem fazer mais nada. Daí que os anglo-saxónicos tenham inventado uma frase para definir os humanos vítimas da hiper-especialização que, tal como os animais de circo, pouco mais sabem fazer, ou de pouco mais sabem falar, para além da sua especial "habilidade". São os sobejamente conhecidos e, infelizmente, espalhados por todos os ramos das mais diversas actividades... “One trick ponys”.
Espero que não venha a verificar-se ser este caso do novo ministro da Educação. Na verdade, começa a ser notória a presença da matemática em quase todas as ações e declarações públicas de Nuno Crato... ou até de notícias sobre ele e o seu gabinete. Para um ministério da Educação que, das artes às ciências, deveria abarcar tanto "universo"... é um pedacinho redutor.
A revelar-se um como um padrão... seria, para além de tudo, bastante cansativo.

António José Seguro – São rosas, senhor!



Está virada a página no PS. Foi, segundo o novo secretário geral, uma campanha «inesquecível». Tão inesquecível, empolgante e mobilizadora... que fez cerca de vinte e três mil militantes votarem nele. Uma verdadeira “vaga de fundo”, portanto.
À semelhança de alguns realizadores de cinema portugueses (e não só), que passam tanto tempo em desespero para fazer um filme, que quando finalmente o fazem, querem lá pôr tudo aquilo que pensaram sobre tudo... durante quase toda a vida, Seguro andava há tanto tempo a preparar o salto, que o discurso de vitória ficou transformado numa espécie de engarrafamento de frases feitas e chavões, colecionados desde que se inscreveu na "jota" do PS.
Finalmente, ganhou o seu lugar no cantinho superior direito da galeria de figuras que ocuparam o cargo de secretário geral desde o 25 de Abril. Cada um deles, Mário Soares, Almeida Santos, Vítor Constâncio, Jorge Sampaio, António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates, deixou a sua marca pessoal. Com cada um deles, o PS foi fazendo História na democracia portuguesa.
- Com Soares, “enfiou o socialismo na gaveta” e conspirou com os sectores mais reacionários da Igreja Católica e com a CIA, para fazer a contra-revolução.
- Com Almeida Santos... não me lembro.
- Com Constâncio, dormiu uma longa sesta.
- Com Sampaio, fez discursos inexplicáveis e, aqui ou ali, verteu umas lágrimas.
- Com Guterres, virou ainda mais à direita, rezou muito... e ficou a vê-lo pirar-se para outras paragens.
- Com Ferro Rodrigues... não sei o que fez, mas o que quer que tenha sido, foi extremamente rápido. 
- Com Sócrates, cometeu a longa lista de crimes que estamos (quase) todos a pagar.
- Com António José Seguro... aparentemente, decidiu fazer um longo, loooongo “intervalo”.
Como primeira medida para dentro do seu partido, diz que «dá liberdade de voto» à bancada no Parlamento.
Atendendo a que a maioria PSD/CDS necessita de votos do PS para conseguir rever a Constituição, se os deputados “socialistas”, satisfazendo algum interesse particular (a que não deixarão de chamar “nacional”), votarem com Passos e Portas… António José Seguro, para cumprir a sua solene promessa de “recusar” a revisão constitucional, fará o quê? Deitar-se-á a espernear no meio da Assembleia da República e fará uma monumental birra?
Portanto... começa bem! Como disse, vai ser um longo, loooongo intervalo.

domingo, 24 de julho de 2011

Camané – Fado do Campo Grande


Não sou aquilo que se possa chamar um consumidor de música compulsivo. Não tenho, nem alguma vez usei alguma dessas engenhocas para andar a ouvir música com auscultadores enfiados nos ouvidos, por toda a parte e a todas as horas. Mais ainda, sou incapaz de escrever ou ler se estiver a ouvir música ao mesmo tempo... e até nos blogues em que há música a tocar automaticamente, tenho que desligar o som do computador, senão, não leio o texto.
Posto isto, sim, ouço bastante música, tenho discos demais e manias de “apreciador” muito próprias. Por exemplo, é muito difícil achar que uma nova versão de uma canção, mesmo gravada com recurso a melhores técnicas, mesmo tocada por grandes músicos, consegue ser realmente muito melhor do que o original que eu trago na memória. Daí que quando isso acontece... é muito bom!
Primeiro, porque não é nenhuma “despromoção” do original. Segundo, porque é a prova de que a canção ainda tinha muito mais para dar. Finalmente, porque nos mostra que há sempre gente nova capaz de garantir o futuro de tudo... até das canções.
O Camané é um desses “novos”. Não fora o recente aparecimento de mais uns dois ou três “miúdos” que também deram para cantar fados... e o Camané seria praticamente o único fadista vivo que me “obriga” a ouvir e me faz gostar de fado.
O Camané conseguiu aqui a tal proeza de desarrincar uma versão que (para mim, evidentemente!) passa a ser “o molde”, com esta sua interpretação dos versos do José Carlos Ary dos Santos, musicados pelo maestro Vitorino de Almeida, uma grande canção que todos conhecemos há muitos anos pelo nome de “Fado do Campo Grande”... que ocupou a faixa número três de um disco justamente histórico, “Um homem na cidade”, gravado por Carlos do Carmo em 1977.
Bom domingo!
“Fado do Campo Grande” – Camané
(Ary dos Santos/Vitorino de Almeida)



sábado, 23 de julho de 2011

Seguro versus Assis – Sarilhos de fraudes


A eleição para o futuro secretário geral do PS segue a bom ritmo. Infelizmente, a jornada eleitoral foi ligeiramente ensombrada por trocas de acusações entre a equipa de Francisco Assis e a equipa de António José seguro... com alusões a fumos de fraude.
Daí a palermice do título deste post, resultado de um péssimo e antigo hábito de deixar as sinapses à solta, comunicando parvoíces de neurónio em neurónio. Demasiadas vezes, o resultado são trocadilhos do tipo deste “sarilhos de fraudes”, que me levou direitinho a 1967 e a um glorioso filme que andei a evitar com sucesso durante mais de quarenta anos... até hoje.
Dedicado ao ganhador desta contenda eleitoral, seja ele qual for, aqui fica esta canção desse histórico “Sarilho de fraldas”, protagonizado por Calvário e Madalena Iglésias. Fiquem com um pouco do profundo diálogo, seguido da maravilhosa canção.
“Depois não vais dizer que não cuidámos de ti...”
“Vamos... fala!”

Num dia de sol
(César de Oliveira/Nóbrega e Sousa)

Miúdo como será que tu te chamas
Parece que mexe os lábios pra falar
Teus olhos estão a afirmar
Não me enganas que és feliz
Tem um sinalzinho a espreitar no nariz
Mal sabe quantos sarilhos já nos deu
É estranho... tem um sorriso igual ao teu
Estas mãos o mundo vão vencer
Um dia vais crescer pró conquistar...

... mas o melhor é ouvirem vocês próprios a coisa.

Um bom sábado!

“Num dia de sol” – Madalena Iglésias e A. Calvário
(César de Oliveira/Nóbrega e Sousa)


PSD, PS... papel rasgado




Continuando a cumprir uma espécie de desígnio “divino” que o obriga a fazer exatamente o oposto daquilo que apregoa, Pedro Passos Coelho, em vez de “emagrecer” a administração da Caixa Geral de Depósitos, aumentou-a quase para o dobro. Seja como for, o condimento principal desta estória é outro.
Desde há vários anos que, numa espécie de acordo tácito de “cavalheiros”, ou uma alternância “democrática” de tachos, no fundo, inspirada nos antiquíssimos “códigos de honra” entre os ladrões, PSD e PS trocavam entre si a presidência do grande banco público. Estando no Governo o PS, o presidente da Caixa era do PSD... e vice versa.
Agora que chegou ao poder e com maioria, findo o mandato de Faria de Oliveira, ex-ministro do PSD nomeado por Sócrates para dirigir a CGD, Passos Coelho, em vez de o retirar para, seguindo a “tradição”, nomear alguém do PS, reconduziu-o na administração, promovendo-o até. Agora é “chairman”. Não contente com isso, inventou “espaço” para mais um presidente (José de Matos), um técnico vindo do Banco de Portugal... e deu a vice presidência executiva a Nogueira Leite, conselheiro nacional do PSD e seu conselheiro pessoal.
E lá se foi às malvas o velho acordo de “cavalheiros”!
Lembrando a velha e famosa cena de teatro amador, na noite em que se esqueceram de acender a lareira onde em todas as representações era queimada em palco a comprometedora carta do amante... e o “marido enganado”, entrando de rompante na sala, na falta do fumo suspeito foi obrigado a improvisar... “Cheira aqui a papel rasgado!”

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vítor Gaspar – Concurso de interpretação


Depois de termos ficado a saber, na sequência da estória estrambólica do “desvio colossal” das contas (desvio de que ninguém parece conhecer o paradeiro), que teve a vantagem de esclarecer rapidamente que Passos Coelho não passará, afinal, de mais um vulgar aldrabão, o pastoso explicador das frases de Passos... e ministro das Finanças, veio garantir que o roubo do 13º mês «não provoca efeitos recessivos».
Utilizando a técnica entaramelada do ministro Vítor Gaspar, direi que há uma “interpretação abusiva” das palavras do genial governante. Que foi dito “não”... depois foram ditas algumas palavras... após as quais apareceu “provoca efeitos recessivos”.
A minha “interpretação” é que as tais palavras que se perderam pelo meio poderão ter sido:
“Não há dúvida absolutamente nenhuma de que provoca efeitos recessivos.”
“Não tenho outro remédio se não mentir descaradamente para negar que isto provoca efeitos recessivos.”