quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Governo Passos/Portas e transportes – Um post mal disposto (e muito comprido!)


A ideia é tão simples, clara e justa, que consegue colocar de acordo, na sua essência e um pouco por todo o mundo, gente de variadas opções políticas:
O Estado garante o funcionamento de uma máquina fiscal que combata, decididamente, a fuga ao fisco e a fraude fiscal e cobra impostos aos contribuintes segundo os seus reais rendimentos e de forma progressiva. De forma progressiva, já que os 50 euros que correspondem a dez por cento dos miseráveis 500 euros que tantos milhares andam a ganhar mensalmente, custam muito mais a pagar do que os 5.000 euros que seriam dez por cento dos 50.000 que alguns ganham.
Depois é muito simples! O Estado pega nesse dinheiro e paga a nossa segurança, professores, saúde, todo o funcionamento daquilo que é público, que pode ir desde a mais sofisticada montagem de um produto cultural, até à limpeza do pequeno jardim da nossa rua.
Assim e naturalmente, sempre que alguém tem que colocar um filho na escola pública, seja no ensino básico ou na Universidade, sempre que utilizar um transporte público, ou sempre que, infelizmente, tiver que recorrer aos cuidados de saúde, o Estado não distinguirá uns cidadão de outros, não os classificará por convicções religiosas ou políticas, nem os discriminará por etnia, género, ou segundo o seu nível de rendimentos. Cumpridas as nossas obrigações, segundo as nossas possibilidades, todos somos iguais perante o Estado.
Parece simples, não é?
Não para um neoliberal! O neoliberal é uma espécie animal que fica com as tripas revolvidas quando vê que vai pagar o mesmo e ter direito ao mesmo tratamento, seja onde for, que é dado a um velho trabalhador com uma pensão de 300 euros mensais. Não porque ache que poderia pagar mais, como demagogicamente repetem, mas porque ficam roxos de raiva com o facto de o velho reformado, que ganha menos por mês do que aquilo que ele gasta em uísque e charutos, ou num único almoço, ter direito ao mesmo equipamento, ao mesmo médico, ao mesmo autocarro, ao mesmo metropolitano.
Para o neoliberal, todo o não rico é um ser defeituoso e merecedor de castigo. E desses, os mais pobres, eventualmente e no limite, apenas candidatos à caridade. Seja como for, devem ostentar publicamente os sinais e as provas da sua pobreza e necessidades, a fim de serem convenientemente “triados” e postos no seu devido lugar.
É neste contexto que eu entendo a subida desenfreada e brutal dos preços dos transportes públicos... a seguir "remediada" pela criação de vários escalões de pobreza, que os utentes terão que provar para terem direito a tarifas especiais.
Em vez de comentar, quero antes, num espírito "sempre construtivo" e dada a complexidade de se montar toda uma máquina destinada a discriminar os cidadãos segundo os seus rendimentos, de cada vez que comprarem um bilhete ou um passe... contribuir com uma sugestão que, muito provavelmente, poupará muito tempo, trabalho e recursos.
Poderá então ser assim: o fisco, conforme as declarações de IRS, fornecerá aos cidadãos (e seus familiares) pequenas estrelas de pano, que estes coserão nas roupas, em local visível. Conforme os vários escalões, poderão ser amarelas, laranja, rosa (porque não?, como homenagem aos que pavimentaram o caminho às medidas deste governo neoliberal). Desta forma simples e expedita, toda a gente será encaminhada para as diversas categorias de serviços disponíveis...
Eu sei, eu sei... isto parece-se muito com uma ideia já antes avançada por Adolf Hitler para distinguir os cidadãos mais tarde encaminhados para a morte... mas que diabo!, uma grande ideia é sempre uma grande ideia, mesmo que tenha sido inventada pelos Nazis... e para ser franco, não me parece que isso incomode grandemente os nossos neoliberais radicais.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Álvaro Santos Pereira – Mais um travestido de sonso...




O "génio" neoliberal importado do Canadá, o tal da independência da Madeira, o tal do “chamem-me Álvaro”... Santos Pereira, está a revelar-se como mais um espécime daqueles que de cada vez que abrem a boca, mais cavam o buraco onde se hão de enterrar.
Agora, num desarrincanço de criatividade, à falta das tradicionais (e saudosas) secas do bacalhau ao longo das gafanhas aveirenses e de Ílhavo, quer estender ao sol os corpos dos reformados endinheirados dos países do norte.
O traste que o antecedeu na pasta dos Transportes queria transformar Lisboa na praia de Madrid; engavetado o projeto do TGV, este agora sonha transformar-nos numa espécie de «Flórida da Europa».
Grande governo! Cada um, à vez, vai saindo da toca...
Seja como for, segundo li, a frase da semana foi proferida por este “ministro de tudo e mais alguma coisa” em pleno Parlamento. De forma sonsa, pediu que lhe explicassem «o que é um neoliberal»... o que me deixou a refletir:
- Quando um neoliberal rouba a milhões de trabalhadores e reformados, para enriquecer ainda mais uns tantos multimilionários... está a ser neoliberal.
- Quando um neoliberal decide, conscientemente, degradar os serviços públicos, para destacar a “grande qualidade” dos privados... está a ser neoliberal.
- Quando um neoliberal decide fazer o contrário, injectando milhões em empresas ou serviços públicos, com o único objectivo de os tornar ainda mais apetecíveis para a privatização... está a ser neoliberal.
- Quando um neoliberal, com o argumento mentiroso e demagógico de que os mais endinheirados devem pagar mais pelos serviços públicos de saúde, de ensino, de transportes, etc., etc., com o único objectivo de criar serviços públicos “exclusivos” (e de pior qualidade) para pobres, conspurcando com a salazarista praga da caridadezinha toda a ideia de justiça social... está a ser neoliberal.
Agora quando um neoliberal, pensando poder gozar com a cara de quem o ouve, pede, de forma insolente, em pleno Parlamento do país que o seu neoliberal governo está a vender a retalho e ao desbarato, que lhe expliquem “o que é um neoliberal”...
Aí... está a ser um provocador e um canalha!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

José Afonso (1929-1987)


Enquanto viveu, o Zeca foi a demonstração prática de que é possível viver de outra forma. De que é possível ser-se humano de outro modo. De que outro mundo é possível.
Não! Não vou aqui ficar a alinhar mais umas palavras e estórias sobre o Zeca. Isso fica para todos os outros dias do ano.
Parabéns, Zeca!

“Primeiro dia de Agosto, primeiro dia de Inverno” – Calma, calma...


Terminou o dia 1 de Agosto de 2011. Para além de o boato que foi sendo avançado ao longo do dia, segundo o qual eu faria 59 anos... se ter revelado como absolutamente verdadeiro, houve uma coisa mais que me ficou na retina: a incontrolável histeria jornalística das televisões com relação a tudo o que tenha que ver com as condições meteorológicas.
É assim durante o ano inteiro. Tudo é uma surpresa! Tudo é uma coisa nunca vista! Se faz calor é “oh!!!”, se faz frio é “ah!!!”, se neva é a loucura das romarias à Serra da Estrela, se chove... ainda por cima a abrir as férias de Agosto, então o caso é sério e as cadeias de televisão têm que mobilizar os seus repórteres para entrevistar, um por um, todos os veraneantes e donos de esplanadas da Costa de Caparica, linha do Estoril e Algarve...
Depois vai-se a ver e está tudo em paz. Alguns velhos dizem que é mesmo assim... e até recitam um ditado popular que o confirma; há uns poucos que gostam, outros nem sim nem não... mas querem na mesma aparecer na televisão; a esmagadora maioria está segura de que a chuva não veio para sempre e que amanhã ou depois voltará o bom tempo; uns tantos estão aborrecidos com o contratempo... e desses, uma pequeníssima minoria, como a imagem bem ilustra, reage mal. Reage mesmo muito mal!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Alberto João Jardim – O falso carnavalesco




Estão a ver a situação das gentes que, quis o infeliz acaso, vivessem em Vila Velha de Ródão, Cacia, ou na zona do Barreiro, sob a “influência” quase constante do cheiro nauseabundo que exalam algumas das indústrias vizinhas? Pois! A verdade é que, com o passar das horas, dos dias e dos anos... acabam por habituar-se e achar aquilo quase “normal”.
É exatamente assim que Portugal reage a Alberto João Jardim. O biltre faz o que lhe apetece, ameaça, incita abertamente à violência, persegue opositores, agride, dá ordens diretamente à Assembleia Regional, desrespeita uma lei atrás da outra... e o mais que lhe acontece é ser dado como maluco.
O estatuto de maluco tem-lhe dado imenso jeito e tem servido às mil maravilhas às “famílias” de ricaços que, desde há muitas gerações, sugam tudo o que a Madeira tem para dar e ainda se sentam à mesa do orçamento da república.
Mesmo assim, o nauseabundo figurão, sente-se incomodado pela possibilidade de os opositores ainda terem oportunidade de dizer alguma coisa, por pouco que seja, que lhe risque o verniz da loucura e faça aparecer o vulgar criminoso que sempre esteve por baixo.
Como se fosse possível sentir-se ameaçado nas próximas eleições, quando o máximo que poderá acontecer-lhe é não ter uma maioria tão esmagadora como é costume, ameaça que abandona a política. Depois, como se não tivesse a certeza absoluta de que qualquer líder de qualquer um dos partidos da oposição vai perder as eleições... desafia-os a terem a coragem de abandonar as suas lideranças... seguindo o seu “exemplo”.
Como se houvesse equilíbrio na luta eleitoral. Como se houvesse jogo limpo. É um biltre!

BIC laranja pra gente fina... BIC cristal pra um roubo normal


E assim se confirma que a “princesa herdeira” Isabel dos Santos fica com o BPN. O seu banco angolano, dirigido pelo seu lacaio português, Mira Amaral, ganharam a corrida (???) para a "compra" do ex-parque de diversões dos amigos e protegidos de Cavaco Silva.
Para além dos milhares de milhões que já lá foram enterrados, ainda vamos ter que puxar os cordões à bolsa para “recapitalizar” o BPN em mais 500 milhões de euros, antes da venda... mas vá lá, que o negócio até não nos correu nada mal, meus amigos! Senão vejamos:
A "princesa herdeira", para além de só ir livrar-se de cerca de metade dos quase 1600 trabalhadores do BPN, ainda nos faz o enorme favor de pagar 40 milhões de euros pela coisa.
Nada mau, portanto! Cheguei a estar convencido de que teríamos de meter vários “empenhos” ao pai da moça, para que a convencesse a ficar com aquilo... mas não. Ela vai pagar 40 milhões!
Passos Coelho e Vítor Gaspar estão de parabéns. Bem podem chamar-lhe um “negócio colossal”!

domingo, 31 de julho de 2011

A trompete – Um post contra as ideias pré concebidas


                    Cliché número um: As trompetes são instrumentos muito barulhentos e com um som irritante.
                    Cliché número dois: As trompetes são tocadas por homens.
Felizmente tem aparecido um bom punhado de trompetistas que se têm encarregado de desfazer o primeiro cliché, a maior parte vindos do jazz... como Chet Baker, ou Winton Marsallis, para falar apenas em dois dos que gosto muito.
Desfazer o segundo cliché é muito mais difícil e raro. Entra então em cena a jovem inglesa Alison Balsom, extraordinária “corneteira”... e como hoje vou aqui deixar três vídeos, opto por cortar na “conversa”.
Direi apenas que se me garantirem ser sempre acordado por “isto”, vou já alistar-me na tropa, onde passarei a dormir sonhando com Debussy e toques de alvorada.
Mais para a tarde, faremos convívios em que a “corneteira” fará coisas loucas, tais como tocar concertos de Vivaldi para violino... transcritos para a trompete.
Depois, à noite, juntamo-nos todos no refeitório, imaginamos que estamos no Royal Albert Hall, acompanhados pela Orquestra Sinfónica da BBC… e pedimos à nossa capitã para fazer a sua imitação da mezzo soprano Sarah Connolly… quando lhe dá para resvalar da ópera para o jazz. Claro que também aqui não passaremos sem a trompete da nossa "corneteira"… e faremos a nossa “guerra” à má música, até que chegue a hora de tocar a alvorada e comece tudo de novo.
Bom domingo!
“Syrinx” – Alison Balsom
(Claude Debussy)




“Concerto para violino em Lá menor” – Alison Balsom
(Antonio Vivaldi)




“They Can't Take That Away from Me” – A. Balsom/Sarah Connolly
(Ira Gershwin/George Gershwin)