segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Sérgio Ribeiro – O homem duplicado *


No passado sábado, numa passagem pela frente de um televisor ligado, reparei que na segunda etapa da Volta, os ciclistas estavam a percorrer os últimos quilómetros até terminarem a subida a uma das “Senhoras” que sinalizam as metas da prova... neste caso, a Senhora da Assunção, em Santo Tirso.
Porque uma das melhores coisas em muitas das provas de ciclismo nacionais, de há uns anos para cá, são os comentários do grande campeão Marco Chagas dos meus 30 anos (e mais)... e era ele quem estava a falar e porque me apercebi de que um dos atletas do grupo da frente era o nosso amigo Sérgio Ribeiro (não sei como é que ele arranja tempo!!!), ali fiquei eu, a ver e a “ajudar”... mas não há bem que sempre dure!
Alguém, responsável pelos grafismos da RTP1, achou por bem dar-me a informação detalhada das características da última subida da etapa, como se pode ver na imagem, informação que eu, recorrendo à tecnologia que permite fazer pausa numa emissão em direto, consegui fotografar:
Inclinação média: 6.2%
Desnível: 470 metros
Longitude: 6300 metros

Longitude é muito bom! Já percebi que continua a grande e eterna confusão sobre se a longitude e a latitude são mais ou menos graus para “cima”, ou para “baixo”, ou para os “lados” (os entendidos dizem norte, sul, este e oeste), quando se está de frente para o planisfério pendurado sobre o quadro da sala de aula; agora chamar “longitude” à distância entre dois pontos, é a primeira vez que ouço.
Claro que isto não é o suficiente para dizer que a RTP está precisar da privatização... mas aqui ou ali, alguma alfabetização viria mesmo a calhar!
E no final, o Sérgio Ribeiro ganhou!
* Desculpa lá, Saramago!

Álvaro Santos Pereira – Mais um singelo contributo...


Morra Marta, morra farta!, bem poderia ser o título deste post... mas longe vá o agouro! A jovem, bonita e, pelos vistos, esfuziantemente talentosa Marta Neves, tem toda a vida pela frente e não passa de uma peça na engrenagem. Uma peça de luxo, convenhamos... mas não mais do que uma peça.
Vamos ao assunto. Seria fatal como o destino, que o “neoliberal-paspalhão” importado do Canadá para tomar conta do ministério da economia (e de mais não sei quantos), depois de ter sido o primeiro a vociferar histérica e teatralmente, numa ridícula intervenção em plena Assembleia da República, contra os gastos e a «ostentação» que encontrou nos seus gabinetes, se revelasse não só o campeão das nomeações que o “poupadinho” governo de Passos Coelho já fez em meia dúzia de dias (mais de quatrocentas, além dos, até agora, 51 "especialistas")... ainda consegue ser o autor das contratações mais espectaculares.
Como se não bastasse a contratação da “Super-Marta”, por mais de 5000 euros mensais, para sua chefe de gabinete, já lhe arranjou a companhia de mais dois assessores... mas com ordenados de directores-gerais.
Para além da situação caricata que esta desfaçatez que vem criar nos diversos serviços públicos, onde muitas centenas de pessoas são tão ou mais competentes que estes seus “Super-Amigos”, mas nem por isso podendo sonhar com os ordenados destes, no fundo, esta estória mostra a arrogância e a atitude de puro saque e total impunidade com que este gang tomou conta da máquina do Governo. A coberto da apregoada inevitabilidade de tudo e do seu contrário e ao abrigo do imenso “guarda-chuva” da troika e das suas exigências, estes canalhas vão roubar tudo o que puderem, no menor espaço de tempo e pagando muito bem aos colaboradores (aqui o nome é mesmo colaboradores) que os ajudarem no assalto.
As carantonhas que encena para vender as suas “ideias”, tal como o sumo da argumentação com que as defende, ajudam a confirmar uma das minhas antigas convicções: um idiota, mesmo carregado de cursos, diplomas e doutoramentos... é aquilo que é. Neste caso, desgraçadamente, isso não o torna menos perigoso.
Seja como for, sempre na linha da minha proverbial caridade quase tipo cristã, dou-lhe um ajuda para custear as despesas do gabinete, contribuindo com a sugestão de um grande “patrocinador oficial” de que ele, por ter vivido no estrangeiro e não ver a nossa televisão, talvez nunca se lembrasse.
Façam o exercício. Imaginem o potencial publicitário resultante do facto de sempre que alguém telefonasse para o ministério e para o gabinete de sua excelência o ministro da economia (e de mais não sei o quê), Álvaro Santos Pereira, ouvir do outro lado:
“Ok, Ministério da Economia. Daqui fala a Marta.”

domingo, 7 de agosto de 2011

Oração - A banda mais bonita da cidade - Tudo tão simples...



Oração
(Leo Fressato)

Meu amor essa é a última oração
Pra salvar seu coração
Coração não é tão simples quanto pensa
Nele cabe o que não cabe na despensa

Cabe o meu amor!
Cabem três vidas inteiras
Cabe uma penteadeira
Cabe nós dois

Cabe até o meu amor, essa é a última oração... ...

Perguntar-se-ia: então e isto dá para fazer uma canção? Claro que dá! Se for imaginada ao jeito e balanço do Brasil... pode mesmo dar uma daquelas canções intermináveis, contagiantes...

Seja como for, o que está em causa no vídeo de hoje não é a canção, mas sim o vídeo propriamente dito. Trata-se de uma exibição exuberante de criatividade. Daquelas em que o talento se veste daquela simplicidade quase no limite da (boa) provocação, tal o rigor, tal o trabalho, tal o planeamento e a execução milimétrica que este aparente simples divertimento de amigos implicou.

Nesta demonstração de arte que não precisou de um orçamento milionário para ver a luz do dia, tudo acontece quando deve acontecer, numa espécie de corrente de ideias em que ninguém está a mais, em que, como cantou o Zeca, “cada um com seu tijolo” faz parte da construção. “Isto aqui era uma orquestra... quem diz o contrário é tolo”.

Decidiram chamar-se “A banda mais bonita da cidade”. E porque não? São uma bela inspiração para quase tudo o que devemos fazer na vida: bem feito, sem ostentação gratuita, rodeados de amigos, com alegria... e no tempo certo.

Bom domingo!

“Oração” – A banda mais bonita da cidade
(Leo Fressato)



sábado, 6 de agosto de 2011

Enola Gay, Hiroshima (e Nagasaki), 66 anos


Enola Gay foi o nome com que os norte-americanos baptizaram o bombardeiro que utilizaram para cometer, no dia 6 de Agosto de 1945, o mais hediondo crime da sua curta mas intensa História de violência contra os povos do planeta. Um crime que ainda hoje faz vítimas, sessenta e seis anos passados sobre os bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki. Um crime de que muitos continuam a orgulhar-se.
Não tinham, então, aprendido nada, desde a chacina dos nativos americanos, massacrados aos milhões na sua própria terra.
Não aprenderam nada, até hoje, como quase todos os dias nos mostram as notícias.
Não há limites de abjeção para aquilo que, desde a fundação daquele império, um punhado de criminosos multimilionários consideram ser a defesa dos seus interesses, mascarados de patrioteirismo acéfalo, ignorante, fanático e religioso.

Não sou desta gente! Pertenço aos outros...


Se eu estivesse de visita a uma pequena empresa ou escritório de um conhecido e se, logo a abrir a visita, chegasse a notícia de que uma trabalhadora desse local se tinha aí mesmo suicidado... eu cancelaria a visita, sem mais argumentações ou desculpas. O ano tem 365 dias e a vida muitos anos... mas a morte é apenas um momento. Um momento breve e único. Tal como a oportunidade de mostrar o respeito que esse momento exige.
Deve ser por isso que eu não tive, não tenho e nunca terei aquilo que é preciso para ser super-chefe de cobranças das Finanças, pago a peso de ouro, ou, logo a seguir, ministro do negócio da saúde.
Pertenço aos outros! Aqueles que acham que tentar ajudar “os pobres” com mais 11 euros por mês, num programa “social” que tem por sigla PES (Programa de Emergência Social), para além da evidente demagogia, não passa de uma amarga ironia... já que é exactamente com os pés que sucessivos governos têm tratado aqueles a quem chamam “os pobres”, ou “desfavorecidos”, quando têm sido as suas miseráveis políticas, ao longo dos últimos 35 anos de rotativismo partidário, a lançá-los para a pobreza.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Governo Passos Portas – Aperta-se o cerco


Leio que o governo vai estudar portagens à entrada das cidades. Independentemente de a notícia ser ou não verdadeira, devo dizer que em abstrato e em condições ideais, seria mais uma forma de “convencer” os automobilistas inveterados a optarem tendencialmente pelos transportes públicos nas suas deslocações aos grandes centros. Seria uma forma de preservação do ambiente e da qualidade de vida nas cidades, poupança de combustíveis, diminuição das emissões poluentes para a atmosfera, etc. É uma ideia discutível...
Mas assim, em Portugal e agora, exatamente quando o governo neoliberal de Passos e Portas aumentou selvaticamente os preços dos poucos transportes públicos disponíveis, que mesmo antes dos aumentos já não eram grande alternativa ao transporte individual... a medida não serviria nenhum objectivo que não fosse o continuado assalto aos bolsos dos cidadãos.
Perante tal profusão de taxas, taxinhas, portagens e derivados, pergunto-me se não seria mais prático colocar “portagens” nas portas dos prédios. As várias entradas e saídas, ou, pelo menos, uma de manhã e outra ao fim da tarde, seriam contabilizadas e descontadas no ordenado ou na pensão de reforma...
É melhor não me pôr aqui a dar ideias... mas fica – se ainda fosse necessária – a confirmação de que o neoliberal é um indivíduo que não tendo a menor noção de serviço público, tem, em contrapartida, total à-vontade e descaramento para servir-se em público.

FMI – Já faltou mais...



Pouquíssimo tempo depois de substituir Dominique Strauss-Kahn na cadeira de presidente do FMI, por este estar a braços com uma grande embrulhada de contornos muito mal contados, para onde foi arrastado pela sua reconhecida “ciguêra” sexual por tudo o que se mexa... agora é a vez de Christine Lagarde vir a ter, muito provavelmente, um encontro imediato e desagradável com a justiça francesa, por mor de uns dinheiros públicos que, alegadamente, seguiram por caminhos errados... e o que mais se verá.
Se esta tendência para a asneira e a alta rotatividade dos presidentes do FMI de tornar num padrão... quer dizer que ainda há esperança para a nossa ladina Fátima Felgueiras e para o sempre “isaltinante” Morais... entre outros.
Na dúvida, devem manter-se sempre contactáveis. Já faltou mais...