sábado, 4 de fevereiro de 2012

Monarquia - A corte diverte-se...


A crise, a falta de dimensão política, humana e cultural das figuras que estão no poder (desde há bastantes anos) e o alento que lhes foi dado pela burrada do cancelamento do feriado do 5 de Outubro, tirada da cartola por este governo manhoso... tudo junto e amalgamado, resultou numa grande ondinha de entusiasmo monárquico, evolvendo alguns famosos. Dizem eles que «Portugal precisa de um rei».
A ver pela excitação assaz fervorosa e tremelicante que reina - para citar apenas um – no blog dos ultra-reacionários do “31 da armada”, consigo imaginar a estirpe de monarquia que por aí viria. Estão, no entanto, no seu direito...
Mesmo assim (também no meu direito), considerando as aparições e declarações públicas do putativo Rei, não sei se será mesmo a monarquia que está a precisar de “restauro”... ou se é o próprio “Rei”.
Mais ainda... sabem os deuses todos do Olimpo que eu não entendo nada de poker, aliás, sou uma nulidade em todos os jogos com cartas... mas não acham que um rei é francamente poucochinho?

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Isaltino – Apanhem-no à falsa fé, porra!



Enquanto vão sendo interpostos recursos dos recursos dos recursos, de sentenças proferidas e a proferir, transitadas em julgado ou a transitar... o inenarrável Isaltino Morais vai folgando.
Os seus advogados já nem pretendem negar os seus crimes. Limitam-se à táctica vergonhosa de alegar que estes ocorreram há já muito tempo... e pedem, desavergonhadamente, a sua prescrição.
O Ministério Público tenta, por estes dias, mais uma chance de o caçar, desta vez por mais um crime de fraude fiscal. Desconfio que, no pé em que as coisas estão, mais depressa o apanharão por fumar o seu charuto num qualquer lugar proibido.
Seja como for e estando longe de querer ensinar o ofício ao MP, ou à Judiciária... não estaria na altura de fazer chegar ao seu "convívio" um agente infiltrado que o convencesse a beber uns copos e ir ao Pingo Doce roubar um pedacito de polvo e um champô?
É que a coisa nunca falha! Dá condenação certa!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Custe o que custar


O multimilionário empresário norte-americano e ex-governador do estado de Massachusetts, Mitt Romney, por enquanto o mais bem colocado para ganhar o lugar de “opositor” de Obama, concorrendo pelo Partido Republicano, declarou publicamente: «não estou preocupado com a situação dos mais pobres».
Para além de não estar nada preocupado, também, com os mais ricos (como ele), «pois esses estão muito bem», explicou que a sua falta de “preocupação" com os muitos milhões de pobres do seu país, se deve ao facto de eles já terem assistência... em senhas para comida e assim...
Genial!!!
Imagino o brilho nos olhos dos nossos neoliberais de aviário, Passos, Gaspar, Álvaro e seus ajudantes, sonhando com o dia em que possam, às claras, dizer o mesmo. Sonhando com o dia em que os últimos vestígios de vergonha lhes abandonem de vez as caras. Sonhando com o dia em que não receiem que, ao dizer uma coisa como esta, ainda haja alguém que lhes dê com um gato morto nas trombas... até o gato miar. «Custe o que custar!»

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pinto Monteiro – Bem antes pelo contrário...


O Procurador Geral da República, Dr. Pinto Monteiro, procurou causar um belo efeito geral na República, pedindo «distância entre a Justiça e a Política».
Assim, de repente e na generalidade, até dou razão ao senhor Procurador... mas, nalguns casos, infelizmente, sou obrigado a discordar dele.
Na verdade, acho que muitos políticos, uns ainda no activo, outros já regressados às suas vidinhas, deviam estar muitíssimo mais “próximos” da Justiça. Para ser mais exacto, o que quero dizer é que deviam estar presos!!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O Presidente e a austeridade... ou a estupidez manobrista


Estamos a ser subjugados pela tirania do capital sem rosto ou pátria, esmagados por um verdadeiro “fascismo económico”. Os lacaios que os tiranos têm ao seu serviço, fingindo que estão ao serviço de Portugal e dos portugueses, pertencem à estirpe dos que se orgulham de fazer mais do que lhes é exigido. De infligir ao povo mais sacrifícios do que aqueles que foram impostos pelos tiranos. São os verdadeiros eunucos que, como bem cantava o Zeca, “não matam os tiranos, pedem mais”.
Para manterem os tiranos mais ou menos calmos, estes eunucos têm, obrigatoriamente, que fazer de conta que tudo está a correr na maior concórdia, santa paz (ainda que podre) e unânime aceitação.
Eis senão quando, por pura indigência intelectual e política, o “pastel de Belém” saiu-se com aquela desastrosa declaração sobre a sua reforma de miséria... declaração com que conseguiu ofender alguns milhões de portugueses. Na sequência, experimentou a sensação de ser vaiado em plena rua e reduziu drasticamente as aparições em público.
Entram então em cena os “geniais” assessores de Cavaco. Dando de barato que Cavaco foi um dos impulsionadores do acordo com a “troika”, um dos apoiantes do Orçamento de Estado e empenhado “contribuinte” para o acordo de “concertação” dos patrões e da UGT... decidiram que a melhor forma de voltar a dar-lhe um lustro de “boa pessoa”, tentando apagar a figura de egoísta, interesseiro e oportunista que se revelou com as suas declarações desastrosas... era dar a ideia de que o Presidente (apoiado por alguns misteriosos cavaquistas) está contra a austeridade e o ultraliberalismo... particularmente, contra o ministro das Finanças.
Conseguiram deixar à beira de um ataque de nervos toda a corte do centrão... desde Marcelo Rebelo de Sousa, até ao jovem "defunto" Seguro. Claro que para a coreografia da farsa ficar completa, já tivemos, entretanto, direito ao "ofendido" desmentido da Casa Civil de Cavaco Silva.
Manobra bacoca! Já sabíamos que entre os assessores de Cavaco tem havido de tudo: trafulhas, vigaristas, oportunistas, ladrões... ficamos a saber que também podem ser estúpidos como portas!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eu não quero o que tu queres, que eu sou doutra condição *


A “panzer” Merkel sonha com o dia em que consiga, oficialmente, instalar em cada país europeu um comissário ao serviço da Alemanha, forçando e garantindo orçamentos “nacionais” que sejam inteiramente favoráveis aos seus interesses e incondicionalmente subservientes para com o seu poder.
Passeia-se por onde muito bem lhe apetece, pesadamente, dando ordens, deixando atrás de si o trilho das imponentes “lagartas”. Agora decidiu interferir abertamente na campanha presidencial francesa, apoiando o seu “pequeno” aliado Sarkozy que, valha a verdade, já antes lhe tinha prestado o mesmo serviço.
Perante esta consolidação do poderio dos dois grandes lacaios do capital sem pátria na Europa, Sarkozy e Merkel, que fazem os restantes pequenos lacaios, sentados nas cadeiras governamentais da UE? Uns, como Passos Coelho, já nem se dão ao trabalho de levantar as calças e endireitar as costas. Outros, muito raros, ensaiam tímidas encenações de “revolta”... que acabam, recorrentemente, em capitulação. Foi assim na Irlanda, foi assim na Grécia. Aí estão as repetições. Tanto num país, como no outro, governantes comprometidos até ao pescoço com esta política, em discurso para consumo interno, clamam pela sua soberania ameaçada, quais virgens no meio de um bordel.
Todos estes “pequenos” estados, Espanha, Itália, Grécia, Irlanda, Portugal... poderiam, em vez de fazer de conta que não se conhecem, repetindo como um mantra, “os outros é que estão mal”, juntar-se à volta de uma mesa e ensaiar em uníssono um berro bem em cheio na cara da “panzer” Merkel e dos omnipresentes e eternamente nervosos mercados. Mas não!
Há, para além da pequenez e da cumplicidade com esta política de agressão aos povos, pelo menos duas características que unem os políticos que o grande capital tem à frente dos países da UE: o egoísmo e a cobardia.
Seja como for... esta minha “conversa” é mera retórica, já que nunca sairemos deste lamaçal com os mesmos governantes e as mesmas políticas que nos atascaram nele!


* Do refrão da cantiga “Uns vão bem e outros mal”, do Fausto... que é sempre bom voltar a ouvir.


domingo, 29 de janeiro de 2012

Midori Goto – Orelhas moucas...


Fui “atingido”, ou melhor, cá em casa fomos “atingidos” pela violinista japonesa Midori há muitos anos... a década de oitenta do século vinte ia ainda a meio e ela era uma criança de pouco mais de catorze anos. O efeito persiste até hoje.
Sempre que a vejo tocar, dá-me para imaginar o pesadelo que deve ter sido a vida da sua primeira professora de violino:
- Menina... uma violinista deve manter-se numa pose elegante!
- Então, Midori! Não toque com as pernas abertas, valha-nos Buda!
- Não toque curvada e a olhar para o chão! Pensa o quê? Que é o Miles Davis?!
- Ó menina! Pare quieta, たわごと!!!
Acham que tanta amofinação e cuidado resultaram? Nada! A tudo fez orelhas moucas... era um caso verdadeiramente perdido. Fulminante!
Bom domingo!
Tchaikovsky – “Concerto para violino” (1º mov.) – Midori
(Pyotr Ilich Tchaikovsky)