quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Maria Keil



Esta senhora bonita é a nossa amiga Maria Keil, artista plástica.
Em 1941, via-se a si própria desta maneira.

Maria Keil (gosta que a tratem apenas por Maria) nasceu na cidade de Silves, em 1914. Partilhou a maior parte da sua vida com o arquitecto Francisco Keil do Amaral, com quem se casou, muito jovem, em 1933.
De lá para cá fez milhares de coisas, sobretudo ilustrações, que se podem encontrar em revistas como a “Seara Nova”, livros para adultos e “toneladas” de livros infantis, os de Matilde Rosa Araújo, por exemplo, são em grande quantidade. Está quase a chegar aos 100 anos de idade de uma vida cheia, que nos primeiros tempos teve alguns “sobressaltos”, umas proibições de quadros aqui, uma prisão pela PIDE, ali... as coisas normais para um certo “tipo de pessoas” no tempo do fascismo.

Para esta “história”, no entanto, o que me interessa são os seus azulejos. São aos milhares, em painéis monumentais, espalhados por variadíssimos locais. Uma das maiores contribuições de Maria Keil para a azulejaria lisboeta, foi exactamente para o Metropolitano de Lisboa. Para fugir ao figurativo, que não era o desejado pelos arquitectos do Metro, a Maria Keil partiu para o apuramento das formas geométricas que conseguiram, pelo uso da cor e génio da artista, quebrar a monotonia cinzenta das galerias de cimento armado das primeiras 19, sim, dezanove estações de Metropolitano. Como o marido estava ligado aos trabalhos de arquitectura das estações e conhecendo a fatal “falta de verba” que se fazia sentir, o Metro lá teve de pagar os azulejos, em grande parte fabricados na famosa fábrica de cerâmica “Viúva Lamego”, mas o trabalho insano da criação e pintura dos painéis... ficou de borla. Exactamente! Maria Keil decidiu oferecer o seu enorme trabalho à cidade de Lisboa e ao seu “jovem” Metropolitano.
Estes pormenores das estações do “Intendente” (1966) e “Restauradores” (1959), são bons exemplos.




Parêntesis: Qualquer alteração na “Gare do Oriente” do Arq. Calatrava, ou nas Torres das Amoreiras, do Arq. Tomás Taveira, só a título de exemplo, têm de ser encomendadas ao arquitecto que as fez e mesmo assim, ele pode recusar-se a alterar a sua obra original. Se os donos da obra avançarem para a alteração sem o acordo do autor, podem ter por garantido um belo processo em tribunal, que acabará numa “salgada” indemnização ao autor.

Finalmente, a história! Recentemente a Metro de Lisboa decidiu remodelar, modernizar, ampliar, etc, várias das estações mais antigas e não foram de modas. Avançaram para as paredes e sem dizer água vai, picaram-nas sem se dar ao trabalho de (antes) retirar os painéis de azulejos, ou ao incómodo de dar uma palavra que fosse à autora dos ditos. Mais tarde, depois da obra irremediavelmente destruída, alguém se encarregaria de apresentar umas desculpas esfarrapadas e “compreender” a tristeza da artista.
A parte “realmente boa” desta (já longa) história é que ao contrário de quase todos os arquitectos, engenheiros, escultores, pintores e quem quer que seja que veja uma sua obra pública alterada ou destruída sem o seu consentimento, Maria Keil não tem direito a qualquer indemnização.
Perguntam vocês “porquê, Samuel?” e eu tão aparvalhado como vós, “Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!

Este país, por vezes consegue ser “ainda mais extraordinário” do que que é o seu costume! Ou não?

Fontes usadas para as imagens, o Google. Para a história, o blog "As causas da Júlia", seguindo uma pista da minha amiga Isabel, que já deu cartas na "cultura" autárquica aqui no burgo.

51 comentários:

Sal disse...

Eu precisava de lêr isto antes de me ir deitar? Precisava?
Para a próxima leio os teus posts de manhã. Sempre evito ir para a cama a vociferar contra este %$#"%&&$"/%$### deste paízito da treta onde moro.

bjs

Maria disse...

Já tinha lido há dois ou três dias "As causas da Júlia".
Este país jánão me espanta, nesta país já nada me espanta... NADA!

Abreijos

Crixus disse...

Esses juristas são realmente muito bons. Esta história é ainda mais mais extraordinaria que as que normalmente lemos no Cantigueiro

Anónimo disse...

isto seria mesmo para rir se não fosse trágico. Bem dizia um outro jurista que o Direito tem por objectivo defender os criminosos.

ferroadas disse...

Palavras para quê, é Portugal no seu melhor, ou será no pior...

Abraço

Isamar disse...

Fiquei sem palavras! Se é possível, à luz da lei, fazer uma coisa destas, nunca deveria ser possível à luz do coração.Enorme ingratidão!

Beijinhos

Anónimo disse...

Isto deve-se à mistura da qual derivamos;uns têm mais de Fenícios outros de Gregos e outros ainda de Vandalos, que continuam a vandalizar a seu belo prazer.
Este é o Pais que a maioria dos portugueses merece, porque a minoria não quer, e bem que merecia um País melhor,
Bate-lhes com força companheiro, pode ser que um dia eles tenham vergonha!
Abraço

Ana Camarra disse...

Samuel

Mais um exemplo exemplar (desculpa a redundancia mas é propositada) do xico espertismo que arranja forma dentro daquilo que é a generosidade de uma artista para com o seu povo.
Maria é um grande exemplo de dignidade.

beijos

Anónimo disse...

Pérolas a porcos... embora me surpreenda que o Direito de Autor possa ser contornado apenas com base no facto de a obra ter sido cedida gratuitamente. Não sou jurista, mas do pouco que sei sobre o Direito de Autor é que este é inalienável, i.e. o facto de a obra ser vendida não permite que o seu proprietário a altere ou destrua sem o consentimento do autor. Trata-se de um direito moral e não de propriedade.

Sugestão para todos os que acham isto inadmissível: enviem as vossas queixas para o Metropolitano de Lisboa e para a Câmara Municipal. Umas queixas dirigidas aos partidos políticos e aos deputados também podem ajudar. Não deixar passar em branco!

o castendo disse...

Acção inqualificável (para manter o nível e não escrever palavrões...)

QC disse...

Como compreendo.
A Delta Cafés anda A fazer uma Vistarola com o projecto que lhes enviei para celebrar a Poesia e a Língua Portuguesa e que acabou ROUBADO. Ainda hoje canaliza recursos para si ( Delta) que deveriam ser para a POESIA, a mais pobre das artes.
Grande País! Uma EMPRESA RICA A ROUBAR A POESIA, A DESVIAR PARA SI OS RECURSOS DA POESIA.

OU Achavam que os Pacotes de Açúcar era coisa da inteligência daquela gente?? ( Já agora, a NICOLA TB Roubou o Projecto! Com a diferença qe não faz dinheiro com ele). É! Este País tem Gente Muito Séria e Honesta ...!
PS,: Quando contactei os jornalistas e Jornais todos se calaram, claro.

Sérgio Ribeiro disse...

Samuel, estás a perder a tua inestimável qualidade de me fazer sorrir ou até rir? Não! A culpa não é tua mas o que achas (e muito bem!) que aqui deves trazer não dá para qualquer espécie de humor. Esta história da Maria Keil é... repugnante!
Bom... para recuperar, digo-te que me vieste dar umas pistas para umas buscas em que andava.
Bi-Obrigado

Júlia Coutinho disse...

Querido Samuel, sinto-me muito honrada com a tua visita e venho agradecer a visibilidade que conseguiste dar a este caso. O meu blog é pouco conhecido e tem poucas visitas.
A Maria Keil merece.
Obrigada.

Fernando Samuel disse...

Eis um exemplo concreto do estado a qu'isto chegou...
E esperemos por coisas ainda «mais extraordinárias» - porque a estupidez, a imbecilidade, a boçalidade, a incultura desta gentalha supera-se a si própria todos os dias.

Um abraço.

Fernando Samuel disse...

Volto para deixar este poema do José Gomes Ferreira:

«Há lá renda que se assemelhe
a este tecido de árvores no Ar...
(Hei-de pedir à Maria Keil
para as pintar.

Árvores do Jardim do Aqueduto
sem flor nem fruto,
sem nada de seu...

ó este azul de pássaros a cantar
que vai da terra ao céu.»

samuel disse...

Júlia

Dexemo-nos de "honras e agradecimentos"... :)))
Numa coisa está absolutamente certa: a Maria Keil, merece!
Vamo-nos lendo, então.

Abreijos

samuel disse...

Fernando Samuel

Ainda bem que voltaste... com estes versos na bagagem.
A arte das "Marias Keil", pérolas como este poema do Zé Gomes e mais uma mar de coisas a que infelizmente poucos dão atenção é que são realmente as mais valias deste país... mas isso "eles não sabem nem sonham!"

Grande abraço

samuel disse...

Júlia

É evidente que queria ter escrito "estás" em vez de "está".
É assim que se começa... a tratar por "você", a seguir começa-se a dizer "pecébe?" e acaba-se a dar uma espécie de beijinho, a dez centímetros da cara e só de um lado. Livra!...

Abreijos

Leiria em Cuecas disse...

Santana Lopes, o da cultura, fez escola, e trouxe amigos.
São burros, maus e agarram-se às cadeiras como fungos.
Que cheiro a chulé, meus deuses!!

NC disse...

Apesar de concordar que a destruição dos azulejos foi uma atrocidade. Não entendo qual o fundamento para defender o pagamento de uma indemnização. Pode clarificar?

samuel disse...

Caro Tarzan

Não, não posso. Para isso teria de ser jurista, especializado em Direito de Autor, coisa que na verdade nem sequer tenho pena de não ser...
Mas já que os autores, arquitectos, engenheiros e outros, que muito justamente cobram pelas suas criações, têm (e bem) o direito de ver protegida para o futuro a integridade dessas obras, por que retorcida razão há-de outro criador, que por qualquer razão resolveu não cobrar o seu trabalho, ser privado desse direito?

Saudações

Elvira Carvalho disse...

Fiquei espantada. Nos meus 60 anos de vida já assisti a muita coisa, mas esta não lembra ao diabo. Quer dizer que aquilo que é oferecido ao País pode ser destruído sem problemas, só porque foi oferecido?
Um abraço

Anónimo disse...

Na revista do Expresso de 9 de Novembro de 2002, com o subtítulo “O que a vida me ensinou”, Valdemar Cruz publicava um depoimento de Maria Keil.

Quero deixar aqui um excerto desse depoimento:

Estive presa em Caxias, porque isto era tudo exagerado. Fomos 50 pessoas ao aeroporto esperar D. Maria Lamas, que vinha de um congresso da Paz. Parece que era um crime terrível. Assim que o avião parou, as pessoas que estavam à espera dela foram para Caxias. Havia lá mulheres completamente isoladas, mas sabíamos muito bem o que lhes faziam. É uma coisa horrível. Aquela gente não merecia o mais pequeno respeito. Aquilo marcou-me, porque entrei no sítio e vi as coisas como elas eram. Há coisas que passaram por mim, das quais já não me lembro. Mas há sempre memórias que ficam, como o 25 de Abril. O meu marido estava muito mal. Morreu no ano seguinte. Morávamos junto à Casa da Moeda. Eu só via o que se avistava da janela. Era uma coisa linda. Tive tanta pena de não poder ir para a rua. Nesse dia, fui comprar um cravo. Coloquei-o numa jarra junto ao meu marido. No final do dia estavam lá mais de 70 cravos. Tanta gente que lá passou. Ele dizia para o José Gomes Ferreira: «Eu vi, eu ainda vi.»

Justine disse...

Vergonhoso, tudo isto. E estou tão engasgada que não sou capaz de dizer mais nada. Vou é ter pesadelos...

Lúcia disse...

Juristas bons?! Uma m... de juristas! Mas, para memória futura ficará a Keil,a sua obra e o seu desprendimento. Os outros - não ficam para memória, nem seuqer futura. Imoral!
Beijos

Anónimo disse...

Se este post do Samuel tem contribuido para demonstrar a nossa capacidade de indignação, o da Júlia contribui para o melhor conhecimeno da figura e da obra da Maria (Keil), e lhe transmitir o nosso carinho e a nossa admiração pela obra e pela sua verticalidade.
Felizmente os dois objectivos estão a ser cumpridos pela divulgação em cadeia obtida.
Parabéns aos dois.

Contudo duas reflexões se levantam:

Uma a de que muitos dos artistas plásticos no perído final da ditadura e no início do período democrático fizeram várias obras de grande qualidade, para serem expostas nos espaços públicos, sem receberem qualquer contrapartida. Esta atitude (hoje cada vez mais rara) faz-nos reflectir...

Outra a de que infelizmente em"alguns" casos essas obras tiveram o mesmo destino que os azulejos de Maria (embora neste caso façam parte da História do Azulejo em Portugal e da Arte Portuguesa do séc.XX).

Um dos casos, se ainda existem algumas peças residuais, até se encontra ou encontrava no armazém da autarquia do burgo onde Samuel reside. Apesar de todas as promessas feitas, ao Rogério Ribeiro, de voltar a colocar em lugar digno, e dos esforços dos nossos amigos do Convento.

Estas"reflexões" levam-me a concluir de que as atitudes de destruição infelizmente existem de uma forma mais generalizada na sociedade portuguesa.

Será que para os cidadãos o contributo para a nossa História e Cultura como Povo está nos Centros Comerciais?

Infelizmente a Escola e os meios de Comunicação não ajudam a inverter este caminho.

Mas cada um de nós continua a intervir como e onde tem condições. Vejam o caso do projecto da Oficina do Canto da Maria, em que a entrega e empenho é admirável, e as crianças só querem o carinho e ternura da Maria (do Amparo) para lhes ensinar a cantar e descobrir novos mundos...

É de pequenino que se ganha a "sensibilidade".

Um abraço para todos, e desculpem a longura..

Isabel

Anónimo disse...

Isto não é um país é um covil de malfeitores.

G. Caín disse...

E eu que pensava que o descaso com o patrimônio histórico-cultural era coisa que só acontecia aqui no Brasil. A administração do Metropolitano de Lisboa iria adorar trabalhar aqui. Poderia fazer tudo como entender sem ao menos ser denunciado. Excelente postagem, mereceu uma citação no meu blogue.

G. Caín disse...

Samuel, desculpe-me pelo erro. Antes mesmo de ler sua postagem já percebi a gafe e corrigi. Olha, todo domingo presto uma homenagem ao blogue que publicou o melhor post da semana, o seu está entre os cogitados para receber a homenagem. Grande abraço meu amigo!

Luís disse...

Tudo o que neste post é contado é repugnante. Não há um processo simples de mostrar a Maria Keil que há quem considere tudo isto inaceitável?

Anónimo disse...

Acabei de vomitar! Isto não são histórias que me façam bem á saúde! Cada vez percebo menos desta terra! Então agora o vandalismo já é defendido por juristas? Então agora uma Empresa Pública (meu rico dinheirinho!!!) dá-se ao luxo de destyruir o Património artístico, que é de todos nós?
Digam-me qual é a estrada mais curta para Espanha!

Anónimo disse...

Incrível, mas o pior é que, infelizmente, já não nos espanta! Há pouco fizeram o mesmo com um painel de azulejos do mestre Querubim Lapa, numa escola, e há mais, muito mais… (penso também em sobreiros, laranjais, amendoeiras e alfarrobeiras, limoeiros, azinheiras e oliveiras… – na constante degradação da paisagem... Entre, por um lado, a destruição do litoral e dos seus ecossistemas e, por outro, a desertificação do interior…

Quem eu conheci que privava com a Maria Keil era a ti Maria Cecília Correia, mãe de uma amiga minha de juventude (escreveu livros infantis ilustrados por ela), que me falava também dos seus encontros com a D. Ana de Castro Osório, os amigos Maria Violante e o Prof. Agostinho (da Silva)…

Para além da destruição que todos lamentamos, há também nesta triste notícia uma lição essencial para nossa reflexão: contra os apóstolos do dinheirismo triunfante, a gratuidade da arte e da vida, do amor, da amizade e da aprendizagem… terá sempre um carácter profundamente subversivo...

Maio

Anónimo disse...

E a biblioteca com o nome dela na alta de lisboa que faz raiva de tao mau aspecto.
o que tera feito esta mulher pra semelhante tratamento?
ser genial? generosa?

NC disse...

Caro samuel,

a minha dúvida (e ignorância) é a de saber se os direitos dos autores de obras arte/arquitectónicas são consagrados à partida na lei, ou se para o efeito têm de ser contratualizados. Essa questão é independente do facto da obra ter sido paga ou não.

Não sou jurista (nem tenho pena de não ser) mas o meu senso comum diz-me que, paga ou não, a obra já não é propriedade do autor. Logo, o único eventual lesado na destruição dessa obra só pode ser o proprietário da obra. Se o autor quiser manter um direito de opção sobre a obra este deverá ser contratualizado (acho que é isso que acontece actualmente em prédios modernos - quem quiser fazer alguma alteração tem de pedir autorização ao arquitecto original) e isso independentemente da obra ter sido doada ou vendida. Não havendo nada na lei geral que proteja automatica e permanentemente o autor da obra (dando-lhe de certa forma um direito de propriedade quase vitalício) ou classifique a obra como património de interesse público, o proprietário desta tem o direito de fazer o que lhe apetecer com ela (concorde-se ou não).

Não defendo que se cometam barbaridades com o nosso património. Defendo é que haja regras claras que ajudem a evitar barbaridades semelhantes no futuro.

Anónimo disse...

Não sei se deva rir ou chorar... Anda este país a louvar artista da treta (digo logo, actorzecos tipo Rita Pereira, que recebem fortunas) e depois os verdadeiros artistas, aqueles que devem ser admirados e homenageados são tratados desta forma. Alguém que oferece o seu belíssimo trabalho, algo que fez com toda a dedicação, merecia mais respeito. Haja vergonha! Haja respeito pelo trabalho dos verdadeiros artistas portugueses! Pintores, escultores, escritores, o que for.... Mas haja respeito!

Anónimo disse...

Se tudo é como dizem, os atrasados que destruíram ou mandaram destruir os azulejos deviam ser responsabilizados. Deviam ter perguntado à dadora se os queria de volta ou se podiam colocá-los noutro lugar. Quanto à indemnização, haja juízo! Não há lugar para a Maria K nem para ninguém em condição semelhante porque se tratava de uma doação incondicional. Além do mais a senhora é podre de rica! E como se tudo isto não chegasse, o Metro é uma empresa deficitária (como é normal) e do Estado. É uma E.P. nacionalizada em 1975. Se não tivesse sido nacionalizada quem pagaria a indemnização eram os antigos donos. Como foi, quem pagaria seríamos todos NÓS! Comparar com as Amoreiras e a G. Oriente não tem pés nem cabeça. Uma é privada e outra foi paga pela UE. Se os arquitectos puseram condições estavam no seu direito. Eu faço o mesmo com algumas coisas que faço. E vocês?

Anónimo disse...

E se alguma vez na minha vida eu ficar famosa...
NEM UMA CÔDEA DE PÃO BOLORENTO PARA PORTUGAL!!!
Sandra Costa

Anónimo disse...

Já agora... parece que a doação fazia parte do projecto apresentado a concurso pelo marido para a estação do Metro. Projecto esse que foi vencedor e pago, claro...

Anónimo disse...

in "Correio da Manhã"

28 Agosto 2008 - 01h32
Artes Plásticas: 'Menina dos Azulejos’ já tem 94 anos
Maria Keil de volta ao metro em 2009
Maria Keil, 94 anos feitos este mês, ficou conhecida como ‘a menina dos azulejos’. Pioneira na Arte no Metro, reage à destruição parcial da sua obra em nome do melhoramento da rede com uma serenidade que diz ser o seu maior e melhor trabalho. "Não havia noção nem intenção de destruir, o que havia era ignorância, mas só aconteceu nos Restauradores", recorda.

São estações da exclusiva intervenção de Maria Keil: Praça de Espanha, Intendente, Areeiro, Arroios e S. Sebastião. Nesta última há inéditos em armazém que só esperam a conclusão da Linha Vermelha para ocupar o seu lugar de direito, já em 2009, pelos 50 anos do Metropolitano.

'Era um material barato que resolvia o problema do meu marido, Francisco Keil, arquitecto do metro, que não se conformava com tanto cimento cru. A opção pelo azulejo de padrão vem daí e não da proibição do figurativo. O que faltava em dinheiro sobrava em boa vontade e ninguém devia nada a ninguém', conta.

‘Era assim que se usava’ é expressão recorrente para explicar um tempo de que não guarda saudade. Hiperactiva e multifacetada, inquirida sobre o seu maior feito, desarma: 'Respeitar quem se dá ao respeito. E eu tenho por mim um profundo respeito, o que não exclui a humildade, coisa que se aprende com a vida e que não é fácil, mas que vale a pena.'

'ACABARAM?'

Sobre o trabalho de 1958 na estação dos Restauradores, o único que não foi possível poupar segundo fonte do Metropolitano de Lisboa, Maria Keil recorda um episódio caricato no dia da inauguração... ' Estava lá o senhor doutor António de Oliveira Salazar, no cumprimento das suas funções, quando, vendo ali dois azulejos totalmente diferentes dos demais, comentou: ‘Tinham-se acabado os outros, não?!'

PERFIL

Maria Keil, 94 anos, trocou Silves por Lisboa para estudar Desenho na ESBAL, de onde saiu casada com Francisco Keil, neto do autor do Hino Nacional. Pintora e desenhadora, ilustradora e decoradora, ceramista e cenógrafa, figurinista e fotógrafa vive há três anos num lar de artistas mas mantém casa própria para onde escapa, todas as quartas-feiras, atrás de luz.

Dina Gusmão

Aprendiz disse...

Curioso, devido ao mail a circular com o artigo deste blog, vim consultar.
Quantos comentários a seguir!
Mas, se dizemos mal do povo e do país dizemos mal de nós próprios também.
Não é melhor procurar empreender uma acção ou iniciativa para que se evitem repetições do erro, se repare, se procure melhorar no futuro?
Aprecio assim a contribuição do Pedro Freire com uma sugestão de acção ou no blogue "as causas da Júlia" em que inicia uma petição para defender uma causa em que acredita.

Tem que ser cada um de nós a tentar melhorar o mundo (e o país).

Procuremos em nós próprios as soluções e ajudemos a que os nossos filhos, familiares, amigos, conhecidos sejam menos ignorantes e em vez de consentir a destruição defendam a preservação da arte de Portugal, expressão da nossa cultura.
Um dia um deles será o pedreiro, o capataz, o empreiteiro, o administrador do Metro que poderá dizer que não, que poderá pensar que deve fazer-se de modo diferente.

Não é impossível, somos melhores que os talibãs em Bamiyan.
Mas temos que continuar a querer ser sempre melhores.

Anónimo disse...

Humanismo Arte e Ternura só pisivel na Maria

Paulo disse...

«Perguntam vocês “porquê, Samuel?” e eu tão aparvalhado como vós, “Porque na Metro de Lisboa há juristas muito bons, que descobriram não ser obrigatório pedir nada, nem indemnizar a autora, de forma nenhuma... exactamente porque ela não cobrou um tostão que fosse pela sua obra!!!»

Não sei se os juristas de que fala têm, de facto e de direito, razão.
A verdade é que a arte, e a generosidade, não têm cabimento num País promiscuo...
Abraço

addiragram disse...

Todos os dias nesta terra se "apaga" a História e o património. Até quando?

Associação Por Boassas disse...

Isto é verdadeiramente vergonhoso.
Já me juntei à causa e assinei a petição que está a circular. Por favor assinem todos... Isto é inominável. Será que estamos definitivamente entregues aos "escroques"???
Um abraço e obrigado pelo vosso alerta e acuidade.

Júlia Coutinho disse...

Meus caros,
Não subscrevo a petição que anda a circular e que transcreve o texto do Samuel.
Penso que a indignação é uma atitude saudável e que nos dignifica, mas tem que basear-se em causas sérias e justas.
A verdade é que as minhas palavras primeiro e depois as do Samuel foram sendo empoladas e aproveitadas para objectivos que transcendem os objectivos iniciais.
Podemo-nos indignar, não temos é o direito de interferir com as decisões tomadas pela Maria. Temos que a respeitar. Ela chegou a acordo com o Metropolitano. Os acontecimentos têm mais de 10 anos! Os problemas estão sanados e ultrapassados. Jã pensaram como aquela senhora de 94 anos se sentirá ao saber de toda esta celeuma pública, AGORA, para um problema que ela propria resolveu, sózinha, na altura própria ? Pensem um bocadinho e não alimentem mais esta cadeia de indignação extemporânea, por muito que nos custe.
Convido-vos a visitar o meu blog
www.ascausasdajulia.blogspot.com e lerem o que lá escrevi.
Eu nunca desejei(e penso que o Samuel também)que chegássemos a esta situação incendiária.
Conheço pessoalmente a Maria Keil, merece-me o maior respeito, e sinto-me particularmente culpada. Por isso lhe peço publicamente desculpas.

Anónimo disse...

Não me parece nada que tenha havido qualquer "empolamento" ou "aproveitamento" dos textos iniciais da Júlia Coutinho ou do Samuel.
O que houve, em meu entender, foi uma confusão desencadeada pela falta de clareza do texto inicial de Júlia Coutinho e pela leitura apressada que dele fez o Samuel.
Ambos os bloguistas, acredito que involuntariamente, induziram em erro os seus leitores e comentadores e provocaram a actual situação (chamar-lhe “incendiária” é manifestamente um exagero, chamemos-lhe antes ridícula).
Creio que a petição que anda a correr constitui uma reacção natural de gente que ainda tem capacidade de indignação e confiou no que leu em dois blogues interessantes e escritos por pessoas que considera dignas de confiança.
Em meu entender, a formulação inicial da Júlia prestava-se a equívocos, não deixando claro que se tratava de um episódio velho de uma década, já que a referência à entrevista de 1999 vem lá muito para o meio do primeiro texto.
E tanto que o texto era passível de induzir em erro o leitor, que a própria autora, ao comentar o post do Samuel, não fazia qualquer referência ao anacronismo, limitando-se a escrever que se sentia “muito honrada” com a visita do Samuel, agradecendo-lhe depois a “visibilidade” que conseguira dar “a este caso”.
Face ao que escrevi, não me parece nada bonito que quem provocou esta confusão fique calado ou critique quem tomou a iniciativa da petição. Bonito e ético será reconhecer que se errou e pedir desculpa, não apenas a Maria Keil, mas também aos (agora) incrédulos leitores.
Matilde Ramalho

Carlos A. Augusto disse...

Não tinha lido este último comentário que me merece toda a atenção.
Palavras equilibradas e (mais ainda) perfeitamente justas!
Perimitam-me a este propósito deixar aqui umas notas soltas...
Sou o promotor da Petição. O objectivo da iniciativa --totalmente espontânea e desalinhada (ou melhor, alinhada apenas com a nossa consciência e atenção cívica)-- foi o dar voz a uma reacção de imensa indignação
Indignação velha de muitos anos, que tem por detrás dela o difícil exercício de ser português. Muitos anos a observar e a ser vítima de situações de repetidas faltas de respeito e de livre arbítrio, em tudo semelhantes ao caso da Maria Keil. Aconteceram ontem, acontecem hoje e tudo indica que não nos vamos ver livre deste mal tão cedo...
Blogs não são jornais. São formas de exercer um direito sagrado: exprimir o nosso pensamento de forma livre! Isto, não sei porquê incomoda uma data de gente que pensa que tem o monopólio da opinião... Os comentários e atitudes paternalistas que tenho observado por aí, depois deste caso ter sido despoletado têm-me deixado espantado. Para alguns, as quase 4000 pessoas que assinaram a petição são uns carneiros, que por um qualquer reflexo DigiPavloviano foram logo a correr assiná-la. Outros, não hesitaram em escamotear totalmente o objectivo da Petição perdendo-se em ridículas teorias da conspiração.
Era bom que todos os que criticaram a inciativa exercessem nas respectivas esferas de infuência as suas funções e sentido crítico como fizeram neste caso. E era bom que em todas as áreas da vida portuguesa se exigissem responsabilidades, da forma feroz e veemente que foi usada com a Petição.
O problema que está aqui em causa é o do respeito pelo património artístico. Foi isso que nos moveu e é isso que move certamente os numeros apoiantes desta Petição.
Petição que nasceu de um pequeno equívoco, é certo, que não altera em NADA a bondade das nossas intenções e os princípios que a nortearam.
Pelo meu lado apenas quero saudar a Matilde. Bem haja pelas suas palavras.

BlueVelvet disse...

Samuel,
li o teu post, dele segui para o blog da Júlia, depois ainda me informei por outras vias, e parece, do que percebi que este assunto já data de há 10 anos e está resolvido.
Então não percebo tão grande bafáfá, ou percebo mas não vale a pena escrevê-lo aqui:))
Abreijinhos

Anónimo disse...

Como amiga e eterna admiradora da Sr.ª D. Maria Keil, e embora o problema tenha sido resolvido no tempo próprio pelas partes envolvidas, tenho que dizer que finalmente vejo ser feita justiça à Obra e à Mulher que nos tem dado tanto e pedido tão pouco.

PS: Ao contrário do que foi comentado a Sr.ª D. Maria Keil não é podre de rica.

Anónimo disse...

preciso saber que azulejos ou obra fez a Maria Keil .Há inventarios virtuais ?
antoniralmeida@netcabo.pt

samuel disse...

Anónimo (12:27):

Caro antoniralmeida@netcabo.pt... lamento não ter uma resposta que o possa ajudar...