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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Cavaco Silva – Bendita coerência!




Quando soube que Cavaco Silva andava a passear a sua carcaça pela Colômbia, pensei que não viria a ter qualquer interesse em comentar esse facto. Pensei apenas com os meus botões no azar dos colombianos: não há droga que não lhes invada o país!
Afinal, estava enganado. Cavaco, no seu melhor, decidiu recitar umas mal decoradas cábulas sobre escritores portugueses, discursando numa feira de livros em que Portugal é convidado de honra... esquecendo o nome de José Saramago.
É aqui que eu divirjo das várias pessoas que acharam isso ofensivo. Tal como insinuo no título deste texto, acho, pelo contrário, que Cavaco fez muitíssimo bem! Tal como evitou conspurcar com a sua presença o funeral do nosso Nobel da Literatura, vai fazendo os possíveis por não infectar a sua memória lambuzando o seu nome com restos de bolo-rei mal mastigados e idiotia babosa.
Resumindo, não há rigorosamente nada de errado neste “esquecimento” de Cavaco Silva. Cavaco, coerentemente, está certíssimo!
Profundamente errado, é o triste facto de termos como Presidente da República este ser pequeno, mesquinho, ignorante, boçal, irremediavelmente inútil.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Portugal – Há-de ser por aí... algures, que diacho!


A confirmar a sua condição de “gaffe” com pernas, o vice de Obama, Joe Biden, confundiu Portugal com a Polónia. Nada mais normal, vindo de um cidadão de um país com uma cultura geral verdadeiramente “assombrosa”.
O facto de já ter recebido vários mails com comentários, ou links para a notícia, deve querer dizer que as pessoas lhe deram uma importância que eu, a princípio e à vista “desalmada”, não pensei que tivesse.
Seja como for... esta nova calinada de Joe Biden não pode deixar de me lembrar a estória de uma norte-americana, típica “dona de casa desesperada” da Califórnia, a quem o filho perguntou, à conta de um trabalho escolar sobre os navegadores que chegaram à América...
- Mãe, onde é que fica Portugal?
A mãe “rapou” do mapa Santa Monica e, ao fim de uma esforçada procura, passou para o mapa de toda a região de Los Angeles... igualmente sem sucesso, desabafando agastada:
- Não percebo! Devia ser por aqui perto... a nossa empregada diz que é de Portugal... e vem todos os dias trabalhar de bicicleta!!!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Trogloditas




Começa a ser evidente que os partidos de direita estão a rebentar pelas costuras... pelo menos as secções onde estão organizados os trogloditas, ou “grutamontes”, como diria o Fanhais.
Se ainda há dias vinha à ribalta o grunho laranja que, para além de outras pérolas, também afirma, neste texto, que os idosos são a “peste grisalha”, chega agora a notícia de outro grunho que já só teve lugar no PS, sendo até candidato à Câmara de Matosinhos, o troglodita António Parada, que defende, sem pestanejar, o fim do ensino obrigatório até aos 18 anos, decretando doutamente:
"eu acho que os jovens devem ser apoiados pelo estado, apoiar aqueles que tem aproveitamento, aqueles que não têm...  aos 14 anos é mandá-los trabalhar"
O senhor António Parada tem realmente qualquer coisa ostensivamente parada entre as orelhas. Resta saber se é irrecuperável…





quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Jornalismo indigente – Apenas simples "acidentes"?



Por vezes tenho a sensação de ser de um tempo em que os ardinas - pelo menos alguns - sabiam mais de jornais e jornalismo do que uma boa parte dos “jornalistas” de hoje.
Nos tempos que correm, os bons jornalistas teriam uma bela vida... não fosse o (a)caso de praticamente todos terem sido empurrados para o desemprego, ou arrumados em prateleiras pelos merceeiros e patos bravos que detêm os jornais, televisões e rádios.
Nos tempos que correm, um jornalista que saiba escrever e falar de forma escorreita, é um craque; se souber escrever bem e for culto... é um “deus”.
Tudo isto por contraste com o caudal de “hums”, “haams”, “âââs” a abrir, fechar e pontuar a torrente irreprimível de asneiras que lhes sai pela boca ou pelos teclados dos computadores. Uma estepe de ideias rasas e secas, onde um acidente de viação é sempre “uma amálgama de ferros retorcidos” e um incêndio (embora o “rótulo” já tenha servido uma vez para uma cheia, que eu bem ouvi!) seja sempre um “cenário dantesco”. Uma vaga constante de lugares-comuns, em que as cidades não têm nome, sendo sempre ou invictas, ou dos arcebispos, ou cidade-berço, ou dos estudantes... ou do raio que os parta. Um remoinho de conceitos politicamente correctos onde, não tarda nada, até a chuva molhará a terra... mas sempre  “alegadamente”.
Há uns dias, ri-me com a “profunda cultura popular” de um (ou uma) jornalista que, ouvindo Jerónimo de Sousa pronunciar-se sobre a "mulherZita" dos microfones nos ares condicionados, afirmando não valer a pena «gastar mais cera com tão ruim defunto», acabou por escrever no jornal «gastar cera contra o ruído de fundo».
Agora foi uma outra profissional das palavras, em televisão, que ao apresentar umas imagens com declarações do deputado do PS Carlos Zorrinho, em que este, comentando mais um falhanço do Governo, falhanço que, segundo ele, poderia ter sido evitado se o Governo tivesse dado ouvidos ao PS, utilizou um dito popular (e bem... honra lhe seja feita) dizendo que «não vale a pena chorar sobre o leite derramado».
A brilhante “jornalista”, depois de uns tropeços numa mão cheia de “hums” e “hams”, lá conseguiu “reproduzir” o que o deputado disse:
«Carlos Zorrinho diz que não vale a pena derramar o leite»
Não sabem nada! Não leram nada! Não têm um pingo de cultura popular, ou impopular... ou de qualidade nenhuma (para citar o grande Vasco Santana, falando sobre a sua grande dificuldade em conseguir “pregar olho”)! Quem é esta gente? Quem os põe a fazer de jornalistas? Esta porfia na estupidificação dos meios de comunicação social é propositada?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jornalismo - Uma certa maneira de contar *


“Quem conta um conto, acrescenta um ponto” – diz o ditado popular. Acontece com todos, mas os jornalista fazem disso profissão. Nem todos bem. Muitos pecam por defeito, cortando muitos “pontos”, acto que da última vez que fui ver, se chamava censura... outros, são tão pródigos a acrescentar pontos, que estão sempre com um pé (ou os dois) na mentira, na demagogia, na baixa política...
Claro que muitos destes “jornalistas” têm a vidinha facilitada pelo (triste) facto de alguns dos seus colegas serem ignorantes de uma estupidez reincidente que tende a abafar as malfeitorias dos primeiros... como é o caso de alguém, na RTP, que pela enésima vez, ao fazer um gráfico descrevendo a subida para a Senhora da Graça, que os ciclistas teriam que enfrentar, disse qual a altura do Monte Farinha, qual a média da inclinação da ladeira e, como já vai sendo fatal, aos cerca de oito quilómetros de distância que separam o início da subida da linha de meta... voltou a chamar “longitude”.
Seja como for, a repetição desta triste calinada não me desviou a atenção de dois excelentes exemplos do que escrevi no primeiro parágrafo.
Quanto à censura:
É absolutamente “delicioso” percorrer com os olhos um trabalho de várias páginas da última “Visão”, onde se analisa a situação de vários municípios em que os actuais presidentes não podem recandidatar-se. O trabalho não me interessou particularmente. Nem pelo assunto, nem pela arte com que foi feito. Ainda assim, deliciou-me a calma com que os “jornalistas” percorreram o país em busca de exemplos, não tendo encontrado uma única Câmara Municipal gerida pela CDU (à excepção de uma referência minúscula, em três linhas de uma coluna, numa caixa à parte e em letras mais pequeninas)... embora várias dessas autarquias estejam a enfrentar o problema de que o artigo trata.
Presumo que para quem fez o trabalho “jornalístico”, ignorar a existência de autarquias comunistas, no número de 28 e tão insignificantes como, por exemplo, Almada... seja uma questão de princípio. Uma espécie de “sonho molhado”: se não se falar delas... não existem!
Quanto à mentira, demagogia e baixa política:
Num telejornal qualquer, um(a) “jornalista” apontou o microfone a Jerónimo de Sousa e pediu-lhe uma opinião sobre a sucessão na direcção do Bloco de Esquerda... e se ia sentir saudades de Francisco Louçã.
Jerónimo de Sousa respondeu que não se imiscuía nos assuntos internos do BE e, sobre o resto da “pergunta”, acrescentou que «não terá saudades, porque a vida e a luta continuam... não se trata aqui de uma questão de saudades, os indivíduos são, sem dúvida, muito importantes, mas mais importante é o colectivo»... resposta que desgostou o(a) “jornalista” e a sua estação de televisão, ao ponto de terem transformado (como o Correio da Manhã e outros) esta resposta, no texto que resolveram inserir por baixo das imagens, em letras garrafais:
Jerónimo de Sousa
Francisco Louçã: Não deixa saudades!

Brilhante! Depois... sou eu que tenho mau feitio...
Felizmente ainda há excepções! Felizmente conheço algumas dessas excepções e conto mesmo com um punhado de jornalistas a sério entre os meus amigos!
* Com um pedido de desculpas ao poeta José Gomes Ferreira

terça-feira, 31 de julho de 2012

Jogos Olímpicos – A “olímpica” ignorância


Ainda bem que não tenho sabido quem vai comentando os Jogos Olímpicos nos vários canais e nos vários directos. Assim não posso cair na tentação cruel de nomear quem quer que seja.
Há muito tempo que o meu comentador desportivo preferido é o grande ciclista Marco Chagas, tal é a consistência da sua “performance”, sempre culta, sempre informada, sempre interessante. Quase todos os restantes, infelizmente, são uma espécie de caça à calinada que desemboca nesse verdadeiro “clímax” que dá pelo nome de Rui Santos (que saudades do imparável Gabriel Alves!!!). Expedição fartamente povoada por curtos, mas intensos momentos de disparate. Uns, bastante divertidos, reconheça-se... outros apenas deprimentes.
Por manifesto azar, já levei nestes Jogos com vários dos tais momentos deprimentes.
Durante a Gala de Abertura, que mesmo não tendo visto na íntegra, me pareceu muito bem “esgalhada”, suportei o papaguear dos comentadores, deslumbrados com o som da própria voz, deslumbramento que os fazia, repetidamente, falhar pormenores interessantes do espectáculo. Apenas dois exemplos:
Durante a entrada em cena da bandeira olímpica, transportada por figuras conhecidas, os dois papagaios nunca se calaram, apenas mencionando, vagamente, a presença do mítico pugilistaCassius Clay, ou Muhamad Ali, se quiserem... e ainda mais vagamente, a presença da ambientalista Marina Silva, que um deles identificou como ex-candidata à presidência do Brasil, como se tivesse sido isso a motivar o convite. Imediatamente embalaram para o blá, blá, blá, deixando passar em claro (que eu tenha ouvido) todos os restantes, a saber:
- Sally Becker (reconhecida, entre outas actividades, pelo seu trabalho político-humanitário na guerra da Bósnia).
- Shami Chakrabarti (Chanceler da Oxford Brooks University e director de uma organização defensora das liberdades civis, “Liberty”).
- Leymah Gbowee (activista africana prémio Nobel da Paz 2011).
- Doreen Lawrence (escritora e activista contra o racismo).
- Haile Gebrselassie (um dos melhores atletas fundistas da História).
- Ban Ki-moon (secretário-geral das Nações Unidas).
- Daniel Barenboim (um dos maiores maestros da actualidade, que estaria ali, não tanto como músico, mas muito mais pelo significado humano e político da orquestra que fundou, composta por músicos judeus e árabes).
Não sei, porque não vi, que espécie de tratamento deram à escritora J.K. Rowling (lendo excertos do Peter Pan), ou ao actor Rowan Atkinson (como Mr. Bean), entre tantos outros “famosos” que foram aparecendo… mas antes desta “pobreza franciscana” que relatei, já me tinham feito rir muito (apesar da irritação), quando na altura da encenação da Revolução Industrial, entrou em cena Kenneth Branagh, um dos mais creditados realizadores de cinema, argumentista e actor que, respaldado pelo reconhecimento público que lhe dão os cerca de 50 filmes que já tem no currículo, ia declamando Shakespeare alto e bom som (e bem!)… não conseguindo impressionar os nossos diligentes comentadores que, depois de o ignorarem “olimpicamente” por alguns minutos, acabaram por lhe chamar «o figurante encarregado do recitativo».
Não me daria ao trabalho de escrever sobre esta historieta triste, não fosse o facto (espécie de “gota de água”) de um outro deles, não sei quem, se ter referido logo no dia seguinte, à importância não sei exactamente de quê, com o já clássico «não deixa de “não” ser importante»…
Já que estamos em tempo de Jogos Olímpicos… que “mínimos” é que será obrigatório atingir para ser comentador na televisão?


ADENDA:  Por lapso, tinha incluido na "família" de comentadores "calinas" o jornalista Nuno Santos... quando queria dizer Rui Santos, o mago dos comentários da bola.
Como disse um dia um comentador desportivo, «é uma falta indesculpável, pela qual peço desculpa!»