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domingo, 10 de março de 2013

Simone - Nas escolas, nas ruas, campos, construções...


“Vem vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer”

É uma velha canção que vem já dos anos sessenta do século XX. O autor, Geraldo Vandré, fez um hino à liberdade. À liberdade conquistada, participada, activa, generosa, consciente. Fê-lo, corajosamente, numa altura em que na sua grande terra brasileira se vivia uma sangrenta ditadura militar fascista. Fê-lo, afrontando directamente a ditadura, ao concorrer com a canção a um festival de música popular... e ficando em segundo lugar, com milhares de pessoas a gritar na plateia o seu protesto por esta não ter ganho.
Sei que não estamos a viver uma situação igual... mas tenho-me lembrado muito desta canção!
A Simone (independentemente do que fez da sua carreira posteriormente) cantou-a muitas vezes... quando isso não era “seguro”. Quando isso dava problemas sérios. Entre várias outras coisas... admiro-a por isso!

Bom domingo!
“Pra não dizer que não falei das flores” – Simone
(Geraldo Vandré)




domingo, 6 de janeiro de 2013

Afasta de mim esse cálice!


Há muitos anos (1973), em plena ditadura militar nos Brasil, Gilberto Gil e Chico Buarque participaram em duo num concerto em que seria suposto cantarem “Cálice”, uma canção escrita pelos dois expressamente para essa ocasião.
Previamente ouvida pela censura, a canção foi de imediato proibida.
Para encurtar a estória... os dois, contra as ordens recebidas, acabaram a cantá-la, em palco, apenas com a letra tartamudeada, entrecortada repetidamente pela palavra “cálice”, que faz realmente parte da letra... mas que na pronúncia brasileira resultou num provocador “Cale-se!”, cantado até que a organização lhes foi desligando os microfones um a um.
Sabemos bem que ainda não estamos aí... e, pelo menos alguns de nós, sabem bem qual o sabor daquele “vinho tinto de sangue” de que fala (realmente) a canção. Felizmente, sabemos também que os soldados mais dificilmente são apanhados a dormir, são aqueles que montam sentinelas e estão de prevenção e alerta.
O segundo vídeo, desta vez com Milton Nascimento e cantado sem censura, serve para quem ainda não tenha ouvido, ficar a conhecer... e para todos os restantes que já conhecem poderem recordar uma canção histórica.
Bom domingo.
“Cálice” (versão censurada) – Chico Buarque e Gilberto Gil
(Chico Buarque e Gilberto Gil)


“Cálice” – Chico Buarque e Milton Nascimento
(Chico Buarque e Gilberto Gil)



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Governo PSD/CDS – Ladrões de estrada


Esta capa do “Público”, na sua sinistra simplicidade, mostra o grau de profundidade da destruição do país, às mãos do bando de fundamentalistas que ocupam o governo.
É uma destruição que vai muito para lá do património nacional, da cultura, do dinheiro, da economia, do desenvolvimento... ou da ausência de tudo isso. É uma destruição que atinge a verdade, a confiança, o “contrato” que nos fazia acreditar que os impostos serviam para pagar serviços públicos de qualidade como a saúde, a cultura, a educação, os transportes, a segurança. Que os descontos garantiriam as reformas e pensões justas e esperadas.
Quebrado esse contrato pelo Estado, quebrado o laço de confiança, quando se vê que, a qualquer momento, o Estado pode “inventar” um qualquer “pacote” que altera todo o edifício para que se andou a trabalhar toda uma vida, quando se vê que o fruto das nossas contribuições e do nosso esforço servem, afinal, para desenrascar banqueiros criminosos e aumentar exponencialmente as fortunas obscenas dos mais ricos entre os já muito ricos, pode perguntar-se: para quê pagar? Para quê contribuir? Para quê o esforço?
Nesta estado a que chegámos, toda a desconfiança é compreensível, toda a resistência é legítima!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Bruxelas – Fascismo económico travestido de democracia


Instalados no conforto dos seus salários de muitos milhares de euros mensais, pagos pelos trabalhadores, os burocratas do antidemocrático poder europeu, apesar de serem responsáveis pelo brutal aumento do desemprego, pelo obsceno aumento de impostos, pelos criminosos cortes nos apoios sociais, roubo de salários e pensões, etc., etc., não hesitam em insistir na sua “receita” para “criar” a riqueza que irá encher os seus próprios bolsos, os bolsos da banca e demais especuladores apátridas:
Começa a ser altura de se perceber que a ideia do “país de brandos costumes” é uma invenção do Estado Novo de Salazar, mas que nunca passou de um mito, sustentado apenas pela repressão de ferro da ditadura fascista.
Começa a ser altura... de acabar com o mito!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O Adriano faz hoje anos



O Adriano faz hoje anos. Grande Adriano! Adriano Correia de Oliveira. Uma das memórias mais queridas da nossa música inteligente. Uma voz irrepetível. O Adriano faz hoje 70 anos de uma vida interrompida mas inapagável.
Tinha apenas mais dez anos de idade do que eu... no entanto, faz já trinta anos que morreu. O que prova que houve qualquer coisa de muito errado nesta história.
Há uns anos “cometi” um disco (fora do circuito comercial) que serviu de material de apoio para uma série de espectáculos de homenagem a este companheiro de cantigas, risos e tristezas.
Esta “Canção tão simples”, com versos de Manuel Alegre e música de José Niza é uma das faixas. Hoje, então, canto eu para o Adriano... uma cantiga das dele. Com um abraço. Como um abraço.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Só para lembrar...


Não pretendo dar lições de História (nem quaisquer outras “lições”) a quem quer que seja. Quero apenas contribuir, singelamente, para engrossar o número daqueles que não esquecem... já que a “amnésia” parece atingir até alguns que dizem dedicar-se à tarefa de “não deixar apagar a memória”.
São cinquenta e dois anos passados sobre um dia muito especial na vida de Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Carlos Costa, Jaime Serra... um dia especial na História da resistência ao fascismo. São cinquenta e dois anos passados sobre uma história de coragem física, verticalidade, coerência, sacrifício.