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sábado, 30 de novembro de 2013

CTT – Quem eram aqueles polícias?


Vistas e revistas as imagens da brutalidade policial sobre os grevistas dos CTT e, por tabela, sobre o deputado do BE, do deputado Bruno Dias do PCP e do secretário geral da CGTP, Arménio Carlos... ouvidas e re-ouvidas as palavras - verdades como punhos - que o Arménio Carlos dirigiu aos agentes da polícia, olhos nos olhos, alto e bom som... confesso estar convencido de que aqueles polícias “apanharam” bem mais do que “deram”.
Ainda assim, fica sempre a dúvida: quantos deles estiveram nas escadarias do Parlamento... subindo, ou descendo, atacando, ou defendendo... e acabando a tirar sorridentes fotografias para mostrar aos amigos?
Quantos estavam, há apenas alguns dias, armados em contestatários e a reivindicar direitos que agora reprimiram com a acéfala brutalidade habitual?

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Polícias – Como eu gostaria de acreditar!...


Como eu gostaria de acreditar que esta manifestação de forças policiais representa uma real mudança de atitude. Uma real tomada de consciência. O momento em que se toma, definitivamente, partido. Um passo sem retorno.
Como eu gostaria de acreditar que o cimo da escadaria não era o único objectivo, objectivo que tão depressa foi alcançado logo se diluiu em festejos e fotografias em grupo para o facebook e o instagram.
Como eu gostaria de acreditar que o próximo encontro destes elementos das forças policiais não será a carregar sobre um piquete de greve, ou a prender arbitrariamente jovens militantes que colem uns cartazes, ou a espancar estudantes ou manifestantes anti governo, ou a atirar a matar sobre um puto qualquer de um bairro “problemático” que, independentemente do que tenha feito ou deixado de fazer... sucumba ao mais do que justificado “instinto” e fuja deles a correr.
Como eu gostaria... mas como não consigo (ainda!), apesar de estes, hoje, terem dado um belo contributo para que um destes dias consiga, resta-me este desabafo ostensivamente contra a corrente… desabafo que reconheço ser "desmancha prazeres", facto que muito lamento e pelo qual "peço desculpa”!

É a vida!…

sábado, 27 de abril de 2013

Redacções – A caminho do imenso rebanho acéfalo



Existe apenas um programa no universo da programação da TVI que vejo voluntariamente. Nem sempre vejo... mas quando vejo é porque quero ver. Nem sequer é na TVI principal, mas no cabo.
Tirando esse, só por infeliz acidente assisto a alguns escassos segundos do que aquela estação de televisão tem por norma verter para o chão sem antes, sequer, fazer passar os infectos fluídos por uma qualquer ETAR.
Assim sendo, não conheço a jornalista Ana Leal, nem a sua produção jornalística. Só sei que terá feito um trabalho sobre cuidados de saúde, trabalho que era suposto ter passado em “horário nobre”, mas que continha algo que fez a comissária Judite de Sousa não só não o passar, como tê-lo remetido para um tal de “25ª hora”, que como o nome indica, passa para lá da meia noite.
A jornalista queixou-se ao chefe, José Alberto de Carvalho... o tal do "não faz sentido sermos condenados por não cumprirmos regras do tempo do gonçalvismo". Queixou-se de Judite e do que terá chamado censura, eufemisticamente... ou por considerar ter sido de facto censurada.
Em condições normais isso seria dirimido dentro da redacção. Em condições um pouco menos normais... daria uma repreensão ou qualquer outra punição simbólica, caso a acusação fosse infundada. Em condições de gravidade comprovada, daria lugar a um processo disciplinar, precedido da obrigatória investigação.
Mas não! Estamos em Portugal e sob este abjecto regime de tiques fascizantes!
Assim sendo, a ousadia da jornalista, ousadia que, insisto, pode ter sido deslocada ou não, deu direito, à partida, a uma suspensão com proibição de entrada no local de trabalho.
Que outra melhor forma haveria de mostrar (com estrondo e garras de fora) aos jornalistas que ainda fazem um esforço de alinhamento pela liberdade que o que se quer por estes dias nos diversos órgãos de comunicação social não são redacções compostas por verdadeiros jornalistas, mas sim rebanhos de lacaios dos donos?

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Acéfalos


Já muito se disse – ou quase nada, dependendo do ponto de vista – sobre o acto de extraordinária "coragem física e bravura" de alguns "heróis" da PSP de Braga que decidiram atacar com gás pimenta um grupo de ameaçadores e perigosos... miúdos de 12, 13, 14 anos...
Não vale a pena teorizar sobre as liberdades de manifestação e expressão, ou pelo desrespeito dessas liberdade, sobre razão ou brutalidade. Não há volta a dar-lhe!
De que adiantam os discursos reivindicativos, as presenças em manifestações organizadas pelos trabalhadores e suas organizações de classe, as recorrentes tentativas de conquistar a simpatia do povo por parte de (alguns) agentes da polícia... se estes são comandados, ou por fascistas, ou por energúmenos, ou por simples bestas quadradas... e, reiteradamente, optam por obedecer às ordens desses selvagens? Obedecer como autómatos acéfalos!
Como já tenho dito, não contem comigo! Se é para ter simpatia por formas de vida acéfalas, desculpem-me os espíritos mais sensíveis... mas prefiro as couves!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Afasta de mim esse cálice!


Há muitos anos (1973), em plena ditadura militar nos Brasil, Gilberto Gil e Chico Buarque participaram em duo num concerto em que seria suposto cantarem “Cálice”, uma canção escrita pelos dois expressamente para essa ocasião.
Previamente ouvida pela censura, a canção foi de imediato proibida.
Para encurtar a estória... os dois, contra as ordens recebidas, acabaram a cantá-la, em palco, apenas com a letra tartamudeada, entrecortada repetidamente pela palavra “cálice”, que faz realmente parte da letra... mas que na pronúncia brasileira resultou num provocador “Cale-se!”, cantado até que a organização lhes foi desligando os microfones um a um.
Sabemos bem que ainda não estamos aí... e, pelo menos alguns de nós, sabem bem qual o sabor daquele “vinho tinto de sangue” de que fala (realmente) a canção. Felizmente, sabemos também que os soldados mais dificilmente são apanhados a dormir, são aqueles que montam sentinelas e estão de prevenção e alerta.
O segundo vídeo, desta vez com Milton Nascimento e cantado sem censura, serve para quem ainda não tenha ouvido, ficar a conhecer... e para todos os restantes que já conhecem poderem recordar uma canção histórica.
Bom domingo.
“Cálice” (versão censurada) – Chico Buarque e Gilberto Gil
(Chico Buarque e Gilberto Gil)


“Cálice” – Chico Buarque e Milton Nascimento
(Chico Buarque e Gilberto Gil)



sábado, 17 de novembro de 2012

Administração Interna - Uma entremeada de arrogância e ridículo



Continuam a chegar relatos das múltiplas ilegalidades com que a polícia foi descarregando a fúria, noite dentro, em pessoas que nada tinham que ver com as pedras que um bando de imbecis tinha atirado aos seus “colegas” (desculpem lá... mas camaradas está reservado a outra gente). São estórias de detenções gratuitamente violentas, a destempo, com assinaturas de declarações em folhas em branco, com a negação dos direitos legais mais básicos, recurso à humilhação, etc., etc.
É a triste imagem da polícia fanfarrona de um ministro fanfarrão, que “sabe perfeitamente” quem é a meia dúzia de “radicais violentos” que provoca os desacatos, “radicais” de que tem mesmo uma lista para futuras detenções, mas que em vez de os isolar e impedir de cometer os desacatos, opta por atacar selvaticamente centenas de pessoas, sendo que algumas nem sequer tinham nada que ver com qualquer manifestação passada, em curso, ou a organizar.
A “eficácia” do genial ministro e da sua polícia de choque fez-me lembrar de uma recente e (claro!) também genial proposta do governante do PSD, no sentido de poupar despesas com as forças policiais: a “partilha de recursos” a que Miguel Macedo chama «gestão da frota automóvel das forças de segurança».
Vai ser uma festa! Chama-se a PSP, mas quando esta chega, se chegar, vem num carro da GNR… e vice-versa. As confusões com as centrais de rádio e as comunicações entre os agentes, imagino que serão também uma espécie de constante “festa-surpresa”.
É ou não uma medida genial? Imaginem esta forma de poupança aplicada a outros sectores de actividade… assim de repente... sei lá… por exemplo, nos clubes de futebol.
As mesmas cores e padrão de camisolas, calções e chuteiras para todos... incluindo os árbitros!
Poupava-se imenso em equipamentos excedentários e inúteis, os jogadores teriam mesmo que estar extremamente concentrados durante os noventa minutos, pacificavam-se os estádios, já que os adeptos nunca saberiam bem quem insultar… ... ... só vantagens!

sábado, 24 de março de 2012

Polícia portuguesa – Doentes bipolares?


Coimbra – “Crise académica de 1962”

Não quero dar para o peditório das relações (ou falta delas) da CGTP com os vários “movimentos” que têm aparecido em manifestações, de há uns tempos para cá. Entre o óbvio discurso anti-sindical, anti-CGTP e anti-partidos de alguns desses “movimentos” e, do outro lado, alguma resistência ao desconhecido e anárquico, por parte da Intersindical... muito caminho terá que ser feito. Temos tempo. A História não vai acabar para a semana que vem!
Uma vez que, sobre a Greve Geral e o seu significado, não faltarão comentários, nem “bocas”, nem análises sérias... aquilo que me interessa destacar dos “incidentes” verificados na “manif” (verdadeira música para os ouvidos da comunicação social) é a acção da polícia.
Para abrir devo dizer que preferia, sem sombra de dúvidas, a velha polícia de choque dos tempos de Salazar e Caetano. Gente bruta como cornos... mas “transparente”. Sobre o que poderia vir dali nunca havia dúvidas: repressão e porrada. Eram absolutamente “confiáveis”!
Esta polícia de hoje é mais perigosa... porque é falsa. Porque é doentiamente bipolar. Os seus elementos tão depressa estão na rua a agredir trabalhadores à porta de uma empresa, ou estudantes à porta da sua escola, que ousem reivindicar melhores condições e direitos, ou protestar contra este estado de coisas... como podem aparecer na televisão, utilizando, eles próprios, um discurso sindical, reivindicativo, e assumindo-se aí como trabalhadores explorados e injustiçados. Isto até à hora de se enfiarem numa carrinha para irem espancar mais um piquete de greve, ou, como foi o caso deste dia 22 de Março, jornalistas que tentem registar imagens da sua brutalidade. Nenhuma provocação justifica aquele tipo de agressão generalizada.
Razão pela qual, como já um dia escrevi, enquanto não vir as associações (ditas sindicais) da polícia, demarcarem-se claramente destes actos, nenhuma dessas associações, pretensões, reivindicações, ou o que quer que seja... terá da minha parte uma única palavra de apoio, um único gesto de solidariedade.
Com uma excepção: os cães-polícias. Esses não sabem o que fazem!

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

De vez em quando... uma boa notícia


Alfredo Astiz, oficial da Marinha, responsável pelo desaparecimento de milhares de argentinos opositores à sangrenta ditadura militar que durou de 1976 a 1983. Estes “desaparecidos” foram sistematicamente detidos, torturados e assassinados. Ficou conhecido como “Anjo Loiro da Morte”.

Gabava-se publicamente de «ser o melhor homem da Argentina a matar políticos e jornalistas».
O novo poder judicial (e político) argentino entendeu ser seu dever cívico e patriótico julgar estes animais selvagens. Este, particularmente, foi condenado a prisão perpétua. Espero que tenha uma vida longa.
De vez em quando... uma boa notícia. Para variar... que diabo!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Os provocadores estão com sede de sangue


Que diabo levará a PSP e a Polícia Secreta a, apenas horas depois das grandes manifestações (ordeiras e pacíficas) convocadas pela CGTP, fazerem um tal estardalhaço ao divulgarem o seu plano “secreto” para controlar e reprimir os “tumultos” que, segundo eles, estarão para vir, em resultado das medidas de “austeritarismo” das troikas?
1. Será pura estupidez?
2. Será coisa que vem na sequência da fanfarronice agarotada de Passos Coelho, quando disse que «não permitiria tumultos»?
3. Será apenas uma provocação rasca e gratuita contra os trabalhadores?
4. Será o ensaio geral para começarem a infiltrar “agitadores” nas ações de protesto promovidas pelos sindicatos e partidos?
Toda a atenção é pouca!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bertold Brecht – Quem não sabe de ajuda...



Como pode a voz que vem das casas

Ser a da justiça

Se os pátios estão desabrigados?

Como pode não ser um embusteiro aquele que

Ensina aos famintos outras coisas

Que não a maneira de abolir a fome?

Quem não dá o pão ao faminto

Quer a violência

Quem na canoa não tem

Lugar para os que se afogam

Não tem compaixão.

Quem não sabe de ajuda
Que cale.

(Bertold Brecht)

Depois de uma passagem pelo “Catarina de todos nós” não resisti a surripiar estes versos tão simples de Brecht (são sempre “simples”) e trazê-los para aqui. Não resisti a repetir aqui, também, a ideia por detrás do comentário que, então, lá deixei, a propósito, sobretudo, de dois dos versos:

“Quem não dá o pão ao faminto

Quer a violência”

Deve ser por ter plena consciência disso mesmo, que este governo fantoche das troikas,  ao mesmo tempo que faz gigantescos cortes nos orçamentos de praticamente todas as obrigações do Estado, desde a escola pública à cultura ou à saude... em contrapartida, quase não toca nos orçamentos das forças policiais, de que espera vir a necessitar para reprimir a resistência popular à sua política de saque do país e dos trabalhadores.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Quando os bandidos são da polícia... 2


Volto ao escabroso tema deste post, aqui publicado há uns dias, porque a questão de que nele se falava está longe de estar arrumada. Pelo que leio no “5 Dias” (via “O Castendo”), quando se esperava que o inquérito interno da polícia, sobre as reais motivações que levaram vários agentes da esquadra lisboeta das Olaias a violentar vários jovens da JCP, sob o pretexto de que eles tinham pintado umas letras num muro, avançasse com rapidez, nada disso acontece. O inquérito está estagnado! Recorde-se que esses agentes acharam adequado obrigar a despir integralmente os jovens, ou antes, apenas as raparigas (menores de idade), para as revistar. Recorde-se ainda que esses jovens se limitaram a exercer o direito de, livremente, pintar um mural com propaganda política.

Ao mesmo tempo que o inquérito interno à atuação dos polícias se arrasta, impelidos pelo espírito de corporação, alimentado certamente pela antiga e abjecta “filosofia de caserna”, os abusadores insistem no abuso. Ressabiados pela queixa dos jovens e do enxovalho público que a queixa provocou, resolveram vingar-se, não só continuando a perseguir as vítimas, como estendendo a perseguição e devassa às suas famílias, nomeadamente no caso em que a mãe de uma das menores tem a sua vida privada investigada no sentido de se saber se tem “condições para educar e criar a filha”... tal a gravidade do “crime” por esta cometido com a pintura da parede. 

Pode dizer-se que o chefe da polícia local é um fascista; pode argumentar-se que uma boa parte dos seus agentes não passa de um bando de bestas acéfalas; pode-se imaginar que naquela esquadra e para aqueles agentes, ter duas menores nuas à sua frente, por pura diversão, é apenas um tique de “macho dominador”; o que não se pode é assistir ao silêncio cúmplice de toda a corporação policial! Penso particularmente nos milhares de polícias que, não poucas vezes, têm sido apoiados nas suas reivindicações e protestos, exatamente pelo partido a que pertencem os jovens violentados pelos seus colegas. 

Sendo assim, mesmo consciente da quase inutilidade destas posições e atitudes individuais, daqui para a frente, ou até que se conheça uma clara condenação e demarcação desta ação nojenta por parte da “outra polícia”... que era suposto existir, ninguém mais contará comigo para um acto ou sequer uma palavra de solidariedade para com a polícia e seus agentes, seja lá o que for que lhes aconteça. 

Acordem!