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terça-feira, 25 de junho de 2013

Rui Tavares – Muito provavelmente... um génio incompreendido!


Num exercício já habitual em si, o de ir dando marteladas em que o balanço entre as que acertam no cravo, na ferradura, ou em parte alguma, é sempre bastante difícil de fazer, o eurodeputado “independente” que foi eleito com o programa e os votos dos eleitores do BE, mas que depois mandou o BE às malvas,“esquecendo-se”* de devolver o lugar de deputado... veio defender a necessidade de que apareça na cena política portuguesa mais um partido. À esquerda, defende ele. Que não tenha vergonha de dizer em público o que os outros dizem nos corredores, especifica.
Enquanto guardo para outra altura a apreciação, deslumbrada, desta nova e genial ideia para unir a esquerda que for “unível”... acrescentando mais um partido à equação, em vez de construir pontes sobre as dificuldades históricas e inegáveis que existem entre os actuais, gostaria de, por mero exercício, corresponder ao desafio de Rui Tavares, dizendo também em público o que alguns ex-companheiros de partido e conhecidos vários, muito provavelmente, dizem dele nos corredores:
“Olha o espertalhaço do Rui Tavares a ver se arranja um partido em que possa ficar no topo!”
“Mas para que é que este quer outro partido? Para também o burlar com mais uma eleição para o Parlamento Europeu... e depois pôr-se a milhas com o lugar e o chorudo ordenado?”
“Ouve lá... o facto de um historiador estar constantemente a pôr-se em bicos de pés para ficar na História, não poderá ser considerado batota?”
“Contribuirá assim tanto para a unidade que diz defender, o facto de Rui Tavares estar constantemente a denegrir aqueles que estão, há muitos anos (mais do que os que ele tem de vida), à sua esquerda, em escritos e dichotes que, no lugar da salutar troca de ideias, roçam quase sempre o anticomunismo vesgo e primário?”
E poderia continuar eternamente, já que se há lugar em que realmente se fala pelos cotovelos... é nos corredores!
* Eu sei que, legalmente, o lugar de deputado pertence ao deputado eleito e não ao partido que o convidou, que mobilizou meios financeiros e humanos para a sua eleição e que dá a cara, todos os dias, pela coerência da sua prática, sempre posta em causa por comparação com o seu programa eleitoral.
Desculpem-me a opinião provavelmente “politicamente incorrecta”... mas defendo que não deve ser assim! Um deputado que (no exercício da sua liberdade) se afaste do programa político com que se comprometeu em eleições, deve entregar o lugar ao partido que o levou a esse lugar.
Isso é que é liberdade de pensamento! Ficar com o lugar, à força, é oportunismo e falta de vergonha na cara!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Cavaco e Fátima – Uma "explicação" alternativa...


Depois de várias horas de polémica e, sobretudo, grande gozo com a figura tristemente ridícula feita por Aníbal Cavaco Silva ao dizer que a sétima avaliação da troica foi uma «inspiração» da “senhora de Fátima”, começo a achar (e bem ralado fico com isso!) que estou de acordo com ele.
Na verdade, quem nos garante que a “senhora de Fátima” não acordou com um forte ataque de “TPM” (sim, as virgens também têm!) e, do alto do seu altar e da sua irritação dolorida, vendo toda aquela gente que vai de rastos para a Cova da Iria, mais os largos milhares que, mesmo não indo de rastos para a Cova da Iria, também não fazem nada para tomar o futuro nas suas mãos, para mudar de vida, de governo, de política... e votam sempre nos mesmos que os massacram há décadas, ou nem votam... não pensou na sua “santa” cabeça:
“Ora tomem lá com mais uma avaliação da troica que vos ponha ainda mais dependentes dos ocupantes e da banca internacional, a levarem com mais cortes nas pensões, mais aumentos nas taxas da saúde, mais cortes no ensino, mais recessão, mais anos de trabalho, mais desemprego, mais emigração... que é para aprenderem!!!”
Quem sabe? Quem sabe se, desta vez, Cavaco está cheio de razão?!
Adenda: Antes de começar a ter comentários sobre a minha falta de respeito pela fé das pessoas, com que não deveria brincar, esclareço já que, parafraseando o grande Paulo Portas, há uma “fronteira” que não estou disposto a passar, fronteira que separa a religiosidade das pessoas, seja ela mais ou menos sã, religiosidade que, geralmente, respeito... e a gigantesca negociata, fraude política e fraude religiosa montada em Fátima no ano de 1917.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Paulo Portas – Fronteiras flutuantes...


Paulo Portas declarou, há poucos dias, envergando garbosamente a sua máscara de estadista, máscara com que esconde o mais abjecto oportunismo político... que, no que respeitava aos cortes nas pensões, havia uma «fronteira que ele não permitiria que fosse ultrapassada».
Dir-se-á que Portas, invertebrado... permitiu que se ultrapassasse a tal fronteira. Errado!!!
A “fronteira” é que mudou de lugar!
Poderá parecer um fenómeno muito estranho, este das “fronteiras flutuantes”... mas, na verdade, está constantemente a acontecer... no mundo dos canalhas.

sábado, 27 de outubro de 2012

João Duque – Lembrem-se disto...


O omnipresente economista (chamemos-lhe assim) João Duque, é uma cara habitual nas páginas do “Expresso” e nos estúdios da “SIC”, validando as políticas de austeridade cega, de extremo “rigor” e “transparência” deste Governo... serviços pelos quais é, seguramente, muito bem pago.
Goste-se ou não da forma como que Balsemão ganha o dinheiro com que lhe paga os servicinhos, a verdade é que lhos paga com os fundos da sua grande empresa de comunicação social, a conhecida “Impreza”.
Como “bom rapaz” que é, João Duque quis retribuir a continuada gentileza de Balsemão, inventando um concurso público completamente martelado, destinado a entregar aos cofres de Balsemão um chorudo negócio de publicidade. É um gesto bonito, mas...
O pequeno problema é que, para além da trafulhice evidente nos termos do concurso, que até um leigo vê que é feito à medida, o dinheiro envolvido não sai dos bolsos do senhor João Duque, mas sim do orçamento do ISEG, que, pelo menos da última vez que vi, era sustentado por dinheiros públicos.
Claro que, talvez para “prestigiar” o seu cargo de presidente do ISEG, de economista e figura pública, João Duque não esconde o facto de achar o seu acto normal e insinuar que as regras dos concursos públicos não passam de uma enorme maçada e que devem ser ignoradas.
Esta estória não serve para grande coisa... mas pelo menos dá-nos pistas para pensar sobre a credibilidade de um aldrabão e oportunista que não se cansa de falar de cátedra e arrotar postas de pescada sobre as obrigações dos cidadãos e da honestidade que tanto falta... aos outros.
Lembrem-se disto sempre que o virem dar-nos lições de moral!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

António Capucho – Os cavalheiros bem falantes


As crises muito graves, como aquela que atravessamos, têm sempre vários lados e aspectos... todos tenebrosos. Uns são evidentes e entram pela nossa casa dentro com botas cardadas. Outros, avançam com pezinhos de lã... mas não são menos sinistros.
É o caso da súbita “fervura” contestatária de António Capucho que, tenta (ingloriamente) esconder o ressabiamento que tem em relação à direcção do seu partido, com a terna pose bem falante, de emérito cavalheiro e irrepreensível democrata. Mas será assim?
Ouvindo o que têm para propor tanto ele como mais uns tantos dos súbitos contestatários... diria que não. Diria mesmo que é muito cedo para desatar a simpatizar com esta gente e cometer a asneira de pensar que alguma coisa os impeliu a ficarem mais próximos de nós. Senão vejamos:
1. Capucho, ostentando o seu mal disfarçado ódio pessoal a Passos Coelho, defende que o PSD deve participar numa solução governativa... mas sem o actual primeiro-ministro.
2. Defende a formação de um governo que seria qualquer coisa entre o “governo de iniciativa presidencial” e “de salvação nacional”, soluções que estão (quase) sempre na antecâmara da negação da democracia.
3. Defende que esse “governo” que iria reparar os estragos de muitos anos de governação do PS, do PSD e do CDS deve ser formado... por elementos do PS, do PSD e do CDS, aquilo que este tipo de “pluralistas” gosta de chamar “arco governativo” e que tão boas provas tem dado.
4. O facto de, calmamente, deixar de fora das soluções do país o PEV, BE e PCP, para falar apenas das forças actualmente com assento parlamentar, forças essas que, pelo menos da última vez que vi, estavam no Parlamento com os votos legítimos de muitos e muitos milhares de portugueses, mostra bem onde se risca a linha “afascistada” que desde o chamado Estado Novo nunca se apagou, linha que delimita a fronteira da “democracia” deles.
5. Para reforçar a nossa confiança no seu “apego à democracia”, Capucho dá a entender que esse (no seu entender) “incontestável” governo, ficaria em funções por tempo indeterminado, já que defende que só haveria lugar a novas eleições, terminado o processo de intervenção e “assistência” da “troika” em Portugal, o que, dadas as condições complexas em que nos encontramos (juntamente com tantos milhões de seres humanos pela Europa fora e pelo mundo), quer dizer ninguém saberia quantos anos levaríamos até poder voltar a ter eleições legislativas livres.
Não! Decididamente, não tenho pachorra para esta estirpe de cavalheiros bem falantes!!!


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Governo PSD-CDS – Movimentações e cotoveladas no poleiro


Pronto... diria que ainda é muito cedo para esperar ver o CDS e o seu chefe Paulo Portas a participarem nas próximas manifestações da CGTP contra a austeridade e as políticas do governo... mas parece começar a haver sinais de fissuras no “verniz” que cobre a estrumeira governamental.
Depois de alguma desafinação quanto ao tema RTP, há agora esta ligeira dissonância perante a troika, um vislumbre de nuvens de borrasca no “paraíso".
Apesar de ser mais do que certo que, como diz Jerónimo de Sousa, «o CDS irá ao sítio», parece-me que Paulo Portas continua a tratar de marcar o seu território no palanque do poder, perante a evidente indigência política da concorrência interna na coligação... a confirmar que, tal como muito bem disse o meu amigo e jornalista Viriato Teles, aquilo que a alguns políticos falta em sentido de Estado, sobra-lhes em... 
sentido de estrado!