Num exercício já habitual em si, o de ir dando marteladas em que o balanço entre as que acertam no cravo, na ferradura, ou em parte alguma, é sempre bastante difícil de fazer, o eurodeputado “independente” que foi eleito com o programa e os votos dos eleitores do BE, mas que depois mandou o BE às malvas,“esquecendo-se”* de devolver o lugar de deputado... veio defender a necessidade de que apareça na cena política portuguesa mais um partido. À esquerda, defende ele. Que não tenha vergonha de dizer em público o que os outros dizem nos corredores, especifica.
Enquanto guardo para outra altura a apreciação, deslumbrada, desta nova e genial ideia para unir a esquerda que for “unível”... acrescentando mais um partido à equação, em vez de construir pontes sobre as dificuldades históricas e inegáveis que existem entre os actuais, gostaria de, por mero exercício, corresponder ao desafio de Rui Tavares, dizendo também em público o que alguns ex-companheiros de partido e conhecidos vários, muito provavelmente, dizem dele nos corredores:
“Olha o espertalhaço do Rui Tavares a ver se arranja um partido em que possa ficar no topo!”
“Mas para que é que este quer outro partido? Para também o burlar com mais uma eleição para o Parlamento Europeu... e depois pôr-se a milhas com o lugar e o chorudo ordenado?”
“Ouve lá... o facto de um historiador estar constantemente a pôr-se em bicos de pés para ficar na História, não poderá ser considerado batota?”
“Contribuirá assim tanto para a unidade que diz defender, o facto de Rui Tavares estar constantemente a denegrir aqueles que estão, há muitos anos (mais do que os que ele tem de vida), à sua esquerda, em escritos e dichotes que, no lugar da salutar troca de ideias, roçam quase sempre o anticomunismo vesgo e primário?”
E poderia continuar eternamente, já que se há lugar em que realmente se fala pelos cotovelos... é nos corredores!
* Eu sei que, legalmente, o lugar de deputado pertence ao deputado eleito e não ao partido que o convidou, que mobilizou meios financeiros e humanos para a sua eleição e que dá a cara, todos os dias, pela coerência da sua prática, sempre posta em causa por comparação com o seu programa eleitoral.
Desculpem-me a opinião provavelmente “politicamente incorrecta”... mas defendo que não deve ser assim! Um deputado que (no exercício da sua liberdade) se afaste do programa político com que se comprometeu em eleições, deve entregar o lugar ao partido que o levou a esse lugar.
Isso é que é liberdade de pensamento! Ficar com o lugar, à força, é oportunismo e falta de vergonha na cara!





