terça-feira, 24 de maio de 2011

PS/PSD – O maravilhoso mundo dos tachos


Durante o jantar de ontem lembrei-me de repente desta obra da popular artista plástica Joana Vasconcelos. Chama-se o chamativo objeto “Marilyn” e é, como se pode ver, um gigantesco sapato de salto alto, feito de brilhantes tachos e as suas respectivas tampas. Por mim, ter-lhe-ia chamado “O sonho de Filipa Vacondeus”... mas isso são cá coisas minhas. Agora se a Joana Vasconcelos quisesse ter dado um cunho de atualidade política ao seu “sapato”, bem poderia ter-lhe chamado “Base de sustentação do partido do governo”.
Fui pensando tudo isto enquanto a televisão me ia informando sobre a mais recente, renhida e profunda “disputa ideológica” entre Passos e Sócrates, a propósito das putativas nomeações de mais uns “boys”, colocados à pressa antes que mudem os chefes. Aparentemente, Passos Coelho não foi informado das avalanches de “boys” e nomeações já antes criadas pelo seu próprio partido, por isso, para além do “estrondo” da denúncia, ainda tem descaramento suficiente para afivelar um ar escandalizado. Ou então tudo se resume, na realidade, como defendem os (sempre mal intencionados) "comunas", a mais uma fuga à discussão dos verdadeiros problemas dos portugueses... tais são as semelhança entre os "adversários".
Esta saraivada de colocações e nomeações em finais de mandatos, tem sido assim, alternadamente, desde que estes dois partidos começaram a partilhar o poder, o que me levaria, se quisesse comentar esta estória seriamente, a dizer que se há coisa mais insuportável que um calhordas, é um calhordas desmemoriado... e que esta historieta não passa, no conteúdo, de mais uma pouca de bosta, e na forma, de uma paupérrima desgarrada de “provocação/ataque”, seguido da “provocação/resposta”... mas sem a concertina. Só que não quero!
Primeiro, porque não sou um comentador “sério”, nem um politólogo encartado.
Segundo, porque na verdade eu adoro nomeações! Muito! Gosto tanto de nomeações que agora era capaz de ficar aqui, durante horas, a “nomear” os milhares de “boys” e de “girls”, carreiristas, cavaquistas, "socialistas", alpinistas, especialistas, analistas, jornalistas ("e outras coisas em istas que não cabe aqui dizer", como escreveu o Ary) que tanto PSD como PS já nomearam... mas acredito que nenhum deles ou nenhuma delas iria gostar de ouvir os “nomes” que eu tenho em mente.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sócrates - Quem não tem vergonha todo o mundo é seu!


Qual é a melhor maneira de suportar os discursos de José Sócrates? 
Fácil! É não entender uma palavra do que ele diga.
Este é apenas mais um singelo contributo para comentar a notícia do “Correio da Manhã”, que nos dava conta da arregimentação de imigrantes paquistaneses e indianos a troco de refeições, para os comícios de Sua Excelência o Presidente do Conselho, com a tarefa de agitar bandeiras e cumprimentarem muito o candidato... se houvesse câmaras de vídeo e fotografia apontadas, presumo. Acresce o pormenor delirante de alguns desses imigrantes, contratados nas obras e em lojas do Martim Moniz, não entenderem (nalguns casos) uma palavra de português.
Segundo uma mais recente prosa, desta vez do “i”, depois da escandaleira provocada pela descoberta da origem destes motivadíssimos "apoiantes" de Sócrates, a coisa teve o desfecho que se esperaria: os imigrantes do Paquistão e da Índia foram “apagados” de cena. Trata-se de uma «estrutura voluntária que não é controlada… e que poderá não voltar a aparecer», teve ainda assim a lata de explicar alguém da direção da campanha.
Mesmo não podendo deixar de registar a triste situação económica que poderá ter levado estes imigrantes a aceitar tal “convite”, verificar que alguém na campanha do PS terá achado que aquela farsa poderia durar mais do que um ou dois comícios é, ao mesmo tempo, tão desanimador e tão ridículo, que nem apetece comentar a sério.
Seja como for, dada a origem geográfica destes imigrantes “voluntários”, a estória fez-me lembrar uma das piadas de um velho programa radiofónico de humor, o “Pão com manteiga”, piada que me apetece aqui “remodelar”.
Quanto mais a mentira sobe, mais o “Bangladesh”!  (*)
* No original, “quanto mais o dólar sobe...”

Rumo à utopia


Salvo honrosas exceções somos um povo bipolar. Intercalamos a um ritmo alucinado grandes admirações com profundos desprezos, grandes amores com vesgos ódios, grandes entusiasmos com as mais paralisantes melancolias e desânimos. Os treinadores de futebol são as vítimas mais visíveis desta arte portuguesa de, em poucos segundos, transformarmos o que era “bestial” em besta, mas por todo o lado, a toda a hora há sempre alguém a sofrer na pele as consequências desta doença.
A vida política – e as próximas eleições mais uma vez vão comprová-lo – não é exceção. As ideias e programas que hoje são capazes de provocar os mais inconvenientes entusiasmos e infundados triunfalismos, passado o dia das eleições, já são ideias que “não conseguem passar”, programas que têm que ser “profundamente repensados”, “nada vale a pena”, “não adianta insistir”... e por uns tempos, ou nos casos piores, para sempre, desiste-se.
E aqui chegamos a uma pequena “estória” que constituiu um aparte (são quase sempre a melhor parte) numa palestra do juiz Laborinho Lúcio, que aconteceu aqui em Montemor e que só surpreendeu quem nunca o tinha ouvido antes. Estava o orador numa fase em que na palestra, com o tema “Educação e Cidadania”, defendia perante uma plateia recheada de professores, que a educação e a cidadania estão intimamente ligadas e que fazem parte integrante de uma coisa maior que é a Liberdade, todas contribuindo para nos alimentar os passos rumo aos nossos sonhos, rumo à nossa Utopia. Dizia Laborinho Lúcio o quanto é triste ver um professor abandonar o sonho que o trouxe para o ensino, ver alguém, professor ou não, desistir da sua Utopia. Para melhor ilustrar a ideia, fez o tal “desvio” por esta estória, mais ou menos por estas palavras:
No princípio da década de cinquenta na povoação piscatória da Nazaré os estudos não iam além da velha quarta classe. Quando o muito jovem Laborinho Lúcio quis entrar para o ciclo preparatório teve que começar a viajar, diariamente, até Alcobaça. Apanhava a carreira dos “Claras” que ia para Torres Novas, saia em Alcobaça... e a camioneta lá seguia para o seu destino desconhecido e misterioso: Torres Novas!
Durante muito, muito tempo, Torres Novas foi a sua “utopia” de criança. Quando mais tarde conseguiu finalmente lá chegar, percebeu que o “problema” nunca residiu nem em Torres Novas, nem na sua “utopia”... mas simplesmente no facto de ele, todos os dias, durante meses e meses, se ter apeado cedo demais da carreira que o poderia levar até lá.
Exatamente como nós estamos, constantemente, a fazer. Façamos o possível por não sairmos da nossa carreira antes de chegarmos ao destino!

domingo, 22 de maio de 2011

Festival Cantar Abril – Miguel Calhaz


O meu contrato com a Câmara de Almada é simples. De dois em dois anos a autarquia organiza o “Festival Cantar Abril”, para premiar a melhor recriação  de uma das canções já conhecidas da resistência e do pós 25 de Abril, para promover a criação de canções originais que, de alguma forma, prolonguem essa maneira de estar na música e na vida. Em contrapartida, eu e os demais membros do júri (Amélia Muge, João Afonso, André Santos e António David) fazemos o melhor para que sejam premiadas exatamente a melhor recriação (Prémio Adriano Correia de Oliveira), a melhor canção original (Prémio José Afonso) e a melhor letra (Prémio Ary dos Santos).
Este ano, porém, alguém na organização resolveu “extrapolar” e, horas antes da final, fui avisado de que iria receber o “Prémio Carlos Paredes”, um prémio de carreira. Alguém devia ter informado os responsáveis da Câmara de que estes prémios são dados, normalmente, a pessoas que, a serem “cantautores” como eu, têm muitos discos no mercado, vão muito à televisão, dão muitas entrevistas, passam muito na rádio, são muito fotografadas em festas... mas, pelos vistos, os critérios devem ter sido outros. 
Ao “prémio carreira” não corresponde nenhuma quantia em dinheiro. Apenas o “embaraço” de, já estando no palco como membro do júri e na presença dos “julgados”, ter que ir à frente receber o prémio e “discursar” um agradecimento... o que fiz, durante cerca de vinte segundos. Obrigado! Soube muito, muito bem!
A carga de nervoso miudinho foi largamente compensada por ter contribuído para a vitória desta cantiga que hoje vos proponho. Chama-se “Estas palavras” e foi inventada pelo intérprete, o jovem Miguel Calhaz, vindo da Sertã, trazendo na bagagem muito talento, um contrabaixo e o seu amigo e conterrâneo Marco Figueiredo, para o acompanhar (muito bem!) ao piano.
Segundo uma sua curta nota biográfica, Miguel Calhaz é um músico freelancer, cantautor e contrabaixista. Mantém projectos musicais nas áreas do Jazz, da WorldMusic e da Música Portuguesa. 
É licenciado em Educação Musical e Professor das Unidades Curriculares de Seminário e Projeto, e Ateliê de Coro e Música de Conjunto, do Curso de Professores de Educação Musical do Instituto Piaget (Viseu). Estudou no curso de Contrabaixo/Jazz da Escola Superior de Música e das Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto.
Resumindo: Fiquei (ficamos todos) muito feliz por mais uma vez nos ter aparecido ali um destes artistas que o “país oficial” quase faz gala em não conhecer. Mais uma vez fiquei muito feliz por ter assistido a um espetáculo em que outros dos concorrentes, com igual justiça, poderiam ter ganho os prémios a concurso. Em 2013 haverá mais.
Bom domingo!
“Estas palavras” – Miguel Calhaz
(Miguel Calhaz)



sábado, 21 de maio de 2011

Dia do juízo


(“O dia do juízo” -  Peter Paul Rubens)

Provavelmente, este é o meu último post. Provavelmente, esta é a nossa última conversa. Pelo menos, a fazer fá nas “previsões” de uma seita de evangélicos ainda mais “desligados” do que aqueles a que me habituei na infância e juventude, tudo crentes que ao pé destes, eram mais “sérios” do que o busto do Alexandre Herculano.
Segundo o pastor Harold Camping, hoje a terra sofrerá um violento abalo. Como resultado, os fiéis subirão nos ares ao encontro de Cristo e os outros - comigo certamente incluído - ficarão por cá, morrendo aos poucos, até finais de Outubro, altura em que se consumará o fim do mundo.
É hoje! Dia 21 de Maio de 2011! Dia do juízo! O meu pai, também ele pastor evangélico, toda a vida pregou sobre este acontecimento: a ressurreição dos mortos, a ascensão, o arrebatamento dos verdadeiramente fiéis... apenas nunca teve a lata de fixar uma data para a coisa... e, certamente por aversão a confusões, ajuntamentos e as previsíveis filas intermináveis, foi andando à frente, faz já alguns anos.
Recomendação: Mantenham-se vestidos. Se o fim do mundo já é um incómodo... então o fim do mundo em cuecas pode ser extremamente embaraçoso.
Observação: Muita falta faz a tanta gente (pelo menos) um dia do “juízo”!
Final “herético”: Até amanhã!

Decididamente!...


Andei durante horas e horas a chamar nomes, vá lá... desagradáveis, aos senhores e senhoras jornalistas, comentadores e politólogos que foram anunciando repetidamente o debate entre Passos Coelho e Sócrates, como “o debate decisivo”. Como se não houvesse nestas eleições mais candidatos e candidatas a deputados e deputadas... até nos partidos destes dois; como se a democracia, mesmo esta, apenas representativa, adoentada e com falta de crédito, se resumisse a uma luta de arena, onde ganhasse quem possuísse o melhor e mais afiado par de caninos. Fiz mal!
Afinal, o "debate" (como pode ver aqui, ou aqui, ou aqui, quem não pôde segui-lo em direto) teve todas as condições para ser, efetivamente, "decisivo". Espero que, tal como eu, muitos mais milhares de portuguesas e portugueses tenham decidido... não votar num nem no outro.
Mas ir votar!
Eu, na verdade, já o decidi há muito... e para os indecisos... ainda não é tarde!
(Nada do que eu possa aqui dizer, quer o faça a sério ou a brincar, pode retratar a pobreza que aquilo foi!)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Sócrates – As críticas e as provas dadas


Ainda faltam vários dias de campanha e Sócrates já exibe índices de histeria muito acima do seu estado normal. Aproveitando a oportunidade de, finalmente, ter “chegado a democracia a Beja” (como disse o cromo que está lá de presidente da Câmara do PS, na noite em que o PSD lhe deu a vitória), o primeiro-ministro demissionário proclamou naquela cidade alentejana que «desta vez é que é a sério!», lançando assim grandes dúvidas sobre o que realmente andou a fazer e a dizer durante as anteriores campanhas eleitorais.
Seja como for, a declaração que mais me “convocou” foi aquela em que Sócrates questionou a “autoridade moral” daqueles que ousam criticá-lo. Diz o candidato a reincidente que só pode criticá-lo quem consiga «dar provas de ter feito melhor».
E é assim minhas amigas e meus amigos... e passantes ocasionais. Ficam a saber que a partir de agora, se quiserem criticar a forma como o Ronaldo jogou no jogo “X” da Seleção Nacional... têm que dar provas de jogar melhor do que ele. Se quiserem criticar a atriz “fulana de tal”, naquela cena erótica do seu último filme... têm que dar provas de que fazem melhor.
Todos, todos, incluindo Sua Excelência o Presidente do Conselho... que daqui para a frente se quiser dizer que lhe serviram um ovo estragado, deve dar provas de ser capaz de pôr um ovo fresco... por muito que custe!