quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Álvaro Cunhal (10.11.1913 – 13.06.2005)


Todos os dias nascem milhares de seres humanos. Nascem rodeados e condicionados pelas realidades mais diversas. Nascem do amor, do acaso, da violência... mas todos, todos com o inalienável direito a conquistar um lugar no grande navio da História.
A grande maioria vem engrossar as fileiras dos explorados pelos “senhores da Terra”.
Muitos, pela sua “diferença”, estão condenados à discriminação, às humilhações, ao martírio.
Outros, exatamente por serem “diferentes”, serão capazes de, ainda que milimetricamente, desviar o leme e o rumo do navio... para melhores portos, praias mais suaves, manhãs mais claras, dias mais justos...
Este, Álvaro Barreirinhas Cunhal, nascido a 10 de Novembro, há 98 anos, foi, e até ao limite das suas forças, um ser humano decididamente muito diferente... como eu tive o grato privilégio de constatar.
“Até amanhã...”

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cavaco lava mais branco


Cavaco Silva está nas terras de Obama com o objectivo (entre outros) de «corrigir imagem um pouco distorcida» de Portugal.
A ideia é louvável, mas parece-me que a primeira grande medida... seria não ter ido ele à frente da “embaixada” encarregada do tratamento em “photoshop” da nossa imagem.
...mas já que lá foi, um grande feito seria convencer os ianques de que os seus ministros e secretários de estado a contas com a justiça, nunca existiram... os da fotografia e os outros todos que não “cabiam”.

Face oculta... com o rabo de fora


(Instalação de Tim Noble e Sue Webster)

Aí está o grande, o gigantesco julgamento! Muitos milhares de páginas de processo em 130 volumes, com mais de 300 apensos. 36 arguidos, mais de 50 advogados, mais de 500 testemunhas.
Algumas das testemunhas têm tanto que ver com o processo, como eu com a exploração de água em Marte... como será o caso do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.
Não foi preciso esperar horas, sequer, para que o “habilidoso” Sá Fernandes começasse a tirar coelhos da cartola.
Está tudo de “consciência tranquila” e todos ficam enxofrados com a mera suposição da sua participação na lixarada que todo este processo é.
Uma boa parte do dinheiro ganho com as negociatas levadas a julgamento, será enterrado nas contas bancárias dos milionários advogados (sempre os mesmos!)... provando que o Sérgio Ribeiro estava carregado de razão quando disse que «A corrupção deve valer a pena, mas nunca a de pena de prisão», nesta bem humorada coleção de conselhos aos corruptos.
Durante anos, milhões de euros serão esturricados em milhares de viagens para o Tribunal de Aveiro. Durante anos, rios de recursos humanos e financeiros serão canalizados para este espectáculo. Depois, se houver algumas condenações, teremos mais alguns anos de recursos, incidentes, mais recursos, golpes de teatro, ainda mais recursos...
Depois... nada. O esquecimento. A impunidade.
Escrevo tudo isto para demonstrar que já percebi como é que se faz dos portugueses tolos, como é que se “enche a tulha e bebe vinho novo, ou dança a ronda no pinhal do rei”:
Em vez de se julgar cada acusado pelos crimes de que está indiciado, sozinho, assistido (obviamente) pelo seu advogado, permitindo apenas um número razoável de testemunhas que tenham de facto algo de relevante a dizer... garantido uma Justiça rápida e por isso mesmo, mais justa (seja para condenar ou seja para absolver), atascam-se as salas de tribunal com centenas de réus, advogados, testemunhas, jornalistas e mirones... chamando-se à coisa, pomposamente, “Mega Processo”.
Claro que espero estar, desta vez, enganado... mas a História diz-nos que esta técnica quase nunca falha! Dentro de alguns anos teremos a confirmação.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Tom & Jerry (*)


Pelos vistos, o indescritível Relvas cansou-se (por agora) de brincar com o  Tozé Seguro. «Não há almofadas» que permitam evitar o corte dos dois subsídios, diz ele.
Espera-se agora a “violenta oposição” do líder do PS.
Adaptando a meu jeito um comentário que um amigo aqui deixou num post sobre o “cromo rosa”, diria que esta liderança de Seguro está a mudar a imagem que tínhamos do Partido Socialista.
Até hoje, quando no Governo, o PS tinha uma prática política de direita; quando na oposição, arvorava um discurso embrulhado em frases de “esquerda”.
Agora, se fosse Governo, Seguro (como já admitiu) continuaria a política de direita... mas na oposição assumiu corajosamente o seu velho sonho: a “stand-up-comedy”... que aqueles menos familiarizados com as técnicas e subtilezas dessa fina arte, chamam apenas anedota.
* Só que, nos desenhos animados, o Jerry era “rápido” e muito mais esperto...

E chegará o dia das surpresas (*) - Uma reflexão em forma de “daí”


Salvo algumas tão honrosas quanto raras excepções, a comunicação social portuguesa (já que a outra não tenho o pretensiosismo de dizer que conheço) padece de uma irresistível e reiterada queda para a parolice.
É a parolice de, mesmo sabendo que não vai poder falar com ninguém, ainda assim enviar jornalistas “em direto” para a porta do palácio disto ou daquilo, da Procuradoria das não sei quantas, do escritório do senhor fulano de tal... onde os ou as jornalista ficam a recitar a mesmíssima notícia que já tinha sido lida no estúdio.
É a parolice de noticiar desastres de viação e outros acontecimentos ainda menores, ocorridos em países que só falariam de Portugal para dar conta do seu “falecimento” nacional.
É a parolice (mais irritante a cada ano que passa) de se “surpreenderem” com as primeiras neves... e ala para a Serra da Estrela cobrir o acontecimento; ficarem estupefactos com a chuva, banzados com o calor (horas de emissão nas praias “atenção aos protetores solares”, às maminhas ao léu e à problemática da “Bola de Berlim”); ficarem de boca aberta com os incêndios (sobretudo aqueles que têm o descaramento de deflagrar fora da pré-determinada “época de incêndios”... e ala para lá, estorvar os bombeiros e procurar afanosamente alguma vítima que chore muito pela sua casa e pelas cinco ovelhas... sem saber que ninguém a ajudará e apenas está a ser sacrificada no altar das audiências televisivas.
O poder está nas mãos de uma geração de políticos formatados por esta mediocridade parola.
Daí que não seja surpreendente vê-los tão surpresos com os “desvios colossais”, os buracos nas contas, as “pesadas heranças”. Daí que não surpreenda a sua surpresa com os pesados "prejuízos" dos transportes públicos, hospitais públicos, ou escolas públicas... tudo coisas que, como qualquer pessoa sabe, dão chorudos lucros em qualquer país do mundo.
Daí que seja natural eu imaginar o seu ar de “surpresa” ao lerem a notícia de que a «queda do comércio em Portugal é a maior da Europa».
Daí que seja natural eu imaginar o seu ar de surpresa, quando perceberem que depois do aumento brutal do IVA em quase tudo aquilo que os portugueses consomem... vão cobrar menos IVA, por não haver consumo. Que depois de estrangularem as micro, pequenas e médias empresas, com aumentos de impostos e o encarecimento de muitos dos meios de produção... vão cobrar menos IRC, porque não há produção, não há lucros, não há comércio. Que depois de fazerem “acertos cirúrgicos” no IRS, a fim de aumentar a colecta, o aumento galopante do desemprego e os cortes dos salários afundá-la-ão.
Daí eu achar que estes governantes, mesmo carregados de cursos vistosos, tomam medidas políticas e económicas que são uma dramática amálgama de canalhice, subserviência ao capital financeiro apátrida, desprezo pelo povo, incompetência e muita, mas mesmo muita e espessa estupidez!
Daí que não deva ser surpresa para ninguém o cada vez maior número de portugueses que lutam para que chegue, definitivamente, “o dia das surpresas”.
* Com um “olá” para o Saramago e o Manuel Freire e, vá lá... para o Beethoven.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

António José Seguro – À beira do rio nascem “violentas” ao comprido... (*)




Esta parda inexistência que ocupa (ainda que precariamente) o lugar de líder do PS, admite que até gostaria de votar favoravelmente o Orçamento de agressão aos portugueses, perpetrado pela quadrilha de Passos/Relvas, Portas e Gaspar. Só que, conta-nos ele, depois de ver o dito Orçamento, ficou em «estado de choque». De tal maneiro ficou chocado que decidiu, bravamente... abster-se!
Agora estão vocês a pensar: ah... e tal, que grande avaria, absteve-se! Pois estão redondamente enganados. Aquilo não é uma abstenção dessas da treta. Nada disso! É uma «abstenção violenta»! Tão violenta que me ia fazendo engasgar seriamente (de tanto rir) a meio do jantar. Sobretudo e para que fique claro, aquilo não é uma «rendição», como já disseram para aí os “maledicentes” dos costume!
Abrindo um parêntesis, qual será o limite de ridículo de que este homem é capaz de se cobrir? Fechar parêntesis.
Entrámos agora na fase caricata, aquela que faz as delícias de todos os Eças do mundo, em que os contendedores se desdobram em trocas de galhardetes e "saudações", ora agora por banda do PS, ora depois por banda do PSD... como até já notaram os jornais brasileiros.
Seguro garante ainda que, ao contrário do líder da oposição da Grécia, ele, o verdadeiro “líder da oposição lusitana”, quer fazer parte da solução.
Sempre me disseram que, dependendo do seu estado de agitação do momento, não se deve contrariar esta gente. Ora por segurança, ora por piedade. Mesmo assim, aqui pra nós... acho que alguém devia dizer ao Tozé que, segundo um dicionário que tenho na melhor conta, “solução” (entre outras coisas) é um “líquido que contém um corpo em dissolução”.

* Com um pedido de desculpas ao povo, pela "violentação" das violetas da sua popular cantiga...

Cavaco Silva – Tarefa ciclópica...


Aníbal Cavaco Silva regouga solenemente:
Acredito que sim... haverá momentos verdadeiramente insuportáveis, sobretudo de cada vez que ele resolver abrir a boca. Nessas alturas infelizes, ninguém mais do que eu admirará as qualidades e utilidade das grandes fatias de bolo-rei.
O “pastel de belém” acrescentou ainda que todos temos a grande tarefa de «demonstrar às instituições internacionais que nós merecemos um futuro melhor».
Dado o evidente descrédito em que o país e a sua economia caíram, por obra dele próprio e da incompetência servil de sucessivos governos de direita... e de direita, acredito que sim. Será uma enorme e pesada tarefa... embora nem de longe nem de perto tão gigantesca como a tarefa do próprio cidadão Aníbal Cavaco Silva:
Demonstrar que “merece” ser presidente seja do que for!