quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Face oculta... com o rabo de fora


(Instalação de Tim Noble e Sue Webster)

Aí está o grande, o gigantesco julgamento! Muitos milhares de páginas de processo em 130 volumes, com mais de 300 apensos. 36 arguidos, mais de 50 advogados, mais de 500 testemunhas.
Algumas das testemunhas têm tanto que ver com o processo, como eu com a exploração de água em Marte... como será o caso do ex-Presidente da República, Jorge Sampaio.
Não foi preciso esperar horas, sequer, para que o “habilidoso” Sá Fernandes começasse a tirar coelhos da cartola.
Está tudo de “consciência tranquila” e todos ficam enxofrados com a mera suposição da sua participação na lixarada que todo este processo é.
Uma boa parte do dinheiro ganho com as negociatas levadas a julgamento, será enterrado nas contas bancárias dos milionários advogados (sempre os mesmos!)... provando que o Sérgio Ribeiro estava carregado de razão quando disse que «A corrupção deve valer a pena, mas nunca a de pena de prisão», nesta bem humorada coleção de conselhos aos corruptos.
Durante anos, milhões de euros serão esturricados em milhares de viagens para o Tribunal de Aveiro. Durante anos, rios de recursos humanos e financeiros serão canalizados para este espectáculo. Depois, se houver algumas condenações, teremos mais alguns anos de recursos, incidentes, mais recursos, golpes de teatro, ainda mais recursos...
Depois... nada. O esquecimento. A impunidade.
Escrevo tudo isto para demonstrar que já percebi como é que se faz dos portugueses tolos, como é que se “enche a tulha e bebe vinho novo, ou dança a ronda no pinhal do rei”:
Em vez de se julgar cada acusado pelos crimes de que está indiciado, sozinho, assistido (obviamente) pelo seu advogado, permitindo apenas um número razoável de testemunhas que tenham de facto algo de relevante a dizer... garantido uma Justiça rápida e por isso mesmo, mais justa (seja para condenar ou seja para absolver), atascam-se as salas de tribunal com centenas de réus, advogados, testemunhas, jornalistas e mirones... chamando-se à coisa, pomposamente, “Mega Processo”.
Claro que espero estar, desta vez, enganado... mas a História diz-nos que esta técnica quase nunca falha! Dentro de alguns anos teremos a confirmação.

10 comentários:

do Zambujal disse...

A Justiça espectáculo, a Política espectáculo, a Economia espectáculo, a Vida espectáculo... são um espectáculo estes gajos.
E os verdadeiros artistas p'ró desemprego!

Grande abraço

salvoconduto disse...

Alguns deles daqui a uns anos até serão nome de rua...

Luís Coelho disse...

Só mesmo neste país de faz de conta.

Parece-me que nem comentários merecem
estas situações caricatas....

Graciete Rietsch disse...

Depois de tudo isso, a prescrição!!!!!!

Um beijo

trepadeira disse...

Enquanto não se mandar esta pilharada toda para a sucata,o circo continua.

Um abraço,
mário

Eduardo Miguel Pereira disse...

Nem consigo perceber o porquê do julgamento !

Tudo isto para quê ?

Até parece que não sabemos já todos quem foi o culpado.

Então não se está mesmo a ver que o culpado era o malandrão do guarda nocturno das sucatas, um tal de "Bibi", que andava, pela calada da noite, a vender material de refugo das linhas da CP ?
E que tinha um sobrinho pescador que lhe arranjava uns robalos apanhados com redes ilegais.

Há sempre um "Bibi" e mais um dois figurantes para arcarem com as culpas. Julgamentos para quê ?

Fernando Samuel disse...

Estás enganado: o julgamento vai ser rápido e será feita justiça dentro de alguns anos...

Um abraço.

Antuã disse...

Eu depois que vi na estação da CP em estarreja, no dia 5 de Novembro, Sábado, às 07.20 horas, um delegado do Ministério Público estacionar nos lugares para deficientes, tendo vaga 3 ou 4 lugares ao lado, tirar da mala do carro o saco dos tacos do golf e apanhar o combóio para o Norte, não me admiro de nada.

Olinda disse...

Quando os delinquentes sao tubaroes e ficam sem castigo,estao a dar luz verde para o aumento do crime de toda a espécie.É mais um caso para o total descrédito da justiça portuguesa.

Anónimo disse...

Pois no seu artigo só faltou analisar uma possibilidade, e por sinal muito importante. E se alguns ou alguns dos acusados estiver completamente inocente? O que é que popde fazer para limpar o seu nome, mesmo não sendo condenado. Será sempre um dos "grandes" que se safou. Ou seja, os senhores procuradores e o superjuíz já fizeram a "cama" aos arguidos muito antes do julgamento começar. Isto cheira muito mal a interesses políticos. Em julgamento as provas não aparecem. Fala-se das escutas, de 20Euros a um guarda, de merdices, ...