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quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Injustiça











É tudo muito bonito… a tomada de Lisboa e a cena da porta e o diabo a sete… mas do fiel companheiro do senhor Martim Moniz, que foi fundamental para aterrorizar a moirama quando lhes fez “ffffffff”… 

disso é que ninguém fala.

Está mal.

domingo, 16 de agosto de 2020

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

John Kennedy – Não… os “elogios” fúnebres nem sempre me saem lá muito bem...


Ao contrário do que dizem alguns “jornalistas”, hoje não se comemora o assassinato de John Kennedy. Assinala-se o dia e o funesto acontecimento que então se deu. Há exactamente 50 anos.
Feita a introdução necessária, repito que nunca deixa de me espantar o fantástico branqueamento de que este Presidente dos EUA continua a beneficiar. Talvez pela juventude. Talvez por ficar bem nas fotografias e na televisão. Talvez pelo famoso “carisma”.
Os aspectos da vida pessoal e privada de Kennedy, por mais rascas, ou, dependendo das opiniões e gostos, glamorosos que sejam, não me interessam para rigorosamente nada! Logo, o que fica é o político, o homem público. E esse era um canalha!!!
Nada que ele viesse a fazer de bom para o mundo ou, sequer, para o seu país, poderia apagar na minha “História” o facto de um Presidente dos EUA, para abrir a sua presidência com um acontecimento “impactante”, não hesitar em planear (mal e porcamente!) a chacina de Fidel Castro e do seu povo que, ainda havia tão pouco tempo, se tinham libertado do jugo de uma ditadura porca, corrupta, vendida, comandada exactamente pelos EUA.
Para além de iniciar a sua “administração” com a tentativa de um acto assassino, provou que era igualmente um incompetente. Depois, quando os miseráveis exilados cubanos inimigos da Revolução (que foram enviados para Cuba como carne para canhão) necessitaram desesperadamente de ajuda, não só negou essa ajuda, como se multiplicou em declarações públicas, negando qualquer envolvimento no crime... mostrando o seu lado de cobarde.
Igualmente cobarde foi o seu envolvimento nas lutas pelos direitos civis dos negros. Por um lado, queria exibir – sobretudo para o exterior – uma imagem de modernidade. Por outro, não queria enfrentar, por puro calculismo friamente eleitoralista, os “democratas” do Sul, na sua maioria segregacionistas/racistas.
Sobre a estreita relação entre a sua eleição e os interesses da Máfia… que dizer?!
Sendo assim, os admiradores de John Kennedy que me “desculpem qualquer coisinha”... mas não contem comigo para os repetidos e fantasiosos panegíricos de que este vem sendo alvo desde o fatídico dia em que morreu!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Nazis - Chamar os nomes aos bois...


Contra mim falo, que não poucas vezes me excedo nos adjectivos... mas uma pequena troca de opiniões na caixa de comentários, a propósito do apodo de “nazis” dirigido aos dois Antónios, Costa e Seguro, obrigou-me a reeditar a minha opinião sobre o assunto. A saber:
Se gastarmos os “fascistas”, os “nazis”, etc., etc., com aqueles que traíram a Revolução, uns por medo, outros por interesse, outros por anticomunismo primário, outros por simples indigência política... como foi e é o caso de alguns dos “socialistas” que tanto irritam outros tantos comunistas e seus próximos... e isto não deixando de fora os actuais governantes, esses sim, com uma pratica eivada de tiques fascizantes inequívocos, ainda que muitos deles não estejam a trair coisa nenhuma, já que nunca estiveram com Abril, não passando de vulgares ladrões que estão simplesmente a defender e aumentar os seus patrimónios e os dos seus amigos... se gastarmos os “fascistas” e os “nazis” com estes, como ia dizendo... o que restará para chamar aos nazis e fascistas?
A propósito dos nazis da "Aurora Dourada”, que a crise grega “deu à luz” e que todos os dias vão crescendo e fazendo questão de mostrar, em acções, a podridão e o racismo assassino que carregam no seu porco “ADN”, espero que a nossa crise nacional não venha igualmente a gerar o crescimento dos seus congéneres portugueses... pois a dar-se o caso, ficaríamos reduzidos a chamar-lhes nomes como:
Malandrins, marotos, ah seus safados!, inconvenientes, arreliadores... ... ...
É no que dá vulgarizar os nomes e os horrores que são exclusivos do nazismo e do fascismo!!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Ricardo e Sebastião – “Levantados” do chão... *


“Um cavalo! O meu reino por um cavalo!”. Terão sido estas, na teatral opinião de Shakespeare, as últimas palavras de Ricardo III. Poderiam muito bem ter sido, igualmente, as últimas palavras do nosso D. Sebastião.
Unidos pelo modo como “escolheram” morrer, ambos desapareceram em batalhas que ficaram famosas.
Ricardo III, contra os “Tudor”... provavelmente por odiar baterias de automóvel, uma aversão algo profética, já que veio a ficar soterrado, até há dias, debaixo dum parque de estacionamento.
D. Sebastião, contra os “mouros”... provavelmente por ser adepto do Futebol Clube do Porto, ou amigo chegado de Pinto da Costa. Ou então, por outras razões quaisquer.
Ao fim de uma espera de 500 anos, Ricardo III reapareceu... o que quer dizer que ainda há uma réstia de esperança para os nossos saudosistas, há séculos à espera do regresso de D. Sebastião, subitamente, numa qualquer manhã...
"Nevoeiro" não nos falta... todos os dias!
* Saramago, amigo... não há palavras que cheguem para pedir desculpa por esta insolência!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jaime Neves – Uma grande injustiça



Acho normal que os inimigos de Abril, como o pascácio Passos Coelho (e mais alguns que sobre o assunto se abstenham violentamente), teçam rasgados elogios ao ex-comando Jaime Neves na hora da sua morte. A memória do militar que tão activamente participou no vitorioso golpe militar de 25 de Novembro, contra o 25 de Abril, deve ser-lhes muito grata.
Quanto aos membros da família e amigos chegados, a questão nem se coloca. Estão de luto, como todas as pessoas que estão de luto.
Seja como for, se era para enaltecerem a memória do militar recorrendo aos feitos de que mais se orgulhava... acho uma enorme injustiça que os vários epitáfios elogiosos não incluam os crimes de guerra, os massacres contra crianças mulheres e homens indefesos... esse tipo de “glórias”.

Para acabar, uma contribuição literária/musical: a parte final de um texto de uma cantiga do Zeca que, como bem se sabe, sempre "admirou" o boémio comando "ultra".


Chame-se o Bufallo Bill

Chegue aqui o Jaime Neves

Para recordar Wiriamu,

Mocumbura e Marracuene

Que a cruz gamada reclama

de novo o Grão-Capitão

Só os meninos nazis

Podem levar o pendão

Mas não se esqueçam do tacho

Que o papá vos garantiu

Ao fazer voto perpétuo

De ir prá puta que o pariu.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Obama – O “culambismo” em directo...


Diz uma das notícias sobre a tomada de posse de Obama, que ele está decidido a «apoiar a “democracia” desde a Ásia a África, das américas ao Médio Oriente»... frase que me faz lançar a primeira dúvida:
Eles terão assim mesmo tantas bombas, tanques, navios, aviões e soldados?!
Adiante! É uma velha questão de filosofia política. Quem é mais culpado? Aquele que, pela primeira vez na História da Humanidade, delimitou uma parte do território, até aí sem donos, declarando “Este território passa a ser exclusivamente meu!”... ou todos os restantes que o ouviram e aceitaram a imposição daquela nova realidade... sem luta?
Ao ver o grau de subserviência acrítica com que todas as nossas televisões fizeram “directos” da tomada de posse de Obama, dos seu discurso, da nova franja de Michele... voltando a repetir-se tudo nas aberturas dos telejornais, com comentários, análises e toneladas de “graxa ao cágado”... não posso deixar de me colocar, de novo, a tal velha questão.
Quem é realmente culpado pelo facto de os EUA se sentirem – e bastantes vezes serem de facto – os polícias do mundo?
Ainda fiquei para aqui a fantasiar sobre como seria muito bem feito se eu pudesse “obrigar” os norte-americanos a ver o vídeo da tomada de posse de Cavaco Silva... mas, pensando bem, isso seria, para além de uma enorme crueldade da minha parte para com pessoas que, na sua grande maioria, nunca me fizeram mal algum... uma retaliação bastante desproporcionada em termos de violência visual.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Joaquim Benite – Uma página de História da Cultura




E de repente, nos antípodas do esterco humano que tantas vezes povoa os textos deste blogue, esterco que permanece, teimosamente, sujando e infectando o ar que respiramos... sabe-se da morte de mais um homem bom!
E de repente, de uma forma tão injusta quanto cobarde e despropositada – é sempre assim que a morte chega, mesmo que largamente anunciada – ficamos sem a companhia amiga, solidária e criativa do Joaquim Benite.
Parceiro de conversas cúmplices desde o velho “teatro” numa colectividade em Campolide (onde eu haveria de passar mais tarde com o recém formado grupo de teatro “A Barraca”), de animados e intermináveis leilões de arte, em que quadros a óleo, ou serigrafias, ou simples desenhos, eram oferecidos ao “Teatro de Campolide” pelos artistas plásticos para serem vendidos em sessões de cantigas que nós, os baladeiros, oferecíamos igualmente. Tratava-se de uma espécie de “reforço de subsídio” para os projectos corajosos que ali dirigia. Isto ainda no tempo em que “os avançados morriam ao amanhecer” (1971).
Ajudou a transformar para sempre o teatro em Portugal. Passou da crítica à acção, divulgou autores “inconvenientes”, criou um grande Festival de Teatro, escreveu, interveio, ajudou a rasgar caminhos para o futuro...
Almada acolheu, desde 1978, o seu talento. Proporcionou-lhe uma “casa” com a dignidade que merecia... e ele gostou. Bastava ver o brilho dos olhos quando mostrava o “seu” Teatro de Almada.
Vem aqui fazer um recital dos teus! – dizia-me ele de cada vez que nos víamos por lá – Tens tudo à disposição! É só dizeres o que precisas...
Acabei por nunca ir. Um dia destes alguém há-de convidar-me para ir cantar no “seu” Teatro... e pensarei no sorriso aberto do Joaquim Benite... que vai viver ali para sempre.
Abraço, velho companheiro!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Esquadra de Polícia – Ironias da História


Um querido amigo, com mais uns anitos do que eu e uma vida cheia, moldada por muitos anos de luta contra o fascismo, alguns passados na prisão, voltou, há dias, a ter um “encontro imediato” com a polícia.
Contou-me que, ao ter-se desviado da sua rota normal, pelo facto de ter dado uma boleia, regressou para junto da família por caminhos desconhecidos. Depois de várias hesitações numa rotunda, acabou abordado por uma brigada da PSP. Aí o caldo entornou-se!
Por conta de um mal entendido relacionado a “viatura” em que seguia, mal entendido que só seria desfeito várias horas depois, às tantas da madrugada, acabou o meu amigo por "conviver" com os agentes de uma forma que não esperava.
Quando entrou, aparentemente, em contradição, ao dizer que em tantos anos de vida nunca tinha entrado num carro da polícia, para depois “confessar” que tinha sido preso por várias vezes... respondeu-lhes: “Faço-vos a justiça de não vos confundir com os pides que então me prenderam!”
Os jovens agentes, ao que parece, gostaram da frase... e pronto! Lá ficou o meu amigo satisfazendo-lhes a curiosidade, descrevendo as prisões, as razões por que tinha sido preso, quantas vezes, que a última e derradeira libertação foi já depois do dia 25 de Abril, juntamente com muitos outros presos políticos de Caxias. Os jovens agentes da PSP mostraram-se particularmente interessados em saber “como era aquela coisa da tortura do sono”. E o meu amigo contou...
Poderia ter contado muitas outras páginas da nossa História, em que esteve presente, relatos do tempo em que “A morte saiu à rua”...  mas a esta altura do texto já vocês estarão a perguntar onde raio é que está a “ironia da História” neste longo relato. É simples!
Toda esta insólita “aventura” seguida de “sessão de esclarecimento”, vivida pelo velho lutador pela conquista da liberdade e da justiça, teve lugar numa esquadra da PSP que ostenta uma placa que, mais palavra menos palavra, diz:
“Esta esquadra foi inaugurada por Sua Exa. o Ministro da Administração Interna, Dr. Manuel Dias Loureiro e pelo Exmo. Sr. Presidente da Câmara, Dr. Isaltino Morais”

domingo, 28 de outubro de 2012

Chico Buarque – Chame ladrão!


Servindo-se da sua forma encantadora de, por vezes, retratar realidades sinistras, o Chico Buarque escreveu, há muitos anos, uma canção descrevendo o sobressalto da repressão, da perseguição política, das prisões, da tortura, dos assassinatos, do afastamento, do exílio, do nojo da ditadura militar que durante tanto tempo esmagou o Brasil.
Eram anos de chumbo... em que, como se diz na cantiga, quando a hora chegava, quando "tinha gente lá fora batendo no portão", não adiantava chamar a polícia. A polícia era o inimigo. Era melhor chamar um ladrão...
Também nós já vivemos nesse mundo execrável. Agora, ao arrepio da História e do futuro, há quem esteja a perturbar a nossa linha do tempo, torcendo-a, obrigando-a a apontar de novo ao passado.
Não, inda não chegámos lá! Só que aquilo que é realmente decisivo na História da Humanidade raramente acontece por acaso. O passado só não regressará, se lhe fizermos frente!
Bom domingo!
“Acorda amor” – Chico Buarque
(Francisco Buarque de Holanda)