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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Bento XVI... e Cavaco Silva – Não, não me resigno...


Nem o espectáculo degradante de subserviência arrogante (passe a contradição) que todas as televisões deram, durante toda a tarde e noite, a propósito do abandono do emprego por parte do chefe do estado do Vaticano, me conseguiu irritar tanto, que cometa a desumanidade de tecer comentários sobre o senhor Ratzinguer que não sejam (e dadas as razões que invoca para abandonar): Se está cansado... pois que descanse! Se está doente... boa sorte para os tratamentos!
Posto isto, quem conseguiu tirar-me do sério (para não variar) foi o “pastel de belém”.
Como se não bastasse a escassa legitimidade que os poucos votos lhe deram para falar em nome dos portugueses no que respeita estritamente a questões políticas, que se prendamdirectamente com o exercício da Presidência da República...  o traste teve a suprema lata de pretender falar em nome de todos os portugueses, mas em questões da sua intimidade, espiritualidade e fé. Arregimentando todo o “povo português” como católico – um vício antigo deste tipo de bestas – fez questão jurar ao Papa (entre outras abusivas baboseiras) a “profunda admiração” de todo o povo.
Não vou cair no mesmo erro, falando em nome de “todo o povo”... mas, falando em meu próprio nome, não me lembro de alguma vez ter dado procuração a esta aventesma para me representar seja onde for, em questões da minha intimidade.
Reconhecendo o direito que todos têm para engrossar o caudal de lamentações sobre o abandono de Ratzinger, se assim o entenderem, sinto-me inclinado a ser solidário, apenas, com estes cidadãos em particular... que consideram ter razões para aplaudir a saída do chefe da igreja católica.
Ainda assim, quero acabar com uma contribuição da minha área de actividade, dedicada ao Papa que agora “resigna”...  e que todos podemos cantar em coro:
“Resigneiro” engraçado
engraçado no falariiii
ó i ó ai eu hei-de ir à terra deliiii
ó i ó ai... ... ...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Obama – O “culambismo” em directo...


Diz uma das notícias sobre a tomada de posse de Obama, que ele está decidido a «apoiar a “democracia” desde a Ásia a África, das américas ao Médio Oriente»... frase que me faz lançar a primeira dúvida:
Eles terão assim mesmo tantas bombas, tanques, navios, aviões e soldados?!
Adiante! É uma velha questão de filosofia política. Quem é mais culpado? Aquele que, pela primeira vez na História da Humanidade, delimitou uma parte do território, até aí sem donos, declarando “Este território passa a ser exclusivamente meu!”... ou todos os restantes que o ouviram e aceitaram a imposição daquela nova realidade... sem luta?
Ao ver o grau de subserviência acrítica com que todas as nossas televisões fizeram “directos” da tomada de posse de Obama, dos seu discurso, da nova franja de Michele... voltando a repetir-se tudo nas aberturas dos telejornais, com comentários, análises e toneladas de “graxa ao cágado”... não posso deixar de me colocar, de novo, a tal velha questão.
Quem é realmente culpado pelo facto de os EUA se sentirem – e bastantes vezes serem de facto – os polícias do mundo?
Ainda fiquei para aqui a fantasiar sobre como seria muito bem feito se eu pudesse “obrigar” os norte-americanos a ver o vídeo da tomada de posse de Cavaco Silva... mas, pensando bem, isso seria, para além de uma enorme crueldade da minha parte para com pessoas que, na sua grande maioria, nunca me fizeram mal algum... uma retaliação bastante desproporcionada em termos de violência visual.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Furacão Sandy - Jornalismo miserável - 2


Começando, obrigatoriamente, por desejar que o furacão Sandy passe pela costa dos EUA sem provocar nem um décimo dos estragos que se temem... não posso deixar de dar nota da pedestre parolice e subserviência dos media nacionais (e não só).
Enquanto o furação se passeou pelas caraíbas, provocando pesados estragos, como aconteceu em Cuba, ou estragos agravados com a perda de muitas vidas, como foi o caso no Haiti, para dar apenas dois exemplos, as notícias foram chegando, como meras notícias de mais uma tempestade, com direito a, não poucas vezes, pouco mais do que um pequeno apontamento.
Assim que o “Sandy” rumou à costa leste dos EUA a coisa mudou imediatamente de figura. São directos, são “notícias” do que ainda não aconteceu, notícias dos preparativos, transmissões de discursos e avisos de Obama e do presidente da Câmara de Nova Iorque, o fecho de bancos e do FMI, a teimosia dos "rebeldes" que desafiam o furacão, as alterações nas campanhas eleitorais dos candidatos presidenciais... Resumindo... é o caos!
Dir-me-ão que isso se deve à dimensão das localidades que se espera sejam atingidas e aos milhões de cidadãos que poderão ser afectados. Nada disso!
A grande diferença, com enorme prejuízo para os cidadãos “caribeños”, é que os cidadãos dos EUA... são seres humanos "de primeira"!
Jornalismo miserável!


Adenda (às 12:45):
Infelizmente, se bem que sem as características catastróficas do “Katrina”, de há uns anos, as dificuldades humanas e económicas pelas quais muita gente está a passar, no rasto deixado pelo “Sandy”, são evidentes. Lamenta-se, a cima de tudo, a perda de vidas!
Esperemos que agora os media e os poderes públicos se concentrem no essencial... deixando o espectáculo informativo, as vendas de jornais, as audiências de televisão e os votos... para segundo plano!