Nem o espectáculo degradante de subserviência arrogante (passe a contradição) que todas as televisões deram, durante toda a tarde e noite, a propósito do abandono do emprego por parte do chefe do estado do Vaticano, me conseguiu irritar tanto, que cometa a desumanidade de tecer comentários sobre o senhor Ratzinguer que não sejam (e dadas as razões que invoca para abandonar): Se está cansado... pois que descanse! Se está doente... boa sorte para os tratamentos!
Posto isto, quem conseguiu tirar-me do sério (para não variar) foi o “pastel de belém”.
Como se não bastasse a escassa legitimidade que os poucos votos lhe deram para falar em nome dos portugueses no que respeita estritamente a questões políticas, que se prendamdirectamente com o exercício da Presidência da República... o traste teve a suprema lata de pretender falar em nome de todos os portugueses, mas em questões da sua intimidade, espiritualidade e fé. Arregimentando todo o “povo português” como católico – um vício antigo deste tipo de bestas – fez questão jurar ao Papa (entre outras abusivas baboseiras) a “profunda admiração” de todo o povo.
Não vou cair no mesmo erro, falando em nome de “todo o povo”... mas, falando em meu próprio nome, não me lembro de alguma vez ter dado procuração a esta aventesma para me representar seja onde for, em questões da minha intimidade.
Reconhecendo o direito que todos têm para engrossar o caudal de lamentações sobre o abandono de Ratzinger, se assim o entenderem, sinto-me inclinado a ser solidário, apenas, com estes cidadãos em particular... que consideram ter razões para aplaudir a saída do chefe da igreja católica.
Ainda assim, quero acabar com uma contribuição da minha área de actividade, dedicada ao Papa que agora “resigna”... e que todos podemos cantar em coro:
“Resigneiro” engraçado
engraçado no falariiii
ó i ó ai eu hei-de ir à terra deliiii
ó i ó ai... ... ...


