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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tribunal Constitucional – Umas contas do tempo da velha 4ª classe...




O Tribunal Constitucional, infelizmente, não achou que um aumento da carga laboral dos funcionários do estado, de 35 para as 40 horas semanais – um aumento de mais de 14% - tivesse uma gravidade que justificasse o seu chumbo.
Fez mal! Na verdade, um aumento de horas de trabalho sem o equivalente aumento de vencimento mensal (assim numas contas feitas em cima do joelho)... é um roubo salarial “igual” ao aumento de horas de trabalho não remunerado. Vamos às contas!
Imaginemos um trabalhador que ganhe 1000 euros por mês, logo, mais coisa menos coisa... 250 por semana. Num horário de trabalho de 35 horas semanais, isso daria, em números redondos, uma média de 7 euros por hora. Aumentando o horário de trabalho para as 40 horas, o trabalhador deveria ser aumentado para 285 euros. Se o trabalhador devia receber 285 euros, mas recebe apenas os mesmos 250, isso constitui um roubo de 35 euros, ou seja, um roubo de 12, 280%.
Pergunto-me: se o governo tivesse, depois de todos os cortes anunciados e dos outros, entretanto, já cometidos, apresentado esta medida como aquilo que ela realmente é, um corte extra nos ordenados dos funcionários, um corte de mais de 12 por cento... será que o Tribunal Constitucional que encontrou tantas justificações para o não chumbo, continuaria a achar esta verdadeira "pulhice"... uma coisa minimamente tolerável?

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Iulia Timoshenko – Abra os olhos, minha senhora!!!

Iulia Timoshenko, a vistosa ex-governante ucraniana, dona de um ultra-reaccionarismo assinalável e de uma igualmente assinalável “panca” por tranças loiras (razão pela qual nunca terá andado pelo Chiado o dia inteiro, apregoando raminhos de violetas)... decidiu entrar em greve de fome para forçar o governo da Ucrânia a assinar um acordo com a União Europeia.
Alguém deveria informar Iulia Timoshenko, a vistosa ex-governante ucraniana, dona de um ultra-reaccionarismo assinalável e de uma igualmente assinalável “panca” por tranças loiras... que existem alguns milhões de cidadãos europeus (e outros) que passam fome, exactamente porque os seus governos caíram na esparrela de assinar acordos com a União Europeia!
No caso de Iulia Timoshenko, a vistosa ex-governante ucraniana, dona de um ultra-reaccionarismo assinalável e de uma igualmente assinalável “panca” por tranças loiras, não saber para onde começar a olhar... repare em Portugal!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Margaret Thatcher


Não me lembro de alguma vez ter feito festa pela morte de alguém... mesmo quando, pessoalmente, poderia considerar ter motivos para tal. Daí que as notícias sobre os festejos a propósito da morte de Margaret Thatcher não me agradem... excepto um pormenor de génio, terrível no seu silencioso simbolismo: alguém que foi deixar um ramo de flores e uma garrafa de leite à porta da falecida ex-primeira-ministra, lembrando o facto de ter sido ela a cortar o fornecimento de leite às escolas, deixando milhares de crianças pobres sem o seu leite gratuito.
Na verdade, aqueles que sofreram na pele a paranoia fanática da “dama de ferro” não esquecem que foi ela a percursora de uma trágica viragem na política europeia moderna. Uma viragem para o neoliberalismo mais canalha. Para o egoísmo cego. Para a insensibilidade social. Para o recrudescimento da exploração selvagem.
Na verdade, por mais que os “cavacos” e os “passos coelhos” desta vida a venerem, há quem não esqueça que a megera foi uma espécie de Ronald Reagan de saias que, embora sem o poder bélico dele, era tão ou mais perigosa, por ser infinitamente mais inteligente que o idiótico fantoche dos “boys de chicago”, a matilha neoliberal que o dominava a seu belo prazer.
"Plagiando" (e adaptando) um locutor da velha Emissora Nacional dos tempos de Salazar, numa famosa piada de improviso e em directo na chegada da rainha Isabel II a Lisboa, piada que lhe valeu uma suspensão...
“Vai descer à terra a ex-primeira-ministra da Ingladita!”

sábado, 12 de janeiro de 2013

A fome programada


Por culpa de regras estúpidas quanto à “beleza” e uniformidade de tamanhos e aspecto de frutos e legumes, por prazos de validade exageradamente curtos, por manobras de marketing que levam ao consumo exagerado, etc., etc., que o lucro é "sagrado"... «metade dos géneros alimentares que são produzidos, vão para o lixo».
São milhares e milhares de toneladas de alimentos perdidos por dia, num criminoso caudal de desperdício, apenas para manter os preços “interessantes” para os distribuidores e as grandes superfícies. É o capitalismo em todo o esplendor do seu “grande apego” à dignidade dos seres humanos e à sua qualidade de vida!
Lembremo-nos disto sempre que mais um qualquer canalha tente vender-nos a ideia de que a fome é uma fatalidade e que a pobreza de milhões de cidadãos é apenas mais uma “inevitabilidade”.

sábado, 1 de dezembro de 2012

1º de Dezembro – Em nome da higiene...


Hoje é o Dia 1º de Dezembro, “Dia da Restauração”... dia que iniciou, desde os idos de 1640, uma saudável, eficaz, muito urgente e higiénica tradição:
Hoje é dia de atirar o lixo pela janela fora!
Encontremos a janela!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Armadores armados em... sei lá...


Os sindicatos do sector classificam como puro disparate a proposta da Associação de Empresas de Navegação, que defendem, como meio de boicote à greve dos estivadores, a «utilização de militares para operar nos portos».
Mesmo sem saber de onde raio é que os empresários tiraram a ideia peregrina de que os militares têm competências para operar em actividades portuárias comerciais... não me espanta a proposta.
Bem espremidos, bem espremidos... muitos desses armadores acabariam por confessar que querem os militares - os seus militares! - a controlar os portos, as estradas, as cidades, as vilas, as aldeias, os jornais, as televisões, a rádio, o Parlamento, o Governo...
Já se tem visto muito disso! No Chile de Pinochet, em muitos países da América Latina e um pouco por todo o mundo! Ditaduras militares cujos regimes de cariz fascista, eventualmente, acabam mal... mas que, entre o seu princípio e o fim, costumam deixar um rasto de milhares de pessoas assassinadas.
Pela irritação crescente dos senhores armadores, apoiada pelos partidos da extrema direita instalados no Governo de Portugal, não duvido que os estivadores em greve seriam “candidatos” às primeiras valas comuns.
Senhores armadores...  enquanto podem, dediquem-se ao que sabem fazer: Mandar carregar e esvaziar contentores e encher os bolsos à custa do trabalho alheio!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Génio de capitalistas espreme trabalhadores portugueses


Não, o título deste post não é uma tentativa de fazer um trocadilho com os chorudos ordenados dos jogadores de futebol, já que estes, ao que me dizem, dependem exclusivamente do “mercado”... e eu, como vai sendo sabido, não entendo bulhufas deste tipo de “mercadorias”.
Sendo assim, o meu título não é um trocadilho, ou uma piada, mas sim o melhor comentário ao título do CM que vem logo abaixo da festa da bola, dando-nos conta dos 605 mil portugueses que sobrevivem com o Ordenado Mínimo Nacional. Sobretudo, com a parte da capa que, em letras mais pequenas, nos diz ter esse número de portugueses ainda mais violentamente explorados do que a média aumentado para o dobro (*), em apenas quatro anos.
Haveria muito para dizer sobre esta realidade... mas nunca um trocadilho ou uma piada!
* Notícia um pouco mais desenvolvida na "Agência Financeira", já que a notícia do "Correio da Manhã" é exclusiva da edição em papel, pelo menos até ao fim do dia.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A arte do "pastoreio"


Diz-me um estudo agora divulgado que a satisfação com a democracia atinge mínimos históricos.
Isto vem mostrar que o grande capital, para além de enriquecer pornograficamente com a exploração das ovelhas, sugando-lhes o leite, tosquiando-lhes a lã, retalhando-lhes a carne, triturando-lhes os ossos... também garantiu uma forma de ter o rebanho exatamente onde quer.
Para isso, conta com o implacável pastoreio de governantes feitos à medida, analistas, comentadores, politólogos, jornais, televisões. Todos empenhados em fazer crer que aquilo por que estamos a passar não é capitalismo selvagem, não é exploração, não é roubo, não é crime... mas sim democracia.
Há que juntar ainda o precioso contributo de alguns dos chamados movimentos cívicos que, em muitos casos, muito mais do que atacar os exploradores, têm como maior bandeira o ódio aos partidos políticos, como se todos fossem iguais.
Está assim criado o caldo em que o rebanho, em vez de culpar pela sua situação quem o explora, em vez de reagir às feridas infligidas pelos cães... culpa a democracia.
O despertar poderá tardar... mas será violento!

sábado, 5 de novembro de 2011

Que Economia?


Estou consciente de que a ignorância tem uma quase irresistível atração pelo atrevimento. Logo, a minha vasta ignorância sobre os mistérios da Economia pode levar-me a atrevimentos homéricos. Mesmo assim...
Em que diacho de escola de Economia terão ensinado ao nosso ministro da dita, que a “produtividade” está ligada à duração da jornada de trabalho?
O homem não se cansa de falar em ganhos de produtividade, para justificar o aumento das horas e dos dias de trabalho.
Desde quando é que um trabalhador, obrigado a trabalhar mais horas, mas pelo mesmo salário, logo, passando a ganhar menos, tem a motivação ou frescura física e mental para se tornar mais produtivo?  Mesmo que produza mais peças... muito dificilmente aumentará a sua produtividade; apenas o volume da produção.
Assim sendo, conseguido um aumento de produção, com a mesma despesa em salários... estou a ver mal, ou quem ganha é o patrão?
Assim sendo, conseguido um aumento de produção, com a mesma despesa em salários... estou a ver mal, ou dependendo da dimensão e estrutura de muitas empresas, isto levará apenas ao despedimento de mais trabalhadores, por mais que lhe chamem “dispensa de colaboradores”?
Mas é como já disse: eu, de Economia...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Álvaro Santos pereira... num mundo ideal




Qualquer trafulha, dono de uma fabriqueta de têxteis, onde explore, por exemplo, 150 trabalhadoras produzindo em condições de salubridade dignas do terceiro mundo e ordenados abaixo dos quinhentos euros, sabe o que tem de fazer para comprar o novo Mercedes de 75.000 euros, caso não tenha o dinheiro ali mesmo á mão: não pagar os vencimentos desse mês às operárias, sob uma qualquer desculpa esfarrapada... e depois logo se verá.
Em traços largos é isto a grande “ideia económica” deste governo de trafulhas. Em traços largos é esta a política “económica” do ministério da dita Economia e do Emprego, cuja cara (chamemos-lhe assim...) é Álvaro Santos Pereira. Em traços largos é esta a única ideia verdadeiramente original do traste que presentemente ali faz as vezes de ministro: aumentar os dias de trabalho, aumentar as horas de trabalho por dia... mas sem pagar. De preferência, reduzindo mesmo os salários.
O bandalho bolçou recentemente para uns microfones que lhe esticaram à frente da fronha, um «apelo aos parceiros sociais para que se deixem de "guerrinha" e enveredem pelo diálogo».
Ora, como as várias associações patronais têm, no essencial, aplaudido as propostas do ministro e contribuído até com sugestões do tipo “se um diz mata, o outro diz esfola”, na tentativa de rapidamente, enquanto o vento lhes é favorável, destruírem o edifício de direitos laborais e sociais que custaram muito suor, muita luta e muitas vidas, um edifício que levou gerações a construir... o bandalho só pode estar a dirigir-se aos sindicatos, cujas Centrais, embora com diferentes graus de intensidade e coerência, contestam e combatem a política do governo. Não perdeu a oportunidade para insultar os trabalhadores, ao apelidar as suas mais do que justas lutas de “guerrinha”.
Num mundo ideal, este tipo de calhordas não seria ministro de coisa nenhuma. Num mundo ideal e politicamente escorreito, não existiria tal governo, sendo que um tão grande ajuntamento de bandidos só seria possível de encontrar no seu habitat natural: os pátios das penitenciárias.
Num mundo ideal e politicamente escorreito, não haveria tantos cidadãos alheados daquelas que deveriam ser as suas causas, assim permitindo que esta corja alterne no poder há décadas.
Num mundo ideal... mas (há que dizê-lo) “politicamente incorreto”, o jornalista, certamente ele próprio sindicalizado, teria enfiado o microfone nos dentes do escatológico ministro, enquanto este bolçava as suas “ideias”.
Decididamente, está à vista que não vivemos no mundo ideal...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Trabalho - Atraso civilizacional e social de séculos


O governo não deve ter noção da «gravidade destas medidas», diz o economista João Ferreira do Amaral, a propósito do aumento de horas de trabalho sem remuneração, pois «há séculos que não existia trabalho obrigatório e não remunerado».
Achar que o governo não tem “noção” do que está afazer é, evidentemente, um acto de “boa vontade” do economista. Na verdade, o governo Passos/Portas não só tem toda a noção, como vai numa escalada de desvergonha nos seus ataques aos mais elementares direitos de quem trabalha... ou já trabalhou.
O governo abriu a porta ao aumento de meia hora de trabalho por dia... e o patronato fez de conta que não gostava muito da ideia... por ser pouco.
O governo abriu ainda um pouco mais a porta, acenando com a criação de um “banco de horas” que poderão ser acumuladas, sendo o trabalhador obrigado a aceitar trabalhar quando o patrão quiser... e o patronato já não esconde a satisfação.
O governo escancara as portas para a possibilidade de os trabalhadores virem a ter as férias reduzidas, feriados cortados e terem que cumprir o tal “banco de horas” aos sábados, sem que os patrões sejam, sequer, obrigados a comunicar a sua decisão a quem quer que seja e os cabrões, perdão... patrões, já dão saltos de contentes.
Cinicamente, o governo promete incentivos em dinheiro aos patrões que criem novos postos de trabalho. Quem é que quer criar postos de trabalho, se pode dispor dos trabalhadores que já tem, para trabalharem sempre que o patrão quiser... e sem ter que lhes pagar um cêntimo?
Para quando começar a pagar, não em dinheiro, mas em senhas com que os trabalhadores possam fazer compras apenas em lojas dos patrões para quem já trabalham?
Para quando, acabar de vez com essa maçada dos ordenados, arranjar umas barraquitas para os trabalhadores viverem junto às empresas, onde passarão a trabalhar apenas a troco de comida suficiente para sobreviverem... se forem saudáveis?
Para quando a coragem de acabarem com a mania de dar nomes esquisitos e complicados às empresas... passando a chamar-lhes apenas roças?
Salazar não teve a coragem de obrigar os portugueses a trabalhar sem remuneração. Felizmente, estes bandalhos não vão estar tanto tempo no poder!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Olli Rehn - O bandalho


De todos os bandalhos – e são tantos! – instalados nas instituições europeias e organismos da UE, bandalhos que ninguém elegeu e que tratam a UE e os países membros como coisa sua, há um canalha que se destaca no asco que (me) provoca: o comissário dos assuntos económicos Olli Rehn.
Bem em consonância com os tiques típicos da sua região de origem, este verdadeiro inútil raramente consegue esconder o desprezo que lhe inspiram os Parlamentos e os deputados eleitos pelos povos dos países membros da UE. Raramente consegue disfarçar o nojo com que lida com “a gentinha do sul”. É-lhe impossível não revelar o xenófobo sentimento de “superioridade racial” que escorre como lama de quase todas as suas declarações.
Há uns meses, dizia que já tinha tido «demasiada paciência e imaginação» com Portugal.
Há dias, numa reunião sobre “recomendações” económicas aos países membros da UE, declarou que «a Portugal cabe simplesmente implementar o programa acordado com a troika».
Agora, sobre a Grécia e defendendo que «não há plano B para evitar a bancarrota», afirma que mais austeridade, independentemente do que queiram, pensem, ou votem os deputados eleitos e o povo grego... «é o único caminho».
Começa a já nem ser preciso dizer o que penso desta caricatura manhosa de democracia em que vivemos, a mando de gangsters internacionais e dos seus lacaios locais.
Posso não viver tanto... mas assim como já antes vivi para assistir à morte do bandalho António de Oliveira Salazar e da sua ditadura fascista, viverei até quando for possível, perseguindo o sonho de ver estes bandalhos modernos com os dentes partidos. (Sim, sim... hoje estou irritado e com falta de pachorra...)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ferraz da Costa – Aí estão os vermes a sair de baixo das pedras...




Ferraz da Costa foi durante anos presidente da CIP. Agora preside a uma coisa qualquer que se chama “Fórum para Competitividade”. Interpretando o sentimento dos seus comparsas e indo bem mais longe do que o seu novo funcionário no Governo, Pedro Passos Coelho, Ferraz da Costa quer um corte de vinte pontos percentuais na Taxa Social Única (TSU), que assim passaria para uns meros 3,75%.
Para “compensar” esta brutal queda no financiamento da Segurança Social, propõe que se taxe praticamente tudo o que existe... a 23% de IVA. Tem tudo bem pensado: se alguém disser que isso vai aumentar a pobreza, esmagando a já deficiente capacidade de consumo de milhares de famílias... é porque «não percebe muito do assunto», como diz ser o caso de Jerónimo de Sousa.
Diz ainda que o facto de os patrões quase deixarem de contribuir para a Segurança Social terá «um efeito muito poderoso nas exportações e nas importações»… sabendo bem, o escroque, que a única coisa que ficará muito mais poderosa serão os motores dos automóveis dos seus bem amados “empresários”, que sonham com um mundo povoado por trabalhadores com um Salário Mínimo de miséria, obrigados a trabalhar sem direitos nem segurança, para financiar o seu próximo Ferrari, ou Lamborghini, ou Porsche Panamera… mais o jipe Cayenne Turbo de 500 cavalos… para ir ao campo.
Não passam de vulgares bandidos, representantes de um sistema criminoso!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Dia Mundial da Criança – Quando?


Apesar das boas intenções e dos discursos piedosos, apesar da luta sincera de muitos e de algumas vitórias e avanços, a realidade de todos os dias do ano é a da exploração sexual de crianças, do trabalho infantil, das crianças-soldados, dos números aterradores da mortalidade ao nascer (ou pouco depois), a pobreza infantil (só na UE são 20 milhões!) e, a montante de tudo, a montante de toda a miséria e injustiça que tudo isto produz, a exploração desenfreada dos seus pais e das suas mães.
Com que cara ficarão os grandes senhores do “primeiro mundo” (e alguns do “terceiro mundo”) quando todas as crianças, de todo o mundo e todos os “mundos”, tiverem razões para sorrir, assim, como se fossem um sol?
Para quando um “Dia mundial do Julgamento” dos senhores que há tanto tempo andam a roubar os sorrisos das crianças?

sábado, 2 de abril de 2011

Agências de “rating”, gangsters e extorsão – Quem sai aos seus...


Basta dar uma vista de olhos aos chamados governos da europa comunitária, para perceber quem realmente governa. O alegado governo de Portugal, recheado de “funcionários” dos grandes grupos económicos e de jovens “políticos”, candidatos a lugares nesses grupos assim que cessarem funções no alegado governo... é um dos melhores exemplos.
Mesmo assim, os “mercados” tentam fazer passar a ideia de que entre os governos e o poder do capital existem apenas relações “institucionais” e não promiscuidade. Para isso, foi criada toda uma parafernália de máscaras e jogos de engano, truques que permitem aos capitalistas/governantes e aos governantes/capitalistas passarem por gente honesta. Uma dessas encenações são as chamadas “agências de notação”, com os seus já famosos “ratings”. Foram inventadas para criar a ilusão de que os trabalhadores não são roubados diretamente pelos governos e pelos patrões, mas sim por imposição destas “agências”, que decidem sobre a economia de países inteiros, fazendo de conta que são independentes e não o “braço armado” do patronato, dos bancos, dos “mercados”.
Já temos a nossa dose. Os trabalhadores e até os reformados portugueses têm uma longa experiência de sacrifícios decretados por estas agências, que fazem transitar milhares de milhões de euros dos seus bolsos, poupanças, salários e reformas, para as contas bancárias dos multimilionários que estão realmente por detrás destes “ratings”.
Até agora os canalhas limitavam-se a fingir subir ou descer as suas “classificações”, como reação a uma qualquer situação objectiva das economias... e foi ver  a “Standard & Poor’s”, a “Moody”, a “Fitch”, a fazerem malabarismos com as classificações dos bancos e da dívida soberana e outra vez dos bancos... só que isso já não é suficiente. Os reais patrões destas “agências” acham que não estão a enriquecer à velocidade que pretendem e fazem tudo para recuperar de um dia para o outro os milhões que, por incompetência e excesso de ganância, alguns perderam na recente grande crise internacional. Assim, passaram a exigir dinheiro e sacrifícios, por conta de cenários futuros, realidades virtuais, factos que ainda não ocorreram e outros que só ocorrerão se eles os provocarem.
É aí que entra esta novidade: uma dessas agências, a FITCH, ameaçou, há um par de dias, descer a classificação da República Portuguesa se esta não fizesse a vontade aos seus patrões, pedindo os milhões da “ajuda” do FMI. Não foi “conversa”. Poucas horas depois da ameaça e dado a não satisfação da sua exigência, passaram da ameaça para a execução da dita. Desceram o “valor” do país para apenas um degrau acima da classificação de “lixo”.
Enquanto vou tentando imaginar o que poderei (poderemos) fazer para colocar à frende dos governos verdadeiros patriotas, que não se corrompam e que criem, com o empenhamento e o contributo dos povos, uma alternativa a esta canalha... ainda tenho tempo para duas perguntas/reflexões um pouco menos “sérias”:
1. Como é possível que tantos milhões de pessoas não tenham ainda descoberto que não existe diferença de qualquer espécie entre estes bandidos que nos ameaçam com cortes nos “ratings” e os outros bandidos (que pelo menos davam a cara), como Al Capone, ou John Dillinger, cujas organizações mafiosas também enriqueceram oferecendo “proteção” contra ameaças e perigos que eles próprios se encarregavam de fazer acontecer, caso os comerciantes não lhes pagassem essa “proteção”.
2. Como é possível que, segundo os jornais, Portugal tenha uma tão baixa taxa de fertilidade... apesar da cadência ininterrupta e diária com que todos somos tão completamente “fecundados”?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Hienas à solta






Quanto mais dificuldades têm, mais as pessoas são dadas a pagar as suas contas a tempo e horas e fazer da honradez uma marca distintiva de vida. O “desprezo” por questões de dinheiro é apanágio daqueles que têm muito. Assim, quando uma família mais pobre não paga, por exemplo,  uma conta da água dentro do prazo, o mais certo é fazê-lo por não ter dinheiro disponível e não por displicente “distração”.
Com a entrada em vigor do Orçamento de Estado 2011, «os consumidores que não paguem a água a tempo vão passar a incorrer imediatamente em processo de execução fiscal, passando a pagar o dobro do valor que consta da factura», em vez do pequeno juro de 1 por cento ao mês que pagavam antes.
Esta é mais uma medida que mostra o carácter humano e “socialista” deste Governo e do seu OE… que não aprovou sozinho, é bom recordar.
Aqueles que contribuíram com o seu voto para a aprovação deste Orçamento de Estado, mas não se deram ao incómodo de ver, ou questionar medidas como esta, deviam envergonhar-se. Já aquelas hienas que sabiam muito bem o que estavam a votar, nem têm classificação possível! Pelo menos uma que não me cause imediatamente problemas com a “sua” justiça.
Sinto-me muito bem do lado dos que votaram contra!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Maria – Um (outro) conto de Natal


(Gustav Klimt - "Mother and child")

O seu nome é Maria. É mãe de cinco crianças. Trabalhava na cantina de uma escola... foi despedida! 

Na cantina escolar onde trabalhava a Maria, o destino dos restos de comida é o lixo... e a Maria pensou que poderia levar alguns desses restos para casa, para dar aos filhos, numa tentativa de remediar, mesmo que só um pouco, o ordenado miserável. Enganou-se! Para a “Eurest”, a empresa privada que, com o dinheiro dos nossos impostos, lucra com o negócio de muitas cantinas escolares, para além desta de Vila Nova de Gaia, isso é intolerável e motivo para despedimento. 

Se os meus amigos e amigas se derem ao trabalho de ler a notícia do CM, verão que este nem é sequer um caso isolado; a empresa tem por norma ser implacável com as funcionárias, mesmo que estas se limitem a ter a “ousadia” de guardar umas sobras do seu próprio almoço, no cacifo... para quando chegarem a casa, já tarde. 

Lembra, e bem, o presidente do Sindicato da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restauração e Similares, que a “Eurest” faz parte da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), associação que promove a campanha “Direito à Alimentação”, campanha em que aparece, alegre e mediaticamente, ao lado do Presidente e candidato a “Represidente”, Cavaco Silva, nas suas ações de campanha eleitoral à custa dos pobres… dos quais descobriu, subitamente e por estes dias, ser extensamente amigo. 

É natal! Tempo em que alguns sentimentos nobres são vergonhosamente obrigados a conviver com a mais abjecta hipocrisia. 

«Glória a Deus nas Alturas, paz na Terra, aos homens de boa vontade». 
(Evangelho Segundo S. Lucas, capítulo dois, versículo catorze)