quarta-feira, 1 de junho de 2011

Marilyn Monroe – (1926-1962)


“Hollywood é um lugar onde te pagam mil dólares por um beijo
e cinquenta cêntimos pela alma”
Marilyn Monroe

Esta senhora faria hoje 85 anos. Nasceu Norma Jeane, em 1026. Morreu Marilyn apenas 36 anos depois. Pertence à galeria daqueles que, tragicamente, ficaram para sempre jovens.
Passou os últimos anos da sua existência a dar vida a um “boneco” de menina tonta. Porque isso dava muito dinheiro aos estúdios de cinema. Porque isso deu jeito até ao execrável John Kennedy... o que poderá, ou não, ter estado na base da sua morte (dela, evidentemente!).
A frase que em cima reproduzo, uma apenas entre muitas, dá-nos conta de uma outra Marilyn Monroe. Uma mulher que pensava, que escrevia, que conhecia muito bem a textura da lama em que tinha escolhido mover-se... na busca do aplauso, da fama, de uma ilusão de felicidade.
Dedico-lhe este post... que no fundo é apenas um pretexto para falar de um guarda-chuva às bolinhas que um dia fez companhia a esta minha colega... que quase ninguém lembra o quanto cantava bem.




terça-feira, 31 de maio de 2011

Passos Coelho – A fotografia possível


Um turista entrou numa pequena loja de Genebra cuja montra estava profusamente decorada com relógios suíços de todas as marcas... e afivelando o seu melhor francês, pediu:
- Gostaria de levar aquele relógio, ali... aquele... com a mesma marca dos canivetes...
- “Pardon monsieur”... mas isto é uma pequena clínica para animais, especializada em castrar gatos...
- Então se é uma loja para castrar gatos, porque raio é que decoram a montra com relógios?!
- Francamente!... O cavalheiro queria que decorássemos a montra exatamente com o quê?!!!
Este pequeno pedaço de "literatura de viagens" serve apenas para justificar a razão pela qual, desta vez, não utilizei nenhuma fotografia de Pedro Passos Coelho para ilustrar a sua satisfação com o facto de a “troika”, descaradamente, "sugerir" mudanças no governo de Portugal e a criação de “altos comissários” para tratar dos seus negócios no país... independentemente de haver ou não eleições e muito menos dos seus resultados. Presumo que a satisfação de Passos Coelho - entretanto e como vai sendo hábito, já "corrigida" -  se deve ao pressentimento de que a “troika” o prefere para gerente local dos seus interesses. Claro que isto permitiu imediatamente a Sócrates auto-proclamar-se, vá lá... menos lacaio do que o líder do PSD.
Portanto, hão de compreender que "decore" este post também com um relógio suíço... já que a fotografia de um candidato a governante, de cócoras, não é muito edificante; e então, quando começa a mostrar o rabo...

Oh, não! Mais um post sobre as “Escadas Monumentais”!


Andava há dias a hesitar sobre o entrar ou não entrar no debate sobre as pinturas da CDU nas escadarias na Universidade de Coimbra.
Primeiro, porque os universitários em geral e os de Coimbra em particular, tem um modo de nomear as coisas que pode intimidar os futricas como eu. Aliás, não sendo de Coimbra, nem sei se posso assim usurpar o “título”.
Quero dizer: àquilo que um vulgar cidadão chamaria porta, portão de ferro, ou simplesmente portão, o estudante de Coimbra chama pomposamente “Porta Férrea”... transformando o objecto numa entidade quase com personalidade; ao professor a que normalmente se chamaria Reitor... não resistem a chamar (nisto não estão sós) “Magnífico Reitor”... o que é muito mais majestoso, embora possa soar um pouco ridículo aos leigos; àquilo que qualquer pessoa normal chamaria escadas... eles chamam, estrepitosamente, “Escadas Monumentais”... deixando muito pouca margem para se classificar decentemente o Mosteiro da Batalha, ou os Jerónimos... mas adiante!
Segundo, porque a questão da “legalidade” das pinturas já foi resolvida por quem de direito.
Terceiro, porque quase tudo o que, politicamente, havia a dizer sobre o assunto, já foi dito em jornais blogues e as suas respectivas áreas de comentário dos leitores, que foram inundadas de opiniões de sinais contrários, trocadas de forma normal, ou sob a forma de despejo de toneladas do habitual esterco ultrarreacionário.
Quarto, porque devo confessar ser avesso às pinturas de espaços públicos, sempre que os locais são mais “qualificados” do que os vulgares muros degradados, casas decrépitas (que não poucas vezes ficam a ganhar com as pinturas) ou pilares de viadutos. Acho sempre preferível que a propaganda seja feita recorrendo aos meios convencionais, não se colocando na posição de acabar por ser atacada, não pela mensagem, mas pelo local em que é divulgada.
Acontece que ao ver esta fotografia - descaradamente surripiada ao blog “Aventar” – decidi que ela era a melhor “testemunha de defesa” da CDU em toda a polémica. Torna-se evidente que, neste caso, a CDU de Coimbra nunca poderia estar à espera de uma tal reação da parte dos estudantes que decidiram usar as pinturas como pretexto para fazerem o seu pequeno espetáculo anticomunista... aos gritos de “Vandalismo! Vandalismo!”, pela simples razão de que tem sido normal e repetida ao longo dos anos a utilização da porcaria das escadas para fins de propaganda política e como "cartaz" das diversas lutas estudantis.
Na verdade, muitas outras fotografias de pinturas monumentais feitas na vulgar escadaria desde os tempos do fascismo, poderiam ilustrar a hipocrisia rasteira dos meninos e meninas qua ali foram gritar a sua monumental mentira sobre o carácter sagrado dos degraus de pedra... mas esta, muito mais recente, mostrando as escadarias “monumentalmente vandalizadas” pela Juventude Socialista, poupa o trabalho de pesquisa.
Como nota final neste post e neste assunto, fica uma reflexão: das duas uma, ou os meninos e meninas das fardazinhas à estudante (costume irritante!), oriundos da JS (onde milita o actual presidente da AAC), JSD e, como sempre, com a ajuda do CDS, não conhecem a História das suas “Escadas Monumentais”, o que aconselharia que se informassem antes de fazerem a triste figura que fizeram... ou então conhecem... e provaram que são excelentes alunos da cadeira de “canalhice política”, uma “valência” que certamente os levará longe nos seus respetivos partidos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Apagão nuclear... e cerebral


Sob o título «Governo anuncia abandono do nuclear até 2022», o jornal gratuito “Destak” dá-nos conta da intenção da Alemanha fazer aquilo a que chamam o apagão definitivo das suas várias centrais de produção de energia nuclear. Faz muito bem a Alemanha... seja por convicção ecológica (duvido!), seja por pressão dos constantes incidentes, envolvendo centrais nucleares, como foi (e está a ser) o recente caso do Japão.
Por qualquer razão obscura, o “jornalista” de serviço achou por bem ilustrar esta notícia com uma fotografia de um qualquer míssil (o Nuno Rogeiro deve saber o modelo e número de série), deixando no ar a confusão entre a energia produzida por reatores nucleares e que serve para alimentar fábricas, comboios elétricos, torradeiras e máquinas de barbear... com o universo dos arsenais de guerra e das bombas atómicas.
Provavelmente o “jornalista” não distingue uma coisa da outra... mas mesmo assim, a pergunta que fica é: quem fez desta gente... jornalistas encartados?
E ando eu há tantos anos a gozar com a célebre estória de um locutor da nossa rádio – cujo nome não vem ao caso – que em direto disse aos microfones: «hoje é um dia muito especial para nós, os profissionais da rádio... pois faz “n” anos que madame Curie descobriu o rádio...»

Freitas do Amaral – Mais rápido do que a própria sombra *


O professor Diogo Freitas do Amaral tem um percurso de vida notável. Uma espécie de viagem fascinante... que só não vai bem com pessoas que tenham tendência para enjoar com as curvas acentuadas e lombas vertiginosas.
Assim num simples esboço de resumo:
Desde «devoto de Salazar», como afirmava Marcelo Caetano, passando pela fundação do CDS, com um programa que ia “rumo ao socialismo” (na época rumavam todos!); passando por uma candidatura presidencial de direita, contra Soares... e depois passando a sentir-se muito bem ao lado do mesmo Soares; passando depois pela descoberta de Sócrates, com tal agrado que aceitou ser seu ministro... tendo agora passado a achar que Sócrates, afinal, tem «pouca cultura democrática» e acabar a achar que «Pedro Passos Coelho é que é a solução»... Freitas do Amaral já disse de tudo, já provou de tudo, já esteve com (quase) tudo, desde que isso lhe cheire a lugar ou sinecura.
Estou aqui a ver se me lembro de nos últimos tempos ter visto uma coisa assim triste, patética, graxista, oportunista, invertebrada, direi mesmo... langanhosa... mas apesar do esforço, não estou a ver!
* Que me perdoe o Lucky Luke... que é uma figura divertidíssima, mesmo que apenas de ficção.

domingo, 29 de maio de 2011

Viola enluarada – Se for preciso...



Ouvi pela primeira vez esta canção no disco “Cri du Chili” da mítica editora “Chant du Monde”, a editora “diferente”, que me tinha dado, entre muitos,  discos de Luís Cília, Paco Ibañes, Atahualpa Iupanqui, o brasil até aí desconhecido para mim da Zélia Barbosa e o seu “Sertão e favelas” (saudades da “Chant du monde”!).
O disco “Cri du Chili” era (e é) do grupo chileno “Aparcoa”, um fantástico projeto de recuperação de música tradicional e de produção de canção de intervenção... que era “a menina dos olhos” do poeta Pablo Neruda. A sua versão em castelhano desta canção, que ficou com o nome de “Guitarra enlunarada”, era tão boa... que durante algum tempo pensei que fosse deles... apesar daquelas referências ao “samba” e à luta “capoeira”, que me intrigavam. Tanto intrigaram que, mesmo sem internet (estávamos em 1975 e o disco era de 73), acabei por “descobrir” que se tratava de uma versão da canção brasileira, “Viola enluarada”, dos irmãos Marcos Valle (música e voz) e Paulo Sérgio Valle (letra), gravada num LP de 1968.
Diz a “lenda” que os jovens irmãos Valle terão participado num concurso artístico, num programa de televisão, em que os concorrentes eram desafiados a “ir lá para dentro” e, num curto espaço de tempo, produzirem uma canção capaz de ser tocada e cantada em direto no programa. Saíram-se com esta verdadeira pérola que, para além de um belo acto cultural, foi também um acto de coragem, se pensarmos que nessa altura o Brasil vivia em pleno regime militar ditatorial (e sangrento), um período negro que ficou conhecido como “Os anos de chumbo” e que se estendeu bem para lá do nosso 25 de Abril de 74.
Como “extra”, a gravação tem a participação vocal (no final da canção) do então muito jovem Milton Nascimento.
Como disse, este disco foi gravado corria o ano de 1968. A ditadura brasileira estava para durar... e cá em Portugal, o fascista Salazar teve o seu mui feliz encontro com a famosa e abençoada cadeira...
Bom domingo!

Viola enluarada
(Paulo Sérgio Valle/Marcos Valle)

A mão que toca um violão

Se for preciso faz a Guerra
Mata o mundo, fere a terra

A voz que canta uma canção

Se for preciso canta um hino

Louva a morte


Viola em noite enluarada

No sertão é como espada

Esperança de vingança

O mesmo pé que dança um samba

se preciso vai à luta

Capoeira


Quem tem de noite a companheira

Sabe que a paz é passageira

Pra defendê-la se levanta

E grita: Eu vou!


Mão, violão, canção, espada
e viola enluarada

Pelo campo e cidade

Porta bandeira, capoeira

Desfilando vão cantando liberdade!

Quem tem de noite a companheira

Sabe que a paz é passageira

Pra defendê-la se levanta

E grita: Eu vou!


Porta bandeira, capoeira

Desfilando vão cantando liberdade, liberdade!

“Viola enluarada” – Marcos Valle e Milton Nascimento
(Paulo Sérgio Valle/Marcos Valle)



sábado, 28 de maio de 2011

O Condestável descola na tabela classificativa


Mesmo estando convencido de que durante os meus tempos de fumador entusiástico, consegui produzir mais “beatas” do que a Igreja Católica em toda a sua existência... a capacidade “beatificante” daquela organização não pára de me assombrar. Para além de que também conseguem fabricar “beatos”... coisa que eu nunca soube como se fazia.
Só para lembrar os mais próximos:
Ele foi o “Condestável” D. Nuno Álvares Pereira, que tendo hoje o seu nome muito justamente ligado a azeites virgens da mais fina qualidade, teve mesmo assim a generosidade de fazer um milagre envolvendo batatas fritas no mais humilde óleo para frituras, nem sei se de girassol, se de amendoim.
Ele foi o papa polaco João Paulo II, que fez o espantoso milagre de aparecer todo sorridente, ao lado de um Augusto Pinochet, também todo sorridente, a uma das varandas do Palácio de La Moneda... o mesmíssimo lugar onde este último, havia apenas catorze anos,  tinha assassinado o Presidente Salvador Allende e empapado as mãos com o sangue do massacre de mais de trinta mil chilenos. João Paulo II conseguiu estar ali, durante um bom pedaço... sem que que o seu Deus lhe tenha acertado com um raio nas pontificais trombas. Um assinalável milagre, portanto... embora o Vaticano apenas lhe reconheça um outro milagre, envolvendo uma freira francesa que padecia da doença de Parkinson.
Ele foi a nossa irmã Maria Clara (não confundir com a cantora Maria Clara, mãe do Dr. Júlio Machado Vaz... que essa apenas produzia o milagre de fazer parecer a “Costureirinha da Sé” uma canção suportável)... foi a nossa Maria Clara, como dizia, que restaurou um braço desenganado dos médicos a uma espanhola...
... e agora mais um. Agorinha mesmo... mais precisamente, ontem à tarde.
Cheguei a casa, meio esparvoado de calor e deitei mão a um destes belos copos de “Refrigerantes Condestável”. Bebi apenas uns goles e... milagre!, a singela bebida fez jus à palavra “refrigério”. Fiquei como novo! Qualquer médico é capaz de atestar que eu estou que pareço uma pessoa que nunca teve aquela sede que me finava e definhava por dentro. Acho que serei até capaz de voltar a sair à rua!
Portanto o papa João Paulo II (que já tem quem ande a tratar disso) e a nossa Maria Clara vão ter que se esforçar mais um pouco. O “Condestável” já está a ganhar...